BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região. *



Somos a memória que temos

(José Saramago)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Presépio

Eliana Belo Silva
originalmente publicado na Revista Imediata de dezembro de 2011

E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem
Lucas 2:7



Era um verdadeiro acontecimento religioso, cultural, turístico e porque não dizer tecnológico em nossa Indaiatuba antiga.

Fez parte durante muitos anos das mudanças que aconteciam na época do Natal, esse período que, ainda hoje e creio que para sempre, ficamos mais sensibilizados principalmente pela renovação da fé.

Praticamente todos os cidadãos da (ainda) terra dos indaiás iam até a casa dele para ver o presépio, que não era pequeno, nem tão pouco tradicional.

Não era somente composto pelos pais Maria e José, pelos Reis Magos e pelos seus presentes, pela estrela-guia e pelo menininho, que deitado sob o “tabuleiro em que se coloca comida para animais estabulados” é sempre representado de forma a percebermos que, pelos supostos movimentos das perninhas e bracinhos, que não descansam acomodados, oferece-se para o colo do primeiro que espicha os olhos para ele, como toda criança normal.

Era composto por tudo isso e muito mais. Elementos relacionados ou não ao nascimento do menino Jesus compunham aquele atraente presépio, que todos os anos ele montava e desmontava caprichosa e generosamente; afinal, ele abria o quintal de sua casa para quem quisesse ver e sentir.

O quintal que abrigava esse presépio ficava na esquina do Largo da Matriz Nossa Senhora da Candelária, em frente da casa número 1, onde hoje tem um prédio de apartamentos. Local mais adequado, impossível: a vida religiosa e social dava-se ali naquele Largo, que juntamente com o Largo da Cadeia – atual Praça Prudente de Moraes, onde dava-se a vida política, compunham os principais logradouros públicos daquela Indaiatuba que não conheci, mas que por motivos não racionais tenho saudade.

Silvio Ferreira do Amaral era o nome daquele senhor, que proporcionava a todos aquela contemplação. Influenciado pela importância da expansão ferroviária, até um trenzinho – que funcionava! – ele colocava na paisagem, que harmoniosamente unia o antigo com o moderno, o pagão com o religioso, tudo em uma fiel representação do mundo cotidiano vivido por todos. Ali, os contrários se uniam e tudo parecia um elemento só: o presépio.

Muitas vezes olhamos para imagens que por si nada valem, mas o que elas despertam em nós sim, é que deve ser considerado. De que vale a imagem de uma criança de barro? Nada!

O que vale em nossas mentes e em nossos corações, os sentimentos, as reflexões e as ações advindas de uma contemplação dessa mesma imagem, quando essa mesma criança de barro é de um menino Jesus recém-nascido? Tudo!

Que as luzes do Natal que iluminam os presépios com seus meninos inquietos, tragam-nos o principal insight que a ocasião deve proporcionar: o encontro com Jesus: - o “Caminho,a Verdade e Vida” - e assim faça-nos não só cristãos melhores, mas cidadãos melhores, principalmente com mais e melhores ações comunitárias, mais caridade e mais consciência ambiental.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Vagas no Pró-Memória

A FUNDAÇÃO PRÓ-MEMÓRIA DE INDAIATUBA ESTÁ COM PROCESSO SELETIVO PARA 2 VAGAS DE ESTÁGIO PARA OS SEGUINTES CURSOS:



• ADMINISTRAÇÃO

• PEDAGOGIA

• RECURSOS HUMANOS

BOLSA AUXILIO NO VALOR DE R$ 650,00 + VALE TRANSPORTE

Os currículos deverão ser encaminhados para o email:
biblioteca@promemoria.indaiatuba.sp.gov.br
informações: (19) 3875-8383

Museu da Energia de Itu comemora 12 anos hoje

Museu da Energia de Itu comemora 12 anos com mostra, horário especial e entrada gratuita



O Museu da Energia de Itu completa 12 anos hoje, dia 14 de dezembro e, para comemorar o aniversário, montou uma programação diferenciada, incluindo a inauguração da mostra “Agência e Escritório – A Cia. Ituana e a Light”, horário especial de atendimento, de 13 a 15 de dezembro, e entrada gratuita.

A mostra “Agência e Escritório – A Cia. Ituana e a Light” resgata a história do sobrado, que atualmente abriga o Museu da Energia de Itu e que durante 90 anos (1908-1998) foi sede da Cia. Ituana, Light e Eletropaulo, empresas responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica na cidade de Itu.

O sobrado, inicialmente construído para uso residencial, foi comprado pela Cia. Ituana de Força e Luz que, em 1908, fez do edifício sua nova sede e agência de atendimento ao público. A partir de 1927, a Tramway Light & Power assumiu o poder acionário da Companhia e instalou no andar térreo do prédio seu escritório e, no piso superior, a residência de seu gerente. Quando a Light foi transferida para o governo paulista, o sobrado foi incorporado à Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A.

Assim, a Mostra que ficará exposta até dia 19 de fevereiro de 2012 - apresentará objetos que pertenceram a essas empresas, que contam um pouco da história do sobrado, do trabalho nessas agências, além da relação entre o cotidiano urbano e a energia elétrica em Itu.


Horário especial
De 13 a 15 de dezembro, o Museu da Energia de Itu ficará aberto das 10h às 20h30.


Programação
Museu da Energia de Itu

Local: Rua Paulo Souza, 669, Centro – Itu/São Paulo

Entrada: gratuita

Informações: http://www.energiaesaneamento.org.br/ ou (11) 4022-6832

Sobre o Museu da Energia de Itu


O Museu da Energia de Itu é um equipamento cultural da Fundação Energia e Saneamento. O Museu atua na preservação, pesquisa e divulgação do patrimônio cultural da energia, com destaque para ações educativas.

O Museu recebe, anualmente, milhares de visitantes, sendo em sua maioria estudantes. Por estar localizado em uma Estância Turística e no Centro Histórico de Itu, recebe também muitos turistas.

Sobre a Fundação Energia e Saneamento

Criada em 1998, a Fundação Energia e Saneamento pesquisa, preserva e divulga o patrimônio histórico e cultural do setor de energia e de saneamento ambiental. Atuando no Estado de São Paulo por meio de uma Rede de Museus da Energia e de um Núcleo de Documentação e Pesquisa, localizado na capital, realiza ações culturais e educativas para o fortalecimento da cidadania e do uso responsável de recursos naturais.


MAIS INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:
Fábio Bouéri
11-2376-3025
9172-9245
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Disciplina escolar: um desafio para lá de secular

Pedagogia é uma palavra de origem grega cujo significado é paidós (criança) e agogé (condução), ou seja: a arte de conduzir a criança.

Conduzir para “onde” foi uma questão presente em todas as sociedades: para a técnica de caçar e pescar, para a guerra, para Deus, para a razão... são alguns exemplos. Variadas foram e ainda são as respostas que indicam como trilhar esse caminho, mas mesmo nessa pluralidade, há um fator repetitivo: conduzir para que obtenham e continuem a perpetuar determinados conceitos ou definições situados em um tempo-espaço específico.

Tão imprescindível é essa prática – afinal, ela permite a sobrevivência ou ruptura do status quo - que aos poucos, a arte recebeu status de ciência. E ao condutor – também chamado de mestre, preceptor, guia, professor - cabe a estimulante tarefa de definir meios e métodos não só para atingir o fim, mas principalmente para trilhar o meio, que é a tarefa mais complexa.

Essa complexidade vem, de forma resumida, do fato de a “condução” não estar apenas relacionada à esferas filosóficas ou científicas – ou seja - ao conteúdo em si, mas sim ao fato de estar fundamentalmente relacionada com a esfera comportamental – ou seja: com a disciplina. É aqui que o bicho pega e quase sempre onde está o maior desafio dos educadores – como são chamados atualmente os condutores: como manter os rebentos disciplinados, concentrados e interessados nas ciências e nas filosofias?

Um desafio e tanto.

Fundamental e inicialmente, atualmente os condutores precisam dominar o assunto que lecionam, mas isso não basta. Precisam ser comunicadores, atores, médicos, enfermeiros, sociólogos, psicólogos, psiquiatras, palhaços, sociólogos, e as vezes até policiais apartadores de briga - tudo isso para competir com tudo o que o bendito Steve Jobs inventou e socializou magnificamente, que Deus o tenha.

Os antigos de qualquer época sempre nos atormentam com aquela história de que “na minha época não era assim”, acusando a modernidade da falta de limites dos pirralhos. Muitos transferem para a família a incompetência do educador em manter a disciplina da classe. _ “A classe não aprende por que é indisciplinada.”

Não vou cair na armadilha que meu próprio texto está conduzindo em discutir quem deve manter a disciplina na sala de aula, mas quero contar um causo de nossa Indaiatuba antiga, que vem aliviar as noras que recebem críticas das sogras, para que não carreguem a culpa da “modernidade”; pois – sim! – nossas sogras, avós e bisavós faziam bagunça também. Vejamos.

Conta Manuel de Arruda Camargo em seu discurso proferido em nossa terra dos indaiás em 1930 o esforço e as peripécias do professor Randolfo Moreira Fernandes em disciplinar seus alunos no século XIX. Randolfo é o patrono do prédio que atualmente é usado pela Secretaria da Cultura, no centro, e que por muitos anos foi a escola pública homônima.

Narra Camargo que o professor Randolfo possuía grande “intuição pedagógica”, tendo, justamente por isso, prestado relevantes serviços a população escolar da época. Essa tal habilidade fez com que o mestre – nos dias idos do ano de 1877 - estabelecesse um tribunal de júri encarregado de processar as “traquinices infantis” e as “irregularidades escolares”. Conforme o veredito, os pequenos saiam do julgamento absolvidos ou condenados.

Para os condenados, as penas eram rígidas: variavam desde “palmatoadas” – entre duas e uma dúzia, uso de carapuça, genuflexão sobre a mesa ou chão, postura em pé com os braços distendidos no canto da sala - as vezes sustentando objetos até exposição pública na janela da sala de aula, onde o meliante estudantil tinha que ficar exposto sob humilhantes chufas atiradas pelos moleques transeuntes.

Ô dó.

Mas havia a contrapartida: os chamados “perdões”. Eram pequenos papéis retangulares com um desenho de patinho e a assinatura do mestre Randolfo. Cada lição bem feita ou ainda um “acto de benemerência” praticado na escola, eram condecorados com tantos “perdões”. Acumulados, funcionavam como um habeas-corpus. Caso o pequeno não fizesse a lição, ou fizesse mal feita, ou praticasse traquinagens, ia para o júri receber a condenação e executar a negociação de sua absolvição com a entrega de seus “perdões”.

A negociata não se restringia aos limites do tribunal: os alunos vendiam ou trocavam os seus perdões por doces, inclusive aqueles falsificados.

As crianças revezavam no papel de juiz, promotor, advogado, testemunhas. Muitas vezes o expediente terminada com uma ameaça do condenado: _ “Na rua a gente se acerta.”

Conta também Camargo que certa feita um substituto agiu de forma diferente do professor Randolfo, com o objetivo de sensibilizar os alunos a conterem os atos de indisciplina e desinteresse. Este outro mestre inusitadamente bancava o próprio Cristo para tocar a consciência dos rapazes: ele se punha no meio da sala e brandia contra as próprias costas uma forte vara de pecegueiro cada vez que os alunos tinham que ser castigados por algum ato inválido. Resultado: o mestre “quase entisicou com seu systema penal, que abandonou, antes que o abandonasse a própria vida”.

Tem assim, o pedagogo – como objeto de estudo – o intuito de refletir acerca dos objetivos do fenômeno educativo e fazer também a análise objetiva das condições existenciais e funcionais desse mesmo fenômeno.

Para isso alguns já foram gestores de júris infantis e até um Cristo!

Onde está a fórmula mágica?


.....oooooOooooo.....

Eliana Belo Silva
Originalmente publicado na revista Imediata, de novembro de 2011
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