Eliana Belo Silva
originalmente publicado na Revista Imediata de dezembro de 2011
Era um verdadeiro acontecimento religioso, cultural, turístico e porque não dizer tecnológico em nossa Indaiatuba antiga.
E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem
Lucas 2:7
Era um verdadeiro acontecimento religioso, cultural, turístico e porque não dizer tecnológico em nossa Indaiatuba antiga.
Fez parte durante muitos anos das mudanças que aconteciam na época do Natal, esse período que, ainda hoje e creio que para sempre, ficamos mais sensibilizados principalmente pela renovação da fé.
Praticamente todos os cidadãos da (ainda) terra dos indaiás iam até a casa dele para ver o presépio, que não era pequeno, nem tão pouco tradicional.
Não era somente composto pelos pais Maria e José, pelos Reis Magos e pelos seus presentes, pela estrela-guia e pelo menininho, que deitado sob o “tabuleiro em que se coloca comida para animais estabulados” é sempre representado de forma a percebermos que, pelos supostos movimentos das perninhas e bracinhos, que não descansam acomodados, oferece-se para o colo do primeiro que espicha os olhos para ele, como toda criança normal.
Era composto por tudo isso e muito mais. Elementos relacionados ou não ao nascimento do menino Jesus compunham aquele atraente presépio, que todos os anos ele montava e desmontava caprichosa e generosamente; afinal, ele abria o quintal de sua casa para quem quisesse ver e sentir.
O quintal que abrigava esse presépio ficava na esquina do Largo da Matriz Nossa Senhora da Candelária, em frente da casa número 1, onde hoje tem um prédio de apartamentos. Local mais adequado, impossível: a vida religiosa e social dava-se ali naquele Largo, que juntamente com o Largo da Cadeia – atual Praça Prudente de Moraes, onde dava-se a vida política, compunham os principais logradouros públicos daquela Indaiatuba que não conheci, mas que por motivos não racionais tenho saudade.
Silvio Ferreira do Amaral era o nome daquele senhor, que proporcionava a todos aquela contemplação. Influenciado pela importância da expansão ferroviária, até um trenzinho – que funcionava! – ele colocava na paisagem, que harmoniosamente unia o antigo com o moderno, o pagão com o religioso, tudo em uma fiel representação do mundo cotidiano vivido por todos. Ali, os contrários se uniam e tudo parecia um elemento só: o presépio.
Muitas vezes olhamos para imagens que por si nada valem, mas o que elas despertam em nós sim, é que deve ser considerado. De que vale a imagem de uma criança de barro? Nada!
O que vale em nossas mentes e em nossos corações, os sentimentos, as reflexões e as ações advindas de uma contemplação dessa mesma imagem, quando essa mesma criança de barro é de um menino Jesus recém-nascido? Tudo!
Que as luzes do Natal que iluminam os presépios com seus meninos inquietos, tragam-nos o principal insight que a ocasião deve proporcionar: o encontro com Jesus: - o “Caminho,a Verdade e Vida” - e assim faça-nos não só cristãos melhores, mas cidadãos melhores, principalmente com mais e melhores ações comunitárias, mais caridade e mais consciência ambiental.
