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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Jardim Pau Preto - O Bairro onde Indaiatuba nasceu

Texto originalmente publicado na REVISTA EXEMPLO IMÓVEIS 
Agradecimentos: Sr. Aluísio Williampresidente do Grupo AWR
Débora Andradesjornalista.


Segundo a história [advinda da memória oral de grande parte dos indaiatubanos "antigos"] conta, Indaiatuba nasceu em volta de onde hoje se encontra a Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária, no jardim Pau Preto. O historiador Francisco Nardy Filho, no quarto volume de sua obra “A Cidade de Itú”, descreve uma passagem da história que detalha como a cidade nasceu e, consequentemente, o importante bairro.

Diz o historiador que José da Costa, que era de Itu, construiu uma casa perto de um ribeirão chamado 'Vutura', que [pode ser, para alguns] o córrego que passa no Jardim Pau Preto e entra no rio Jundiaí, depois de atravessar o bairro Caldeira.

“Um dia perdeu José uma novilha e foi até o Tietê à sua procura, tendo de atravessar as propriedades de Antônio Tavares. No regresso, ao atingir o Ribeirão Vutura, desceu do seu rosilho para beber água e viu no fundo do riacho, que tinha águas muito claras e limpas (naquele tempo os rios eram cristalinos) uma imagem de Nossa Senhora da Candelária, igualzinha aquela que existe na matriz de Itu. Estava José em oração, contemplando a imagem quando lhe apareceu a novilha extraviada. Acreditou que tal fato fosse um milagre e daí a ideia de levantar uma capela ali, entre o ribeirão e sua casa. Já havia moradores nas redondezas e logo batizaram a capela como de Nossa Senhora da Candelária Aparecida dos Campos de Cocaes. Hoje no mesmo local, segundo se acredita, está a Igreja Matriz da Candelária...”

Já de acordo com registros históricos documentados, o início da construção da capela, que hoje é a Igreja Matriz, começou em 1807, mas como precisou ser demolida em 1838, pois era de pau-a-pique, uma nova estrutura começou a ser construída e só foi concluída no ano de 1863. Ainda no século 19, a fachada foi alterada, acrescentando as atuais torres e modificando as linhas arquitetônicas.





Matriz Nossa Senhora da Candelária: ponto inicial da povoação de Indaiatuba
Do lado esquerdo, vista parcial da Casa Número Um.

Pelo bairro que circunda a Matriz, prédio históricos podem ser encontrados:  logo atrás da igreja, o prédio de uma antiga fazenda foi conservado e hoje abriga a sede da Fundação Pró-Memória e o Museu do Casarão Pau Preto. No local a população tem contato com a história e a atualidade. Ali acontecem cursos, palestras, atividades culturais como dança, teatro cinema e outras atrações que atrai os moradores da cidade para conhecer o prédio histórico e usufruir da infraestrutura.

O Casarão Pau Preto foi construído no início do século 19, sendo utilizado em sua estrutura pedras e paredes de pau-a-pique, sendo referência arquitetônica histórica e cultural. 



Casarão Pau Preto, vista externa e interna


É no Jardim Pau Preto que podemos encontrar a Casa Número Um, que pertence ao mesmo período da construção do Casarão Pau Preto, início do século 19.

Outro lado

De acordo com documentos pertencentes a Fundação Pró-Memória, a história da fundação de Indaiatuba é parecida, mas com outros personagens, [ocorrida no entorno da atual Igreja Nossa Senhora da Candelária, de onde não só o Pau Preto, mas a cidade toda se expandiu].

“O povoado de Indaiatuba foi primeiramente um dos bairros rurais da Vila de Itu, ponto de passagem de tropas nos caminhos para o sul e para as Minas de Cuiabá e Goiás. O arraial aparece como Indayatiba já nos registros do censo de 1768, com uma pequena população que vivia, sobretudo, de suas roças de milho e feijão. Esse arraial também é citado como Cocaes, por causa dos seus campos de palmeiras Indaiá.

Nessa época o governo da Província de São Paulo implementou uma vigorosa política de incentivo à produção de açúcar para exportação, e Indaiatuba viu crescer o número de seus engenhos de tal modo que, por volta de 1850, já não havia aqui um só córrego com queda suficiente para mover uma roda d'água que não tivesse já a sua "fábrica de fazer açúcar". Em torno das fazendas de açúcar foram se fixando, desde o final do século XVIII, pessoas que viviam do comércio e da fabricação artesanal de produtos para os habitantes próximos. Mais tarde, na segunda metade do século XIX, o café substituiu o açúcar como principal produto de nossa agricultura de exportação.

A história política de Indaiatuba inicia-se com a ereção de sua capela curada, através da doação de alguns imóveis feita à capela, por Pedro Gonçalves Meira  [e seu irmão, Joaquim Gonçalves Bicudo] em 1813. 

Por esse gesto Pedro é [pode ser] considerado o fundador de nossa cidade. Ter sua capela curada possibilitou ao pequeno bairro ser o centro civil local, uma vez que, a partir daí, puderam ser feitos nessa igreja os batismos, casamentos e sepultamentos, tanto da população próxima como dos habitantes dos bairros rurais vizinhos. 

Um fato curioso é de que a primeira padroeira dessa capela foi Nossa Senhora da Conceição. Após a morte de Pedro, seu irmão Joaquim passou a cuidar dessa capela e, devoto de Nossa Senhora da Candelária, transformou-a em sua padroeira. Essa capela, ampliada e reformada, é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária. É uma das poucas igrejas construídas em taipa de pilão no interior de São Paulo ainda existentes, e um belo exemplo da arquitetura religiosa colonial paulista.

Em nove de dezembro de 1830 Indaiatuba tornou-se, por decreto do Imperador, sede de uma das Freguesias da Vila de Itu, englobando também os bairros de Itaici, Piraí, Mato Dentro e Buru. Em 1835 havia na sede da Freguesia, Indaiatuba, 142 habitantes, em Mato Dentro eram 454, em Itaici 625 e, em Pirahy, 805 habitantes. 

Sua elevação à condição de Vila ocorreu em 24 de março de 1859. Com esse novo estatuto Indaiatuba ganha autonomia política em relação a Itu, passando a ter sua própria Câmara de Vereadores. A Câmara é, desde o período colonial até o final do Império, responsável pelo poder político local no Brasil. A função de Prefeito só passará a existir a partir da República.

Em torno da Matriz foram sendo construídas as residências urbanas dos fazendeiros da Freguesia, hoje já demolidas, e em redor as casas de comerciantes, artesãos e trabalhadores livres. Com o final do Império, as funções públicas da igreja desapareceram, e a cidade passou a contar com dois centros: um religioso, no Largo da Matriz, e um civil, no Largo da Cadeia, atualmente chamado de praça Prudente de Moraes. Nele se instalaram a Câmara, a Prefeitura e a Cadeia, em um prédio no centro da praça, demolido em 1962.

Em 1873 foram inauguradas as estações de trem de Itaici e Pimenta, pontos da ferrovia que ligava Jundiaí a Itu. A primeira estação de trem na cidade foi construída em 1880, com verba da comunidade. O prédio principal dessa estação, hoje Museu Ferroviário, foi inaugurado em 1911”.




O Chafariz, onde foi feita praça em alusão ao Centenário da Imigração japonesa para o Brasil


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Frases colocadas entre [ ] foram inseridas por mim, Eliana Belo Silva, na data da publicação do texto como post deste blog. As interferências não modificam o texto orginal da jornalista.

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