BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Com qual idade uma mulher tem mais probabilidade de se casar?


O recorte abaixo é do jornal "A Imprensa Ytuana" ano 008, n. 344, do ano de  1882.

Trata-se de uma tabela que mostra estatisticamente a probabidade que a mulher do século XIX (19) tinha de casar de acordo com sua idade.



segunda-feira, 28 de maio de 2018

PAMPI – PRONTO ATENDIMENTO DOS MÉDICOS DE INDAIATUBA

 texto de Dr. Francisco Carlos Ruiz*



Dr. Francisco Carlos Ruiz (psiquiatra) e Dr. Argemiro Früet Júnior (médico do trabalho)


Não é possível se precisar quando se iniciaram as atividades do Pronto Atendimento de Médicos de Indaiatuba. O colega Dr. Argemiro Früet Júnior lembra que foi no ano de 1991. Recuperei uma escala de plantão de agosto de 1991 na qual constavam além de mim, o próprio Dr. Argemiro, Dr. Edmir, Dr. Valdir, Dr. José Joaquim, Dr. Rufi no, o falecido Dr. Renato Riggio Júnior, Dr. Manuel, Dra. Sueli e Dr. Paulo na Clínica Mé- dica. Na Pediatria havia o Dr. Sérgio Nitsch, Dra. Maria José, Dra. Maria de Lourdes, Dr. Rubens, entre outros. 


O Pampi foi uma iniciativa dos médicos da APM de Indaiatuba com o apoio da Unimed Campinas pelo fato de não haver um serviço de pronto atendimento para os usuários da Unimed além do Pronto Socorro do HAOC. Médicos de diversas especialidades prestavam atendimento na Clínica Médica e até na Pediatria. 

Inicialmente foi escolhida uma casa na Rua Siqueira Campos onde funcionavam o escritório da Unimed durante o dia e o serviço de pronto atendimento à noite e nos fins de semana. Nos fundos da casa estava localizada uma pequena sala que era a sede da APM de Indaiatuba. 

Havia sempre uma enfermeira que fazia o trabalho de enfermagem. Realizavam-se pequenas suturas, atendimentos para alguns tipos de urgência e pequenos procedimentos. Os casos mais graves eram encaminhados ao hospital, uma vez que não havia estrutura para atendê-los. Entre casos de crises asmáticas, hipertensivas, cólicas renais, havia situações excêntricas como os famosos pedidos de atestados, lavagem do ouvido e pacientes que chegavam na madrugada pedindo guias para realização de exames. 

O caso mais surreal foi de uma paciente que me procurou no plantão e falou: “Doutor, vou ser muito sincera. Estou aqui para lhe pedir um dinheiro emprestado porque meu problema é apenas falta de dinheiro”. Eu achava que estava preparado para qualquer emergência médica, mas aquele pedido foi surpreendente. Se eu tivesse alguma predisposição teria tido uma crise hipertensiva. 

Apesar do improviso, foram anos de atendimentos à população de Indaiatuba e de experiências interessantes para os plantonistas. Em 1999, com a aquisição da carteira de clientes da Samil pela Unimed Campinas, o Pampi deixou de existir, mas deixou também muitas saudades.


.....oooooOooooo.....


Texto originalmente publicado na revista APM News da Associação Paulista de Medicina de Indaiatuba de Abril de 2018 - ANO XXI - Nº 233


quarta-feira, 23 de maio de 2018

CIGANOS


"Ciganos" - obra de George Morland - óleo sobre tela - 36 x 47 cm - 1800 - 
(The Hermitage (St. Petersburg, Russia)


"Cigana com filho" - obra de Amedeo Modigliani óleo sobre tela - 116 x 73 cm - 1918 - 
(Galeria Nacional de Art, Washington, EUA)





"A Cigana Adormecida" - obra de Henri Rousseauóleo sobre tela - 129,5 x 200,7 cm - 1897 
(Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA)



A historiografia considera – pelo menos essa é, até agora - a fonte mais antiga encontrada - que os primeiros ciganos chegaram no Brasil em 1574 quando João Torres, sua mulher e filhos foram degredados para o nosso país.[1] 

Desde então, as relações entre esses ciganos e os demais membros da sociedade, por terem se diferenciado bastante, no tempo e no espaço, não foram tranquilas[2] e a presença deles, substancialmente até o fim do século XIX e início do século XX, incomodava por demais as autoridades, como aconteceu na Indaiatuba do Major Alfredo Camargo Fonseca, do Tenente José Tacnlér-Tancredi e do Boticário Chiquinho.

Sendo ágrafos, a história dos ciganos ficou registrada, em grande parte, pelas autoridades policiais que os categorizavam como ‘perturbadores da ordem’ ou por memorialistas e escritores literatos, que na maior parte das vezes os descreveram com filtros subjetivos de juízos de valor, como sujos, trapaceiros, ladrões ou então elementos incivilizáveis, inúteis à sociedade, supersticiosos, corruptores dos costumes, vândalos, enfim, uma anomalia social e racial[3]. Perseguida, essa etnia estigmatizada foi massacrada na II Guerra Mundial ao lado de muitos homossexuais, negros, deficientes e judeus.

Após a Proclamação da Independência, as elites brasileiras que "pretenderam estabelecer um reordenamento físico das cidades, higienizar as vias públicas e excluir dos centros urbanos todos os indivíduos que não se adequaram à nova ordem"[4], passam a intensificar a repressão a populações marginalizadas como a dos ciganos, que no entender desse novo caráter nacional em formação, era uma ameaça ao “processo civilizatório”. Nesse período, as diligências policiais feitas nos encalços dos ciganos resultavam em sangrentos confrontos.[5]

O confronto registrado em Indaiatuba nesse ano de 1896 não fugiu à regra. Vários jornais da Província de São Paulo narraram a “invasão dos ciganos que infestaram vários locais no interior do estado”, gerando grande movimento de tropas e importantes diligências feitas pelo D. Xavier de Toledo afim de acabar com as maltas de ciganos. 

As autoridades de Indaiatuba e Campinas pediram reforço policial à polícia da província “a fim de evitar o saque que estava iminente por aquela terrível gente”. Consta que a força pedida pela autoridade de Indaiatuba, “chegando àquela vila, conseguiram pôr em debanda um grupo de ciganos, que portavam carabinas winchester”.  Mas não sem antes travar-se um tiroteio entre as forças comandas pelo alferes Aymoré e seus 30 comandados e o grupo de ciganos[6], calculado em 400 pessoas que haviam vindo de Itu onde já haviam amedrontado a população”[7], (outra fonte informa que eram 50 ciganos[8]) entre homens mulheres e crianças, estando a maior parte montadas em ‘magníficos cavalos’. As forças armadas da Província perseguiram

... os malfeitores... foram os menos ágeis presos por um sargento do destacamento de Indaiatuba, estando no meio deles um velho em cujo poder foi encontrada a quantia de 800$. Quantia esta que lhe foi entregue pelo Dr. Chefe de Polícia, depois de ter provado que lhe pertencia aquele dinheiro. [9]

O delegado de polícia de Campinas também recebeu força do 1º batalhão da Província de São Paulo, que reunida à força local, formou um contingente aproximadamente de oitenta homens, que conseguiu capturar os ciganos fugidos de Indaiatuba, “arrecadando” deles, seis cavalos.

                Bom, não é necessário ser um especialista em linguística ou um expert em interpretação de textos para ver o que as fontes dizem: por ser um grupo previamente estigmatizado, foram recebidos à bala, os mais velhos e frágeis foram capturados, seus pertences apreendidos (e depois vergonhosamente devolvidos) e seus cavalos tomados. Não consta nas fontes nenhum tipo de reação violenta por parte das vítimas.




Notícia publicada no “The Rio News” de 22 de dezembro de 1896[10]

                Esta história de discriminação não chegou ao seu final. Os grupos ciganos ainda são pouco conhecidos e acabam negligenciados pelos governos dos territórios onde vivem[11].





[1] COELHO. F. A., Os ciganos de Portugal. Lisboa, Dom Quixote, 1995. (Original: 1892).
[2] TEIXEIRA. Rodrigo Corrêa. A História dos Ciganos no Brasil – Núcleo de Estudos Ciganos, Recife, 2008. Disponível em http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/a_pdf/rct_historiaciganosbrasil2008.pdf (Original como tese de mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais).
[3]TEIXEIRA (2008).
[4] FRAGA F. Walter. Mendigos, moleques e vadios na Bahia do século XIX, São Paulo, HUCITEC; Salvador, EDUFBA, 1996.
[5] TEIXEIRA (2008).
[6] Jornal O Commércio de São Paulo de 19 de dezembro de 1896 -  Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
[7] Jornal Minas Geraes – 22 de dezembro de 1896 -  Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
[8] Jornal O Commércio de São Paulo de 19 de dezembro de 1896 -  Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
[9] Jornal Gazeta da Tarde, 27 de dezembro de 1896 - Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
[10] Jornal The Rio News de 22 de dezembro de 1896 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional

[11] Difusão da história e cultura ciganas é arma na luta contra o preconceito, Texto publicado em “Sociedade”, USPonline, por Gabriela Malta Felix em 2 de dezembro de 2013.




Esta e outras histórias de Indaiatuba você encontra no livro abaixo:



quinta-feira, 17 de maio de 2018

Semana de Museus no Casarão

Esta semana o Museu do Casarão Pau Presto está participando da 16a. Semana de Museus (entre 14 a 20 de maio) com o tema  “Museus Hiperconectados: novas abordagens, novos públicos”.

Hoje haverá Oficina de Fotografia e hoje e amanhã, mediação da exposição "Caminho dos Tropeiros".




Sobre a oficina de fotografia
Ministrante: Vagner Luiz Vacchia
Atualmente coexistem nas sociedades modernas várias gerações. São pessoas que receberam educação, cultura, valores e objetivos de vida diferentes entre si. Esse cenário seria normal em outra época na história da humanidade, no entanto vivemos um período de transformações sociais cada vez mais rápidas e profundas. A principal máquina impulsionadora desse processo tem sido a revolução digital, que não sabemos onde vai parar. Entender as mudanças na sociedade, bem como estreitar os laços com a nova geração são grandes desafios nesse século.
Indústrias, empresas de serviços e de ensino se esforçam nessa tarefa.
Como os museus se posicionam nesse cenário? Que atividades poderão apaixonar e aproximar as novas gerações? A única certeza, por enquanto, é que não podemos parar esse processo de mudanças.
Será realizada, através da palestra no dia 17 de maio, uma reflexão e um panorama para entendermos melhor as transformações sociais das últimas décadas. As características das gerações Baby boomers, X, Y, Millennials e Alphas (que coexistem na atualidade) serão explicadas como auxílio na busca de novas abordagens.
O que é um museu?
Um museu é, na definição do International Council of Museums (ICOM, 2001), "uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade".
Todo museu, assim como a história, o patrimônio cultural e a memória - que configuram campos diferentes, mas são articulados entre si -  é um campo de tensão e intenção. Na maior parte das vezes, são "arenas políticas, territórios em litígio, lugares onde se disputa o passado, presente e futuro (IPHAN).
Essa tensão entre as partes interessadas deve ser mantida, faz parte dele e permite que qualquer museu seja apropriado de forma democrática por TODOS os grupos, etnias, classes, etc. 
O museu é de todos.
.....oooooOooooo.....

Sobre a semana de museus em Indaiatuba, veja mais em:
Veja mais em: http://maisexpressao.com.br/noticia/fundacao-pro-memoria-de-indaiatuba-participa-da-16-semana-de-museus--47634.html
Sobre o museu como um local permanente de tensão, leia mais em:
http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/educacao_museu_patrimonio_tensao.pdf

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Porque museu que é "Museu", educa

Museu Republicano de Itu inaugura recursos multissensoriais nas suas salas expositivas 




Resultado de projeto envolvendo diversas áreas de trabalho, o museu apresenta novos recursos de acessibilidade que incluem audiodescrições bilíngues e réplicas táteis de acervos e da fachada.

Desde 2015 o Museu Republicano vem desenvolvendo um grande projeto dedicado a ampliar o acesso de seu acervo e exposições junto ao público. Na próxima quarta-feira, 16 de maio, irá inaugurar um conjunto de recursos acessíveis que permitem que mais pessoas possam fruir os conteúdos que a instituição desenvolve. Será possível, por exemplo, agendar visitas com utilização de audioguias, em inglês e português, que descrevem aos visitantes a exposição do local.


Outro recurso importante que o museu estará apresentando no evento são os objetos táteis e a réplica da fachada de seu edifício e azulejos, que poderão ser apreciados pelo toque das mãos, de forma que mais pessoas possam usufruir e conhecer as exposições e a história do museu.

Os recursos foram adquiridos por meio de projetos fomentados pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, pela Fundação USP e pelo Santander, entre 2015 e 2018. Projeto multidisciplinar sob coordenação da supervisora do Museu Republicano, Maria Aparecida de Menezes Borrego, foi desenvolvido pelo Serviço Educativo do Museu Republicano e envolveu as equipes de informática, conservação, comunicação visual, administração e segurança da instituição. Contou também com consultorias da Fundação Dorina Nowill e da Escola de Cegos Santa Luzia de Itu. 

No dia da inauguração, acontecerá a apresentação de música da Banda Clareou, composta por músicos deficientes visuais e funcionários da AIADV Escola de Cegos Santa Luzia, coordenada pelo professor de música Cadú Scalet.


* As visitas com audioguias, em português e em inglês, serão disponibilizados para uso de grupos de segunda à sexta-feira, das 10h às 12h e das 14h às 17h, com agendamento prévio junto ao Serviço Educativo.

Serviço
Local: Museu Republicano de Itu/USP.
Endereço: Rua Barão de Itaim, 67, Centro, Itu/SP.
Horário: 10h30
Sem necessidade de inscrição prévia.
Informações: (11) 4023-0240, menu 3, Setor Educativo

Confirme sua presença no evento do facebook: https://www.facebook.com/events/2025699034360249/

sexta-feira, 4 de maio de 2018

PEDRO ROSSIGNATTI (Pietro Rossignati)


texto de Paulo de Tarso Freitas


   Era conhecido como “Pedro Relojoeiro”, não obstante ser também ourives e ter muita habilidade para inúmeras atividades mecânicas.

   Manteve seu negócio em Indaiatuba desde o início do século passado  (primeira década) até 1954 (quando então, resolveu encerrá-lo) - Joalheria  e Relojoaria Rossignatti -, cujo ramo de atividade era a de venda e  conserto e elaboração de joias e conserto e venda de relógios.

   Na rua Candelária teve dois endereços. O primeiro na casa de Nhanhã Tebas e, depois, no prédio de sua propriedade em um terreno com frente para rua  Candelária e com quintal de quase cem metros de comprimento, um verdadeiro  bosque de árvores frutíferas (a maioria plantada por Clara), até a rua  Pedro Gonçalves. Na frente para esta última rua, seu genro, Paulo Mathias Freitas (projetista/construtor e artista plástico -pintor), também  conhecido em Indaiatuba, construiria sua residência – por muitos anos desde  1944, até 1967 – atualmente um laboratório. Embora amadoristicamente, Paulo Mathias Freitas (1908), pintaria muitos quadros (o que fazia desde jovem);  realizaria alguns salões de pintura inéditos, então, na cidade; e ganharia  uma medalha de bronze no Primeiro Salão de Paisagens Paulistas (realizado  pela Associação Paulista de Belas Artes), com um quadro representando a  lateral do único casarão que restou no largo da Matriz e parte da rua  correspondente).

   Apesar da idade avançada Pedro continuaria com aquela atividade até o  início da década dos anos cinquenta, mas por motivos de saúde de sua esposa  Clara Campregher, e para melhor cuidar de sua saúde, mudou-se para a cidade  de São Paulo que, por evidência, à época, oferecia melhores condições de  tratamento.

   Muitas das joias, ali vendidas, era de elaboração própria, notadamente  alianças e anéis, pelo próprio Pedro, ajudado, durante muito tempo,  primeiramente pela sua filha Maria (mais tarde pelos filhos, então mais  novos, Bernadete, Geraldo e Mercedes), que em 1932, logo após a revolução,  casar-se-ia com Antenor Tancler (depois da volta deste, que chefiou um  pequeno batalhão, da chamada revolução constitucionalista) e fixaria  residência em São Paulo, onde mais tarde exerceria o cargo de Diretor de  Cartório do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, cargo no qual  
aposentou-se. Ambos faleceram na cidade de São Paulo.

   Antenor Tancler e seus comandados foram presos pelas Forças Federais na  divisa do Estado de São Paulo com o Estado do Paraná, e “encarcerados” num  vagão de trem enviado para o Estado do Rio de Janeiro, onde permaneceram  esquecidos por um bom tempo, com todo o sofrimento que se pode facilmente  inferir, dada a improvisada cadeia...

   Pedro, como alude o poeta Archimedes Prandini  (funcionário da Delegacia  de Polícia de Indaiatuba, que, por muitos anos foi instalada ao lado da  relojoaria), cuidava dos velhinhos (para ser mais preciso que o referido  escritor: velhinhos do Asilo de São Vicente – instalado, à época, numa  
velha casa situada no ângulo oposto ao da Casa Paroquial) e, isso,  não  obstante sua árdua atividade diária.

   Cuidava, ainda, da manutenção do antigo e grande relógio, de pesos e  molas, da Igreja Matriz, bem como, integrava a Irmandade do Santíssimo,  colaborando, sempre, com muitos párocos que passaram por Indaiatuba, entre  eles o padre Vicente Rizzo, que acabou falecendo nesta mesma cidade e aqui  sepultado.

   Uma curiosidade a seu respeito é o fato de ter sido também clarinetista,  participando em uma das versões da banda da Helvetia, uma vez que quando  solteiro residia na Fazenda Sapezal, de propriedade de seu pai, Giovanni  Battista Rossignati (um t só na versão italiana do sobrenome – não se sabe  porque o sobrenome, em Indaiatuba, passou a ser grafado com dois t(s)).

   Essa fazenda, próxima àquela colônia, com entrada pela, então, estrada  principal de Indaiatuba a Campinas, posteriormente com entrada pela Rodovia  Santos Dumont. Na década de sessenta foi cortada por essa rodovia e, anos  depois, cortada pela estrada de ferro – atualmente Ferroban –  Marinque/Campinas.

   Como alude também o poeta, Pedro viera ainda criança para Indaiatuba. Realmente, Pietro nasceu Vêneto, província de Verona, na divisa entre as  comunas de Villafranca di Verona e Povegliano Veronese, e veio com sua  família para o Brasil logo após terminar o curso elementar (numa época de  anafalbetismo na Itália. Obs.: no ano da unificação da Itália, ou seja, em  1861, o índice alcançava quase oitenta por cento).

   Segundo dizia, este curso elementar era quase comparável ao antigo  ginásio brasileiro em matéria de currículo. Seu conhecimento da língua  italiana, além do dialeto Veneto/Veronese, faria com que viesse a auxiliar  muito um dos Vices-Cônsul italianos (de Indaiatuba) em traduções e mesmo  auxiliando imigrantes nas suas primeiras incursões e relacionamentos no  município – normalmente pessoas residentes na área rural.

   Conforme consta do seu registro de nascimento (Ufficcio Anagrafe del comune di Povegliano Veronese), nasceu no dia 19 de junho de 1879, pouco  mais de dez anos da integração do Veneto (regione italiana) na Unificação  da Itália, que se deu através de um plebiscito em 1866, cinco anos após  essa unificação (1861).

Era filho de Giovanni Battista Rossignati (por sua vez filho de Giovanni  Rossignati e Angela Menegali), de Villafranca di Verona, e de Caterina  Veneri (filha de Luigi Veneri e Alberica Bosco) de Nagarone Rocca -  Bagnolo, comuna (comune – masculino - em italiano) situada na divisa da  Província de Verona com a Lombardia (regione italiana).

Contava, Pedro, que quando criança, patinando sobre as águas congeladas de um riacho vizinho à Contrada Casotti (atualmente Via Verona), na acima  referida área limítrofe, afundou o pé em uma crosta menos espessa, e bateu  com o nariz no gelo. Mais tarde, por volta de 1928, dirigindo seu automóvel  nas estradas de sítio (destituídas de asfalto e todas esburacadas), bateu  novamente o nariz no volante, ferindo-se no mesmo lugar, quando o carro  balançou agressivamente ao transpor um buraco não visto. Dizia isso para  justificar um nariz um tanto avantajado e que ostentava uma pequena  cicatriz.

Contava, ainda, que seu sobrenome (cognome) não era muito difuso na Itália e se concentrava mais em Villafranca di Verona. Contava ainda que um seu  parente Giovanni Rossignati, arquiteto, foi o autor (projetista) do  “campanile” da “chiesa parrochiale” de Bussolengo, outra cidade da  província de Verona. Outra curiosidade de sua família foi o fato de que, em  1910 (quando, então, Pedro já residia em Indaiatuba), um sacerdote de  Villafranca, Alaeardo Rossignati, ao beber o vinho consagrado, sentiu-se  mal e foi atendido rapidamente, sob pena de morrer envenenado. Boataria na  cidade atribuía a autoria do envenenamento a um grupo de comunistas. Nada foi provado. Mas alguém colocou veneno no cálice...

Recém chegado à Indaiatuba, Giovanni Battista (Giobatta) encaminhou seu  filho (mais velho) para fazer a adaptação de seu curso na Itália para o correspondente brasileiro e seu professor, foi, então, o Senhor Carlos  Tancler (seu primo Antenor, como já dito acima, viria a ser, algumas  décadas depois, genro de Pedro). E um parente do Senhor Carlos Tancler  seria o instrutor de Pedro na sua formação profissional de ourives e  relojoeiro.

Montado em um burro (metido a empacar diante de qualquer novidade na  estrada), presente de seu pai, o menino Pedro, lá por volta de 1889 e 1890  vinha para a cidade a fim de preparar-se para falar o português e para a  sua futura profissão, uma vez que o Brasil atravessava sua primeira crise  do café e Giambatta via, em uma profissão, o melhor futuro para seu filho. Giambatta (Giovanni Battista Rossignati) montara na sua fazenda uma  cerâmica (ou olaria de tijolos e telhas), sendo, talvez, um dos pioneiros  do ramo em Indaiatuba, embora fosse um fornecedor também para a cidade de  Campinas. O transporte era feito com carroças de burros e segundo  Mariquinha (casada com João, irmão de Pedro, que um pouco depois compraria  uma Chácara defronte à Praça Ruy Barbosa, área que daria origem à Villa Rossignatti, por loteamento feito pelo próprio João) o movimento de  carroças que entravam e saiam da Fazenda Sapezal chegou a ser bastante  grande. Curiosidade: por benesse de João Rossignatti, o antigo time de futebol denominado Operário, manteria, na sua propriedade, um campo de  futebol, até quando a respectiva área seria loteada (meados da década de  quarenta).

O pai de Pedro viera para o Brasil em maio de 1888, com sua esposa Caterina  e três filhos Pietro (Pedro), o mais velho, Luigi (Luiz) e Giovanni (João)  o caçula.

A Itália (como toda a Europa) passava de uma economia familiar para uma  economia de mercado e a vida e as expectativas das famílias, embora muitas proprietárias de terras, não eram promissoras e, assim, Giovanni Battista  resolveu vir para o Brasil, que segundo propagandas, à época, oferecia  
grandes possibilidades de mobilidade social.

   Como contava Pedro, vindo do Porto de Santos para Indaiatuba, via-se e ouvia-se por todo canto grupos que festejavam, com inebriantes batuques, a recente libertação dos escravos. Uma curiosidade fantástica para um menino  recém-chegado da Europa, onde a etnia dos escravos brasileiros era, então,  conhecida somente através de livros ou outras espécies de publicações da  época.

   Depois de algum tempo na Fazenda Sapezal Pedro e João viriam para a  cidade e Luiz continuaria tomando conta da Fazenda e explorando o ramo de fabricação de telhas e tijolos, até, quando, compraria a parte de cada um  dos irmãos após a morte de Giovanni Battista.

   Pedro, além das atividades, acima referidas explorou o ramo de moinho  (notadamente a elaboração de fubá), no antigo moinho movido pelas águas do Rio Capivari Mirim, na Serra D`Água, instalado na parte da Fazenda de  propriedade de seu sogro, Giacinto Campregher, herdada por sua esposa Clara  Campregher.

   Clara Campregher, terceira filha de Giacinto Campregher, nascera no  Brasil (somente sua irmã mais velha, Celeste, nascera nas montanhas do  antigo Welschtirol, então Süd Tirol Austríaco, que integraria,  posteriormente, o que se chama hoje Trentino Alto Adige (regione italiana),  por anexação do extremo sul austríaco pela Itália, vencedora da Grande  Guerra (Primeira Guerra Mundial).

   Giacinto Campregher, austríaco de nascimento, filho de Giorgio  Campregher, viera para o Brasil em 1884, no navio Sírio (o mesmo que  naufragaria em 4 de agosto de 1906, nas costas da Espanha, tragédia que  poria fim à vida de um notável Indaiatuba, Dom José de Camargo Barros, que  fora Primeiro Bispo de Curitiba e depois bispo de São Paulo.) Giacinto (morto em 1917) que era co-proprietário de uma fazenda de  castanhais no antigo Welschtirol, com seus irmãos Anunziata (morta em 1914)  e Arcangelo (morto na Moravia em 1915), e, pelas mesmas razões acima apontadas quanto à Giovanni Battista Rossignati, veio para o Brasil  (acompanhado da esposa e primeira filha) com a intenção de comprar uma  propriedade agrícola e o fez comprando-a no bairro de Helvetia, situada nas  margens do rio Capivari Mirim, dividida ao meio por este, na estrada velha de Campinas (atualmente Rodovia Paulo de Tarso Souza Martins Martins),  antes e depois do lado esquerdo da entrada da pequena estrada que vai até a  Igreja Nossa Senhora de Lourdes, região central da colônia helvética.
   
Dos seus irmãos e irmãs, Clara Campregher e seu irmão Bilo, foram os  únicos que se casaram com não integrantes da colônia suíça. Os demais se casaram com membros das famílias Amstalden, Yakober e Abëcherly. Clara também auxiliava na loja de Pedro, cuidando, porém, apenas da venda  de despertadores (venda muito intensa àqueles tempos).

   Infelizmente, a partir de 1950, com sessenta e quatro anos de idade, foi  diagnosticada com mal de Parkison e, a partir daí, foi tragicamente  definhando, primeiramente com dificuldades deambulatórias, depois indo  para cadeiras de rodas, até se tornar praticamente imóvel, vindo a falecer  no ano de 1961.

   Pedro, faleceria antes, ou seja, em 1957.

   Ambos, embora residentes em São Paulo, foram sepultados em Indaiatuba.

   Como já dito, em razão, do estado de saúde de Clara, Pedro encerrou suas  atividades, aposentando-se, e vindo o casal morar na cidade de São Paulo,  no bairro do Paraíso em edifício na Rua Vergueiro, que, posteriormente,  anos após a sua morte, foi demolido para dar lugar ao Centro Cultural de  
São Paulo.

   Seu filho Geraldo, o penúltimo de seus filhos, continuaria com o mesmo  ramo de atividades na mesma rua Candelária, em prédio entre as ruas  Cerqueira César e a Rua Padre Bento Pacheco, quase em frente à entrada do  antigo escritório da Light.

   De todos os seus filhos, atualmente estão vivas Isaura Rossignatti  Freitas, que completou seus cem anos de idade em 23 de julho de 2017,  residente em São Paulo, e a caçula da família, Mercedes, contando hoje  quase noventa anos de idade, residente em uma casa de repouso de Indaiatuba.

   O casal Pedro Rossignatti e Clara Campregher gerou, pela ordem de idade,  os seguintes filhos:
  • Julia Rossignatti Ifanger, que se casou com Juca Ifanger (tio  do artista  plástico indaiatubano José Paulo Ifanger);
  • Ignacio Rossinatti, que se casou com Alzira Barnabé (tia avó  do compositor, cantor e ator Arrigo Barnabé);
  • Maria Rossignatti Tancler, que se casou com Antenor Tancler  (já citados);
  • Claudina Rossignatti Camargo (morta no seu primeiro ano de  casamento nos  anos trinta), que se casou com Benedito Camargo;
  • Maria de Lourdes Rossignatti Camargo, que se casou com  Benedito Camargo;
  • Izaura Rossignatti de Freitas, que se casou com Paulo  Mathias Freitas (já  citados);
  •  Osório Rossignatti, que se casou com Maria Lopes;
  • Maria Bernadete Rossignatti Magnusson, que se casou com  José Magnusson;
  • Geraldo Rossignatti, que se casou com Elide Farinelli  Callegari;
  • Mercedes Rossignatti Guerra, que se casou com José  Guiterrez Guerra.
   Pedro foi uma pessoa bem conceituada na pequena Indaiatuba das primeiras  décadas do século passado, de ilibada conduta, embora sem qualquer projeção  política ou social, uma vez que voltado ao seu trabalho, à sua  participação, como leigo, na igreja, e seu apostolado, cuidando, durante  muitos anos, com dedicação e responsabilidade, dos velhinhos do, então,  Asilo de São Vicente, fato poeticamente lembrado pelo Senhor Archimedes  Prandini.

(texto recebido em 04/05/2018)



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