BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região. *

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O muro de taipa da frente do Casarão - Fatos e Questões

          A expansão urbana aliada à industrialização têm provocado o crescimento desordenado de cidades como Indaiatuba e, consequentemente, a destruição de áreas com edificações antigas, cuja importância arquitetônica ou histórica - muitas vezes, infelizmente,  passa despercebida pela maioria da população.

          Em Indaiatuba restaram tão poucos exemplares de edificações antigas, que nem sequer poderíamos pensar na possibilidade de colocá-las em risco. O moderno foi tomando o lugar do antigo sem que as consequencias culturais dessa mudança fossem consideradas por aqueles que a empreenderam.

          Para que essas mudanças não continuem dessa forma inconsequente, o correto é fazer o tombamento de imóveis declarados de interesse para a preservação, quer seja por sua importância arquitetônica, histórica, artística, arqueológia ou ambiental. Com leis que garantam o tombamento, está garantida a preservação da cultura material.

          Mas não é bem essa teoria que estamos vendo sendo colocada em prática em nossa Indaiatuba, já dita tão carente de sua memória edificada. Refiro-me ao muro de taipa construído na frente do Casarão do Pau Preto.

          O muro está bem no meio de nosso centro velho: na frente do Casarão do Pau Preto (aquele, que eu já escrevi que CHOVE DENTRO*), do lado da matriz Nossa Senhora da Candelária (que mesmo tombada, foi reformada), no quintal da Casa número 1 (essa, a Norma cuida) perto do Busto do Dom José e na mesma quadra da Casa Paroquial. Também próximo da Rua Augusto de Oliveira Camargo e os poucos casarões que ali restam, da Estação de Trem onde está a locomotiva número 1, a nascente  do Córrego Belchior e o Hospital Augusto de Oliveira Camargo.

          Essa área encaixa-se perfeitamente no conceito do artigo 216 da Constituição federal que define patrimônio cultural como "bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupo formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem: (....) V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico."

          É nesta área que está construído o muro de taipa. Só que ele está em um terreno vazio, de inquestionável valor imobiliário que pertence há muito tempo à iniciativa privada e onde está sendo construído um arranha-céu de 17 andares. A construção encontra-se- na fase de execução da fundação. O empreendimento já foi lançado em mídias escritas, tem um logotipo que remete à formas antigas (históricas, melhor explicando) e recebe o nome de "Casarão". Em uma primeira análise, obviamente surpreende-se com o oportunismo da construtora, ou da empreendedora (não sei se é a mesma empresa) ou melhor, dos responsáveis pela obra, que utilizam descaradamente a área que deve ser preservada (sua história, sua imagem e até o nome de um de seus logradouros) em alusão à um interesse privado. Mas não vou me ater nesse nível de discussão. A iniciativa privada é livre para definir e propagar o produto como bem entender, mesmo que fique esse oportunismo gritantemente agressivo à pessoas que interpretam o fato como eu, os chamados preservacionistas, memorialistas, historiadores formados ou não ou vítimas em geral desse amor que temos incondicionalmente por nossa Indaiatuba. E pelo pouco de patrimônio edificado que lhe resta.

          O primeiro ponto em que se deve se ater de verdade, é o do risco a que todos esses logradouros vizinhos correm, principalmente o Casarão, que já TREPIDA QUANDO PASSA CAMINHÕES E ONIBUS** na frente. Imaginem quando habitantes de 17 andares entrarem e saírem de lá com seus carros e motos. Muitas cidades fazem o exatamente o contrário: proíbem o trânsito em áreas definidas como de preservação e fazem calçadões. Lá passam caminhões e ônibus da Guaianazes toda hora. E também todos os carros que desviam do calçadão da Matriz; ou seja; já é um corredor de fluxo inadequado.



          Essa questão da trepidação é até anterior ao futuro e mais intenso fluxo. Passa também pelos riscos que os próprios processos de construção contêm. Esses, os responsáveis pela obra já assumiram que não existirão. Quero confiar que a Análise de Riscos feitas por eles conseguiu mapear (identificar, mensurar e tratar) todos eles, e conseguirá fazer uma gestão desses riscos de forma eficaz, sem nenhuma não-conformidade como algo ou alguém (credo!) que despenque em cima do muro. O fato é que, se na construção, o muro for abalado, será obviamente reconstruído ou reformado, afinal ninguém colocará sua marca em risco. Nesse ponto confio no "abraço" que os responsáveis estão fazendo em torno do muro, comprometendo-se à preservá-lo.

          Por último, deve-se destacar também outro importante item´, este sim, também de muita importância para se atear em uma análise: a visibilidade. Como não concordar que não há coerência em se cravar 17 andares na área de preservação mais antiga e importante do nosso centro urbano? Alguns responderão rapidamente que já existem outros prédios nos arredores. Para estes, respondo com dois argumentos: sim, mas nenhum está na frente do Casarão (e usando seu próprio nome) e nem foi construído após OS BENS JÁ TEREM SIDO TOMBAAAAAAAAAAAAADOS!!!!!***
         
  • A prefeitura aprovou a construção?
  • Se sim, como é que a Prefeitura aprova uma construção de 17 andares em uma área de preservação?
  • ... Onde os bens do entorno já  estão tombados?
Para que meus argumentos não sejam reduzidos a um texto feito simplesmente por quem ama Indaiatuba desvairadamente e por isso está cega de subjetividade, lanço mão mais uma vez de uma referência legal e legítima:

 Diz a lei: é necessária a prévia avaliação e autorização do órgão competente para a liberação de construção nas áreas do entorno de patrimônio histórico e cultural, objetivando resguardar a visibilidade do bem tombado.

  •           Um prédio de 17 andares resguarda a visibilidade dos bens tombados da área?
Para uma obra desse porte em um local como esse, também diz a lei que é obrigatória a elaboração de um Estudo de Impacto na Vizinhança (EIV), cujas diretrizes teóricas apontam que ele deve ser realizado de forma objetiva, sem "subjetividades" que beneficiem  o interesse privado a despeito do interesse da coletividade.

  • Foi feito um Estudo de Impacto na Vizinhança antes da aprovação da construção do prédio?
  • Quem analisou e aprovou esse Estudo?
São questões que precisam de respostas.

A preservação do nosso patrimônio edificado não é tarefa apenas de uma instituição. É, também, responsabilidade de todos nós, legítimos proprietários que somos dos bens coletivos. (Caramba, gente! Isso tudo é nosso!). Por responsabilidade, além dos deveres definidos e aqui citados na Constituição e  também presentes em nossas leis (inclusive municipais) referentes aos patrimônios já tombados também compreende-se ações individuais e coletivas consonantes com a prática cotidiana de resguardar a memória daqueles que nos procederam na História. 

Todos os cidadãos são guardiões do passado a fim de que seja testemunhado pelas gerações futuras. 

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* Desculpem-me os leitores pelas letras maiúsculas, sei que na etiqueta da web significa que estou gritanto, mas estou mesmo. Perdão.

** Perdão, mil perdões. Gritei de novo. É a insistência, a vontade de ser ouvida.

*** Agora eu perdi a classe de uma vez por todas e nem vou mais pedir perdão.

Tiradentes permanece oficialmente insepulto

Mais de 200 anos após suas mortes no degredo, na África, três inconfidentes – José de Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota – ganharão lugar no Panteão do Museu da Inconfidência/Ibram, em Ouro Preto (MG), juntando-se aos outros 13 inconfidentes já sepultados no monumento.

O sepultamento foi feito em 21 de abril, Dia de Tiradentes, às 9h30min, com a presença da presidenta Dilma Roussef, da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e do presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/Ministério da Cultura), José do Nascimento Junior, além do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, e do diretor do museu, Rui Mourão.


Crédito da imagem: agenciaminas (divulgação)

A identificação das ossadas exigiu anos de estudos e uma parceria entre história e ciência. Com o trabalho de especialistas em odontologia legal da Unicamp, o Museu da Inconfidência – que desde 1980 realizava pesquisas históricas sobre o caso – pôde comprovar que os ossos, repatriados da África para o Brasil nos anos 1930, são mesmo dos três inconfidentes.

Os estudos foram realizados por equipe da Unicamp chefiada pelo professor Eduardo Daruge, doutor em odontogia legal. “Através de todas as informações obtidas e por exames técnicos posso dizer que temos de 98% a 100% de certeza de que as ossadas são dos três inconfidentes”, afirmou Eduardo Daruge, em coletiva à imprensa realizada no auditório do Ibram, nesta sexta-feira (15/4).

Ao todo, 26 nomes estão associados à Inconfidência Mineira e têm seus nomes registrados no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Destes, 13 tiveram seus despojos identificados e estão sepultados no Panteão da Inconfidência. Com os despojos de José de Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota serão 16 inconfidentes identificados, os outros 10 têm paradeiro desconhecido. “Tudo o que pudermos acrescentar à história da Inconfidência Mineira é importante, até porque esses personagens (José de Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota) deram contribuição efetiva ao movimento”, explicou Rui Mourão.

Os inconfidentes identificados

José de Resende Costa, pai (1728-1798) – Era capitão do Regimento de Cavalaria Auxiliar da Vila de S. João e fazendeiro em Arraial da Laje, hoje chamado Resende Costa (MG). José de Resende Costa, pai, foi preso em 1789, junto com seu filho de mesmo nome, e condenado à morte com outros inconfidentes. No degredo, foi contador e distribuidor forense até 1798, quando morreu. Seu filho voltou ao Brasil em 1803.

João Dias da Mota (1744 – 1793) – Nasceu em Vila Rica. Foi capitão do Regimento da Cavalaria Auxiliar da Vila de S. João e fazendeiro. Era amigo de Tiradentes. Morreu em setembro de 1793, nove meses após chegar a Cacheu, de uma epidemia que assolou a região.

Domingos Vidal de Barbosa (1761-1793) – Nasceu em Capenduva, de família abastada. Estudou medicina em Bordeaux, na França. Participou de forma discreta na conspiração. Encontrou-se com Thomas Jefferson (então embaixador na França e depois presidente americano) na Europa, quando teria obtido apoio à causa dos inconfidentes.


Os 13 inconfidentes já sepultados no Panteão do Museu da Inconfidência:


Inácio José de Alvarenga Peixoto
Tomaz Antônio Gonzaga
João da Costa Rodrigues
Francisco Antônio de Oliveira Lopes
Salvador Carvalho do Amaral Gurgel
Vitoriano Gonçalves Veloso
Vicente Vieira da Mota
Antônio Oliveira Lopes
José Aires Gomes
Luiz Vaz de Toledo Pisa
Domingos de Abreu Vieira
Francisco de Paula Freire de Andrada
José Álvares Maciel

(Ibram/ MinC)

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Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, após ter sido enforcado teve o corpo mutilado e exposto em locais públicos para intimidação.
 
Permanece oficialmente insepulto.

 
Leia mais sobre as ossadas do Panteão aqui

terça-feira, 19 de abril de 2011

Prêmio Nabor supera expectativa de público e surpreende pela qualidade musical

colcaborou: Elaine Rangel
texto de Darlene Ribeiro

O público lotou o auditório do Instituto Deco20 na última sexta-feira (15) durante a realização do Prêmio Nabor Pires Camargo, promovido pela prefeitura de Indaiatuba por meio da Fundação Pró-Memória. Durante a abertura do evento o prefeito Reinaldo Nogueira parabenizou a Fundação Pró-Memória pelo importante trabalho desenvolvido na preservação da memória da cidade assim como de personalidades que fazem parte dessa história.




Crédito da foto: Eliandro Figueira (PMI)

Os dez concorrentes, todos jovens, deram um verdadeiro show de musica popular apresentando o melhor do chorinho brasileiro. “O Prêmio Nabor Pires Camargo superou todas as nossas expectativas tanto com relação ao número de concorrentes (54) quanto a qualidade musical dos candidatos, que surpreendeu até mesmo os jurados”, destacou o superintendente da Fundação Pró-Memória, Marcelo Alves Cerdan. A comissão julgadora foi formada por João Tomás do Amaral, Mário Albanese, Franscisco Araújo e João Alves da Silva (Bonfim).

Na opinião de Marcelo o público presente também superou o registrado nas edições anteriores. “Acredito que isso demonstre a consolidação do prêmio, que procura destacar e relembrar a obra do músico indaiatubano Nabor Pires Camargo”, afirmou. Após a apresentação dos concorrentes a animação ficou por conta do grupo ‘Isaías e seus chorões’ que recebeu como convidados Derico Scioti e Pernambuco do Pandeiro.

Vencedores

Tocando ‘Quando me lembro’, de Luperce Miranda, e ‘Comendo fogo’, de Nabor Pires Camargo, o acordeonista Bruno Moritz Neto, de Brusque (SC), foi o grande vencedor da noite conquistando o 1º lugar do Prêmio Nabor Pires Camargo. Bruno começou a tocar aos quatro anos e com nove fez uma turnê com Sivuca por Santa Catarina. Estudou piano na ULM (Universidade Livre de Música), composição na USP (Universidade de São Paulo) e cursa licenciatura em música na UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí). Tem três cd’s gravados e foi campeão do 1º Concurso Latino Americano de Acordeon, do 1º Rolandv Acordion Contest etapa do Brasil e obteve a 4ª colocação na copa mundial de acordeonista em Auckland (Nova Zelândia) em 2009.

O 2º lugar ficou para o paulistano Márcio Modesto que tocou na flauta transversal ‘Deixa o breque pra mim’, de Altamiro Carrilho, e ‘Passarinho verde’, de Nabor Pires Camargo. Modesto é formado em música pela Unicamp (Universidade de Campinas) e aluno do flautista Antonio Rocha. Participou do Coletivo Orquestral Unicamp de 2006 a 2010, foi arranjador e compositor, tendo sua obra tocada em 2009 em Illinois (EUA).

O clarinetista Matteo Ricciardi, de Belo Horizonte (MG) conquistou a terceira colocação no prêmio tocando ‘Choro X’ de Gilson Brito e ‘Comendo fogo’, de Nabor Pires Camargo. Nascido na Itália, Ricciardi começou os estudos musicais aos nove anos tocando sax. Aos 14, começou a dedicar-se aos estudos eruditos e migrou do sax para o clarinete, ingressando no conservatório Giuseppe Verdi, de Turim, onde completou bacharel e mestrado. Atuou em várias orquestras sinfônicas.

O 4º colocado foi Pablo Dias, de Belo Horizonte (MG), que tocou ‘Aquarela na Quixaba’, de Hamilton de Holanda, e ‘Quanto dói uma saudade’, de Nabor Pires Camargo, no cavaquinho. Dias Começou a tocar cavaquinho aos 16 anos e já tocou com grandes nomes da música brasileira como Ataulfo Alves, Noca da Portela, Moacyr Luz e Pedro Miranda. Venceu o Festival Jovem Instrumentista promovido pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

A menção honrosa este ano foi dada ao violonista Rafael Thomaz, de Campinas, que tocou ‘Jongo’, de Paulo Bellinati, e ‘Suspiros’, de Nabor Pires Camargo. Thomaz estudou no Conservatório de Tatuí, é bacharel em Música Popular pela Unicamp (Universidade de Campinas) e atua como professor em diversas instituições na região de Campinas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mais sobre moda dos anos 60

Alunos do curso de Moda de uma universidade de nossa vizinha Salto gostaram do post sobre as costureiras que faziam aulas com a D. Santa, conceituada modista de nossa cidade.

No citado post, escrevi que D. Santa guardou muitos dos figurinos que usava quando era professora de Corte e Costura. Por serem imagens muito representativas da época, com modelos de cortes elaborados, os alunos pediram mais imagens. Êi-las, todas elas de revistas de moda da década de 1960.

(clique nas imagens para ampliar)















sexta-feira, 15 de abril de 2011

Outro goleiro de Indaiatuba no Santos F.C.

Muitos sabem que Indaiatuba teve um ilustre esportista com notoriedade nacional: trata-se de Laércio José Milani, filho de Clofas Mosca Milani e Humberto Milani e irmão dos indaiatubanos Isolina Milani (Cordeiro), Marcos Milani, Adele Milani (Pucinelli), Walda Maria Milani (Ibraim), Hélio Milani, Maria Inês Milani (Domingues) e Antonietta Milani (do Amaral Gurgel), estas duas últimas já citadas neste blog.



O indaiatubano Laércio Milani  com o uniforme do Primavera - mostra as mãos que levaram Indaiatuba para o mundo em gloriosas defesas.


Laércio José Milani começou sua carreira no Esporte Clube Primavera e foi goleiro do Santos Futebol Clube, na áurea época do Rei Pelé.



O goleiro indaiatubano Laércio José Milani, seguido pelo Rei Pelé (na época apenas um jovem princepezinho) desembarcando para outro dos grandiosos jogos do Santos F.C.


Mas o que muitos não sabem, e que pode ser confirmado na imagem abaixo, é que outro goleiro indaiatubano também jogou no Santos Futebol Clube, na mesma época.


Equipe do Santos F.C. num amistoso em Santa Catarina (Taió) em 1964
Imagem publicada originalmente no grupo virtual do Facebook "Dinossauros de Indaiá"

Carlos Alberto, Wilson, Zito, Clodoaldo, Ramos Delgado, Douglas, Joel, Coutinho, Gilmar, Edu, Elcio (Mineiro), Rildo



Trata-se do goleiro é Benedito Zerbinatti,  mais conhecido como "Élcio". Mas aqui em Indaiatuba ele era mesmo conhecido "Mineiro".

Conforme conta José Aristides Barnabé, "ele foi descoberto pelo Moacir Martins, num campo que havia onde é hoje a pracinha depois do Cemitério na Rua Candelária e levado para o Esporte Clube XV de Novembro onde começou a despontar, chamando a atenção de olheiros, sendo assim contratado pelo Guarani F.C. de Campinas. De lá para o Santos F.C. foi muito rápido. Para sua infelicidade, na época o Santos F.C. tinha como goleiros o Gilmar e o Laércio". (1) Por jogar com esses dois craques, acabou não ganhando tanta notoriedade.

Na viagem retratada nessa imagem (acima) para Santa Catarina, o Laércio não pode jogar, provavelmente por estar contundido e ele foi no lugar.

Pelé também não estava no jogo, embora outros jogadores do time principal estivessem. Talvez por ser amistoso, talvez por suposta contusão como Laércio.
A foto original é de Moacir Martins e nela consta uma dedicatória de Benedito-Élcio-Mineiro, que agradece a oportunidade que lhe foi dada.

Mas um indaiatubano que merece destaque!



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Colaborou: José Aristides Barnabé

(1) Depoimento originalmente publicado no grupo Dinossauros de Indaiá, em texto postado por Patrick Ribeiro.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

As obras raras das bibliotecas brasileiras

Por Maria Clara Rabelo
 REVISTA ELETRÔNICA DE JORNALISMO CIENTÍFICO

Traçar um panorama das obras raras no Brasil não é uma tarefa fácil. Primeiro, pela grande quantidade de bibliotecas e arquivos espalhados pelo território nacional. Segundo, pela relevância e consistência do assunto que desperta inúmeros questionamentos, cujas respostas nem sempre são óbvias. Questões que passam pelo conceito de obra rara, por exemplo. É uma obra antiga ou uma obra difícil de ser encontrada? Nem uma coisa, nem outra. Ou, talvez, as duas. A raridade de uma obra é medida e atribuída de acordo com critérios bastante específicos que não se limitam à idade ou ao número de exemplares existentes.

Para responder a esta e a outras questões igualmente pertinentes, a rota desta reportagem passa por onze instituições nacionais, públicas e privadas, que são: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) e Biblioteca Mário de Andrade (BMA), de São Paulo, Biblioteca Central Cesar Lattes da Universidade Estadual de Campinas (BCCL/Unicamp), Campinas; Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (BC/UFRGS), em Porto Alegre; Biblioteca Pedro Aleixo da Câmara dos Deputados, Brasília; Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Real Gabinete Português de Leitura (RGPL), todas do Rio de Janeiro; Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que fica em Recife; e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), de Belém.

Os representantes dessas instituições são unânimes em afirmar que a “raridade” de uma obra é determinada por um conjunto de fatores. Em geral, sua classificação é baseada em critérios pré-estabelecidos pela Fundação Biblioteca Nacional, aos quais são adicionadas peculiaridades e necessidades locais, isto é, “cada instituição define como raros títulos considerados fundamentais para a preservação de sua memória”, esclarece a bibliotecária Matie Nogi, da Biblioteca Pedro Aleixo.

“Todo bom livro é raro!”, exclama Ana Virgínia Paz, chefe da Divisão de Obras Raras da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e questiona: “Quantos livros conhecemos, editados recentemente, que seriam importantes o suficiente para compor uma biblioteca no próximo século?” A autora de Que é livro raro?, cuja segunda edição vem sendo preparada, associa a definição da raridade de um livro à intenção de preservá-lo fisicamente para as próximas gerações, sem se esquecer dos critérios classificatórios já consagrados como antiguidade, produção artesanal, tiragem reduzida, importância histórica, características bibliológicas, entre outros.

Apesar de estar mais vinculado ao objeto “livro”, o conceito “obra rara” não exclui periódicos, mapas, folhas volantes, cartões-postais e outros materiais impressos, pondera Rizio Bruno Sant'Ana, coordenador de Obras Raras e Especiais da Biblioteca Mário de Andrade. O autor do artigo “Critérios para a definição de obras raras” ressalta que fotografias, manuscritos, gravuras e desenhos por serem peças únicas e originais, não recebem a mesma denominação apesar de demandarem o mesmo cuidado em relação à preservação e conservação. Assim, os acervos raros são aspectos específicos e integrantes de um conjunto maior: as coleções especiais.

Para ver essas imagens em tamanho maior e outras obras das bibliotecas raras brasileiras, clique aqui

A Coleção de Obras Raras da Biblioteca Central César Lattes/Unicamp é composta, principalmente, por exemplares do século XV ao XX que integravam bibliotecas particulares de intelectuais brasileiros adquiridas por compra (Sérgio Buarque de Holanda, Alexandre Eulálio, Paulo Duarte, Peter Eisenberg) e doação (Aristides Cândido de Mello e Souza e José Albertino Rodrigues), desde 1970. Fazem parte do acervo obras de Johannes Nieuhof, Johan Nieuhofs Gedenkweerdige Brasiliaense... (1682); Jean de Lery, “Histoire d'un voyage fait en la terre du Bresil... (1585) e Histoire d'un voyage faict en la terre du Bresil... (1600); Tomás Antônio Gonzaga, Marilia de Dirceo (1792); e de Caspar van Baerle, Casparis Barlaei Rerum per octennium in Brasilia... (1647). Mas, o destaque são os três volumes de Delle navigationi et viaggi, de Giovanni Battista Ramusio (1554-59).

Segundo Marta do Val e Tereza de Carvalho, da Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras da Unicamp, a temática principal da coleção é a Brasiliana (séculos XVI-XIX), presente nas narrativas de viagens, cujos relatos dedicam-se à geografia, economia, política, religião, população e aos costumes do período colonial e imperial brasileiros. Em geral, tratam-se de exemplares esgotados, primeiras edições de editores renomados, além de edições especiais, clandestinas e de luxo.

Em 1969, a aquisição da biblioteca particular de Eduardo Secco Eichenberg (bibliófilo e médico) deu início à coleção de raridades da Biblioteca Central/UFRGS. Desse acervo, aproximadamente 10.000 volumes foram considerados raros, formando a Coleção Eichenberg de Obras Raras. Inaugurado, oficialmente, em 1978, o Departamento de Obras Raras abriga, em sua maioria, publicações do século XIX, principalmente edições limitadas, como: Plantes usuelles des brasiliens, de Auguste de Saint-Hilaire (1824) e Les carottes, de Honoré Daumier (1844). Há também publicações de outros períodos, como: L'histoire des choses plus memorables advenües..., de Pierre Du Jarric (1611); Origem da lingua portuguesa, de Duarte Nuñez de Lião (1606); e uma Coleção de Bíblias, à qual pertence um exemplar alemão ilustrado por Gustave Doré e considerado um dos seus melhores trabalhos, como afirma Ana Lúcia Rüdiger, coordenadora do setor.

O acervo raro da Biblioteca Pedro Aleixo vem sendo formado desde o início das atividades da Biblioteca da Câmara dos Deputados, na instalação da Assembléia Geral, Constituinte e Legislativa do Império do Brasil, no dia 17 de abril de 1823. Essa longa existência garantiu-lhe o acúmulo de uma quantidade significativa de obras, hoje consideradas raras. Em 1971, criou-se uma seção específica para o abrigo de tal coleção que é formada pelo acervo geral e pela aquisição da coleção particular do ex-deputado e jornalista Márcio Moreira Alves, explica Matie Nogi, bibliotecária responsável.

As principais raridades do acervo estão registradas em dois catálogos publicados pela Câmara, disponíveis na internet. O primeiro volume reúne “200 obras segundo critérios de antiguidade e valor histórico-social para a construção do pensamento social brasileiro e o interesse de historiadores, pesquisadores e bibliófilos”. Enquanto o segundo é composto por “obras que tratam exclusivamente do Brasil, desde o século XVI até o início do século XX”, como: Directorio, que se deve observar nas povoaçoens dos indios... (1758) e o Diario da viagem do Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida pelas capitanias... (1841).

Em 1907, iniciou-se a formação do acervo da Biblioteca Mário de Andrade com a criação da primeira Biblioteca Pública Municipal de São Paulo que, anos mais tarde, incorporou o acervo da Biblioteca Pública do Estado. Em 1943, organizou-se a Seção de Obras Raras. A instituição passou a chamar-se Mário de Andrade em 1960, reunindo diversas coleções de bibliófilos e pesquisadores, compradas ou doadas, constituindo coleções que levam o nome do doador: Barão Homem de Mello, Félix Pacheco, Paulo Prado, Pirajá da Silva, Otto Maria Carpeaux, Antonio de Paula Souza, Paulo Duarte, entre outros.

É vasto e valioso o acervo raro da BMA, sendo muitas as obras que merecem destaque. Por exemplo: Vocabulário na língua brasílica (1628), Códice Costa Matoso (1749); Diabo Coxo (1864-65), de Angelo Agostini – único exemplar conhecido; Suma Teológica (1477), de Santo Antonino – publicada por Nicolau Jenson; Bíblia (1492) – em caixa de jacarandá; Crônica de Nuremberg (1493) – com 1.600 xilogravuras é considerado o maior livro ilustrado de sua época; História de César (1506), de Suetônio; e a Enciclopédia Francesa (1754), de Diderot e D'Alembert – edição original. Também pertencem à coleção encadernações em pergaminho, couro, latão, seda e com decorações em ouro; além de importantes obras do século XX, entre as quais estão as primeiras edições autografadas de Mário de Andrade ou Jorge Amado, exemplifica Rizio Bruno.

A Biblioteca Brasiliana José e Guita Mindlin, formada por José Mindlin ao longo de sua vida, iniciou-se a partir de dois acontecimentos. O primeiro, ao adquirir em um “sebo” os Discursos sobre a história universal, de Jacques Bossuet (1760), cuja antiguidade impressionou o menino de apenas treze anos de idade. O segundo, ao ser presenteado com um exemplar da História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, que influenciou a formação de sua biblioteca na temática Brasiliana.

“São muitas as obras raras (...), versando sobre os mais variados assuntos”, afirma a curadora da Brasiliana Mindlin, Cristina Antunes. Entre elas estão: Hans Staden – primeira edição ilustrada com xilogravuras sobre os índios brasileiros; Warhafitige Historia vnd beschreibung... (1557); Histoire d'un voyage fait en la terre du Bresil, de Jean de Léry (1578); os Sermoens do P. Antonio Vieira, (1679-1748); Explicacion de el cathecismo en lengua guarani, de Nicolas Yapuguay (1724); O Guarany, de José de Alencar (1857) – primeira edição; Marilia de Dirceo, de Tomás Antônio Gonzaga (1810) – primeira edição brasileira, mais rara do que a primeira edição portuguesa (1792); Raça, de Guilherme de Almeida (1925) – tiragem especial.

Herança de Portugal

Criada em 1946, a partir de um decreto presidencial, a Seção de Livros Raros da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), hoje chamada Divisão de Obras Raras (DOR), foi formada a partir do acervo geral da biblioteca, seguindo os critérios de raridade e preciosidade. A maior parte dos livros selecionados é proveniente da Real Bibliotheca Portuguesa (século XVIII). Tal acervo preenche mais de dois mil metros lineares de itens em estantes, gavetas e cofres, distribuídos numa área de 520 m², cujo espaço leva o nome de seu patrono e doador da valiosa coleção de incunábulos – livros impressos nos 50 primeiros anos após a invenção da imprensa –, edições príncipes, camonianas, além de outros impressos e manuscritos relativos ao período colonial: Antônio Marques, um bibliófilo fluminense.

Chefe da DOR/FBN, Ana Virgínia, afirma que a divisão é “guardiã de uma coleção múltipla que cresce ininterruptamente, devido às doações de beneméritos e remanejamentos de outras áreas do acervo”, possuindo valiosos itens entre os quais se destacam: títulos impressos (século XV-XVIII) – oriundos de tipografias de todas as nações; a coleção Brasiliana – livros sobre o Brasil, impressos ou gravados do século XVI ao XIX, e os livros de autores brasileiros impressos ou gravados no exterior até 1808; a coleção de incunábulos brasileiros (século XIX), ou seja, os primeiros livros impressos no país; exemplares de caráter memorial, por sua importância intelectual e histórica; exemplares de caráter memorial, pela riqueza dos materiais utilizados (couro, pergaminho, madeira, papel de trapo e de madeira, seda, veludo e tafetá).

Segundo Dilza Bastos, chefe do Serviço de Biblioteca da Fundação Casa de Rui Barbosa, a coleção de obras raras da instituição teve início com a Biblioteca Rui Barbosa, que “foi constituída pelo próprio ao longo de sua vida, reunindo 23 mil títulos em 37 mil volumes, sobre os mais variados ramos do conhecimento”, com destaque para as obras jurídicas. Ainda integram o Serviço a Biblioteca Infanto-juvenil Maria Mazzetti e a Biblioteca São Clemente que, por sua vez, está em constante desenvolvimento, abrigando diversas coleções particulares adquiridas, em sua maioria, por meio de doação, além das raridades avulsas doadas ou compradas pela própria instituição.

Seletiva e rica em obras de referência, a Biblioteca Rui Barbosa possui várias edições príncipes, primitivas ou originais. Alguns de seus destaques são: Divina Comédia, de Dante Alighieri (1481) – editado por Landino; La vie de Notre-Seigneur Jésus Christ, de Tissot (1896-97); e Crônica de D. João I, de Fernão Lopes (1644) – primeira edição. Além de diversas outras obras, que deixam “evidente que Rui Barbosa buscava a fonte original em seus estudos e produção literária”, afirma Bastos.

A Seção de Obras Raras A. Overmeer, da Biblioteca de Ciências Biomédicas (Fiocruz), possui em seu acervo – que se estende do século XVII ao XIX – temas relativos às diversas áreas do conhecimento, apesar da ênfase em ciências biológicas, medicina e história natural. Em sua formação, Oswaldo Cruz contou com o apoio do cientista Arthur Neiva que selecionou títulos de história natural e “adquiriu obras consideradas raras ou valiosas, não só por seu conteúdo e valor intrínseco, como por sua antiguidade”, explica Jeorgina Rodrigues, bibliotecária responsável pela seção.

Entre suas raridades, destacam-se: Historia Naturalis Brasiliae, de Willem Piso e Georg Marggraf (1648) – primeiro estudo da medicina tropical; Experimenta circa generation insectorum, de Francesco Redi (1671) – um dos fundadores da biologia experimental; Systema Entomologiae, sistens..., de Johann C. Fabricius (1775); Estudos hematológicos no impaludismo, de Carlos Chagas (1903) – tese; A veiculação microbiana pelas águas, Oswaldo Cruz (1893) – tese. Além de periódicos científicos nacionais e estrangeiros, como: Gazeta Médica da Bahia (1876-1972); Anais da Academia Nacional de Medicina do Rio de Janeiro (desde 1885); Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (desde 1909); Annales de Chimie et de Physique (1789-1913); Annalen der Physick (1790-1983); e Proceedings of the Royal Society of London (1800-1969).

Regiões Norte e Nordeste

O acervo raro da Fundaj foi “constituído, basicamente, por doação”, afirma a bibliotecária Lúcia Gaspar. A maioria das obras é proveniente do extinto Museu do Açúcar, e foram incorporadas ao Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, em 1977. Tal coleção, cujos exemplares mais antigos são do século XVII, é composta de livros, folhetos e periódicos de temas diversos, como: as obras de viajantes (século XIX); os aproximados 2.800 folhetos de cordel; as Séries Brasiliana e Documentos Brasileiros; periódicos nacionais e estrangeiros (século XIX-XX); além do Arquivo Joaquim Nabuco (doado pela família do abolicionista) que recebeu o Certificado de Registro Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo (MOW), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) (2008).

Entre os itens do referido acervo – que possui tiragens reduzidas, primeiras edições, obras esgotadas e exemplares com anotações manuscritas – destacam-se: Medicina Brasiliensi, de Guilielm Pisonis (1648); Castrioto Lusitano, de Frei Raphael de Jesus (1679); O Fazendeiro do Brazil..., de Frei José M. da C. Velloso (1798-1806); English Constitution, de Bagehot (18--?) – exemplar que pertenceu a Joaquim Nabuco, com anotações de próprio punho; Henry George: nacionalização do solo..., de Joaquim Nabuco (1884) – um dos poucos exemplares encontrados para consulta; Memórias da viagem de SS. Magestades Imperiais..., do Imperador do Brasil Pedro II (1862); Travels in Brazil, de Henry Koster (1816); A history of the Brazil..., de James Henderson (1821).

No Pará, as aquisições do zoólogo Emílio Goeldi, as doações de ilustres e a permuta entre o Museu Paraense de História Natural e Ethnographia e instituições nacionais e internacionais formaram o acervo raro da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna/MPEG. De acordo com Aldeídes Camarinha e Berenice Bacelar – respectivamente, coordenadora do Centro de Informação e Documentação (CID) e curadora da coleção, as áreas da botânica e zoologia são contempladas com importantes estudos sistemáticos e documentos relativos às viagens e explorações científicas e históricas na Amazônia, constituindo-se um acervo expressivo e de referência para estudos clássicos científicos acerca da região.

Entre os seus 3000 volumes, dos quais 276 são in-fólios, destacam-se: Delle navigationi et viaggi, de Giovanni Battista Ramusio (1554-74); Relation Abrégée d’ um Voyage..., de Charles Marie de La Condamine (1745); Relacion histórica del Viage... e Observaciones Astronômica y Phisicas, de D. Jorge Juan e D. Antonio de Ulloa (1748); Nouveau recueil de planches coloriées..., de C. J. Temminck (1838); Histoire naturelle des oiseaux ...; de George L. L. Buffonde, (1771-86); Monograph of the Ramphastidae or Family of Toucans, de John Gould (1854) – 51 estampas coloridas; além da publicação científica do Museu Emílio Goeldi até 1945.

As raridades do Real Gabinete Português de Leitura foram reunidas através da compra ou da doação de coleções por particulares, como a de João do Rio, exemplifica Vera de Almeida. A obra mais antiga que a instituição possui é De bello civili, de Marco Aneu Lucano (1502). Outros destaques ficam sob a responsabilidade das duas edições de Os Lusíadas, de Luiz de Camões (1572 e 1670), respectivamente, a primeira edição e um exemplar autografado por Gago Coutinho; Ordenações de dom Manuel (1520); Vozes saudosas, da eloqüência... (1736) e Voz sagrada, politica, rhetorica e metrica... (1748), de Padre Antonio Vieira – primeiras edições de seus sermões; e dos livros autografados por Euclides da Cunha, Machado de Assis, Joaquim Nabuco, entre outros.

Certamente outros exemplares importantes devem figurar distintas bibliotecas brasileiras, mas tomando por base as que foram consultadas nesta reportagem, é possível ver a variedade dos acervos brasileiros e a importância que tem sido dada a eles. Esses livros e documentos atravessaram a história e o mundo até chegarem aqui, e merecem esse lugar de destaque.

domingo, 10 de abril de 2011

Curiosidade: Cientistas encontram esqueleto de homem pré-histórico homossexual

Fonte: BBC Brasil  em 07/04/2011 às 10:12



Pesquisadores observaram que indivíduo, que morreu há 5 mil anos, foi enterrado segundo ritos normalmente destinados às mulheres



Enterro seguiu normas que mesclam tradições masculinas e femininas
 
 
 

Foto: Sociedade Arqueológica Tcheca


Cientistas tchecos escavaram o que acreditam ser o esqueleto de um homem pré-histórico homossexual ou transexual que viveu entre 4.500 e 5.000 anos atrás.

A equipe de pesquisadores da Sociedade Arqueológica Tcheca constatou que os restos - retirados de um sítio arqueológico neolítico em Praga - indicam que o indivíduo, de sexo masculino, foi enterrado segundo ritos normalmente destinados às mulheres.

A arqueóloga Katerina Semradova disse à BBC Brasil que o enterro “atípico” indica que o indivíduo encontrado fazia parte do “terceiro sexo”, provavelmente homossexual ou transexual.

"Trabalhamos com duas hipóteses: a de que o indivíduo poderia ter sido um xamã ou alguém do terceiro "terceiro sexo'. Como o conjunto de objetos encontrados enterrados ao redor do esqueleto não corroboravam a hipótese de que fosse um xamã, é mais provável que a segunda explicação seja a correta", disse Semradova.


Objetos encontrados na tumba não eram comuns em enterros masculinos daquele período


As escavações foram abertas ao público nesta quinta-feira e a visitação tem sido intensa.

Os restos são de um membro da cultura da cerâmica cordada, que viveu no norte da Europa na Idade da Pedra, entre 2.500 AC e 2.900 AC.

Neste tipo de cultura, os homens normalmente são enterrados sobre o seu lado direito, com a cabeça virada para o oeste, juntamente com ferramentas, armas, comida e bebidas.

As mulheres, normalmente sobre o seu lado esquerdo, viradas para o leste e rodeada de jóias e objetos de uso doméstico.

O esqueleto foi enterrado sobre o seu lado esquerdo, com a cabeça apontando para o oeste e cercado de objetos de uso doméstico, como vasos.

"A partir de conhecimentos históricos e etnológicos, sabemos que os povos neste período levavam muito a sério os rituais funerários, portanto é improvável que esta posição fosse um erro", disse a coordenadora da pesquisa, Kamila Remisova Vesinova.

"É mais provável que ele tenha tido uma orientação sexual diferente, provavelmente homossexual ou transexual."
 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A modista e suas costureiras aprendizes

Foi na década de 1950 e 1960 que a Dona Santa, famosa costureira de nossa cidade, além de fazer elaborados modelos na sala de costura que mantinha em sua casa, também dava aulas de corte e costura para jovens senhoritas.

As aprendizes tinham que levar para aula jornais velhos. Com eles, tentavam reproduzir moldes copiados de revistas famosas, não tão numerosas, mas muito conhecidas e respeitadas como referência.

As que conseguiam fazer moldes adequados com os jornais, partiam então para cortar o tecido com base no molde, isso após análise e aprovação de Dona Santa.

As imagens abaixo (da moda da década de 1960) foram cedidas por ela, que guardou algumas revistas da época, chamadas de "manequins".

Além de figurinos com imagens desenhadas, Dona Santa  guardou revistas doadas pela Casa Nicolau, estas mais recentes (décadas de 1970 e 1980 e com fotos). A loja de propriedade da família Nicolau, instalada no primeiro sobrado construido em Indaiatuba (rua XV de Novembro, esquina com Bernadino de Campos), revendia tecidos finíssimos e para estimular as modistas e costureiras, trazia das tecelagens essas revistas, que eram doadas com a última moda para suas clientes.


LOJA NICOLAU
loja de fazendas, armarinhos e máchinas de costura de Júlio Nicolau
 na Rua do Commércio no. 8 - telephone 8


Anúncio publicado no Jornal o Indaiatubano de 4/12/1938



(clique nas imagens para ampliar)






quinta-feira, 7 de abril de 2011

15a. Semana Nabor Pires de Camargo

FUNDAÇÃO PRÓ-MEMÓRIA DIVULGA ATRAÇÕES
DA SEMANA NABOR PIRES DE CAMARGO



Programação da 15ª Semana Nabor Pires de Camargo

12/04 (Terça-feira) – Show com grupo de choro Moacyr Martins
Casarão Cultural Pau Preto – 20h

13/04 (Quarta-feira) – Show com grupo Choro Bandido
Coreto da Praça Prudente de Moraes – 17h30

14/04 (Quinta-feira) – Show com grupo Corta Jaca (chorinho)
Coreto da Praça Prudente de Moraes – 17h30

15/04 (Sexta-feira) - 10° Prêmio Nabor Pires Camargo – Instrumentista
Instituto Deco20 – 19h
A noite será encerrada pelo grupo Izaias e seus Chorões.convidam: Derico, Pernambuco do Pandeiro e outros.

12/04 a 30/06 – Exposição ‘Cahindo das Nuvens’ no Museu Casarão Pau Preto
Traz fotografias e documentos que remetem a vida artística de Nabor Pires de Camargo, como partituras e métodos da clarineta. O material foi doado pela viúva do músico ao Arquivo Público Municipal.

Resultado Triagem

Músico / Instrumento / Cidade

1 – Agnaldo Dias Luz Filho – Bandolim – São Paulo

2 – Reinaldo Willams Silva dos Anjos – Clarineta – Campinas SP

3 – João Paulo Gonçalves – Guitarra/Violão – São Paulo

4 – Reinaldo Sousa Lima – Clarineta/Sax Tenor – Nova Odessa SP

5 – Pablo Dias – Cavaquinho – Belo Horizonte MG

6 – Bruno Moritz Neto – Acordeom – Brusque SC

7 – Rafael da Silva Barros – Cavaco – Piracicaba SP

8 – Rafael Thomaz – Violão – Campinas SP

9 – Matteo Ricciardi – Clarinete – Belo Horizonte

10 – Márcio Modesto – Flauta Transversal – São Paulo

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Seminário República e Republicanos

Dia - 18 de abril de 2011
Local - Centro de Estudos do Museu Republicano
Rua Barão do Itaim, 140 – Centro – Itu


PROGRAMAÇÃO

09:00 hs - Credenciamento
Café da manhã de recepção aos participantes

09:30 horas - Abertura do Seminário
Formação da Mesa e Saudação das Autoridades, organizadores do evento
Dr. ENRIQUE RICARDO LEWANDOWISK
Ministro do Supremo Tribunal Federal
Renzo Bonoli – Instituto Fernando Santi de Bologna
Prof. Dra Cecília Helena Lorenzini de Salles Oliveira
Diretora do Museu Paulista da Universidade de São Paulo
Stefano Salmi – Presidente da Associação Emiliano-Romagnola da Península Ibéria
Prof. Jonas Soares de Souza – Secretaria Municipal da Cultura de Itu

09:45 horas - Palestra de abertura – A significado atual de República
Excelentíssimo Senhor Doutor ENRIQUE RICARDO LEWANDOWISK
Ministro do Supremo Tribunal Federal e
Presidente do Superior Tribunal Eleitoral

10:30 horas - Coffe Break

10:45 horas - A sabinada e a participação dos italianos
Stefano Salmi
Universidade de Coimbra
Presidente da Associação Emiliano-Romagnola da Península Ibéria
Massimo Morigi

11:05 horas - Debates

11:15 horas - Republica e Republicanismo
Prof. Armando Malheiro da Silva
Professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

11:35 horas - Debates

12:00 horas - Pausa para o almoço

14:00 horas - A Convenção Republicana de Itu e o seu significado de República
Prof. Jonas Soares de Souza
Secretario Municipal da Cultura de Itu

14:20 horas - Debates

15:00 horas - Representações da República Brasileira: Imagens, Imaginário e Ideologias
Profa. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro
PROIN e LEER/Universidade de São Paulo

15:20 horas - Debates

15:45 horas - Encerramento

Obs. Será verificada a preferência do Ministro Ricardo Lewandowsk com relação a palestra de abertura ou encerramento

O seminário esta sendo realizado dentro do Projeto de pesquisa sobre a colaboração dos imigrantes da Emilia-Romagna na luta pela república em Portugal e no Brasil que prevê atividades de celebração do 150º Aniversário da Unificação da Itália, do centenário da Independência de Portugal e do 122º aniversário da República Brasileira

Entidades patrocinadoras do Evento

Região da Emilia-Romagna
Consulta dos Emilianos-Romagnolos no Mundo
Instituto Fernando Santi de Bologna
Associação Emiliano-Romagnola Bandeirante de Salto e Itu
Associação Emilia Romagna da Península Iberica
Museu Paulista da Universidade de São Paulo
Prefeitura Municipal da Estância Turística de Itu
Secretaria Municipal da Cultura de Itu

sábado, 2 de abril de 2011

Gestão em Ferrovias - Charges



Gestão de Pessoas - Sinergia do Trabalho em Equipe

Divisão dos Esforços em Foco Único



Aplicação de Tecnologia de Ponta - Processo de Alinhamento



Inovação  nos Processos -  Colocação de Linha 


Inovação nos Processos - Colocação de Trilhos



Comunicação Integrada e Controle da Qualidade


Gestão Eficaz da Não-Conformidade
e
Gestão de Riscos


.....oooooOooooo.....


Colaboraram com as imagens: Antonio Pastori e Ernesto Almeida Paparelli
"Comentários" - Eliana Belo

O Crime do Poço - Leia todos os capítulos nos links abaixo

O Crime do Poço - Leia todos os capítulos nos links abaixo
Uma história que comoveu Indaiatuba em 1907 e foi desvendada por motivo que a razão não explica!

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Datas alusivas despertam a consciência pois estimulam a reflexão.

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