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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Vila Mercedes ou Jardim do Sol

O bairro que começou como um pequeno vilarejo construído para 560 pessoas, hoje é oficialmente chamado de Jardim do Sol. É um exemplo de força de vontade e união, mostrando que os moradores, quando juntos, podem conquistar diversos benefícios e colaborar com o crescimento e evolução do lugar onde vivem.



Texto originalmente publicado na REVISTA EXEMPLO IMÓVEIS
Agradecimentos: Sr. Aluísio Williampresidente do Grupo AWR
Larissa Ferreirajornalista.
Texto de Leandro Povinelli
Imagens de Renan Antonietto
 As imagens e o texto deste post possuem créditos. 
Cite-os se utilizar para sua pesquisa.



Muitas histórias sobre Indaiatuba podem ser contadas, algumas mais vivas nas memórias, outras mais documentadas nos papéis amarelados pelo tempo e guardados em inúmeros arquivos. Até o século 18, a província de São Paulo quase não possuía núcleos urbanos e, na região, existiam apenas as duas vilas, a de Itu e Jundiaí. Foi então que, por volta da segunda metade do século, o Governo Português implementou uma vigorosa política de incentivo à produção de açúcar na província. Em seu início, o povoado de Indaiatuba foi um dos bairros rurais pertencentes à Vila de Itu, que ficava no caminho da passagem de tropas para o Sul. O povoado também servia de ligação à atual Sorocaba e funcionava como um caminho para o Centro-Oeste, levando às vilas mineradoras de Mato Grosso e Goiás. Ainda no século 18, os caminhos para o interior eram estreitos, sendo percorridos com o auxílio de mulas, burros e cavalos, que transportavam todo o comércio regional e de exportação.

Desse período até o início do século 19, encontra-se algumas referências aos bairros de Piraí, Itaici, Mato Dentro, Buru e Indaiatuba. Como aconteceu também com outros povoados próximos, a dinâmica econômica trazida pela produção de açúcar e aguardente mudou a vida dos pequenos bairros rurais que formavam o povoado: em praticamente cem anos, o número de engenhos cresceu de tal forma que, por volta de 1850, não havia em Indaiatuba um só córrego com queda suficiente para mover uma roda d’água que já não tivesse a sua própria ‘fábrica de açúcar’.

Dando um salto na história e chegando ao século 20, em 1964 Indaiatuba tinha 22.928 habitantes e uma ‘cara’ tipicamente do interior, onde todos se conheciam. A vida era pacata e sem muitas novidades. A cidade crescia, porém a passos pequenos. Até que, a partir da década de 1970, o crescimento avançou, baseado principalmente na expansão das indústrias e serviços. 

A cidade viveu um surto modernizador que visava deixar o passado de lado e encarar uma nova fase, embalada pelo crescimento econômico daquele momento, ainda mais com a expansão industrial ligada à chegada de empresas internacionais e com o modelo da recém-inaugurada capital federal, composta por arquitetura e proposta modernistas.

Campinas e Indaiatuba, na época, instalavam o seu Distrito Industrial, onde se destacava a fábrica de carros da Mercedes-Benz que, na oportunidade, acabou criando, aqui no município, um bairro para seus operários, levando o nome da empresa automobilística: Vila Mercedes. “A gente trabalhava em São Bernardo, mas já haviam planos da Mercedes-Benz se instalar em Indaiatuba. Quando isso aconteceu, a fábrica trouxe um grupo de funcionários para cá, mostrando uma maquete de onde seriam construídas as casas dos trabalhadores”, lembra Guilherme Padetti, ex-trabalhador da fábrica e atual presidente da Sociedade Amigos do Bairro Jardim do Sol.




Inicialmente, a Vila Mercedes, foi criada para receber 560 famílias de operários, transferidos das regiões metropolitanas da grande São Paulo para trabalharem na unidade Mercedes-Benz de Campinas.


Hoje, oficialmente, o bairro, criado no dia 19 de fevereiro de 1979, recebe o nome de Jardim do Sol, mas, naquela época, apenas os trabalhadores que atuavam na indústria eram os moradores do local. Entretanto, a fama de progresso foi tanta que atravessou as fronteiras do estado e atingiu o Paraná, que passava por uma crise da cultura do algodão e do café devido à ‘Geada Negra’.

A busca pelas novas oportunidades fez com que houvesse uma grande migração de paranaenses a Indaiatuba que, na expectativa por trabalho, começaram a se instalar em casas de amigos e parentes nos bairros Jardim Moradado Sol, Santa Cruz e Jardim Califórnia, os últimos bem próximos à Vila Mercedes.

Com a crescente industrialização, os sítios próximos à cidade foram se tornando locais de construção para indústrias, ampliando cada vez mais o perímetro urbano e, por conseguinte, comprimindo as plantações e atividades agrícolas. Deste modo, o grande contingente da comunidade concentrada na agricultura que se via há vários anos foi alternando para diversas outras áreas ligadas, principalmente, às indústrias e às urbanizações.

Por ser uma criação recente, fruto dessas alternâncias, o novo bairro não contava com comércios e escolas. “Quando mudamos para cá, a maior dificuldade enfrentada foi a falta de escola para nossas crianças. O bairro já estava todo preparado, com água, esgoto, iluminação, mas não haviam escolas. Por conta disso, um grupo de pessoas começou a se organizar para formar uma sociedade com o objetivo de lutar por esse direito que nós tínhamos”, relata Padetti.

Para organizar os moradores a reivindicar melhorias junto à Administração Pública e dar assistência às suas necessidades, foi criada a Sociedade Amigos do Bairro Jardim do Sol, popularmente conhecida como Sol-Sol, em 1981, que começou com cerca de 300 associados. O prefeito da época, Clain Ferrari, doou o terreno para a sede, que foi regularizado pelo seu sucessor, José Carlos Tonin.






Como contam os próprios moradores e associados, as maiores conquistas da entidade foram a construção da Igreja da Comunidade de São José Operário, em 1982, e a do ginásio de esportes, em 1994. “A gente trabalhava aos fins de semana e nas férias coletivas. Os próprios moradores assentaram tijolos e ergueram a igreja”, conta Nelson Pereira da Silva, morador do bairro.



Uma curiosidade em relação ao espaço religioso é que, no altar, existe um memorial enterrado, com jornais da década de 1980, contendo os nomes das pessoas que ajudaram na construção da igreja e da comunidade. “Daqui cem anos, quem sabe alguém encontre e lembre de nós”, brinca Silva.

Feliz por todas as conquistas do bairro, Padetti revela que o grande trunfo de uma sociedade é trabalhar junto ao Poder Público. “A sociedade é criada para reivindicar, para abrir um caminho e tentar trazer as melhorias necessárias. Tudo o que era de extrema necessidade nós conseguimos. Agora o que resta é a manutenção rotineira que todo bairro necessita”.

Sentindo-se realizado com a Sociedade, Padetti diz que trabalha no local há 31 anos, sem nenhum tipo de remuneração e, emocionado, o senhor de 79 anos revela seu sentimento em relação ao Jardim do Sol. “Acredito que o bairro ganhou muito com a presença da Sociedade e com nosso trabalho diferenciado. A raiz já está plantada e isso ninguém pode arrancar ou apagar da história. Nós conseguimos realizar um grande sonho”, garante.


Bosque do Saber

Hoje, outro grande destaque do bairro é a Escola Municipal Ambiental Bosque do Saber, que pertence à Secretaria Municipal de Educação e foi inaugurada no dia 22 de maio de 2004, com a proposta inicial de ser um centro multidisciplinar.

Nela, encontra-se uma área verde de aproximadamente 11 mil metros quadrados para o desenvolvimento das atividades de apoio e pesquisas referentes ao estudo do meio ambiente, onde, no decorrer do ano são desenvolvidas atividades e cursos para capacitar professores e alunos sobre o assunto.

O Bosque do Saber dispõe de um prédio de dois pavimentos, totalizando 1.472 metros quadrados, com sala de suporte para eventos, auditório para 196 pessoas, ecobiblioteca e sala de oficinas ecopedagógicas. A área externa possui um quiosque do Projeto Ecoleitura e outro do Projeto Ecojogos, estufa, galpão e viveiro para mudas, galpão de reciclagem de papel artesanal, orquidário, quiosque do Projeto Jardim das Borboletas, área de alimentação, parquinho, pérgola do Projeto Jardim dos Beija-flores, galpão de compostagem, maquete de uma microbacia hidrográfica, pomar orgânico, horta orgânica, além de uma trilha de cerca de 500 metros para que os visitantes possam caminhar na mata nativa e aproveitar o contato com a natureza.

Existem ainda planos para a instalação de rampas e elevadores para facilitar o acesso aos cadeirantes, e montar um minizoológico para proporcionar um turismo de lazer e um lugar agradável para que as pessoas passem uma tarde ou uma manhã com a família. “Tenho orgulho do trabalho desenvolvido no Bosque do Saber para conscientizar as crianças e adultos sobre as questões ambientais, as pessoas se preocupam e pensam que mundo deixaremos para nossas crianças, mas eu penso em quais crianças que deixaremos para este planeta”, comenta a secretária de Educação, Rita de Cássia Trasferetti.






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