terça-feira, 19 de junho de 2018

Fazenda Pimenta: pioneirismo de imigrantes fez história


Texto originalmente publicado na Tribuna de Indaiá

O ano era 1949 quando o italiano Santoro Mirone, ex-oficial da Marinha italiana, fincou raízes em Indaiatuba. O imigrante chegou aqui com a esposa Santina e três filhos pequenos, e a família se estabeleceu na Fazenda Pimenta, área que ele havia adquirido no ano anterior. Ali existiu, por 25 anos, a fábrica de óleo de amendoim comestível Aburá. Hoje, o prédio está desativado, porém, junto à igreja construída ao lado, contribui para um cenário bucólico, ideal para amantes da fotografia e de belas paisagens.

Segundo Giuseppe Mirone, filho de Santoro e Santina, o pai estava desgostoso com a situação na Itália no final da 2ª Guerra Mundial. "Ele atuou na guerra, e após ver o país perder o conflito, e diante da possibilidade do comunismo, resolveu deixar o país", conta. "Em 1948, ele veio passear no Brasil, pois tinha um primo em São Paulo, que havia montado uma pequena fábrica de fornos elétricos. Meu pai, então, resolveu visitar a região, da qual gostou muito."

Os Mirone empreenderam a viagem ao Brasil de navio, juntamente com outras 30 famílias. Na ocasião, a Fazenda Pimenta estava à venda. "O local estava completamente abandonado; ele comprou e deu o sinal com o dinheiro que havia sobrado da viagem", revela Giuseppe. "No ano de 1949 ele completou o pagamento e nos mudamos definitivamente."

A ideia de montar a fábrica de óleo vegetal comestível já existia nos tempos da Itália, conforme relata o proprietário da fazenda. "Ele comprou uma fábrica que estava quase parada, na cidade de Catânia, no sul italiano, e trouxe todo o equipamento para cá. Então, a fábrica foi construída e começou a operar no início dos anos 50, quando foi constituída a empresa Siap - Sociedade de Industrialização Agrícola Pimenta", diz Giuseppe.

Sobre o nome do óleo, Aburá, o proprietário explica que tem relação com o contato de Santoro com os japoneses. "Ele tinha vários negócios com os japoneses, principalmente de hortaliças e tomates, e aburá significa óleo na língua japonesa", explica.



Negócios

A fabricação do óleo Aburá foi encerrada em 1975. "O motivo do final das atividades foi que, na época, o cultivo de amendoim não estava dando certo na região. A produtividade era baixa, tinha problemas sérios de doenças; então, a falta de matéria prima inviabilizou a produção - ele teria de se mudar para o noroeste do Estado como Marília, Birigui etc. Mas, ele gostava muito daqui e não quis sair", simplifica Giuseppe.

Todavia, a família Mirone apostou em outros negócios. "Por um bom tempo fomos um dos principais fornecedores de tomates ao Ceasa. Temos ainda a pecuária, que segue em menor proporção. Nossa tradição é rural, e temos também o cultivo de cana em parceria com usina, e o plantio de batatas em determinados períodos do ano, já que é uma produção muito arriscada, porque a semente é cara, e quando vai mal o prejuízo é muito grande", assevera o proprietário da Fazenda.

Promessa

A área da fazenda abriga também a igreja de São José, construída ao lado do prédio da antiga fábrica, nos anos 60. "Meu pai tinha a ideia de fazer a igreja e, na Itália, conseguiu uma planta com o padre local. Porém, em certo período ele ficou doente, com dificuldade de andar e muitas dores. Foi a diversos médicos, mas não conseguiu resolver. Então, soube de um especialista alemão fora do Brasil, e só então ficou curado. E a minha mãe cobrou dele a promessa de construir a igreja", resume.

No local há também um barco. Os descendentes contam que Santoro o construiu com a intenção de navegar no rio São Francisco, já que havia comprado uma área lá, ao norte de Minas Gerais. "Ele construiu, mas o barco nunca saiu daqui", brinca Giuseppe.


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