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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Acervo do Museu do Casarão do Pau Preto será catalogado

Uma ótima notícia do Museu do Casarão do Pau-Preto: seu acervo será todinho catalogado em um software que possibilitará formar um banco de dados com todos os seus itens.

O programa foi desenvolvido por técnicos do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e foi conhecido pelas funcionárias da Fundação Pró-Memória que trabalham no Casarão: Cláudia , Priscila Toledo e Eliane Rangel, que agora são as responsáveis pelo projeto de implementação do software e inclusão dos dados e cada item do acervo.

Este trabalho não facilitará apenas o trabalho das funcionárias, que são responsáveis pelas mostras periódicas que cuidadosamente são montadas e pelos projetos educativos do local, mas também atenderá as necessidades de documentação e consultas técnicas de pesquisadores interessados nas informações do acervo do Museu, ou seja  - de todas as coleções e peças do patrimônio da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba.

O programa contém uma iterface (template) onde cada peça é catalogada com todos os seus dados conhecidos. Além dessa ficha básica, também tem como recurso mais sete fichas auxiliares: de Restauração de pintura, de papel, de moldura e obras 3D; ficha de catalogação de autor, de molduras, de imagens relacionadas, possibilitando a formação de um banco de dados co-relacionados por palavra-chave.

A inserção dos dados no sistema não é uma simples digitação de dados, pelo contrário: para possibilitar a formação de uma banco de dados ricos e completo como pretendem as funcionárias - que são pagas pela Prefeitura Municipal de Indaiatuba - serão utilizados procedimentos metodológicos com base no Manual de Catalogação de Pinturas, Esculturas, Desenhos e Gravuras do MNBA bem como o Thesaurus para acervos museológicos de autoria de Helena Ferrez e Maria Helena Bianchini, uma consulta fundamental para acervos que não são de artes plásticas.

Por fim, vale destacar que essa ação de melhoria foi feita em grande parte por iniciativa das funcionárias, que já foram destaque neste blog com outra solução que implementaram com inovação: a revista Bicudinho.

Além do Museu do Casarão do Pau-Preto, são as seguintes as instituições que utilizam o software:

Alagoas
Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas, Maceió.


Bahia
Museu de Arte Sacra, Salvador.
Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador.

Ceará
Memorial da Cultura Cearense, Fortaleza.
Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza.
Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.
Casa de José de Alencar, Fortaleza.

Distrito Federal
Museu do Supremo Tribunal Federal, Brasília.
Museu Vivo da Memória Candanga, Brasília.
Caixa Cultural, Brasília.

Espírito Santo
Museu de Arte do Espírito Santo, Vitória.
Galeria de Arte Espaço Universitário – UFES, Vitória.
Casa Porto das Artes, Vitória.

Minas Gerais
Museu Regional de São João del-Rei, São João del-Rei.
Museu Municipal de Carangola, Carangola.
Museu de Arte Murilo Mendes, Juiz de Fora.
Universidade Federal de Ouro Preto – Museologia, Ouro Preto.
Museu Histórico de Aimorés, Aimorés.

Maranhão
Museu Histórico e Artístico do Maranhão, São Luis.
Museu de Arte Sacra, São Luis.
Museu de Artes Visuais, São Luis.
Cafua das Mercês – Museu do Negro, São Luis.

Pará
Museu de Arte de Belém, MABE, Belém.
Museu de Arte Sacra, Belém.
Museu do Círio de Nazaré, Belém
Museu do Estado do Pará, MEP, Belém
Museu da Universidade Federal do Pará, Belém.
Universidade Federal do Pará – Museologia, Belém.

Paraíba
Museu de Arte Assis Chateaubriand - MAAC, Campina Grande.
Museu do Brejo Paraibano, Areia.
Museu Casa de Pedro Américo, Areia.
Museu Regional de Areia, Areia.
Museu da Cultura Popular Paraibana, João Pessoa.

Paraná
Museu Oscar Niemeyer, Curitiba.
Museu do Garimpo, Tibagi.
Museu Campos Gerais, Ponta Grossa.
Casa da Memória de Carambeí, Carambeí.

Pernambuco
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife.
Oficina Cerâmica Brennand, Recife.
Museu do Estado de Pernambuco, Recife.
Universidade Federal de Pernambuco/ Departamento de Antropologia e Museologia, Recife.
Museu da Medicina de Pernambuco, Recife.

Rio de Janeiro
Fundação Eva Klabin Rappaport, Rio de Janeiro.
Museu de Imagens do Inconsciente, Rio de Janeiro.
Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty, Rio de Janeiro.
Museus Castro Maya, Rio de Janeiro.
Museu Judaico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niterói.
Instituto Fayga Ostrower, Rio de Janeiro.
Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.
Museu de Arte Moderna de Resende, Resende.
Ateliê Carlos Vergara, Rio de Janeiro.
Museu de Arte Sacra de Angra dos Reis, Angra dos Reis.
Museu de Arqueologia de Itaipu. IBRAM, Niterói.
Museu de Arte Religiosa e Tradicional/ IBRAM, Cabo Frio.
Caixa Cultural, Rio de Janeiro.
Comitê Olímpico Brasileiro – COB, Rio de Janeiro.

Rio Grande do Sul
Museu Joaquim Felizardo, Porto Alegre.
Museu Júlio de Castilhos, Porto Alegre.
Museu Histórico Farroupilha, Piratini.
Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, Passo Fundo.
Museu Municipal, Caxias do Sul.
Museu IPA (Instituto Porto Alegre), Porto Alegre.
Museu das Missões, São Miguel das Missões.
Fundação Vera Chaves Barcelos, Viamão.
Museu Municipal Monsenhor Wolski, Santo Antônio das Missões.
Museu Histórico Regional, Passo Fundo.
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, Porto Alegre.
Centro Universitário UNIVATES – Setor de Arqueologia, Lajeado.
Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Santa Catarina Museu Hassis, Florianópolis.
Museu Victor Meirelles, Florianópolis.
Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke, Joinville.

São Paulo
Pinacoteca do Estado, São Paulo.
Museu de Arte de São Paulo - MASP, São Paulo.
Casa das Rosas, São Paulo.
Casa Guilherme de Almeida, São Paulo.
SESC SP, São Paulo.
Museu Penitenciário Paulista, São Paulo.
Centro Cultural São Paulo - Coleção de Arte da Cidade, São Paulo.
Fundação Cultural Ema Gordon Klabin, São Paulo.
Laboratório das Artes de Franca, Franca.

Sergipe
Centro de Memória da Ciência e Tecnologia em Sergipe, Aracaju.

Não lava a alma da gente saber que há funcionários públicos comprometidos?
Meninas, boa sorte no trabalho, espero logo estar publicando os resultados! Dá um trabalhão fazer banco de dados e implementar sistemas novos, mas a consequencia vale a pena.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Guarda Municipal foi criada na década de 80

 Este texto é de Ana Lígia Scachetti, originalmente publicado no Jornal Tribuna de Indaiá no dia 04 de março de 1999. Em 2001 a Fundação Pró-memória de Indaiatuba republicou este e demais textos da autora no livro "O Ofício de Compartilhar Histórias" que agora está inteiramente disponibilizado no site da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba. Para ler outros textos de Ana Lígia, clique aqui.

(...) vale resgatar como o serviço de segurança pública evoluiu na cidade durante este século.

Um dos primeiros registros existentes na Fundação Pró-Memória é uma foto do Destacamento Policial da Cadeia, no ano de 1911.

Já em 1947, foi confeccionado um livreto com o regulamento da Guarda Municipal do Município. Uma comissão organizadora foi formada por Sylvio Ferreira do Amaral, Henrique Infanger, Humberto Batista, José Narciso Monteiro Neto e Felipe Nazário. Os trabalhos eram orientados pelo delegado de polícia Joaquim Gusmão Filho.

De acordo com o levantamento feito pela arquivista Denise Aparecida Soares de Oliveira, três anos mais tarde (1950) a Lei no. 241 criava a primeira Guarda Municipal da cidade. No entanto, não há, no arquivo, registros das atividades exercidas por esta corporação, bem como a data de sua extinção.

A Lei no. 977, de 18 de setembro de 1967, traria de volta a Guarda Noturna, que duraria nove anos.

Em 1983, foi instalada uma nova Guarda Municipal, que passou a ter uma participação mais efetiva no combate aos crimes, auxiliando as Polícias Civil e Militar, essas duas mantidas pelo Estado.

Inicialmente a GM foi subordinada ao Departamento de Administração da Prefeitura. Depois ela passou a ser vinculada à Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMURB), à Secretaria Municipal de Administração e, finalmente, à Secretaria de Defesa Social (SEDES).

Quando começou a trabalhar, a Guarda era formada por 44 homens armados, os quais contavam com cinco fuscas, duas motos 125cc, uma Kombi e um Opala. Recém-instalada, em novembro de 1984, ela evitou um assalto ao Banco do Brasil por estar presente no Centro.

A responsável pela pesquisa, Denise, lembra que o processo de urbanização atingiu Indaiatuba nas décadas de 70 e 80. "Como consequência, houve um aumento da violência e da criminalidade, levando à revisão da parceria entre o Município e o Governo do estado e à redefinição das competências", conclui.

domingo, 18 de setembro de 2011

Bairro Santa Cruz: Origem do Nome

texto de  Sylvia Teixeira de Camargo Sannazzaro,
escrito em 1974.

Lá do outro lado do leito ferroviário situavam-se as terras do Belchior, nome dado também ao córrego da estação, por estar na propriedade desta família. Contudo era muito comum as pessoas antigas, os moradores dali, ao se referirem ao lugar, dizerem: lá da outra banda ou lá do outro lado. Acontece, porém, que esta denominação, tão constante em nosso antigo vocabulário regional, foi mudada em virtude de um acidente ali ocorrido.

Nesse tempo, parte das terras do Belchior passou a pertencer ao coronel Teófilo de Oliveira Camargo, que ali formou uma chácara com residência e, além de alguma plantação, mantinha sempre umas vacas leiteiras.

Devido à proximidade com a cidade e ar puro que se respirava nas manhãs frescas, era um hábito salutar, muito cultivado pela nossa gente, fazer um passeio matinal à chácara do coronel e saborear o delicioso leite gordo e puro, tirado na hora, aos copos com açúcar ou conhaque.

Certa feita, aconteceu que uma das reses, um tanto historienta, desapareceu da chácara, do pastinho. Foi então iniciada a sua busca pelos arredores, o que deu muito trabalho, e após dias seguidos de procura foi ela encontrada pelo Martinho, um preto, empregado do coronel.

Não sabemos como explicar o porquê da raiva do animal. sabe-se apenas, que a vaca quando vinha sendo trazida de volta para a chácara, já bem nas suas proximidades, investiu contra o homem, enterrando o chifre no seu ventre.

O coitado do Martinho morreu!

O acontecimento teve grande repercussão, devido à escassez de novidades na época.

No cemitério velho, aquele da capela, ao entrar a terceira sepultura da segunda ala, à esquerda, uma inscrição sobre a lápide do seu túmulo diz o seguinte: Martinho Camargo - faleceu dia 6 de novembro de1896 - Saudade do seu patrão. E "lá do outro lado" foi erguida uma cruz, no local exato do acidente, evocando uma prece em intenção de sua alma.

O coronel depois fez uma ermida no mesmo lugar, ali na confluência da antiga estrada de Itu com a entrada da fazenda do Barnabé. Daí em diante, o povo passou a chamar esse bairro de Bairro da Santa Cruz.

Hoje não existem vestígios dessa capelinha, que mais tarde tornou-se refúgio de leprosos andantes que armavam barraquinhas brancas nas suas imediações e aí permaneciam dias seguidos, vindo sempre à cidade, a cavalo, para pedir esmolas em uma canequinha.

A permanência frequente desses doentes, afugentava o povo, receado do contágio de tão terrível doença.

Por este motivo, a Capela Santa Cruz não foi conservada. Derrubram-na como medida sanitária, e quem por ali passasse poderia observar a existência de vestígios dessa construção, que deu origem ao nome do bairro do outro lado: Bairro Santa Cruz.





terça-feira, 13 de setembro de 2011

Patrick do Dinossauros de Indaiá recebe moção do Legislativo através de Cebolinha

Na sessão da Câmara Municipal de Indaiatuba realizada na noite de ontem, segunda-feira - dia 12 de setembro, uma ação que vêm valorizando a História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba recebeu reconhecimento dos nossos vereadores, através da aprovação da Moção feita pelo vereador Cebolinha (PDT).

A Moção foi para Patrick Ribeiro, que criou e é mantenedor do grupo virtual "Dinossauros de Indaiá", da plataforma do Facebook.

Inicialmente criado para reunir lembranças de seus amigos e de sua época de juventude, mais especificamente da década de 1980, pouco a pouco o grupo de Patrick foi reunindo indaiatubanos natos e adotados de várias gerações, que postam e comentam fotos de diferentes épocas, desde feitas no século XIX até fotos atuais do próprio grupo, que também começou a se unir fora da rede para eventos culturais e filantrópicos.

Fotografias são importantes documentos históricos. Há várias maneiras de os historiadores classificarem esses documentos, mas há praticamente uma unanimidade quando se trata de indicar a importância dos registros em imagens.  Antes da invenção da fotografia era comum quem um ou mais artista fosse convidado para celebrizar a coroação de um rei, a inauguração de um prédio importante e outros acontecimentos de destaque; e nessa prática percebe-se, muitas vezes, a tendência em estilizar ou idealizar um assunto. Essa "evocação" artística, algumas vezes feitas após (e muitos anos após) o evento, distancia-se da necessidade de se registrar a verdade histórica (ela existe, afinal?) e se aproxima muitas vezes de anacronismos. Um clássico exemplo é a imagem de Pedro Américo da Proclamação da Independência, com aquela imponência toda de D. Pedro em seu cavalo branco, quando é sabido que ele estava mesmo era numa mula e sofrendo um sério desconforto intestinal.

Mas com fotografias essa subjetividade desaparece, a não ser quando presente em quem a interpreta. E interpretações é um dos fatores que mais encantam os dinossauros que frequentam o grupo virtual em diferentes periodicidades. Todos tentam identificar as pessoas, a data, o evento. Muitas vezes isso é feito com muita precisão e certeza, em outras nem tanto, há apenas os que se arriscam a dar pistas ou palpites que por sua vez geram ou não outras memórias e assim por diante. Forma-se uma interação virtual onde muitos se divertem e aprendem e quem ganha com isso é a nossa Indaiatuba, que se vê retratada, comentada, defendida, enfim... amada.

Amada pois é em imagens e comentários pontuais que cada um se encontra e encontrando-se, cada dinossauro se reconhece como parte de um todo, desse todo que é a cidade que de repente descobrimos que amamos tanto. E a liderança desse dinamismo todo cabe principalmente ao criador e principal mantenedor, o paulistano que fez despertar em muitos esse amor adormecido: Patrick. A toda essa questão particular e ao mesmo tempo coletiva, soma-se a importância imensurável da formação do maior e creio o mais importante acervo iconográfico de nossa cidade. Fotos descartadas e esquecidas, muitas vezes condenadas ao esquecimento ou lixo  foram emergindo e retomando sua importância no âmbito das famílias e mais do que isso, no âmbito coletivo. Impagável isso, ainda mais quando compartilhado democrática e generosamente.

Muitos podem criticar essa iniciativa do Legislativo apontando a ação como fútil ou superficial. Estamos todos muito reativos à políticos por causa de sucessivos escândalos que envolvem a classe. Escandalizados e feridos, muitas vezes a gente generaliza e dá repúdio a ações de alguns como se todos fossem iguais. Creio que esse reconhecimento feito pelos nossos vereadores e viabilizado pelo vereador Cebolinha é uma das muitas excessões as quais temos que dar destaque. Com muita adequação, reconheceram a atitude de um cidadão que não é partidário e que soube tomar uma oportunidade para exercer sua cidadania, trazendo junto de sí muitos outros, que durante esse período de participação no grupo dinossauros, vêm valorizando cada vem mais nossa História, nossa Memória, nosso Patrimônio.

Parabéns Patrick pelo reconhecimento público à sua iniciativa e parabéns Cebolinha por ter tido a sensibilidade de reconhecer um trabalho que é cultural, social, histórico, de diversão e outros atributos que cada um dos dinossauros poderiam citar, com o fundo da sinceridade de seus corações. E feito espontânea e gratuitamente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Reflexões sobre uma cidade que desaparece aos poucos

texto de Marcos Kimura
originalmente publicado no jornal Tribuna de Indaiá de 10/09/2011


Quando o antigo prédio da Prefeitura foi vendido para virar uma loja comercial, diziam que ele não tinha valor histórico porque tinha apenas algumas décadas de existência. Bom, com esse raciocínio, nada chegará a ser centenário em Indaiatuba, já que tudo vai para o chão sem nenhuma cerimônia, em nome de um suposto progresso.

A última vítima foi o obelisco da rotatória do “Telhadão”, de autoria daquele que talvez seja nosso maior artista plástico, José Paulo Ifanger. A Prefeitura enviou por escrito a informação de que “Solicitou uma avaliação por parte da Fundação Pró-Memória, que concluiu que a remoção e transporte do monumento da rotatória da Avenida Conceição para outro local na cidade despenderia de alto custo, por isso não foi feito”. O presidente da fundação, Antônio Reginaldo Geiss, se sabia disso, amoitou para a imprensa e para os conselheiros. Já não bastasse os imóveis particulares de interesse histórico serem derrubados ou deformados por falta de qualquer regularização, agora os próprios bens do patromônio público desaparecem sem que haja qualquer discussão com a sociedade. E a entidade que supostamente deveria centralizar esse tipo de discussão – já que mantém um Conselho de Preservação – deu luz verde. E se fosse um dos marcos do Rotary ou do Lions Clube que ornamentam algumas praças e rotatórias, a atitude seria a mesma?

Outro obelisco da cidade viveu uma epopeia, descrita num opúsculo do arquiteto Fernando Martins Gomes, que sequer era daqui, mas se interessou pela história. Em 1930, o prefeito Major Alfredo Camargo da Fonseca encomendou o Hino Indaiatubano para comemorar o centenário da cidade e também mandou erguer um monumento comemorativo na Praça da Matriz. Depois que ele deixou o poder, seu inimigo político eleito prefeito, Scyllas Leite Sampaio, mandou retirar o obelisco, que foi levado para um depósito e depois teve diversos destinos ao longo dos anos, até ser recolocado no seu lugar original. A placa comemorativa, recuperada pelo próprio presidente da Fundação Pró-Memória, Antônio Reginaldo Geiss, foi recolocada no monumento. Sem seu pedestal original e com uma placa adicional que marca a reforma da Praça Leonor Barros Camargo pela administração Reinaldo Nogueira, não é tão imponente quando de sua inauguração e virou monumento multiuso. Ainda assim, o velho bloco de granito está lá, ao contrário da obra de José Paulo Ifanger, erguida pelo então prefeito José Carlos Tonin para celebrar a inauguraçãoda Avenida Conceição, destruída para sempre.

Quando a Fundação Pró-Memória completou 10 anos, houve celebração na Sala Acrísio de Camargo, na qual o prefeito Reinaldo Nogueria, na época em seu segundo mandato, discursou. Ele falou da saudade que tinha dos velhos prédios do entorno da Praça da Candelária, e que tinham desaparecido. Pensei: Peraí! Quase todos tinham ido abaixo durante a administração dele! Então porque não tomou nenhuma atitude? Ah, a administração pública não tem instrumentos para impedir a demolição de imóveis particulares. Mas também não os tem para reprimir invasões de terrenos privados, mas o faz com rapidez exemplar. Ou seja, é uma questão de vontade política.

Na vizinha Campinas, a demolição do Teatro Municipal por conta da ampliação da Avenida Francisco Glicério gera debates apaixonados até hoje. Muitos contestam o laudo da prefeitura que alegou falta de condições do prédio de resistir às obras do entorno, e apontam o equívoco que foi e é o Castro Mendes, que o substituiu, e atualmente se encontra em estado de reforma eterna. Aqui, tivemos um Paço Municipal, que reunia Prefeitura, Câmara Municipal e Cadeia, no meio da Praça Prudente de Moraes até os anos 60, quando os poderes Executivo e Legislativo se mudaram para a Brasilinha, como o Paço da Rua Cerqueira César foi chamado. Os dois prédios poderiam ter sido aproveitados como equipamento público, mas os mandatários da vez preferiram demolir um e vender o outro. A atual Prefeitura, erguida sob a justificativa de poder reunir toda a adminisração num só lugar, com menos de dez anos de existência já será reformada por não conseguir mais abrigar o funcionalismo público que ali trabalha. Vai dar conta dos próximos 10 anos? Orgulhoso cartão-postal do governo Reinaldo Nogueira, quem garante que, no futuro, outro prefeito não decida vendê-lo para que ele vire um shopping center? Com o que, aliás, o prédio se parece bastante.





E se fosse um desses marcos a ser demolido? A indiferença seria a mesma?
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