BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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sábado, 28 de novembro de 2015

CAMPANHA DE RECOLHIMENTO DE DOCUMENTOS E OBJETOS SOBRE A HISTÓRIA DE INDAIATUBA

Você tem fotos, documentos, objetos sobre a história de Indaiatuba?



A Fundação Pró-Memória de Indaiatuba (FPMI) foi criada como órgão da administração municipal indireta em 1994. Passados mais de 20 anos de sua criação orgulha-se de ter se firmado como uma instituição que tem como marca o compromisso com a preservação do patrimônio histórico e cultural, da memória e da divulgação da história de Indaiatuba. 

Por meio do Arquivo Público Municipal “Nilson Cardoso de Carvalho” e do Museu Municipal Casarão Pau Preto, a FPMI custodia a documentação referente à história do município. Em 09 de dezembro de 2015 Indaiatuba completa 185 anos de história e é reconhecida por ser uma cidade em pleno crescimento e desenvolvimento. Porém, sua história ainda possui algumas lacunas e é importante salientar que diversos grupos e personagens foram participantes desta história. Nesse sentido, a Fundação Pró-Memória inicia uma campanha de recolhimento de documentos e objetos que possam contribuir ainda mais para o entendimento da história da cidade e da participação dos mais diversificados grupos e atuações que nos auxiliarão na compreensão de sua formação histórica e cultural. Assim, os documentos e objetos a serem recolhidos nesta campanha no sentido de contribuir ainda mais com a história da cidade devem abarcar impreterivelmente as seguintes linhas: 

1. História da contribuição Afro-descendente em Indaiatuba 
2. História da contribuição Indígena em Indaiatuba. 
3. História da contribuição dos Migrantes e Imigrantes em Indaiatuba 


Serão aceitos textos, livros, fotografias, documentos audiovisuais, documentos que tratem de personagens (pessoas), fatos e locais, além de objetos que remetam ao conteúdo relacionado à participação desses grupos na história da cidade. 

Caso haja documentos relevantes que não possam ser doados em sua versão original, mas que atestem sua relevância histórica, estes poderão ser reproduzidos, via scanner ou fotografados, para comporem o acervo e a doação também poderá ser feita. 

A Campanha de Recolhimento de documentos e objetos relativos à História de Indaiatuba teve início em 20 de novembro de 2015 e irão até 31 de agosto de 2016. 

Haverá um Balanço Geral sobre a campanha a partir de novembro de 2016, que será divulgado no site da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba e resultará em uma exposição que será realizada no Museu Municipal Casarão Pau Preto. 

Leia mais sobre o assunto aqui.




Crédito da imagem: Facebook da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba

terça-feira, 24 de novembro de 2015

REMINISCÊNCIA DE UMA INDAIATUBANA

Reminiscência de uma Indaiatubana
Conceição Aparecida Garcia Brossi (2008)

Nasci em Indaiatuba, em 1932, ano em que ocorreu a Revolução Constitucionalista, e que perdemos o tão lembrado Voluntário João dos Santos, na esquina da Rua Dom José com a Rua Candelária, uma quadra abaixo da Matriz, que infelizmente já foi demolida. Neta de Cesar Zoppi e Teodora Cerqueira Zoppi - avôs maternos - e Miguel Fernandes Garcia e Carmen Trugilo Garcia - avôs paternos. Filha de Miguel Fernandes Garcia Filho e Duília Zoppi Garcia.

Passados dois ou três anos, nos mudamos para a casa dos meus avós paternos, ali na praça D. Pedro II, conhecida como Praça do Randolfo, na esquina da Rua 15 de Novembro com a Rua 11 de Junho.

Logo depois nos mudamos para a Rua 24 de Maio, onde a cidade terminava. De um lado duas ou três casas e em frente, do outro lado, havia somente campo.

Papai era ferroviário e por ser a sede da ferrovia localizada em Itu, tivemos que nos mudar para lá, onde moramos por três anos.

Estava com oito anos quando voltamos para a minha Indaiatuba, passando minha família a morar na Rua 5 de Julho, onde havia poucas casas com muitas árvores frutíferas, principalmente uma frutinha silvestre chamada guabiroba. Eu e uma prima com quem sempre brincava, gostávamos de ficar no pomar. Um dia colhemos um belo canecão cheio delas, subimos numa mangueira, comemos tanta guabiroba que até passamos mal.

Às vezes íamos ao campo onde hoje funciona o Shopping Jaraguá, antes uma fiação de algodão, o famoso Cotonifício que empregou muita gente, inclusive eu. Quando avistávamos aquelas palmerinhas, corríamos para lá. Hum! Que felicidade quando achávamos o cacho de cocos, uma delícia!

Corríamos para casa a fim de quebrá-los e saboreá-los. E quando chegava a hora de ir para a escola... o querido Randolfo, que saudade!

Minha primeira professora, D. Helena de Campos Camargo, nos ensinava tudo: ler, escrever, bordar, e artesanato para os meninos. No final do ano então, aquela exposição tão linda, a cidade toda prestigiava.

Por falar em escola, mamãe contava que o Randolfo Moreira Fernandes foi o primeiro professor oficial de Indaiatuba e que foi casado com uma de suas tias. No dia do casamento, procurando a noiva, acharam-na brincando de casinha e boneca embaixo de um pé de café. Tinha apenas 12 anos.
Como papai era ferroviário, nos mudamos para o largo da estação de trem.

Conheci aí uma pessoa maravilhosa que se tornou minha melhor amiga, Rosita, que infelizmente já partiu deste mundo.

No domingo, íamos pra matinê no cinema do Padre Rizzo, pároco da nossa querida Matriz Candelária. À noite, tão bom que era! Passeávamos na roda da praça. Moças de um lado e rapazes de outro, e o alto falante tocando músicas de sucesso. 

(padre Vicente Rizzo - em imagem feita em Romaria)

O casarão da Prefeitura no centro da praça, ruas todas de terra, não havia preconceitos. Todos passeavam felizes, brancos, negros, ricos, pobres, todos se divertiam, se misturavam. Uns flertando, outros namorando, tudo tão bom!

Lá pelo ano de 1950, chegava a primeira televisão na cidade. Havia uma loja de aparelhos eletrodomésticos cujo proprietário trouxe a primeira televisão. Foi um acontecimento inédito. O pessoal ficava vendo televisão no meio da 15 de Novembro quase na esquina da Bernadino de Campos, em frente à loja Nicolau, hoje farmácia Drogal.

Quando morria uma pessoa, levavam-na à igreja para a benção do corpo. Assim que o enterro saía, o sino dobrava aquele toque muito triste até se perder na Rua Candelária. Todos sabiam que alguém havia falecido. Lembro-me dos meus avós César e Teodora quando morreram, foi tudo tão triste, eu tinha 12 anos.

Indaiatuba era famosa por seu clima saudável: água pura e cristalina, e o ar puríssimo! As pessoas de fora, com problemas de saúde, vinham para cá a fim de se tratarem.

Uns se hospedavam na casa de parentes, outros em hotel, e os mais abastados nos apartamentos do Hospital Augusto de Oliveira Camargo.

Também pudera: a cidade era coberta de verde, com árvores frondosas; principalmente mangueiras em quase todos os quintais.

Na avenida Presidente Vargas não havia uma só casa, somente um imenso bosque de eucaliptos.
Atrás da Matriz Candelária, onde hoje é o salão Paroquial, havia um pequeno bosque de eucaliptos gigantes.

O ar que se respirava era puro e com um perfume delicioso.


Pessoas populares que fizeram história.

Delegado Gravatinha
Certa vez, chegou aqui um novo delegado. O nome dele ninguém sabia. Para todo mundo era o Gravatinha. Razão do apelido: usava sempre gravata borboleta. Era bravo, sisudo, autoritário, com ele não tinha moleza não. Ele mesmo fazia a ronda na cidade.  Depois das 10 horas, qualquer pessoa que encontrasse na rua ou praça, numa roda de amigos conversando ou um casal de namorados, ele se aproximava e logo ia mandando que se recolhessem!
Uma vez - não me lembro se foi véspera de ano novo ou sábado de Aleluia - enfim, era um dia de festa. Ia passando das dez horas, fazendo a ronda costumeira, intimou vários casais de namorados que ainda namoravam no portão, que o acompanhassem até a delegacia: e gente séria, de boa família.
Apesar da valentia, comentavam que ele não passava em frente à funerária naquele tempo em que expunham os caixões e urnas na vitrine. Se tivéssemos agora delegados como ele, seria muito bom.

Olga
Muitos casais namoravam encostados na parede do cine Santo Antônio, ou na outra parte do jardim, depois prefeitura, hoje Sapataria São Vicente. Quando tudo estava bem, lá surgia a Olga e seus meninos (filhos) de família tradicional e muito conhecida, pedindo dinheiro. Era alcoólatra, mas muito culta, falava muito bem, mas quando estava bêbada...!
Quando os namorados viam-na chegando, já tratavam de por a mão no bolso para lhe dar alguma moeda. Se lhe dessem algum trocado, agradecia; se não, escutassem os palavrões que ela disparava.

Lioneza
Lioneza, outra mulher popular que também bebia. Quando entrava na padaria do Denny ou em algum bar, davam-lhe algo: pão-doce, doce, bebida; se não, era só palavrão e gestos obscenos. Todo mundo fugia dela.

Aparecido
Aparecido não era um negro de rua. Vivia com sua mãe no bairro Santa Cruz, do outro lado da cidade. Um belo dia, ele apareceu com os pés cheios de bicho. Naquele tempo era comum pegar bicho de pé, andavam sempre descalços.
O que mamãe fez? Recolheu-o no quintal e mandou que se sentasse, pegou uma bacia com água, uma agulha, limpou, tirou todos os bichos, desinfetou tudo sem luvas, sem nojo, sem nada.
Essa cena de amor ao próximo deixou a mim e a minha irmã Isabel emocionadas. E fez tudo sem interesse algum, pois era um pobre coitado sem eira nem beira. Não como faz muita gente. Toma lá da cá.
Mamãe foi maravilhosa e muito caridosa. Guardamos por toda vida esse gesto de amor, esse exemplo.

Dito de Jeró
Dito de Jeró era um negro muito popular, toda a cidade também o conhecia. Todo o dia bem cedo lá estava sentado na porta da Matriz. Era o primeiro cristão a adentrar à Igreja. Logo que a missa começava, já se punha a fazer o sinal da cruz. Quem não o conhecia, fazia caçoada.
O tempo todo se benzia até sair da Igreja. Era um negro sério, esquisito, que a nós, meninada, inspirava medo. Mas não fazia mal a ninguém. Pobre Dito de Jeró!

Por tudo que estou narrando guardo muitas lembranças, muitas saudades da minha velha Indaiatuba.
Não foi à toa que Acrísio de Camargo e Nabor Pires Camargo, os autores do Hino Indaiatubano, afirmam nesse trecho:


Embora o teu campo já não seja
Tão vasto e florente
Tua alma sombria ainda tem
Encanto e poesia.
Te amo, minha querida...
Indaiatuba!
         

         

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

LEVA PARA O DITO DE JERÓ

LEVA PARA O DITO DE JERÓ
Aparecido Messias Paula Leite de Barros (2008)

 No terreno da esquina da rua XV de novembro com a rua Padre Bento Pacheco, na praça D. Pedro II foi, por mito tempo, o palco da morada de Dito de Jeró.
Dito de Jeró foi um homem de extrema calma, fala mansa, que ali vivia com a família, onde podiam desfrutar da sombra e dos frutos de uma enorme anacardiácea.
Do grande terreno da pacata moradia, sua família podia observar os frequentadores do bar do senhor Luís pasteleiro, que mais tarde passou a pertencer ao senhor Nato, ali do outro lado da calçada. 
Vida pacata, vida serena, vida gostosa.
Mas Icú [1] em nome da Senhora da Lama [2] veio buscar sua idosa mãe, pois do barro o homem foi feito e para ele retornará. 
E aquele homem de extrema calma, descendente de escravo, com a perda de sua progenitora, surtou. 
Conta-se que já havia passado  por uma desilusão amorosa, mas após esse baque, resolveu que as ruas seriam sua morada. 
Seu trabalho, tal como representa a obra de Auguste Rodin e dos alguns dos escultores angolanos, seria apenas o pensar e o repensar, o visualizar e analisar...
 Passou a dormir junto com as estrelas, as quais observava deitado de baixo da arquibancada do Esporte Clube Primavera. 
Mas tinha mesa farta e muitos ternos oferecidos pelos comerciantes locais e população em geral. Era comum, em várias casas e comércios, ao sobrar algum alimento, alguém dizer: “leva para o Dito de Jeró”.
Caminhava pelas ruas da jovem Indaiatuba a passos lentos, sempre fazendo uso dos ternos, fosse inverno ou verão, 
Conversava com as pessoas sem muitas palavras ou indagações, na maior parte das vezes apenas respondendo o que lhe era perguntado, sempre com frases curtas. 
Chamava a todos de “senhor” independente da idade. 
Pelas vias olhava as casas construídas no alinhamento dos terrenos com suas portas e janelas de duas folhas abertas. 
Observava os pés de indaiás e de cambarás, com suas cascas grossas com galhos retorcidos, lembrando o cenário de um cerrado.
Seu destino era a porta principal do Santuário Candelária e quando chegava, fazia por inúmeras vezes o sinal da cruz benzendo-se. 
Em horário de missa entrava e participava do culto, caso contrário sentava-se no degrau da entrada e ali permanecia por horas a fio, levantando-se sem saber porque para sentar nos bancos existentes no largo da matriz.
Quase todos que por ele passavam o cumprimentavam com simpatia, e ele respondia sua antológica frase: “eu vou bem graças a Deus, Nossa Senhora e a todos os santos”. Ao ser indagado, muitas vezes de forma provocativa ou até por ingênua brincadeira - sobre seu trabalho, sobre alguma ocupação - com muita educação respondia que “talvez no futuro” ou “um dia... quem sabe” ou  então apenas sorria.
Tal como Venezuarina, que passou os dias andando em volta de uma lagoa, alisando as pedras com seus pés transformando-as em espelhos, ávida  a espera de um amor e só ganhou a velhice, aconteceu o com ele. Perdeu os cabelos, a barba branqueou e tornou-se o pesadelo daqueles que tinham as primeiras idades.
Não podendo mais perambular pelas ruas, foi acolhido pelo Lar de Velhos e Cegos Emmanuel.
Mas aos domingos continuou indo a missa e como antes sempre e inúmeras fez, continuou benzendo-se com o sinal da cruz.
Até que um dia Icú - como fez com sua mãe - veio buscá-lo através de um derrame cerebral.




Ditó Geró ou Dito Jeró ou Dito de Geró ou Dito de Jeró




[1]  Morte, na cultura africana ioruba.
[2] Também chamada de Nanã, é uma orixá de origem ioruba, considerada a mais velha divindade feminina, elemento dominador da água, da lama do fundo dos rios e dos pântanos, tendo também uma relação com a morte.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Hoje - 18 de novembro da Câmara Municipal - Construindo o 20 de Novembro


Dia 20 de novembro é o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra

Algumas cidades brasileiras decretaram feriado nesta data
 O dia 20 de novembro no Brasil representa um importante momento da história  para grande parte da população, que é representada por negros e pardos. A data lembra a morte do líder Zumbi dos Palmares, que lutou pela libertação dos negros escravizados durante o período colonial no País.
O Brasil tem aproximadamente 1.209 comunidades quilombolas em 143 áreas já tituladas, segundo levantamento da Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura. Elas estão em todos os estados, exceto no Acre, Roraima e Distrito Federal. As maiores populações de quilombolas estão na Bahia, Maranhão, Minas Gerais e Pará.
A adesão ao feriado ou instituição de ponto facultativo é decisão legal de cada estado ou município. Mais de 700 cidades já adotaram o feriado, quando é comemorado o Dia da Consciência Negra. Saiba quais cidades decretaram o feriado.
A data é considerada como uma ação afirmativa de promoção da igualdade racial e uma referência para a população afrodescendente dedicada à reflexão sobre as consequências do racismo e sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. 
Caso seja sancionado pela Presidência da República o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, será o primeiro feriado do País originário da mobilização do movimento negro e o nono feriado nacional, juntamente com as seguintes datas: 1º de janeiro (Confraternização Universal), 21 de abril (Tiradentes), 1º de maio (Dia do Trabalho), 7 de setembro (Independência do Brasil), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida), 2 de novembro (Finados), 15 de novembro (Proclamação da República) e 25 de dezembro (Natal).
Zumbi
O dia 20 de novembro relembra a morte de Zumbi dos Palmares, que aconteceu em 1695. Zumbi foi um dos principais líderes do Quilombo do Palmares, em Alagoas, uma das áreas usadas pelos escravos quando fugiam do domínio dos senhores de engenho.
As primeiras referências à Palmares são de 1580, na região da Serra da Barriga, onde fica hoje o Parque Memorial Quilombo dos Palmares.  Há estimativas de que o quilombo resistiu a mais de 100 anos.
O líder do Quilombo dos Palmares, no final do século XV, era Ganga Zumba, tio de Zumbi. Em 1678, o governador da Capitania de Pernambuco ofereceu um acordo de paz a Ganga Zumba, que aceitou, mas nem todos concordaram. Aconteceu, então, uma rebelião, liderada por Zumbi, que governou o grupo por 15 anos. Foram necessárias 18 expedições do governo português, liderados por bandeirantes, para erradicar Palmares.
Zumbi adotou uma estratégia de defesa baseada em táticas de guerrilha. Os bandeirantes descobriram, por meio de um delator, o esconderijo do líder. E em 20 de novembro de 1695, eles mataram Zumbi em uma emboscada. Sem outra liderança, Palmares sobreviveu até 1710, quando se desfez. Desde 1995, Zumbi faz parte do panteão de Herois da Pátria.
Os quilombolas, nome dado atualmente aos descendentes dos moradores dos antigos quilombos, são reconhecidos e suas áreas são demarcadas. Assim, ajudam manter a tradição e a cultura negra.
Quilombolas
Os quilombolas são os descendentes dos habitantes dos quilombos. Em sua maioria, formada por escravos negros que fugiram do cativeiro na época da escravidão no Brasil. Eles escapavam dos engenhos de cana-de-açúcar ou fazendas de café e se refugiavam nos quilombos, locais de resistência e proteção. 

Fonte:

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Crianças de Mariana e região aguardam ajuda de indaiatubanos

(texto atualizado em 19/11/2015)

O superintende da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba,  o prof. Dr. Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus recebeu contato de Edney do Carmo, presidente da  Associação de Artistas Plásticos Marianense esta semana, após a terrível tragédia ecológica, social e econômica que atingiu inicialmente Mariana (MG) e está causando impacto imensurável após o rompimento da barragem que parte da mídia insiste em dizer ser "lama" quando na verdade é um lodo composto por metais pesados.

Edney pede ajuda a nossa cidade, via Fundação Pró-Memória, após termos estabelecido laços de amizade  na ocasião após o restauro do Casarão em 2014, em que foi feita uma mostra com os artistas plásticos de Mariana, mais especificamente da Associação de Artistas Plásticos Marianense. (relembre aqui).

Edney e os artistas plásticos de Mariana estão desenvolvendo tarefas educativas através da arte com crianças e jovens desabrigados, que encontram-se neste momento (e não sabemos por quanto tempo) em estado de vulnerabilidade. Para o próximo curso, estão previstas 70 crianças.

São cursos de arte oferecidos em nossa sede  - informa Edney . Só que precisamos de parcerias para captar materiais de uso para os alunos, inclusive para o próximo semestre, quando já planejamos cursos com duração de até 4 meses.

A lista de material que ainda é necessária é composta por:

  • Lápis de desenho 2B
  • Lápis de desenho 6B
  • Borracha Branca
  • Bloco de papel canson tamanho A3 ou A4
  • Paleta para tintas
  • Pincéis 
  • Pincel 181/0
  • 181/4
  • 181/8
  • 181/12
  • 182
  • 191/16
  • 191/22
  • Tintas acrílicas ou a óleo nas cores 
  • amarelo
  • ocre claro
  • dourado
  • amarelo indiano
  • amarelo limão
  • amarelo ocre claro
  • azul da prússia
  • azul cobalto escuro
  • branco titânio
  • carmim
  • cor de pele
  • carne
  • laranja
  • magenta
  • preto
  • terra siena queimada
  • verde esmeralda
  • verde vicie
  • vermelho francês
  • sépia
  • telas para pintura 30 x 40

Neste momento que tanto nos sensibiliza podemos colaborar doando esses materiais, levando no Casarão Pau-Preto.

Caso você não tenha nada para doar, por gentileza, compartilhe esse post em sua rede social. No alto dessa postagem há um símbolo do facebook, é só clicar que vai para sua página, ou então copiar e colar o texto.

Indaiatuba e Mariana - cidades irmãs unidas na tragédia - pela cultura. 
Colabore!








5 de novembro de 2015


Nascentes do rio Gualaxo do Norte, borda leste do Quadrilátero das Montanhas e das Águas, a 1.000 metros de altitude. Logo acima do povoado colonial de Bento Rodrigues.
Bastou um átimo para que 60 milhões de metros cúbicos de lama, depositados por uma mineradora ao longo de anos de operação, se precipitassem rio abaixo, numa avalanche terrível.
Ela logo colheu Bento Rodrigues, seguindo depois em direção ao rio Piranga. O caudal ganhou o rio Doce e cruzou Minas Gerais, até chegar – inacreditavelmente – ao Oceano Atlântico, centenas de quilômetros abaixo.
No rastro dessa tragédia continental, mortes, desespero, traumas, prejuízos econômicos, destruição do meio ambiente e perda de patrimônio histórico-cultural.
Passada a emergência, haverá um mundo por fazer: avaliar, indenizar e compensar cada vítima e cada dano; planejar e executar ao longo de anos, da melhor forma possível, a recuperação ambiental; finalmente, compensar de forma inequívoca a degradação – talvez irreparável – causada ao rio Doce.
A escala do 5 de novembro tornará risível e imoral qualquer coisa diferente disso. Não é o momento de se patrocinar reformas de praças e eventos de final de semana, como certamente desejarão os populistas e demagogos. Eu falo da preservação – para sempre – de milhares de hectares nas nascentes do Doce, como na Serra da Gandarela. E da urgente revegetação da bacia como um todo, com a volta da sua Mata Atlântica. Chegou a hora da verdade para a empresa e as suas controladoras – as duas maiores mineradoras de ferro do mundo.
Ao mesmo tempo, precisaremos entender com profundidade tudo o que convergiu e se acumulou para que, naquele átimo, tanto se perdesse. Inquéritos nos formatos judiciais e policiais têm outro foco, e sua metodologia não dará conta dessa tarefa. Apenas um amplo e isento painel técnico-científico e histórico trará as respostas necessárias.
Muitas perguntas nos assombram. Não existe tecnologia condizente, ou ela não foi usada? Houve desleixo, incompetência ou má-fé? A regulação não seria complexa demais? As responsabilidades de cada um são claras? O Estado, nesse tema, é capaz de exercer as suas funções regulatórias? Existem corpos técnicos estáveis e independentes, tanto nas empresas quanto no setor público? A participação da sociedade é adequada? Existe captura de parte a parte? A legislação é virtuosa? O zoneamento ambiental, com a proteção das áreas sensíveis, está funcionando? Existe transparência em todo o processo?
Precisamos ainda pensar nas outras barragens de rejeitos em operação no Estado: alguém precisa nos garantir urgentemente a sua segurança. E há as barragens abandonadas – como a da Extrativa Paraopeba, em Brumadinho, e a da Mundo Mineração, em Rio Acima. Esta última era uma mina de ouro, e contém efluentes perigosos.
Nos seus arredores, em 2011, muito cianeto vazou da Mineradora Serras do Oeste, em direção a dois afluentes do rio das Velhas. Por sorte o material foi contido a tempo. Onde estão mecanismos como a certidão negativa ambiental para a autorização de pesquisa e de lavra? Não deveria existir uma apólice de seguro para cada barragem?
E os atuais planos do setor, que incluem três gigantescas barragens em terra, construídas quase lado a lado, nas margens do rio das Velhas?
Maravilhas III, em Itabirito, com capacidade para 90 milhões de metros cúbicos de lama e um paredão de terra de 80 metros de altura. Fazenda Velha, em Rio Acima, com capacidade para 600 milhões de metros cúbicos e um paredão de 180 metros de altura. E Prata, em Raposos, com a possibilidade de receber 650 milhões de metros cúbicos de lama (?!) e um paredão de 129 metros de altura.
Os faraós da mineração e suas pirâmides da morte precisam ser contidos.
Finalmente, alguma solução haverá de existir para a simbiose entre o setor mineral, segmentos do Estado e os grupos políticos ocupantes do poder. São conexões bem explicadas nos estudos sobre duas formas deturpadas de capitalismo: o Capitalismo de Estado e o Capitalismo de Compadrio. No caso de Minas elas resultam em um sistema que batizei de “mineriocracia”.
Vejam como ela funciona neste exato momento. Em meio a toda essa agenda, mais do que complexa, segue tramitando em urgência máxima, na Assembleia Legislativa, o projeto de mudança na legislação ambiental do Estado. Com impactos diretos na aprovação e no monitoramento das minas. Mineriocracia na lama.

domingo, 15 de novembro de 2015

De 13 a 27 de novembro mostra fotográfica: CISA - Cotonifício Indaiatuba S/A no Shopping Jaraguá Indaiatuba.


Em comemoração ao aniversário de Indaiatuba, celebrado no dia 9 de dezembro, o Shopping Jaraguá recebe uma mostra fotográfica que conta uma parte da história da cidade nas décadas de 50 e 60. 

A exposição, que começou na sexta-feira, dia 13 de novembro e termina no dia 27 de novembro, apresenta imagens de uma fábrica de fios de algodão, a Cotonifício Indaiatuba S/A, que aqueceu a economia da cidade e empregou centenas de pessoas. 

Hoje, no lugar da fábrica, está situado o Shopping Jaraguá Indaiatuba. 

A mostra é uma parceria do Portal Mais Indaiá com o Shopping Jaraguá e traz imagens da arquitetura do antigo prédio, funcionários trabalhando em suas atividades e as máquinas que eram utilizadas para a fiação. 

As fotos foram cedidas pela Fundação Pró-Memória de Indaiatuba e constam no acervo do Arquivo Público Municipal “Nilson Cardoso de Carvalho”, na coleção “História de Indaiatuba”. 

A coordenadora de marketing do centro de compras, Cinthia Lagranha, acredita na importância de manter viva as lembranças e a história do município. “A exposição é uma forma de destacar um local que era valoroso para a cidade e que, mesmo depois do fechamento da fábrica, continua sendo significativo, sendo transformado num centro comercial que continua empregando pessoas e sendo importante para Indaiatuba”, afirma ela. 

A exposição também é uma homenagem à cultura da época, que mostra as diferenças de costumes, inclusive trabalhistas, e vestimentas em relação à hoje.   

Serviço: Mostra Fotográfica 
Local: praça de alimentação do Shopping Jaraguá - Rua 15 de Novembro, 1200, Centro – Indaiatuba Data: 13 a 27 de novembro 
Horário: segunda a sábado das 10h às 22h e aos domingos e feriados das 11h às 22h 
Evento gratuito




quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Fundação Pró-Memória prorroga inscrições para Concurso Cultural de Redação

A Fundação Pró-Memória de Indaiatuba prorrogou até o dia 23 de novembro as inscrições para o Concurso Cultural Arquivo Público Municipal “Nilson Cardoso de Carvalho”. 

O objetivo é aproximar o público adolescente com a história de Indaiatuba, além de estimular a criatividade na escrita de um texto dissertativo (redação) por meio do conhecimento dos documentos históricos. 

O público alvo desse ano são adolescentes de 13 a 15 anos regularmente matriculados no 8º ou 9º ano das escolas públicas e particulares de Indaiatuba.


As redações juntamente a ficha de inscrição deverão ser enviadas para o e-mail: concursocultural@promemoria.indaiatuba.sp.gov.br. 

Um material de apoio para elaboração da redação com exemplos de documentos presentes no Arquivo Público Municipal “Nilson Cardoso de Carvalho” estará disponível para retirada gratuita nas instalações da Fundação Pró-Memória e no seu site oficial. 

Os vencedores, consecutivamente, 1º, 2º e 3º lugares ganharão um Tablet e serão anunciados no dia 09 de Dezembro em comemoração ao aniversário da cidade. 

O regulamento completo, a ficha de inscrição e os locais para retirada do material de apoio podem ser encontrados no site da Fundação Pró-Memória: www.promemoria.indaiatuba.sp.gov.br 

Lagos de Shanadu encanta pela bela paisagem

Texto originalmente publicado na REVISTA EXEMPLO IMÓVEIS 
Agradecimentos: Sr. Aluísio Williampresidente do Grupo AWR


Texto original de Antéia Orteiro

Entre belos lagos e uma flora vasta, o Condomínio Lagos de Shanadu é hoje um dos loteamentos mais valorizados de Indaiatuba. Mesmo com a urbanização, a região não perdeu os traços de natureza e os poucos lotes que restam significam uma regalia para poucos.

Originado em uma fazenda de 80 alqueires, onde havia plantio de café, à princípio a região visava aspectos familiares. Antônio Carlos Maschietto foi o terceiro morador do condomínio, fundado por seu tio falecido, Antônio Maschietto. O irmão do meu pai resolveu fazer um loteamento no final da década de 70, e foi um dos primeiros loteamentos de chácaras da cidade, lembra.

  

Ele observa que possivelmente a intenção de seu tio era reunir o maior número de amigos e familiares, que a família Maschietto sempre foi muito grande e tradicional na cidade. Ele era um apaixonado por Indaiatuba e sempre foi muito ligado à família. Não posso afirmar com certeza que esse tenha sido o motivo, mas é provável, que era a grande paixão da vida dele, conta.



Naquela época, o único acesso para o condomínio era através da Estrada do Buru, e a situação do loteamento era bem diferente do cenário atual. 

O acesso era complicado, tinha muito barro. A energia elétrica era precária, distribuída a partir da sede da fazenda. A água também era escassa, que tínhamos um pequeno poço para abastecer as casas, lembra Maschietto.

As linhas telefônicas também eram artigo de luxo para os moradores. A primeira linha telefônica foi a minha. Nós precisamos nos reunir em cerca de dez proprietários, compramos o posteamento e dez troncos para levar os cabos, revela. 

Em compensação, todo cenário composto pela rica natureza nativa e a tranquilidade da região atraíram moradores. Por esse motivo a gente se instalou, comenta.





Mudanças

Entre as décadas de 1980 e 1990 o condomínio apresentou um crescimento lento.

Entretanto, a partir de 1991, o Shanadu começou a ter um impulso de moradias e, por volta do ano 2000 o loteamento 'explodiu' em termos de moradias.A industrialização da cidade provavelmente contribuiu muito para isso, que muitos moradores têm alguma ligação com as fábricas, comenta Carlos.




Atualmente, os terrenos disponíveis no Shanadu estão escassos. Apesar da população fixa do Shanadu ter aumentado, algumas residências ainda são casas de veraneios de moradores da capital. Hoje, cerca de 30% dos moradores trabalham em São Paulo e viajam semanalmente, que melhorou muito a facilidade de acesso, conta Maschietto.



Com o aumento de moradores, a 'modernidade' se fez necessária. Atualmente, todo o condomínio é pavimentado e a rede elétrica é interligada com a cidade. A área possui coleta de lixo interna e segurança própria. O loteamento ainda é abastecido com postos artesianos, mas o aumento de moradias torna a medida quase ineficaz. O SAAE já recebeu uma solicitação do condomínio para realizar um estudo para a implantação da rede de água encanada. Ele está sendo realizado mas ainda não possui prazo para conclusão.



Alto Padrão

O Lagos de Shanadu é, atualmente, um dos mais bem situados da cidade, por estar próximo a um dos polos comerciais da Indaiatuba [S. Segundo Antonio Carlos, além da ótima localização, o condomínio também possui uma das melhores geografias da região.

De qualquer lado você consegue ver os lagos. Existe uma topografia maravilhosa, ressalta.Hoje em dia, considero o Shanadu como um condomínio de alto padrão, pois temos casas de 1 mil ou de 800 metros quadrados. Os terrenos todos são de 5 mil m2; pequenas chácaras, explica.

Embora o cenário geral tenha mudado muito nos últimos anos, o Shanadu não perdeu a característica natural. Eu, por exemplo, tenho árvores nativas no meu quintal. Isso é muito comum, revela Maschietto.Existe, também, um projeto para os próximos dois anos de replantar 17 mil mudas de arvores nativas no condomínio, afirma.

No início do desenvolvimento do bairro Jardim Morada do Sol, na década de 1980, a região representou uma mudança drástica no cenário do entorno do Shanadu, o que veio a incomodar alguns moradores. Atualmente, o cenário é outro.

Para Antonio, a região toda apresentou um crescimento positivo. No início, o Morada do Sol foi um problema muito comentado porque tinha um padrão muito baixo. Mas de 1995 em diante o bairro se transformou. Hoje, a Ário Barnabé possui quatro supermercados, farmácia e disk pizza. Se tornou quase uma cidade, declara.

O corretor de imóveis explica que o bairro não prejudica a valorização do condomínio, mas interfere no momento de compra. Para quem não gosta de ter que passar no meio de um bairro de classe mais baixa, isso interfere no momento da decisão de compra, afirma.

Um novo loteamento está sendo aberto atrás do condomínio, deixando-o cercado por residencias. Mas isso também não intimida os moradores do Shanadu. Estamos dentro da cidade já. Isso é um processo cíclico, analisa Maschietto. Hoje, com as exigências da Prefeitura frente aos loteamentos, não existe mais o que chamamos de 'favela'. As casas possuem um padrão melhor. Graças a isso a situação não está se complicando, opina.

O corretor da AVP explica sobre essa região.Esse foi o último loteamento de meio lote que a Prefeitura aprovou. Serão casas de 150m2. A partir deste apenas casas com 200m2 serão permitidas, aponta.

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