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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Minha Antiga Cidadezinha

MINHA ANTIGA CIDADEZINHA

Archimedes Prandini
Oh! que saudades dos tempos,
Da minha antiga cidade.
Daqueles verdejantes campos,
Onde havia frutas em quantidade.

Oh! que saudades da escola,
Daquelas professoras e professores.
Lutavam com paciência e amor,
Pois eram uns sofredores.
Havia alguns alunos indisciplinados,
Mas foram perdedores.

Oh! que saudades do lugar,
Onde jogávamos futebol.
Era todo rodeado de arvores,
Não chegava nem um pouco de sol.

Oh! que saudades dos cinemas,
Daqueles antigos farvestões.
Pois as atrações não são as mesmas,
Que sentimos quando éramos molecões.

Oh! que saudades do antigo futebol,
Daqueles dinâmicos futebolistas.
Pagavam para jogar , tinham amor,
E na pelota, alguns eram malabaristas.

Oh! que saudades dos tipos populares,
Daqueles coitados que a todos divertiam.
Alguns não possuiam seus lares,
E por aquele motivo muito padeciam.

Oh! que saudades do antigo chafariz,
É daqueles carrinhos de mão.
Pois baldeavam aquela pura água,
Por aquele longo subidão.

Oh! que saudades das festas antigas,
Era o Largo das Caneleiras
Daquelas melodias e velhas cantigas,
Que cantavam a semana inteira.

Oh! que saudades dos sábados de aleluia,
Do pau de sebo, do judas, da molecada.
Todos queriam subir primeiro,
Tinha dinheiro, salame, pão e marmelada.

Oh! que saudades eu tenho,
Daquelas antigas procissões.
Daquelas divertidas quermesses,
E dos engraçados sacristões.

Oh! que saudades das torneias,
em algumas esquinas existiam.
 Havia briga e brincadeiras,
Alguns não gostavam,
Mas outros se divertiam.

Oh! que saudades das serenatas,
Daqueles inspirados seresteiros.
Daquelas divertidas tocadas,
E dos bailinhos em terreiros.

Oh! que saudades daqueles sambas de pretos,
Nas vésperas de treze de maio realizavam.
Dançavam e cantavam a noite inteira,
Zabumbas, tamborins, guaias, reco-reco tocavam.

Oh! que saudades das palmeiras,
Que no largo da Matriz existiam.
Eram lindas e altaneiras,
Perto da padroeira viviam.

Oh! que saudades do toque de recolher,
As 21 horas, o sino da cadeia soava.
 A patrulha saia pelas ruas percorrer,
E todos, o regulamento respeitavam.

Oh! que saudades dos tabuleiros,
Eram cocadas, queijadinhas, e pastelões,
Gostosos e caprichosamente preparados,
E se comia de tudo por alguns tostões.

Oh! que saudades da bandinha,
Tocavam em frente ao Cine Internacional.
 Eram dobrados, maxixes, polcas, valsinhas,
Para o povo entusiasmar.

Oh que saudades,
Das histórias de assombração.
Que eu com outros ouvia-mos.
De um bondoso preto já ancião.

Oh! que saudades,
De velhos indaiatubanos.
Eram um caboclos bondosos,
 Muitos já morreram há anos.

Oh! que saudades da cadeia,
Na Praça principal.
Pois nos dias de retrata,
Os presos gostavam de escutar.

Oh! que saudades,
Do velho grupo Escolar,
Ficava perto da Matriz,
 Aquele casarão quase secular.

Oh! que saudades,
Do Corintians e Indaiatubano.
Eram esforçados clubes de futebol,
Que existiam há muitos anos.

Oh! que saudades,
Daquele velho sanfonista.
Tocava no Cine Recreio,
Com o juvenal clarinetista,
E que apesar de cego, era artista.

Oh! que saudades, do centenário da cidade,
Foi em mil novecentos e trinta.
Eu contava treze anos de idade,
As festas duraram alguns dias,
Pois a cidade se engalanou.
Muita música, rojada, quermesse, alegria,
Por muitos anos na lembrança de todos ficou.

-----oooooOoooo-----

Archimedes Prandini, nascido em Indaiatuba ao 12 de maio de 1917 e falecido aos 15 de julho de 1994, teve como pai o Sr. Humberto Prandini e como mãe a Sra. Maria Lui Prandini. Foi casado com a Sra. Maria do Carmo Peres Prandini com quem teve 3 filhos, Benedita Rosa Prandini Lui, Archimedes Prandini Júnior e Célia Regina Prandini Juni. Foi carcereiro policial em Indaiatuba por mais de 40 anos. Nomeado interinamente em 14 de agosto de 1946, assumiu o exercício em 17 de outubro de 1946, tendo sido empossado pelo Dr. Israel Alves dos Santos Sobrinho e aposentou-se em 11 de setembro de 1981. Mas sua verdadeira vocação era a arte: era poeta, cronista, músico, ator, ventríloquo, contorcionista, entre outros. Também foi alterofilista e boxeador.

Para saber mais sobre Archimedes Prandini, leia:

"O Homem dos Sete Instrumentos", texto de Rubens de Campos Penteado, página 25 do livro "Gente da Nossa Terra, Terra da Nossa Gente".

"Arquimedes Prandini", texto de Sylvia Teixeira de Camargo Sannazzaro, página 190 do livro "O Tempo e a Gente".

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