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terça-feira, 31 de maio de 2016

Exposição no Casarão: "Porta, Porteira, Portão: modos de ‘falarrr’ e costumes do ‘interiorrr’”.

O Museu Casarão Pau Preto está sediando a exposição "Porta, Porteira, Portão: modos de ‘falarrr’ e costumes do ‘interiorrr’”. 

Com curadoria do museólogo Rodrigo Luiz dos Santos e da historiadora Renata Gava, a mostra chega à cidade por meio da parceria entre o Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP) e Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), instituições ligadas à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, e a Fundação Pró-Memória de Indaiatuba. 



O objetivo é disseminar o conhecimento sobre a verdadeira identidade e o repertório caipira, valorizando a tradição local e preservando a memória cultural. A expografia foi concebida fazendo uma alusão a estruturas de portas, portões e porteiras de madeira rústica como suportes expositivos. Será utilizado artesanato local, gaiolas, símbolos referenciais do interior paulista, todavia, com uma leitura contemporânea.
A proposta da interação com o público é possibilitar a rememoração afetiva e evidenciar peculiaridades da identidade interiorana por meio de seu modo de falar, costumes, música, artes, culinária e religiosidade, tão presentes nas lembranças e no cotidiano. A itinerância mostra o caipira como sinônimo de um modo de vida que tem como base a subsistência, simplicidade e caráter de solidariedade entre os demais. No espaço expositivo também estão previstas músicas caipiras e sonorização ambiente para a extroversão artística de cada visitante. Para os curadores, a mostra atende ao anseio de fortalecer o espaço que a recebe e foi pensada de uma forma interativa em que, além dos painéis e objetos fixos da exposição, o Museu possa compor com objetos de seu acervo que remeta à temática da mostra.
Com entrada gratuita, a montagem fica em cartaz até 3 de julho, de segunda a sábado das 9h às 17h, domingo 13h às 17h. 
O Museu Casarão Pau Preto fica na Rua Pedro Gonçalves, 477. 
Outras informações pelo telefone (19) 3875-8383
Sistema Estadual de Museus
O Sistema Estadual de Museus (Sisem-SP) congrega e articula os museus do Estado de São Paulo com o objetivo de promover a qualificação e o fortalecimento institucional em favor da preservação, pesquisa e difusão do acervo museológico paulista. Em mapeamento realizado em 2010, foram listadas 415 instituições museológicas, públicas e privadas, em 190 municípios paulistas. O Sisem-SP se estrutura em torno das premissas de parceria e responsabilidade compartilhada, em que as ações previstas para cada região são concebidas levando-se em conta o contexto, as demandas e as potencialidades locais. É coordenado pela Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo (UPPM/SEC), tendo como instância organizacional o Grupo Técnico de Coordenação do Sistema Estadual de Museus (GTC Sisem-SP). Para saber mais, acesse www.sisemsp.org.br.
ACAM Portinari
Fundada em 27 de novembro de 1996, a ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari) administra, em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, três instituições museológicas no interior pertencentes ao Governo do Estado: Museu Casa de Portinari (Brodowski), Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre (Tupã) e Museu Felícia Leirner/Auditório Claudio Santoro (Campos do Jordão). A ACAM, que tem sua sede em Brodowski, tem como principal objetivo o desenvolvimento da área cultural, particularmente a museológica, por meio das colaborações técnico-operacional e financeira. A instituição também apoia as ações do Sisem-SP (Sistema Estadual de Museus), com quem realiza importantes iniciativas como oficinas de capacitação para museus, oficina de ensino à distância e, ainda, o Encontro Paulista de Museus, entre outras.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Indaiatuba do açúcar

Texto do Dr. Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus
Originalmente publicado na Tribuna de Indaiá.

No século XVII e começo do XVIII, a região de Itu se destacava por ser a "boca do sertão", ponto de partida das expedições de caça ao índio. No decorrer deste mesmo século XVIII, Itu estava prestes a se tornar a "Vila mais rica de toda a província de São Paulo, destacando-se na importante participação política e na economia, em função dos negócios de exportação de açúcar para a Europa" (ALVES, 2007, p.12).
Pode-se dizer que a produção açucareira teve lugar de destaque em Itu nesse momento, prática que refletia o resultado da política de ocupação e revalorização da Capitania de São Paulo feita pelo seu Capitão General e Governador, Dom Luis Antonio de Sousa Botelho, o Morgado de Mateus.
Localizada no "quadrilátero do açúcar", território entre Campinas, Sorocaba, Jundiaí e Mogi Mirim, Itu passou a produzir, depois da metade do século XVIII, açúcar em grande escala, inclusive se tornando um polo exportador. Situação que, automaticamente, também se refletiu na produção das fazendas da futura Indaiatuba.
Pesquisas recentes feitas pela equipe do Pró-Memória no Arquivo Municipal e no Arquivo do Museu Republicano de Itu, mostram que também tivemos aqui uma grande produção açucareira. Situação que se estendeu até o XVIII, quando Indaiatuba já deixara de ser bairro e tinha se tornado Freguesia de Itu, como bem atesta Scyllas Sampaio (1998, p.152), na seguinte passagem: "a produção de açúcar foi a grande riqueza do município de Indaiatuba (...) onde houvesse rio, córrego ou ribeirão ou água suficiente para mover uma 'roda d água', lá se instalava um engenho para o fabrico de açúcar, assim como também de aguardente".
Mas quem produzia açúcar em Indaiatuba? Quais os locais dos Engenhos?
Segundo alguns historiadores, a Fazenda Engenho D'Água, localizada hoje no Bairro Morada do Sol, foi uma das primeiras a produzir açúcar na nossa cidade. Localizada nas margens do ribeirão Indayatuba (depois denominado Barnabé, em virtude de, no começo do XX, uma família de imigrantes italianos com tal sobrenome ter comprado a fazenda) tirava deste leito a energia para o seu Engenho. (PAIVA, 1998, p.75 e KOYAMA, 2011, p. 28).
Dentre os registros na documentação primária pesquisada, a informação levantada é a de que, nessa época, a fazenda pertencia à família Almeida Prado, precisamente a Francisco de Paula Almeida Prado, irmão de José Almeida Prado, o Jica, e Tibiriçá Piratininga pai. Família que, de acordo com tais documentações, tivera um papel econômico e político preponderante na nossa cidade. Mas essa história é assunto para uma próxima coluna.

Os Almeida Prado em Indaiatuba

Texto do Dr. Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus
Originalmente publicado na Tribuna de Indaiá.


PARTE I (publicado em 22/04/2016)


Terminei a coluna anterior salientando a importância de Indaiatuba na produção de açúcar na região. Nesse sentido, destaquei a Fazenda Engenho D'Água, que hoje tem sua sede tombada no Bairro Morada do Sol, como uma das pioneiras, ainda no século XVIII, na cultura açucareira na futura freguesia e depois vila de Indaiatuba.
Nesse sentido, destaquei a relevância da família Prado em tal empreitada. Pouco mencionada pela nossa historiografia local, a família foi uma das mais ativas econômica e politicamente em boa parte do interior do Estado de São Paulo, principalmente nas regiões de Sorocaba, Itu e consequentemente, no que mais tarde seria a Vila e depois Município de Indaiatuba.
O progenitor da família, João do Padro, natural de Altanejo, Portugal, chegou com Martin Afonso de Souza e foi um dos povoadores da Capitania de São Vicente e São Paulo. Mas foi no século XVIII, a partir do tronco da família representada pelo Ouvidor Lourenço de Almeida Prado (1732- 1798) e depois Capitão Mor de Itu, João de Almeida Prado, o "coluna de Itu" (1767-1835) é que a família passou a se destacar na economia e na política da região.
Dentre os vinte filhos de João de Almeida Prado estavam: João Almeida Prado Junior (Tibiriça Piratininga-pai), Francisco de Paula Almeida Prado e José Almeida Prado, o Jica. Todos eles, mesmo não nascendo na região que viria ser a cidade de Indaiatuba, fixaram residência na então futura Freguesia, sendo responsáveis por grande montante da produção agrícola do local.
João Almeida Prado Junior era dono das fazendas das Taipas em Itaici e da Fazenda Pimenta, foi vereador e exerceu outros cargos administrativos. Segundo Scyllas Sampaio (1998, p.317) "participava ativamente da administração da "Freguesia de Indaiatuba", em numerosas "mesas paroquiais". Seu filho, também João Tibiriça, o moço, (1829-1888) deu continuidade a produção açucareira nas Fazendas do pai e como este se engajou na política, sendo organizador e presidente da Convenção de Itu.
Como José de Almeida Prado, seu meio irmão, Francisco de Paula Almeida Prado foi produtor de açúcar dono da Fazenda Engenho D'Água. Entre os nove filhos de Jica pode-se mencionar Ana de Almeida Prado, a Baronesa de Itaim (1826-?), casada com Bento de Almeida Prado, o Barão de Itaim, e Thereza de Almeida Prado (1830-?), ramo da família que vai herdar a Fazenda Cachoeira do Jica, também grande produtora de açúcar e depois café, e por isso, de grande importância para a história e a memória de Indaiatuba. Após tal recuperação genealógica da família e da constatada relevância para a cidade, fica a questão, por que até então essa parte da história de Indaiatuba não foi contada? As respostas merecem outra coluna daqui duas semanas.
PARTE II (publicado em 12/05/2016)
Na coluna passada destaquei a relevância econômica e política da família Almeida Prado na Indaiatuba do açúcar. No entanto, restou a questão por que até então essa parte da história de Indaiatuba não foi contada? É vasta a documentação no nosso Arquivo Público Municipal e no Arquivo do Museu Republicano de Itu que dão bases para tais constatações, no entanto os que não estão por aqui para comprovarem tal história são os Almeida Prado. Parte da família se deslocou da região de Itu para outras localidades em busca de terras férteis, assim que começou o ciclo do café. Jaú foi um dos principais destinos de parte da família que fundou naquela cidade a fazenda Posou Alegre, grande produtora de café naquela região. Mas outros ramos da família se deslocaram mais tarde para São Paulo, num movimento típico do final do século XIX e começo do XX, em que ricos produtores cafeeiros transferiram seu capital rural do interior para o capital urbano das grandes cidades.
Exemplar nesse sentido é o do ramo da família de José de Almeida Prado, o Jica. Sua bisneta Maria Victoria da Fonseca Cotching Speers, ainda nasceu em na Fazenda Cachoeira, em Indaiatuba em 1883, no entanto, mudou-se para São Paulo quando casada com o Thomaz Percival Speers, descendente de família inglesa que veio ao Brasil instalar empresas familiares como Bank of London, a Light and Powe Company e a São Paulo Railway. Por isso, sua filha Mary Harriet Gertrudes Ignez da Fonseca Cotching Speers, a Mary Speers já nasceu em São Paulo em 1906.
Desta forma, diferentemente de outras famílias política e economicamente importantes para cidade, que se estabeleceram aqui, os Almeida Prado, salvo raras exceções se deslocaram para outras regiões do Estado. Situação que nos explica, em partes, o esquecimento por parte de nossa historiografia do relevante papel desenvolvido por tais homens e mulheres na cidade. Da mesma forma que, por muito tempo a história foi escrita pelos vencedores, ela é lembrada por e para aqueles que estão presentes ou mais próximos do local de onde é produzida essa memória. Uma postura longe de ser condenável, mas que deve ser vista e revista por aqueles que fazem uso profissional da história. Por isso, nós da Fundação Pró-Memória estamos nos últimos meses num incansável trabalho de, por meio de documentos, retomar tal memória, começando justamente pelo estudo para tombamento da sede da Fazenda Cachoeira do Jica. Uma rica história que pretendo compartilhar aqui com meus leitores.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vila Almeida


Moradores contam um pouco da história do pequeno e antigo bairro


Uma simpática Vila, com oito ruas e histórias de mais de 60 anos. Um pequeno bairro que possui poucos comércios, uma mistura de casas novas com casas antigas - feitas de tijolos de barro - e moradores receptivos. Esse é o clima que encontra quem chega à Vila Almeida.

Nos anos de 1940, época em que a Vila ainda não tinha moradias, segundo registros históricos, Indaiatuba era uma cidade pequena, com poucas ruas e ao redor ainda existia mato e muitas palmeiras espalhadas pelos campos. De acordo com a cronologia da cidade, a Rua Onze de Junho é umas das mais antigas de Indaiatuba e do bairro. Esta rua está no Projeto do Abastecimento de Água para a cidade de 1928. Por ser um bairro antigo, segundo a Secretaria de Planejamento Urbano e Engenharia, seu registro foi feito no cartório de Itu, e não há Lei e nem Decreto de criação. Os primeiros relatos de moradias no local são de 1950. 

A Vila começou sua história com as Ruas Onze de Junho, 24 de Maio e antiga Rua Solimões, atualmente Rua Padre Manoel da Nóbrega. Aos poucos, foram se formando as Ruas João Amstalden, Marajó, Tocantins, Xingu e Araguaia. O bairro, que é vizinho da Vila Lopes, da Praça Elis Regina onde está localizado o chafariz, do Centro e do Parque Ecológico, já foi um amplo espaço que crianças brincavam e adultos levavam seus cavalos para passear. 

Pouco a pouco, a Vila foi ficando povoada e, muitas pessoas já passaram por ali. Quem ficou, conta um pouco da tranquilidade que o bairro transmite. Porém, registros fotográficos antigos da Almeida são raros, já que fotos eram menos acessíveis na época, ficando o registro na memória de cada morador.

Foto 1 - crédito Jornal Exemplo - Rua Tocantins (em 2013)

A Vila e seus personagens


“Oi”, é o grito que João Teribelli solta ao fundo de sua casa quando a Redação da Revista Exemplo® Imóveis chama por seu nome. Surge um senhor de muleta, olhos azuis, cabelo branco, rugas (poucas pela sua idade), chinelo preto, calça marrom, camiseta listrada e um perfume marcante pela fragrância forte, que lembra cheiro de vô. Esse é João, 91 anos, um dos moradores mais antigos da Rua Onze de Junho, na Vila Almeida, e que tem muita história para contar.

Sentado em uma cadeira branca, João explica como chegou ao bairro. “Por volta de 1940 sai de Salto, cidade onde nasci, e fui para Cabreúva, lá conheci minha esposa e me casei. Vim para Indaiatuba em 1950 e morava no Centro, depois me mudei para a Vila Almeida”, diz João. “Aqui não tinha casa, era tudo mata, onde soltávamos os cavalos para pastar. A turma cassava rolinha, tinha capivara, era outro clima”, conta. “Lembro das primeiras torneiras públicas, em que íamos pegar água para os afazeres, formavam grandes filas”. Segundo registros históricos, a população retirava água dessas torneiras para tarefas cotidianas, sem o esforço de ir ao Rio Barnabé.

Foto 2 –  crédito Jornal Exemplo - João Teribelli, 91 anos (em 2013)


João, pai de dois filhos e viúvo, lembra que as moradias na Vila começaram a surgir nos anos 50. “A minha foi uma das primeiras casas do bairro. Paguei-a a prestação com o dinheiro que ganhava quando era padeiro”, relembra. “Já vi muitas pessoas passar por aqui, muitos vizinhos já morreram, tanta gente e eu aqui”.
Andando pelo bairro, na Rua Tocantins, conhecemos Rosalina, 65 anos. Ela, que mora há 43 anos na Vila e como a maioria dos moradores antigos nasceu em outra cidade, têm oito gatos e três cachorros e diz não querer mudar da Almeida. “Nasci em Capivari e com sete anos vim para a Vila Almeida, depois fui para outro bairro, me casei e mudei para essa casa em 1958. Quando me mudei aqui era terra, brincávamos nas valetas. Gosto de morar aqui, não pretendo sair desse bairro”.


Foto 03 -  crédito Jornal Exemplo – Rosalina, 65 anos (em 2013)


Na esquina da Rua Padre Manoel de Nóbrega com a Rua 11 de Junho, estava Antônio Mauro Fernandes, 58 anos. “Eu morava na Fazenda Pimenta, trabalhava na lavoura. Em 1975 vim para a Vila Almeida e comecei a trabalhar como taxista de 1976 até 2006. Depois montei uma autoelétrica na frente da minha casa”. Pai de dois filhos e avô de três netos, Antônio lembra quando a Vila só tinha um quarteirão. “Eu subia a Onze de Junho, passava pela antiga Rua Solimões e descia a Rua 24 de Maio. Quando ia à igreja Nossa Senhora da Candelária, ou quando vou ao banco hoje em dia, vou a pé porque é pertinho”, diz. Antônio também conta que todos os dias de manhã e a tarde sai de sua casa e fica na sombra de uma árvore na esquina da Rua Onze de Junho com a Rua Padre Manoel de Nóbrega. “Gosto de ficar nessa esquina, aqui passa pessoas que conheço, conversamos, a hora ‘voa’. Aqui me sinto dentro de casa, me acostumei tanto que não consigo mudar para outro bairro. A Vila Almeida é o quintal da minha casa”. (pensei em colocar em caixa alta essa frase).


Foto 4 -  crédito - Jornal Exemplo – Antônio, 58 anos (em 2013)


A antiga ‘aguadinha’ e o atual chafariz 


Ainda na Tocantins, Dilka Cássia de 58 anos, que adotou um papagaio corintiano após sua amiga falecer e deixar o pássaro, lembra sua infância próxima à Vila. “No bairro eram poucas casas, juntávamos a ‘molecada’ e íamos brincar na ‘aguadinha’ ali na praça”, diz. “Uma vez fui brincar lá e perdi a lente do meu óculos, quando cheguei em casa minha mãe nem deixou eu entrar e me pegou pelos cabelos”, relembra rindo. “Tenho saudades desse tempo”, acrescenta Dilka.

A ‘aguadinha’ que dona Dilka se refere é o atual chafariz. O ponto histórico da cidade não pertence à Vila Almeida, mas fica a poucas ruas do bairro e fez parte das histórias dos seus moradores. No início do século XX, o Chafariz era uma das duas ‘aguadas’, como eram conhecidas as fontes naquela época, de onde a população retirava a água para consumo e para a lavagem de roupas. Na época, era comum os meninos da cidade ir buscar água em latas para vender nas casas. No final da década de 60 e início de 70, o Chafariz passou por uma restauração e ao seu redor foi construída a Praça Elis Regina. 

Foto 5 - Crédito - Jornal Exemplo – Dilka, 58 anos (em 2013)


Foto 6 -  Acervo Público da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba – Chafariz na década de 70



Foto 7 - Crédito - Jornal Exemplo - Legenda – Chafariz em 2013


Os tradicionais comércios da Almeida


Apesar dos mercados maiores que rondam a cidade, todo bairro tem uma mercearia, e não poderia ser diferente com a Vila Almeida. A mercearia, que fica localizada na Rua Onze de Junho, já passou por vários donos. Atualmente, Danilo Augusto Prado, 26 anos, é o proprietário. “A mercearia era da Dona Tita, há 20 anos era uma loja de roupa. Quando eu tinha 16 anos, minha mãe comprou a loja e abriu a mercearia onde ficou como proprietária por seis anos. Depois, vendeu e eu recomprei em 2013. O bom de trabalhar aqui é que todos os vizinhos me conhecem porque cresci nessa rua”, conta. “Lembro que quando vim para cá haviam poucos comércios, não tinha posto de combustível, o outro lado do Parque Ecológico era só mato. Hoje evoluiu em vista de como era antes”.

Tradicional na cidade, o Restaurante Barnabé que está localizado na Rua 24 de Maio, antes de 1999 ficava na Cerqueira César, próximo à Praça Rui Barbosa. “Quando estávamos perto da praça o restaurante se chamava Soldadinho, porque era o apelido do meu marido (José Carlos Barnabé, o Soldadinho, 63 anos). Começamos com o comércio em 1990, ele já foi bar e depois restaurante. Em 1999 vendemos o antigo recinto e viemos para a Vila Almeida, então mudamos o nome para Restaurante Barnabé. Compramos essa casa, que se adaptou e foi transformada em restaurante”, diz a proprietária Ângela Maria Defendi Barnabé, 61 anos. “A Vila é tranquila, nossos clientes são tanto da Almeida quanto de outros bairros, e chega a vir pessoas de fora da cidade para almoçar aqui”, diz.

O cabeleireiro Daniel Campos Leite, 48 anos, está com seu salão há 16 anos no bairro. “Frequento a Vila faz 30 anos, desde quando namorava minha mulher”, diz. “A Vila mudou, antes os vizinhos conversavam mais, hoje é mais tranquila, o pessoal antigo morreu, algumas casas foram reformadas, outros moradores se mudaram e alugaram suas casas. Também vieram muitas pessoas de São Paulo, o que contribuiu para a mudança”. Daniel foi um dos cabeleireiros mais frequentados da cidade e até hoje cultiva seus clientes. Atualmente, está trocando de profissão, o objetivo é a área de direito. “Esses 16 anos como cabeleireiro aqui na Vila foi e é marcante na minha vida, fez o que sou hoje, nunca vou esquecer”.


Foto 8 – Mercearia do Danilo - Créditos Jornal Exemplo (2013)


Foto  9 – Restaurante Barnabé na Rua 24 de Maio - Créditos Jornal Exemplo (2013)


Foto 10 – Daniel Cabeleireiro - Créditos Jornal Exemplo (2013)


 Foto 11 Muro feito de tijolo de barro - Créditos Jornal Exemplo (2013)



 Foto 13 Rua Onze de Junho


Foto 14 do Arquivo Público da Fundação Pró Memória
Vista aérea de Indaiatuba na década de 1960, ao fundo Vila Almeida ainda quando era mata.



terça-feira, 10 de maio de 2016

23o. Aniversário do Grupo de Danças Folclóricas Janzgruppe Friedburg


Concurso Cultural da Fundação Pró-Memória: Minha História em Indaiatuba

A Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, com o intuito de aproximar o público infantil com a história de Indaiatuba promove o segundo Concurso Cultural Arquivo Público Municipal “Nilson Cardoso de Carvalho”. 

As inscrições vão de 09 de maio a 09 de novembro de 2016. 

O objetivo do concurso é estimular a criatividade na escrita de um texto de gênero livre com tema “Minha história em Indaiatuba” por meio do conhecimento dos documentos históricos. 

O Público alvo desse ano são crianças de 08 e 11 anos regularmente matriculados no 3º ou 4º ano das escolas públicas municipais de Indaiatuba e os textos deverão ser criados juntamente a um professor responsável. 

Os vencedores, consecutivamente, 1º e 2º lugares ganharão um Tablet (01 para o aluno e 01 para o professor participante) e serão anunciados no dia 09 de Dezembro em comemoração ao aniversário da cidade. 

O regulamento completo, a ficha de inscrição e os locais para retirada do material de apoio podem ser encontrados no site da Fundação Pró-Memória: www.promemoria.indaiatuba.sp.gov.br.


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Conservação e Restauro do Patrimônio Arquitetônico Paulista: Taipa de Pilão

Conservação e Restauro do Patrimônio Arquitetônico Paulista: Taipa de Pilão
Prof. Dr. Marcos Tognon (UNICAMP)
Ementa: História das técnicas de construção no Brasil; os princípios da Taipa de Pilão; seleção de solos; ferramentas e equipamentos; práticas de execução; fundamentos de restauro e conservação.
Atividade prática: execução de estrutura de Taipa de Pilão em canteiro experimental.
Data: 21 de maio de 2016
Horário: 9h às 12h
Local: Rua Pedro Gonçalves, 477 – Jardim Pau Preto – Indaiatuba/SP (Casarão Pau Preto)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

FAZENDEIROS DE NOSSA TERRA – Séculos XIX e XX

No final do século XIX, quando chegaram os imigrantes e no início do século XX, no período onde a industrialização começava a se destacar no Brasil e, portanto, a agricultura ainda era o forte em nossa economia - principalmente com a cafeicultura  - tivemos, em cada uma das regiões rurais de nossa Indaiatuba, fazendeiros que se destacaram não só pela sua importância econômica, mas pela liderança que exerceram como políticos partidários ou não-partidários, sendo reconhecidos como representantes de seus bairros ou comunidades. Apresento cada um deles de forma resumida hoje, e a partir da semana que vem, cada um deles de forma um pouco mais abrangente.

Chico de Itaici

Francisco José de Araújo era português de nascimento e chegou no Brasil, em Itaicy, em 1859, onde fez fortuna com o comércio e com a agricultura de frutas e sementes, chegando a participar de grandes exposições e exportar através do porto de Santos com sua empresa Araújo, Tavares & Co. Era muito popular na região, tinha um restaurante muito frequentado na Estação Ferroviária de Itaicy, da Linha da Ytuana e recebia em sua casa políticos e pessoas de influência da província de São Paulo. Era também chamado de “Barão de Itaicy”.



 Chico de Itaici no Largo da Matriz, em sua casa urbana
(ele é o qu está sentado, de chapéu, com crianças em volta no lado direito)






Casas geminadas construídas por Chico de Itaici no Largo das Caneleiras,
no Largo da Igreja São Benedito, em Indaiatuba (atualmente estão bastante descaracterizadas)

    

Antonio da Helvetia

Antonio Ambiel pertencia a uma das quatro famílias que fundou a colônia Helvetia, os Amstalden, Bannwart, Wolf e a dele, Ambiel. Antonio destacou-se pela influência que tinha com o governo da província, especialmente na pasta da Agricultura. Conseguiu por muitas vezes trazer benefícios pedagógicos de caráter agrícola para a Escola Colonial Helvetia, que tinha, inclusive, um subsídio financeiro que poucas escolas da província conseguiam ter. A grandiosidade de sua influência pode ser ilustrada quando conseguiu estabelecer a estação ferroviária da Sorocabana em Helvetia, ganhando uma disputa com os moradores de “Vira-Copos”, que também pleiteavam com unhas e dentes a instalação da estação naquele bairro.

Totó Sampaio de Pimenta


Antônio de Almeida Sampaio, era considerando tão importante que era chamado de “Coroné” Totó Sampaio. Talvez tenha sido o maior proprietário de terras da região, dono das fazendas Pimenta, Grama, Santa Rita,Ingá-Mirim e Sitio Grande, tendo esta última sido a sede da grande propriedade agrícola do seu avô materno, Capitão-Mor João de Almeida Prado. "Coroné" Totó Sampaio trabalhou desde menino na lavoura, frequentou muito a cidade de “Ytú” e faleceu em sua fazenda Pimenta em 3 de novembro de 1910, após ter sido presidente da câmara de Itu.


Joaquim da Fazenda Bicudo

Joaquim Emigdio de Campos Bicudo talvez seja, de todos, o mais conhecido dos indaiatubanos, ou o que esteja mais próximo do conceito que temos de “história” ou de “patrimônio histórico”. Ele foi dono da Fazenda onde hoje está o nosso querido Casarão Pau Preto. Foi uma das figuras mais importantes da “Vila de Indaiatuba” na segunda metade do século XIX. Seu nome está presente a todas as atividades de interesse relevante para a comunidade na época. Foi coletor de rendas gerais e provinciais, comerciante, fazendeiro cafeicultor e industrial em Indaiatuba.




Eliana Belo Silva
 (texto publicado originalmente no Jornal Exemplo de 18/06/2015)
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