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segunda-feira, 29 de abril de 2013

FLAUTISTA PIRACICABANO VENCE 12ª EDIÇÃO DO PRÊMIO NABOR PIRES


Grande final aconteceu na última sexta-feira (26)

O flautista Leandro Cândido de Oliveira de Piracicaba conquistou os jurados se classificando como o primeiro colocado do 12º Prêmio Nabor Pires Camargo, realizado pela Prefeitura de Indaiatuba por meio da Fundação Pró-Memória. A audição pública aconteceu quinta e sexta-feira, dias 25 e 26, no Instituto Deco20, e contou com a presença de autoridades e apreciadores do clássico chorinho brasileiro.

O músico demonstrou muito talento na flauta transversal tocando “A galope”, de Altamiro Carrilho, e “Moema”, do compositor indaiatubano Nabor Pires Camargo, na companhia de Jussan Cuxnei, no clarone, Marcus Godóy, no violão e Lucas Silva, no pandeiro. Oliveira estudou música em projetos sociais de sua cidade natal e posteriormente no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí. Venceu por dois anos consecutivos (2009 e 2010) o Concurso Nacional de Jovens Flautistas e vem atuando em variadas vertentes da música instrumental no Brasil.

O segundo colocado foi o bandolinista curitibano Daniel Migliavacca, que, na companhia de Glauco Sölter mostrou destreza tocando “O vôo da mosca”, de Jacob do Bandolim, e “Venenoso”, de Nabor Pires Camargo. Também no bandolim, Tiago Augusto Silva dos Santos, natural de Ribeirão Preto (SP), ficou na terceira colocação. Com os músicos acompanhantes Valdecir Belíssimo (violão de 7 cordas) e Marcos Paulo (violão) tocou “Feia”, de Jacob do Bandolin, e “Chorando as Mágoas”, do patrono do prêmio. O cavaquinista Pablo Dias, de Belo Horizonte (MG) e o bandolinista Wellington Guimarães Gama, de Uberlândia (MG), ficaram com a quarta e quinta colocação, respectivamente. A premiação da 12ª edição do Prêmio Nabor Pires Camargo foi a seguinte: R$8 mil para o primeiro colocado; R$6 mil para o segundo; R$ 5 mil para o terceiro, R$4 mil para o quarto e R$ 2 mil para o quinto colocado.

O show de encerramento ficou por conta do pianista Hercules Gomes, vencedor da última edição do prêmio, que aproveitou a oportunidade para relatar que a conquista da primeira colocação no 11º Prêmio Nabor Pires Camargo o impulsionou a iniciar novos projetos para sua carreira.  Natural de Vitória (ES), Gomes lançará ainda este ano seu primeiro disco solo intitulado “Pianismo”.



Foto: Eliandro Figueira ACS/PMI

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Carta Aberta da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba sobre o Casarão


Fundação Pró-Memória de Indaiatuba
Comunicado Aberto à População





A Fundação Pró-Memória vem, por meio deste, prestar esclarecimentos à comunidade a respeito dos últimos acontecimentos que atingiram o Casarão Pau Preto.


A Fundação Pró-Memória foi criada segundo a Lei 3081/1993, como "pessoa jurídica de direito público interno, com autonomia administrativa" (Art. 1, Lei3081/1993) e tem como objetivo "custodiar, proteger e organizar o Arquivo Público de Indaiatuba (...) o Museu Municipal e a Biblioteca Pública Rui Barbosa" (art.2, Lei 3081/1993), além de "promover as ações destinadas a preservar o patrimônio histórico e cultural (...) de Indaiatuba" (art. 2, parágrafo II, Lei 3081/1993).
 No entanto, a gênese da instituição constituiu-se no movimento que salvou o Casarão Pau Preto, na época, inteiramente degradado, nos anos 1980. Deste movimento, nomes como Antonio Reginaldo Geiss, Antonio da Cunha Penna e Rubens de Campos Penteado, ainda fazem parte do Conselho Administrativo, complementado com outros quatro membros, Deize Clotildes Barnabé de Morais, Lauro Ratti Junior, Professor José Luiz Sigrist e Paulo Antônio Lui. De forma voluntária, tal Conselho administra e delibera as ações da entidade, além de nomear o Diretor Executivo, que é o Superintendente, a quem cabe representar e administrar a Fundação de acordo com as deliberações do Conselho em questão. Tais órgãos trabalham com o apoio de dois outros Conselhos, o Conselho Consultivo e o Conselho Municipal de Preservação que, também, de forma voluntária, contribuem com as propostas e iniciativas da Fundação.
Dito isso é importante frisar que a Fundação Pró-Memória, sempre dentro de suas limitações, buscou de forma íntegra e correta, zelar pela memória de sua cidade, buscando, cumprir seu papel legal e cultural de "guardar a memória da cidade", quer cuidando exemplarmente dos arquivos públicos, quer atuando junto à comunidade e junto ao poder público, para resgatar e divulgar a história de seu povo e de sua gente.
Por isso, diante de duas fatalidades sucessivas nos meses de fevereiro e abril de 2013, o vazamento de uma tubulação de água do SAAE, na Rua Pedro Gonçalves, a Fundação tomou rapidamente as medidas necessárias para conservar ao máximo a integridade do Casarão Pau Preto, o qual simboliza a história de Indaiatuba.
No mês de fevereiro, de forma emergencial, por decisão conjunta do Conselho e do Superintendente, a empresa Refortec foi contrata para fazer obras de fundação, que garantiram a integridade da tulha, das baias e de parte do museu. Da mesma forma, iniciativas análogas foram tomadas para socorrer a parte afetada pelo segundo vazamento, ocorrido nesta semana, próximo ao anterior, utilizando-se a totalidade dos recursos financeiros de reserva da Fundação Pró-Memória, para este exercício.
Assim, fica claro que, diante de situações emergenciais como esta, a Fundação tem cumprido o seu papel como protetora e preservadora do Patrimônio Histórico de Indaiatuba. Mas, a partir desse momento terá que contar com o apoio, ainda maior, da Prefeitura Municipal, que no momento da fatalidade, disponibilizou o corpo técnico de suas Secretarias de Obras e Engenharia, que ajudaram e continuam ajudando de forma logística e técnica. Do mesmo modo, o SAAE, por meio de seu Superintendente, por sua vez, se comprometeu em reparar as paredes danificadas pelos vazamentos e a Prefeitura, por meio da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, no último dia 10, confirmou que só faltam detalhes administrativos e burocráticos para que seja feita a reforma no Casarão.
Gostaríamos de agradecer, também, o apoio de arquitetos voluntários que por amor à cidade, à sua memória e história, não estão medindo esforços para ajudar na preservação do Casarão.
Dessa forma, acreditamos que neste momento difícil, não nos cabe apontar culpados ou vítimas, mas deixarmos as diferenças de lado e darmos as mãos para que, em busca de um objetivo maior, recuperemos um dos bens mais preciosos de nossa história, o Casarão Pau Preto.
Conselho Administrativo da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba
Superintendência da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba
Conselho Municipal de Preservação de Indaiatuba
Conselho Consultivo da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba
.....oooooOooooo.....
O Casarão está interditado, após sofrer com a vibração do solo no seu entorno, provocado pelo trânsito, pela construção de arranha-céus e pelo rompimento consecutivo de adutoras de água do SAAE. Por ser um prédio de taipa, que já estava vulnerável por causa de umidade e cupins, sem manutenção adequada, sofreu rachaduras, comprometendo parte de sua fundação, de seu revestimento e colocando em risco o patrimônio do Museu e da Biblioteca que ele abriga. Há voluntários colaborando na reforma emergencial e empresa da cidade contratada em regime de urgência tentando fazer um plano de contigência para a situação não se agravar.
A população, principalmente pelo facebook, cobra contenção adequada, restauro e política de preservação futura, para que essas condições de degradação não volte a acontecer.
Crédito das imagens: Yuri Fermino





sábado, 6 de abril de 2013

“CONHECER A CIDADE E MELHORAR DE VIDA” TRAJETORIAS PARANAENSES NO JARDIM MORADA DO SOL: CONSIDERAÇÕES PARA PESQUISA.

Walter de Assis Alves 1


Trabalho e trabalhadores em tempos de globalização: memórias, histórias, vivências.

Resumo

Este texto apresenta a proposta de estudo a respeito do bairro Jardim Morada do Sol na cidade de Indaiatuba no Estado de São Paulo, ponto de cruzamento de trajetórias das mais diversas, lugar em que experiências históricas encontram-se contidas no espaço das práticas cotidiana daqueles que ali habitam. Este bairro é formado em sua maioria por trabalhadores fabris e, no interior desse quadro social, talho o recorte analítico de minha pesquisa ao fundar um dialogo com as experiências vividas por um grupo de migrantes paranaense que começaram a chegar neste bairro em finais da década de 1970.


A configuração do bairro Jardim Morada do Sol esta intimamente ligada ao
processo de crescimento econômico e populacional da cidade de Indaiatuba 2. O estabelecimento do bairro foi induzido pelo programa de industrialização implantado a partir da década de 1960 e consolidado com a construção do Distrito Industrial “Domingos Giomi” em agosto de 1973, ocasião em que a cidade passa a sofrer transformações significativas em sua morfologia urbana.

No período entre as décadas de 1970 e 2000, simultâneas a iniciativa de ampliação das malhas do tecido urbano de Indaiatuba, assim como da abertura de incentivos para atrair investimentos; ocorre a intensificação do crescimento demográfico da cidade que, segundo o levantamento demográfico de Adriana Alves 3, atinge um saldo migratório de 62.369 pessoas, somando um total de 147.050 habitantes.

O acelerado aumento populacional gerador da ampliação do traçado urbano de Indaiatuba é proveniente, dentre outros fatores, do fenômeno de migração. A cidade tem como atração de migrantes, tanto de São Paulo como de outras unidades da federação, à demanda de mão de obra para atender a geração de empregos na indústria.

Com população composta de agentes provenientes de movimentos populacionais diversos, Indaiatuba atinge saldo migratório de 65,9% na década de 1980. Como componente deste processo, tem-se em março de 1980 o loteamento do bairro Jardim Morada do Sol, empreendimento motivado, dentre outros aspectos pelo deslocamento considerável de trabalhadores originários do Paraná para esta cidade, visto que, esses homens e mulheres correspondem a 19,55% do saldo da população migrante na cidade.4

Em meio ao movimento de ocupação do loteamento, a composição do lugar vai se forjando com a presença de famílias provenientes da região centro-oeste e norte do Paraná, com destacada atuação de famílias de trabalhadores rurais procedentes da microrregião de Campo Mourão.5

Parte dos migrantes que residem no bairro Jardim Morada do Sol atuavam na dedicação a agricultura familiar (lavouras manuais de arroz, milho e algodão), pecuária e lavouras de café e sofreram o processo de repulsão populacional durante as profundas modificações no modo de produção camponesa sofrida com a expansão da soja no Paraná.6

Fator que dissolveu mecanismos tradicionais de ocupação e produção do solo, e proporcionou a abertura de nova frente agrícola com predominância de investidores do extremo sul do país e, por sua vez, excluindo aqueles que por natureza diversa não se adaptaram a essa nova dinâmica econômica, que aproximou terminantemente a produção rural da região do mercado de agronegócio internacional.

Em levantamento demográfico feito no ano 2000, a ocupação do bairro Jardim Morada do Sol era de aproximadamente quarenta e quatro mil habitantes, equivalente a um terço da população total da cidade 7, demonstrando o forte povoamento da região periférica da cidade.

Deste quantitativo 75% são migrantes. No quadro de migrantes que compõem a população do bairro neste período temos 35,40% provenientes de São Paulo e, 30,38 do Paraná, sendo 9,22% representado por moradores vindos de outros Estados do Brasil.8

Para melhor entender a configuração das estruturas representada pelos 30% dos habitantes do bairro Jardim Morada do Sol, composto por migrantes paranaenses, se faz necessário retroceder no tempo histórico e ressaltar os eventos que favoreceram a mobilização dessas pessoas em busca de novo território para morar.

Elóide Procópio observa que a participação dos migrantes sulistas na produção agrícola da região do município de Campo Mourão, ocorreu entre as décadas de 1960 e 1970, levados por noticias de que estava acontecendo no Paraná à expansão da agricultura do trigo, soja e algodão.9

Juntamente com ação dos migrantes sulistas, que naquele momento foram estimulados a investirem na modernização da produção agrícola, atuando em regiões do Paraná tem-se outro movimento histórico, que pode ser responsável por parte do desmembramento das estruturas agrárias tradicionais existentes neste Estado, de modo a evidenciar o processo migratório que vai em direção oposta ao do extremo sul.

O encontro de grupos com intenção de ocupar um mesmo território, qual seja, a região centro-oeste e norte do Paraná, porém fazendo uso de projetos divergentes para alcançar esse propósito, principia um campo de disputa em que os agentes com possibilidade de realização de seus planos sejam aqueles que estão mais bem organizados, com projetos claros e visão política capaz de aplicar, segundo o ponto de vista gramsciniano, a estruturação e o desenvolvimento da hegemonia naquele território. 10

É a partir da atuação consciente e organizada que se pode vir a obter melhores resultados em seus planejamentos. Como expõe Antonio Gramsci 11, isso se dá a partir da criação de uma camada de intelectuais orgânicos capacitados a dar homogeneidade e consciência de suas funções, seja no campo econômico e político, quanto no campo social.

Neste caso, a partir da fundação da comunidade de municípios da região de Campo Mourão, denominada COMCAM, em 1969; e em seguida da cooperativa de produtores rurais, instituída Coamo 12, em 1970; forjam-se instrumentos precisos para garantir o domínio e o controle da produção rural na região, absorvendo as instâncias sócio-econômicas e políticas que os cercam.

Tais ferramentas institucionais e corporativistas emergem com poder de acelerar o fluxo de capitalização das atividades agrícolas, de modo a organizar e atrair investimentos dos novos produtores rurais estabelecidos na região, assim como de parte dos produtores naturais daquele espaço.

Por outro lado, expulsam aqueles que não tiveram interesse ou condições de enquadrar-se nos projetos hegemônicos destas instituições, sem possibilidades de garantir sua sobrevivência, seja por perda da posse da propriedade ou do emprego, deste modo, criando na região em debate um processo consecutivo de atração e repulsão.

A partir deste termo, a cidade de Indaiatuba emerge em meu ensaio como espaço de atração de homens e mulheres expostos a condição de migrante. Visto que, naquele momento apropriado, esta cidade abriu uma fenda de possibilidades a serem agarradas por pessoas postas em fuga em razão da falta de recursos possíveis de manter sua permanência no lugar de origem, buscando assim um espaço que lhes proporcione
melhores condições de vida e trabalho e correspondam a suas necessidades advindas da exclusão e pobreza.

Como sinaliza o sociólogo George Martine em seu estudo sobre migração e metropolização, as pessoas, ao migrar, quase sempre vão à busca de melhores oportunidades de emprego e renda, e a concentração dessas prerrogativas se apresentam em localidades que tem maior dinamismo de atividades econômicas.13

A identificação de um movimento populacional e seu estudo deve ocorrer de maneira sistêmica, aproximar dos eventos coletivos e tocar a realidade individual que dá impulso e desloca os agentes sociais em direção a estrada, percorrendo trilhas em busca de novas paragens, onde outros assentamentos humanos emergem com capacidade de acolher suas expectativas e moldá-las em proveito das relações socioeconômicas desse novo lugar de morada.

Seguindo o percurso analítico do projeto, adentro a realidade urbana, e neste ponto, um novo quadro teórico é esboçado. A cidade, espaço de interações, alvo de paragens dotadas de uma diversidade profunda, é objeto das reflexões de Henri Lefebvre, 14 que vê em seu espaço, realidade complexa e contraditória, centro de vida social e política, com seu valor de uso representado por elementos da realidade urbana sensível.

A realidade sensível, de que fala Henri Lefebvre, manifesta nos espaços das ruas, praças, edifícios e monumentos; erguidos por, e concedidos para as pessoas e grupos que, em seu transitar, dão sentido a existência de afinidades e repulsões produzidas por esse lugar de acumulação de riquezas, conhecimentos, técnicas e obras.

As aspirações e esperança de melhora nas condições socioeconômicas se apresentam, no ecoar do imaginário dos agentes migrantes, como um espaço de expectativa que ainda não pode ser contemplado, mas que não deixa de ser passivo de acontecer. É possível que estas sensações venham compor estágios de realização objetivada na experiência prática cotidiana, e todo esse transitar, da busca à realização, se apresenta como tensor para fazer emergir o movimento histórico real.

Esses movimentos de mudança trazem em seu bojo, segundo a concepção de Reinhart Koselleck dimensões de passado e futuro que incutidas em um determinado presente entram em relação de reciprocidade. Tal reciprocidade pode ocorrer na constituição do tempo histórico como espaços de experiências e horizonte de expectativa.15

Provavelmente o bairro Jardim Morada do Sol é um espaço sedimentado como campo de experiência social de parte daquelas pessoas que saíram do Paraná em busca de novos rumos para realização de seus anseios, traduzidos em ações, palavras, símbolos culturais diversificados e todas as coisas materiais utilizadas para garantir a manutenção dos elementos necessários para responder as necessidades de sobrevivência individual ou do grupo.

Tais eventos, segundo Reinhart Koselleck, “podem ser experimentados pelos próprios contemporâneos como um conjunto de fatos como uma unidade de sentido que pode ser narrada”.16  Esse conjunto de fatos, por sua vez, é interpretado por Julio Aróstegui a partir da seguinte constatação: “é evidente que a data de uma situação histórica só a define em conexão com outras muitas determinações, nunca por si só”.17

As sucessões temporais são movidas por ações humanas, entendidas por meio de representações que os indivíduos fazem dos acontecimentos que os cercam e que os estimulam a reação transformadora. E estes acontecimentos interpretados enquanto experiências sociais favorecem a narração dos eventos que se apresentam no decurso do tempo.

Contudo, se as circunstâncias em que percorre a realização dos eventos são passivas de entendimento, no caso em tela, abarcado nas realizações que antecederam a saída dos paranaenses de seu Estado, e todo o percurso repleto de experiências vividas por eles posteriormente. Então, presumo que tais experiências apreendem categorias analíticas norteadoras do movimento histórico, e certamente serão objetivadas na
descrição e análise desenvolvida pela pesquisa.

Por certo, os espaços de experiência histórica encontram seus desdobramentos alicerçados em forças produtivas e relações de produção que não podem escapar o olhar atento do observador. Isso requer complementação e maior definição das categorias analíticas a ponto de se evitar uma negligente inflexão no movimento crítico e problemático da história precisamente observável, levando a pesquisa a malograr na
lama da linearidade histórica.

No interior do contexto socioeconômico vivenciado pelos trabalhadores migrantes e seus familiares, o conceito de estrutura se apresenta como ferramenta analítica conjugada a idéia de evento histórico e é constituído por fenômenos que implicam maior duração e estabilidade em relação à sucessão temporal dos eventos, além disso, são substancialmente condicionadas aos acontecimentos sociais e atuam em conjunto com eles.

Tais estruturas preexistem em circunstancias geográficas e espaciais ligadas à capacidade técnica do lugar a partir das quais irrompem ações políticas, relações econômicas ou sociais e, desde já, posso dar forma a alguns dos aspectos estruturais inserido em estado de mudança que abre possibilidades de identificação dos resultados causados por estas.

Os quadros estruturais se modelam tanto no avanço da soja pelo interior do Paraná quanto na implantação do parque industrial da cidade de Indaiatuba. A amplitude desses espaços se faz carregadas de eventos que se desenham na redução de culturas agrícolas em detrimento da expansão de outras, do alargamento das lavouras mecanizadas geradoras de desemprego até a abertura de novas frentes de trabalho incentivados pela criação de pólos industriais.

No interstício desse processo tem-se um fenômeno histórico impregnado de intensidade que se expressa no encontro de grupos camponeses paranaenses, gaúchos e santa catarinense. Estes, movidos por intenções singulares que provavelmente mais os distanciam que aproximam de um objetivo comum de apropriação do lugar, gerando a partir deste encontro uma gama de acontecimentos que podem ir da identificação à negação do outro, em um pequeno movimento de tempo.

Em vista disso, tem-se na demonstração de alguns exemplos empíricos, a articulação de ações que se encontram integrados às experiências cotidianas passíveis de análise, ao passo que inseridos num contexto de atração/repulsão do lugar, que por sua vez, pode se enquadrar em um limite situado em um ponto de intersecção que incide entre o favorecer a criação do conflito e talvez a legitimação da tradição.

A sensível observação conceitual das estruturas decorre também da observação de Koselleck, que encerra sua análise sobre o tema pontuando que se deve atentar para o esclarecimento recíproco dos eventos pelas estruturas e vice-versa, pois a distinção e delimitação entre ambos não deve conduzir a eliminação de suas diferenças, visto que, sua finalidade cognitiva é ajudar a decifrar as diversas camadas da história. Diante disso, eventos e estruturas remetem uns aos outros resultando em um verdadeiro
movimento histórico.18

Em última análise, Julio Aróstegui avalia tais eventos constituídos em um estado social que emerge a partir do acontecimento que é conseqüência do movimento e condição necessária e suficiente da mudança que, por sua vez, é constituído precisamente por ações humanas que introduzem modificações na estrutura do
existente 19.

A leitura crítica desse movimento histórico se faz com base em recursos metodológicos que se complementam, assim como Reinhart Koselleck, Julio Aróstegui contribui munindo de recursos conceituais as bases em que se assenta o quadro analítico do espaço de experiência histórica vivenciada pelos migrantes paranaenses.

Esse espaço de experiência, em um primeiro olhar, tem o seu pano de fundo alicerçado em uma cronologia natural que se estabelece como tempo mensurável pela natureza. Tempo esse que se consolida como externo à realidade, tempo do calendário que em seu interior expressa o ritmo das atividades humanas.

O tempo se apresenta como instituição construída na realidade social. No que tange a observação de Julio Aróstegui, ele é talvez o único verdadeiro objeto da história, onde o homem participa ativamente do tempo da natureza fazendo deste uma construção própria que é mensurada em mudança frente à duração.20

A acepção do conceito de tempo apresentada por Julio Aróstegui dá abertura para o diálogo com outros autores que trazem aqui a sua colaboração para que venha a tornar plausível a interpretação conceitual e a utilização deste na identificação dos eventos e, em sua essência, o percurso e resultado das atividades humanas no tempo histórico que tenciono descortinar.

Por conseguinte, Jacques Le Goff, em seu estudo sobre a distinção passado/presente como algo existente na consciência coletiva, social e histórica; aponta ser a cronologia essencial para o sentido moderno e histórico do passado, “pois que a história é uma mudança orientada. Coexistem cronologias históricas e não-históricas, e temos de admitir a persistência de formas diferentes de sentido do passado”.21

Por constituir esse tempo uma dimensão integrada na realidade social, e analisável a partir de uma infinidade de interpretações carregadas de sentidos característicos, a configuração inicial do tempo em que se assentam os sentidos do passado na qual debruçarei, certamente tem como eixo referencial os anos de 1980.

Vale ressaltar que a proposta de apresentar a década de 1980 como o fundamento cronológico da (re) construção desse movimento histórico configura-se na edificação do bairro Jardim Morada do Sol. Pois o bairro está intimamente ligado ao processo migratório de trabalhadores paranaenses e seus familiares para o interior de São Paulo e, por conseguinte, ao crescimento econômico e populacional da cidade de Indaiatuba.

Como aponta categoricamente Paul Ricoeur 22 em seu estudo sobre o tempo histórico, o calendário é a primeira ponte lançada pela prática historiadora, porém sua instituição esta representada pela ação de uma entidade muito mais considerável, o tempo mítico.

O tempo mítico se apresenta como entidade capacitada a ir além da sombra projetada sobre o plano da prática historiadora pelos tempos do vivido e cósmico.

Levando-nos a alcançar um ponto fundamental da problemática do tempo, onde este exercício de análise ainda pode abarcar toda a realidade humana.

Na atribuição da análise temporal da realidade humana Ricoeur faz à ressalva do perigo de se conferir a uma consciência coletiva a fonte de todas as noções, pois a memória coletiva é atribuída mais ao grupo do que a sociedade, a memória coletiva não  tem valor de modelo a ser aplicado em um todo, limitando-se ao espaço onde ela se projeta e se faz histórica.
Neste caso, ao apontarmos as representações míticas do grupo, se faz necessário a conjunção de mito e rito, o primeiro faz a narrativa dos acontecimentos periódicos e o segundo garante a concordância entre periodicidade mítica e ritual, pois:

[...] é pela mediação do rito que o tempo mítico se revela como a raiz comum
do tempo do mundo e do tempo dos homens. Por sua periodicidade, o rito
exprime um tempo cujos ritmos são mais amplos do que os da ação ordinária.
Ao assim escandir a ação, ele enquadra o tempo ordinário e cada breve vida
humana num tempo de grande amplitude.23


A medida dos eventos na amplitude do tempo tem o eixo referencial a ser pesquisado centrado na figura humana, mas não limitado a ação de homens em seu tempo. A configuração do bairro Jardim Morado do Sol representa uma vastidão de ações forjadas em temporalidades diversas, manifestos numa infinidade de movimentos de mudança que podem ser identificados, de modo a possibilitar melhor leitura do quadro histórico que resulta destas.

A dimensão temporal das estruturas que sustentam em seu interior os eventos e acontecimentos que, por sua vez, se concretizam na vivência dos homens e mulheres que fazem aqui a história a ser demonstrada; delineia-se como traçado que se nutri da manifestação história experimentadas e manifestas nas tradições, nos documentos e monumentos possíveis de estarem constante na memória de seus atores.

Essa memória, individual ou coletiva, é elemento fundamental para urdir a identidade de indivíduos e sociedades, de modo a dar abertura para a interpretação que estes fazem dos lugares simbólicos que tecem ao percorrer os tempos e espaços de relações, expressas em palavras, imagens, gestos, ritos e festas, como bem acentua Jaques Le Goff.24

Na condição de observador social que se mantém em contato com as lembranças do outro, percorro as considerações compostas por Michel de Certeau e procuro desenvolver a habilidade de estar no lugar daquele que lembra e relata suas lembranças.

Sem me perder em meio às tramas do discurso, de modo a examinar com atenção a projeção dos lugares, dos muitos detalhes que as lembranças autorizam. Ora, à vista disso, nas poéticas palavras de Certeau:


Cada uma delas [as lembranças], quando se destaca tecida de sombra, é
relativa a um conjunto que lhe falta. Brilha como uma metonímia em relação a
esse todo. De um quadro a somente, deliciosa ferida, esse azul profundo. De
um corpo, esse brilho de um olhar, ou esse granulado de uma brancura que
apareceu no entreabrir de uma encrespadura.25


O discurso encerrado no tempo presente, reordenado a partir de acontecimentos, traços de experiências vividas trazidos na memória, permite justapor expressivas lembranças a ponto de tocar a amplitude da realidade humana, traçadas em níveis de relações imediatas, pessoais e interpessoais que, segundo Henri Lefebvre 26, encontra presente na família, na vizinhança, nas profissões e corporações e, do mesmo modo, na divisão do trabalho entre as profissões.

O exercício de lembrar e relatar as frações de acontecimentos guardados na memória tem por base a articulação das práticas sociais presente nas representações mentais e nas representações objetuais 27 que os agentes transmitem uns aos outros em uma seqüência lógica de gerações, e que é imposto ao conjunto do grupo.

Os migrantes, assim como seus filhos - nascidos tanto nas cidades do Estado do Paraná, quanto em Indaiatuba – podem não contemplar a realidade com os mesmos olhos de seus antepassados. Todavia, a construção da memória individual ultrapassa as fronteiras existentes nos sistemas de valores realizados pelas gerações.


O exercício historiográfico que possibilita o diálogo entre as fronteiras existentes entre gerações concentra-se no conceito denominado por Paul Ricoeur de seqüência de gerações. Por ser o conceito de gerações um conceito intermediário situado em uma posição entre o tempo exterior do calendário e o tempo interior da vida, em estágios de seqüência ou pertença à mesma geração.

A noção de seqüência de gerações designa a cadeia dos agentes históricos como viventes a que vem ocupar o lugar dos mortos, garantindo uma continuidade de tradições e comportamentos. A Idéia de seqüência de gerações, segundo Ricoeur, é capaz de “proporcionar a base sobre a qual repousa essa relação anônima entre indivíduos, tomada em sua dimensão temporal”.28

Aproximo a idéia de seqüência de gerações, da argumentação lógica de ocupação do espaço urbano de Bernard Lepetit, que ressalta ser este um sistema que adquire sentido de acordo com a posição que cada elemento ocupa em relação aos demais. Por serem os elementos em sua contemporaneidade possuidores de passados com profundidades distintas, ocorre à mudança de interpretação e uso do lugar, fato que contribui para direcionar seu destino.29

Compreender a diferença entre valores adquiridos pelos agentes diversos em espaço de atuação dotado de notável complexidade permite tocar as particularidades, e perceber as minúcias das rupturas e permanências duradouras que compõem as diversas formas de viver mantidas pelas gerações e coletivizadas como forma comum de comportamento.

Portanto é a partir das diferenças que a particularidade e originalidade das culturas se manifestam, de modo a permitir relacionar as negações e aproximações que forjam as estruturas mentais dos agentes que são contemporâneos e, por sua vez, possibilitarão reviver seu passado de origem no interior do Paraná, e seu passado a conhecer na ocupação do bairro Morada do Sol em Indaiatuba. Conduzindo, de acordo com Philippe Ariès 30, o retorno dialético dos dois passados ao presente.

É a partir da observação da atuação individual dos sujeitos que direciono meu olhar para a experiência coletiva da família, da rua, do bairro e da cidade. Contemplar o transitar do espaço privado ao público, expondo experiências forjadas em pedaços de mundos compartilhados em uma sucessão temporal nem sempre continua ou sólida.


As maneiras de uso e interpretação do lugar, pleno em sua complexidade, carregados de comportamentos adquiridos, transformados, cedidos; da prática ao discurso, se tecem os elementos que alimentam a minha admiração e curiosidade pelo outro em seu completo estado de existência.


Neste sentido, o poder fazer-se, firmado na interpretação e esclarecimento da pesquisa, origina-se do saber fazer da prática cotidiana. Esse movimento provoca uma reação que, segundo a observação de Michel de Certeau, “circula entre a inconsciência dos praticantes e a reflexão dos não praticantes, sem pertencer a nenhum”.31

No entanto, tal prática cria condições para interpretação e esclarecimento, a partir das passagens de trajetórias experimentadas nos espaços da cidade. Mesmo que em continuidades ordenadas entre a autonomia das vivências e os ajustes institucionalizados, a cidade desdobra-se em resposta as necessidades dos que a habitam, fugindo a tentativa de edificar o espaço com contornos sincrônicos em sua
totalidade.

A prática do uso do lugar se apresenta carregada de valores anteriores, trazidas nas maneiras de viver e de morar de cada um que o habita. Isso afeta em grande medida a configuração de outros lugares, por articular mobilizações que direciona, defini, transforma e dinamiza os contornos das sociedades e dos espaços por ela reinterpretados.

Como bem manifesta Robert Ezra Park, em suas sugestões para a verificação da cidade como fenômeno básico da existência, “a cidade é um estado de espírito, um corpo de costumes e tradições e dos sentimentos e atitudes organizados”.32 

Dessa maneira considero provável que no espaço da cidade se promove o intenso cruzamento de trajetórias diversas capazes de tecerem as condições determinantes da vida social em via de observação.

Além disso, a cidade para Henri Lefebvre 33 significa, estipula, ordena atos e acontecimentos que atribui ritmo à urbanidade, ela apodera-se de todas as significações - sem reduzi-la a prática significante/significado - do campo, da vida imediata, da religião e da ideologia política, a fim de lhe arrancar sentido e representação racional.

De modo a ser percebida como local dos confrontos e das relações conflitantes entre desejo e necessidade, entre satisfação e insatisfação; a cidade como lugar do desejo e não simples espaço de refugio, no caso em tela, aos degredados paranaenses.

É neste ponto da análise que o contexto de meu objeto de estudo se expande articulando práticas e relatos de espaço que, por sua vez, assenta o arcabouço onde poderá ser edificada a narrativa histórica. Visto que, as práticas do espaço tecem as condições determinantes da vida social, por outro lado, os relatos de espaço atravessam e organiza lugares; diante disso, o relato não apenas demonstra uma prática, não somente enuncia um movimento, ele é uma prática do espaço, ele o faz.34

As significações expressas na organização física, nos valores culturais e nas táticas de ocupação do bairro Jardim Moradas do Sol têm em suas práticas cotidianas, determinado volume de elementos adquiridos e transmitidos advindos da convergência de extremos espaciais e temporais plurais, carregados de mudança e duração.

Neste processo histórico instaura-se a composição do bairro Morada do Sol, e dentro dele, em movimentos reais temos o encontro de pessoas com propósitos e personalidades diversas que são responsáveis pela edificação da fisionomia do bairro, em suas dimensões e níveis múltiplos.35

Neste caso, a movimentação cotidiana observada enquanto realização espacial do lugar e do tempo representa no ato de caminhar - que Michel de Certeau julga ser uma primeira definição como espaço de enunciação -, intensidades variantes que privilegiam, mudam ou deixam de lado elementos espaciais conforme os momentos, os percursos e os próprios caminhantes; em uma indefinida diversidade de operações enunciadoras, pois:

Caminhar é ter falta do lugar. 
É o processo indefinido de estar ausente e a procura de um próprio. A errância, multiplicada e reunida pela cidade, faz dela uma imensa experiência social da privação de lugar – uma experiência, é verdade, esfarelada em deportações inumeráveis e ínfimas (deslocamentos e caminhadas), compensada pelas relações e os cruzamentos desses êxodos que se entrelaçam, criando um tecido urbano, e posto sob o signo do que deveria ser, enfim, o lugar, mas é apenas um nome, a cidade.36

Do caminhar errante produtor de experiências nas pessoas, cravado de significações que possivelmente não podem ser reconhecidas em si mesmas, mas somente por seus efeitos ilegíveis pelo olhar tecnocrata vigilante, porem familiares e dotados de sentido enquanto movimentos impulsionados pela necessidade de criação de um não-lugar nos lugares, mudando-os segundo seus sofrimentos e desejos, frustrações
e realizações.

A articulação de relações imediatas entre caminhantes, é que da vida e sentido a criação dos lugares, uns em relação aos outros expressam suas racionalidade individuais inseridas em um contexto de identidade coletiva, forjadas em dimensões múltiplas a partir de percursos e projetos variados efetivados em sociedades plurais. Gerando a partir deste ponto o cruzamento das diversas mobilidades - umas vezes objetivadas na experiência, outras vezes transcendido no imaginário - e experimentado por uma fração considerável de indivíduos.

De sua parte, Bernard Lepetit, ao buscar entender como os indivíduos com histórias e experiências diferentes podem decidir coexistirem e reconhecer-se por meio de uma identidade comum, pontua algumas configurações que ajudam a transpor a barreira conceitual, e possibilita definir os parâmetros das identificações expressas por sexo, idade, posição familiar, meio, bairro, profissão, nível, vinculo religioso ou
estatuto político; reproduzidos em si mesmo, por meio de palavras e atos.37

Em última análise, os espaços praticados pelos indivíduos em uma dimensão de rotas e ritmos temporais diversos afluíram para um lugar comum, o Bairro Jardim Morada do Sol, e neste espaço se constituíram reais, repleto de variações conjunturais, forjando novos modos de habitar.

Entre divergências e convergências os agentes sociais alimentam desejos semelhantes de morar; prática urbana vigente em uma imensidão de comportamentos que se chocam e se complementam, forjando valores, culturas, identidades que dão significado a existência das pessoas e a existência do bairro, em movimento constante, histórico por natureza.







1- Mestre em história do trabalho e movimentos sociais pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Uberlandia (Minas Gerais). walterdiem2@yahoo.com.br
(O autor procura colaboração científica  através de indicação de fontes, informações e dados - para escrever sua tese de doutorado sobre o Jardim  Morada do Sol - nota de Eliana Belo Silva)



2 O município de Indaiatuba localiza-se na região Sudoeste do Estado de São Paulo, pertencendo à Região Metropolitana de Campinas. A Região Metropolitana de Campinas foi criada a partir da Lei Complementar n. 870, de 19 de julho de 2000. Têm em sua composição as seguintes cidades: Americana,
Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, 
Jaguariúna, Monte-Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santo Antonio de Posse, Santa Bárbara 
D’Oeste, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.

3 ALVES, Adriana Corrêa. Qualidade de vida e processos sócios sócio-ambientais em Indaiatuba-SP. Estudo de caso do bairro Jardim Morada do Sol. 2003. 130 f. Dissertação (Mestrado em Geografia)-
Instituto de Geociência e Ciências Exatas , Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2003. p. 39.
4 Os dados demográficos sobre a cidade de Indaiatuba e o bairro Jardim Morada do Sol foram extraídos
de tabelas organizadas por Adriana Corrêa Alves e encontra-se inseridos em sua dissertação de Mestrado 
em Geografia intitulado Qualidade de vida e processos sócio-ambientais em Indaiatuba - SP. Estudo de 
caso do bairro Jardim Morada do Sol. TABELA 4 - População total e população não-natural do 
município de Indaiatuba. Período 1970 a 1991. Fonte: Fundação IBGE: Censos Demográficos 1970, 1980 
e 1991. Organizado por: ALVES, A. 2001.

5 A microrregião de Campo Mourão esta organizado em uma associação de municípios denominada
Comunidade dos municípios da região de Campo Mourão - COMCAM, e teve a sua pedra fundamental
estabelecida em 30 de julho de 1969 e definitivamente foi institucionalizada em, 26 de fevereiro de 1986.
É uma organização não-governamental que tem a atribuição de promover a integração administrativa,
econômica e social dos municípios da microrregião de Campo Mourão. Compõem esta entidade os
seguintes municípios do Estado do Paraná: Altamira do Paraná, Araruna, Barbosa Ferraz, Boa Esperança,
Campina da Lagoa, Campo Mourão, Corumbataí do Sul, Engenheiro Beltrão, Farol, Fênix, Goioerê,
Iretama, Janiópolis, Juranda, Luiziana, Mamborê, Moreira Sales, Nova Cantu, Peabiru, Quarto
Centenário, Quinta do Sol, Rancho Alegre D`Oeste, Roncador, Terra Boa e Ubiratã. COMUNIDADE DOS MUNICÍPIOS DA REGIÃO DE CAMPO MOURÃO. Estatuto Social. Campo Mourão, 2000. p. 01.

6 PROCÓPIO, Elóide Fiorese. Campo Mourão: A Participação dos Migrantes Sulistas na Produção da Soja a Partir dos
Anos 1960. p. 3. Disponível em:. Acesso em: 03 fev. 2012.
7 TRISTÃO, Gilson. Morada do Sol faz 20 anos de migração paranaense. Tribuna de Indaiá/Caderno
Cidade, p. 10, 25 de março de 2000.
8 ALVES, A. Qualidade de vida e processos sócio-ambientais em Indaiatuba - SP. Estudo de caso do
bairro Jardim Morada do Sol. 2003. 145 f. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Instituto de Geociência
e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2003, p. 74.
9 PROCÓPIO, Elóide Fiorese. op. cit. 2012.
10 Para Jorge Acanda, em sua leitura de sociedade civil e hegemonia em Antonio Gramsci, o exercício da
hegemonia nasce da combinação de força e consenso em estágios de equilíbrio, da difusão e aceitação de
valores e normas de comportamento, difundidos a partir do controle das instituições que lhe dão sentido.
Conduzido, em seus pensamentos e ações, por uma classe ou grupo, que, por sua vez, pode exercer
domínio sobre o conjunto de sua sociedade, de modo a impor esse domínio ou fazer que tais princípios
sejam aceitos como legítimo; capacitado a produzir e organizar o consenso e a direção política, intelectual
e moral dessa sociedade. ACANDA. Jorge Luis. Sociedade civil e hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ,
2006. p. 174-178.

11 GRAMSCI, Antonio. Caderno 12 (1932). In: Cadernos do Cárcere, V. 2. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2001. p. 15.
12 A Cooperativa Agropecuária Mourãoense Ltda surgiu em 1970. Instituição destinada a garantir a
expansão da produção de trigo, soja e algodão na região rural do município de Campo Mourão no Paraná.
No inicio contou com 79 produtores, posteriormente expandiu suas atividades para a região da
COMCAM, Estado de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Fundada a partir da identificação das
lideranças do setor agropecuário da região, teve como idealizador do projeto o engenheiro agrônomo da
Acarpa (hoje Emater), José Aroldo Gallassini; e o madeireiro riograndense, Fioravante João Ferri; ambos
conhecedores do modelo cooperativista dividiram a administração da cooperativa, o primeiro assumiu a
gerencia geral e o segundo ficou com a presidência. Hoje Gallassini é o presidente da instituição.
COAMO. Nossa história. Disponível em: . Acesso em: 11 jan.
2012.
13 MARTINE, George. Migração e Metropolização. Revista São Paulo em Perspectiva, v. 1 n. 2, p. 28-31, jul/set. 1987. p. 28.

14 LEFEBVRE, op. cit., 2001. p.12.
15 A experiência para Koselleck é o passado atual dotado de acontecimentos recentes que pode ser
lembrados. Neste ponto se funde tanto a elaboração racional quanto as formas inconscientes de
comportamento, que não estão ou que não precisam permanecer presentes no conhecimento. Por ora, na
experiência individual se conserva a experiência alheia, sendo, neste sentido, a história também composta
por experiências alheias. Já o horizonte se constitui a linha por traz da qual se abre no futuro um novo
espaço de experiência, mas um espaço que ainda não pode ser contemplado; a expectativa ao mesmo
tempo pessoal e interpessoal “se realiza no hoje, é futuro e presente, voltado para o ainda-não, o não
experimentado, para o que apenas pode ser previsto. Esperança e medo, desejo e vontade, a inquietude,mas também a análise racional, a visão receptiva ou a curiosidade fazem parte da expectativa e aconstituem”..KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: contribuição semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006. p. 310.
16 KOSELLECK, op. cit., 2006, p. 133.
17 ARÓSTEGUI, Julio. A pesquisa histórica: teoria e método. Bauru, SP: Edusc, 2006. p. 342.
18 KOSELLECK, op. cit., 2006, p. 139.

19 ARÓSTEGUI, op. cit., 2006, p 331-335.
20 Ibidem., p. 288.
21 LE GOFF, Jacques. Passado/presente. In: Sobre História. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 1994, p.218.
22 RICOEUR, Paul. Entre o tempo vivido e o tempo universal: o tempo histórico. In: Tempo e Narrativa.
Campinas, SP: Ed. Papirus, 1997, vol. 3, p. 179-216



23 Ibidem., p. 181.
24 LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2003. p. 466.
25 CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Artes de Fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. p. 164
26 LEFEBVRE, op. cit., 2001, p. 58.
27 As representações mentais e as representações objetuais, segundo Pierre Bourdieu, são critérios objetivos de identidade regional e étnica. Os objetos das representações mentais são a língua, dialeto ou

sotaque, que simboliza os atos de percepção e de apreciação de conhecimento e reconhecimento em que
os agentes investem seus interesses e pressupostos, já as representações objetuais se apresentam em coisas
(bandeiras, emblemas, insígnias), ou em atos, estratégias interessadas de manipulação simbólica que tem
em vista determinar a representação mental que os outros podem ter destas propriedades e dos seus
portadores. BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2005. p. 112.
28 RICOEUR, op. cit., 1997, p.187.
29 LEPETIT, Bernard. A cidade moderna na França. Ensaio de história imediata. In:___________. Por
uma nova história urbana. São Paulo: Edusp. 2000. p. 84.
30 ARIÈS, Philippe. A história das mentalidades. In: LE GOFF, Jacques. A história nova. 5. ed. São
Paulo, Martins Fontes, 2005. p. 205-236.


31 CERTEAU, op. cit., 1994, p.145
32 PARK, Robert E. A cidade: sugestões para a investigação do comportamento humano no meio urbano.
In: VELHO, Otavio G. (Org.). O fenômeno urbano. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1973. p. 26.
33 LEFEBVRE, op. cit., 2001, p. 57-63.
34 CERTEAU, op. cit., 1994, p. 170-217

35 A análise semiológica proposta por Henri Lefebvre que pode distinguir as dimensões e níveis múltiplos
existentes na cidade é assinalada pela a existência da fala da cidade: o que acontece na rua, nas praças,
nos vazios, aquilo que aí se diz; a língua da cidade: as particularidades próprias da cidade, que são
expressas nas conversas, nos gestos, nas roupas, nas palavras e no emprego das mesmas pelos habitantes;
a linguagem urbana: linguagem de conotações, sistema secundário e derivado do interior do sistema
denotativo; a escrita da cidade: aquilo que se inscreve e se prescreve em seus muros, na disposição dos
lugares e no seu encadeamento. Em síntese, todos esses tópicos encerram-se no emprego do tempo na
cidade pelos seus habitantes. LEFEBVRE, op. cit., 2001, p. 70.
36 CERTEAU, op. cit., 1994, p. 183.
37 LEPETIT, op. cit., 2000, p. 45-85.







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