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segunda-feira, 27 de abril de 2015

O Rio do Bicudo (Bueirão)

Texto de Ejotaele*
Ejotaele escreve sobre o início do século XX

Ainda aspirando os "cimos trancos da nostalgia", não havia de ser esquecido nestas memórias, o rio do Bicudo, onde muitos aprenderam a nadar, ainda que o Rafael Macaia a isso se opusesse, dando "pegas" aos garotos recalcitrantes;


Fonte:  Gente da Nossa Terra, Terra da Nossa Gente II 
Rubens de Campos Penteado
(no livro a imagem não tem data, mas creio que seja da década de 1960 ou 1970, nota de EBS)


o "Buracão do Chafariz";

o rio do Berchó (1), situado na encosta do morro do "Sítio do Coronel", para onde convergia também todo o mundo infantil de Indaiatuba, a fim de se banhar e catar os "salta-martins" tão celebrizadas em nossa infância;

Imagem de salta-martim
Crédito: Instituto Brasileiro de Florestas - IBF

o moinho do Brentan, ou melhor, o moinho do Brandão, um dos recantos mais procurados pelos indaiatubanos;

o "Buracão" situado nas cercanias da cidade, lugar onde extraiam terra para construção de taipas;

o bairro "Do Outro Lado" nas adjacências do "Sítio do Coronel", que era o bairro da indigência e da penúria;

a Chácara do Garrão, situada ao longo da avenida que conduz ao cemitério, onde abundavam as amoreiras e figueiras silvestres que eram convites aos nossos furtos inocentes.

Ninguém por certo terá esquecido daqueles grandes grupos de meninos que demandavam as capoeiras à procura das saborosas guabirobas quando elas sazonadas, dos cheirosos indaiás e dos rotundos araticuns a tresandarem seu perfume pelos cerrados.

Próximo à cidade existia a "Chácara do Balduíno", que ficava a cavaleiro do leito da Estrada de Ferro Sorocabana, na altura do Km 2 de quem ia em direção a Itaici, e ali perto o "Cabral", onde existia uma fonte cristalina de água, ponto estratégico dos meninos fugidios.

Um dos sítios, motivo de passeios frequentes, era a "Fazenda Bela Vista", situada em bonito aclive próxima à chácara dos Gandolfi, esta quase à ilharga daquela.

Outros recantos do velho burgo dos indaiás, eram pontos de sua população, tais como a Colônia do Bicudo, o Sítio do João Galo, o Teixeirinha, a "Cruz Coberta", a Chácara do Totó Rosa e o Bento Roque, o célebre caipira indaiatubano, que serviu de modelo ao grande pintor paulista Almeida Júnior, na famosa tela "Amolação Interrompida", um dos tesouros artísticos do Museu do Ipiranga.

Assim era a Indaiatuba bucólica e pachorrenta dos tempos das fugueiras patriarcais de Nhobin e Benjamin Constant de Almeida Coelho, dos Tebas, dos Galvões, dos Camargos, do João Pires e Juca Pires, do Chiquinho e Luiz Lopes, do José Tanclér, dos Firmianos, do Coronel Teófilo de Oliveira Camargo, do Major Fonseca, Chico Padeiro, do Chiquinho Boticário e Luiz do Rego.

Era assim  a Indaiá, do silêncio das ruas que era só quebrado pelo sapatear das bestas no chão ou pelo trotear dos cavalos; a Indaiatuba apologética da penúria e da pasmaceira, embora o céu tivesse o privilégio de estar sempre azul, as suas tardes sempre brilhantes e poéticas.

Assim era a terra dos indaiás, que não fugiu dos pendores às tradições que remontam a épocas recuadas, a Indaiatuba dos tão falados sambas e batuques em vésperas de festas profanas e religiosas, emoldurados por velhos "cantadô" em que não faltavam nunca o estrelar "quentão" nem o preto velho Luiz Gomes, o dono do samba, nem a Chica Bigode e o Zé Corote nem os sambadô do "  Outro Lado" e do Sítio Velho. Foi assim Indaiá, onde a vida era religiosidade, onde os crepúsculos de ouro eram fundados na quietude precedendo as noites sepulcrais...

FINAL E JÁ É SAUDADE


Acrísio de Camargo


Vamos terminar esta pequena história, sem ter dado azos à vaidade, antes por uma necessidade étnica de levar um bocado de saudade aos que, como nós, somos filhos desta terra que, pelo estro do saudoso Acrísio de Camargo foi um "santo ninho de amor".

Teremos por vezes (não seria lícito negá-lo) claudicado na forma, mas no fundo, queremos acreditar que revelamos probidade investigadora neste labor, tanto quanto pode o recurso de nossa memória, renovando sonhos de antanho e evocando remotas fases da história de Indaiatuba.

Dizem que a ocasião e a vontade põem a lebre a caminho e foi precisamente pela vontade que criamos a ocasião. Bem caberiam aqui estes versos de um vate popular: 


"Onde anda o corpo, 
é verdade que a sombra vai pelo chão, 
é assim também a saudade, 
a sombra do coração"

Escusem-nos, se houve, a tagarelice desta história. Ao descrevê-la, não nos atravessou a mente senão a boa intenção; porque os nomes aqui trazidos à lembrança num entardecido bem querer, em narração embora sem as vestimentas de gala, no cadinho das recordações que o tempo não conseguiu fenecê-las, o foi pelo nosso amor inabalável à Indaiatuba, que moradia distante embora, os longos anos de ausência, jamais puderam diminuir.

Bueirão




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(1) Acredito que o autor refira-se ao córrego do Belchior, no "Buraco da Estação", onde também havia uma bica (nota de Eliana Belo Silva).



Este é o último texto escrito por EJOTAELE, pseudônimo de Eutemiro José Lisoni, que viveu em Indaiatuba no início do século XX e depois mudou-se para São Paulo, onde escreveu os textos.
Originalmente os textos foram publicados no Jornal Votura na década de 1980 e em seguida no livro de Rubens de Campos Penteado.

Por ordem de publicação, são os seguintes os textos escritos por EJOTAELE divulgados neste blog:









quarta-feira, 22 de abril de 2015

A Parteira Nhá Emília Beccari

Texto de Ejotaele*
Ejotaele escreve sobre o início do século XX

Não podíamos deixar, muito de propósito, de fazer uma referência, como real subsídio a esta pequena história da nossa velha Indaiatuba, sobre a admirável figura dessa mulher que teve o condão de ver nascer grande parte dos indaiatubanos que orgulhosamente sustentam hoje sobre a carcaça, a carga de meio século de anos, bem ou mal vividos, criatura que era a "mensageira da cegonha" aos lares de nossos ascendentes: Nhá Emília Beccari.

Destinou-lhe Deus essa grandiosa missão.

Quem não a conheceu, ou pelo menos, dela não terá ouvido falar?

Naquele tempo em que não existia técnica moderna da arte ginecológica, nem médicos, nem recursos que os métodos assépticos adquiriram nos tempos presentes, Nhá Emília Beccari teria feito, por certo, verdadeiros prodígios, lutando bravamente pela vida de mamães e dos bebês!

Vai aqui, nosso preito de saudade e veneração a essa expressiva figura que teve muito de maternal, que viveu sua vida mansa, heróica e santamente.



(texto publicado originalmente no Jornal Voutura de 24/06 de 1988 e em seguida no livro Gente da Nossa Terra, Terra da Nossa Gente II de Rubens de Campos Penteado).

Leia mais sobre o assunto aqui.


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Você tem fotografia de Nhá Emília Beccari?

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sábado, 18 de abril de 2015

Os antigos "trolys" de Indaiatuba [e o chafariz]

Texto de Ejotaele*
Ejotaele escreve sobre o início do século XX

Muitos dos velhos moradores de Indaiatuba deverão lembrar que, ainda por volta de 1914, não havia outro meio de condução, senão aquelas viaturas de quatro rodas e dois assentos que eram os "trolys", que os negociantes e viajantes deles se serviam para viagens aos sítios mais distantes da cidade e geralmente para Itaici, onde pela facilidade de horário havia trens com destino à Capital.

Esses "trolys" obtiveram grande aceitação popular, pois serviam para tudo e para todos.

Uma voltinha de "troly" naqueles tempos, adquiria o sabor de uma novidade!

Apenas três dessas viaturas davam conta do serviço e seus proprietários eram João Ciampi, Evaristo Delboni e Hemérito Rodrigues.



Trole fotografado perto da Estação Ferroviária de Helvetia, 
o meu bisavô Benedito Estevam de Araujo é um dos ocupantes 
(nota de Eliana Belo Silva)



Quantos episódios, quantos recantos da cidade poderiam reviver e  palpitar na tarefa de plasmação emotiva e histórica.

Aqueles que habitavam Indaiatuba nos primórdios deste século e buscavam hoje evocar lembranças daqueles tempos, hão de sentir, por certo, uma impressão de nostalgia e tristeza na visão restrospectiva das condições paupérrimas da cidade-vila, sem vida, tumularmente silenciosa, mas o seu povo exemplarmente bom e generoso, relembrando-lhe os costumes curiosos e "sui generis", especialmente a petizada dos tempos dos carrinhos d ´água "de uma lata" ou de "duas latas", fazendo ressurgir, em doces fluídos de imaginação, o velho chafariz de água boa e límpida, símbolo e relíquia da velha cidade, recanto quase sagrado, onde beberam amores e saudades as gerações passadas, que a força do tempo não consegui ofuscar...

A lembrá-lo é quase uma história toda, pois os velhos indaiatubanos tem-no como monumento do coração, ante a mágica sinfonia de sua fonte! 

Quem não se recorda daquela verdadeira procissão de carrinhos d´água que demandava o chafariz, numa comunhão de moços e moças, de velhos e crianças, de mulheres humildes que se dedicavam ao mister de lavar roupas e daqueles que iam dar o seu passeio à biquinha e ali beber a famosa água que deu personalidade à cidade dos indaiás?

Da Indaiatuba de antanho à Indaiatuba hodierna vai uma distância considerável.

Indaiatuba tem sabido de tal modo assimilar e adaptar-se às sucessivas transformações da vida moderna, numa renovação suave e perfeita, que o tempo por ela passa, vendo-a remoçar-se e consolidando-se cada vez mais suas funções.

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Nota de falecimento - Nair Paratelli Stein

É com pesar que informo que faleceu na noite de hoje, sexta-feira dia 17 de abril de 2015, a Sra. Nair Paratelli Stein, mãe da Conselheira Profa. Denise Stein Rezende da Silva, nossa companheira no Conselho Consultivo da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba.

O sepultamento será amanhã, as 14:00hs no cemitério da Candelária.

Além da professora Denise, Dona Nair era mãe de Júlio Carlos Stein, Oswaldo Stein Júnior e Marisa Stein Marini. Foi casada com Oswaldo Stein. 

D. Nair foi funcionária do Posto de Tracoma, uma espécie de seção do Posto de Saúde, hoje UBS (Unidade Básica de Saúde). 

De 1952 a 1978 exerceu o cargo de secretária na Prefeitura Municipal. Nesse cargo também fez parte da primeira diretoria do Posto de Puericultura, juntamente com D. Maria José de Assis Lyra (D. Maria do Jacob) e de D. Adele Puccinelli.

Primeiro Posto de Puericultura de Indaiatuba.

Como a cidade era pequena ainda, ela acumulava várias funções, uma das quais a de 1a. Supervisora da Merenda Escolar, quando de seu inicio, por parte do governo do Estado.

Envolveu-se na política por influência de seu marido Oswaldo Stein, participando ativamente na política partidária, no então partido P.S.P. e na municipal, exercendo influência sobre outras pessoas.

....o....

À Conselheira Denise Stein, demais irmãos e familiares, minhas condolências.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Paisagem entre Indaiatuba e Campinas - 1958

Paisagem entre Indaiatuba e Campinas
1958

Paisagem Agrária onde podemos observar eucaliptos e café.

Fonte: biblioteca IBGE

(http://cidades.ibge.gov.br/painel/fotos.php?lang=&codmun=352050&search=||infogr%E1ficos:-fotos)


Ao usar a imagem, CITE A FONTE.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Futebol "Association" da Indaiatuba Antiga

texto de Ejotaele
(Ejotaele escreve sobre o início do século XX)



Crime de lesa-recordação seria, a nosso ver, se não espremêssemos no fruto da vida o sumo gostoso e amargo que é a saudade e esquecêssemos o futebol, o velho futebol, que naquele tempo, como ainda o é em nossos dias, constituía patrimônio respeitável da mocidade.

Não havia pé de meia ou bexiga de boi que chegasse aos "pés curados" daquele tempo. Quando apareceu a primeira bola de couro, foi tanta a emoção que arrastou a gurizada a jogar vinte jogadores de cada lado... Jogava-se, é verdade, mas o que valia mais era sempre uma "marretada" com bola ou sem bola. Os maiores "pés curados" eram o Bastiãzinho e o Leobaldo da Nhá Nita Roque.

Muitos ignoram, poucos saberão, que Indaiatuba deu, no passado, quando em São Paulo começava-se a ensaiar os primeiros passos na prática do "association" (1), valores que ganharam fama.

Rememorando-se muitos já falecidos, vamos encontrar, entre os mais destacados, os nomes aureolados de Jacó Groff, o craque da época; Júlio Lisoni, que foi notável pelos seus dribles; o atlético zagueiro João Pedro; Júlio Minioli, goleiro famoso; célebre Zé da Feliciana; os irmãos Estelino, Ociamo e José Minioli; o temperamental Marcelo Filetti; Alfredo Groff, Daniel Lira, João e Rafaele Bonito, Chico Meia Lua, Zuzuca, Ferrício Seravelli, Pedro Sargentelli, Cesar Beccari, Afonso Tanclér e outros.

O clube era o antigo "Primavera Futebol Clube" fundado em 1909 ou 1910 e se não enganamos o seu campo era o atual Largo das Caneleiras.

Pouco tempo de vida teve o antigo Primavera, pois em 1914 já não havia mais futebol em Indaiatuba por falta de recursos para sua manutenção.

Passaram-se alguns anos, até que aí pelo ano de 1918 maios ou menos, surgia o "Indaiatubano F.C.", fundado por uma plêiade de moços entusiastas, entre os quais o modesto responsável por estas notas [Eutemiro José Lisoni, acrescentado por Eliana Belo Silva], Júlio Minioli, Angelo Brandi, Elpídio Gazignatto, José Teixeira de Camargo, Benedito Taborda, Nuto Guimarães, Arlindo Pires de Camargo e outros.

De 1920 a 1924 o Indaiatubano F.C. que na gíria esportiva tomava o nome de "Bitola Larga" teve existência fautosa, graças à seus dirigentes, tendo como elemento exponencial o grande amigo de Indaiatuba que foi José Svittaro. Neste clube, entre outros, militavam os seguintes jogadores que os esportistas da velha guarda hão de se lembrar:


  • Luizinho Leite,
  • Joãzinho Taborda,
  • Atílio Minioli,
  • Moreno,
  • Stein,
  • Alfio Bertolotti,
  • Miro,
  • Leló,
  • Pettená,
  • Angelo Bruni,
  • Braz,
  • Alcídio,
  • Eugênio,
  • Martelo,
  • Benjamin,
  • Irmãos Ramos,
  • Ricieri Delboni,
  • Bastiãozinho,
  • Leobaldo,
  • Pituta,
  • Cirino e,
  • Elídio Mosca.
Do "Indaiatubano" saíram elementos renomados como Nunes, Hugo, Dinho e Bonito que, mais tarde, haviam de encher de glória o nome esportivo de Indaiatuba. 

Em virtude da cisão ocorrida no seio deste clube surgia depois o Corinthians F.C., em consequencia do que aconteceu forte rivalidade que levou Indaiatuba a ter dois partidos políticos.

Depois de 1930 veio a fusão dos dois clubes, fazendo-se então o congraçamento esportivo, reestabelecendo-se, então, a denominação E.C. Primavera, em abono de suas tradições agremiações bem fundadas, que teve sua fase culminante nos anos de 1933 a 1937, quatriênio em que se revelou um dos melhores quadros de futebol do interior paulista, graças à tenacidade de um grupo de esportistas entusiastas, como foram Odilon Ferreira do Amaral e o saudoso Hugo Lisoni, dois grandes propagadores do futebol local, Jorge e Sebastião Nicolau, Oscar Fahl, Titi Tomasi e Odilon Cordeiro, de saudosa memória, que muito deram de seu esforço; Eduardo Steffen, Cristiano Steffen, João Escodro, Júlio Escodro, Ido Martini, Gentil Lopes, Porfírio Pimentel, Eduardo Leite, Paulo Von Ah, e o modesto autor deste relato [Eutemiro José Lisoni, nota de Eliana Belo Silva].

Deixou sem dúvida, um marco indelével noas anais esportivos de Indaiatuba aquele notável esquadrão no qual foram verdadeiros azes do futebol como: Sarain, Zé Grilo, Dinho, Chico, Mônaco, Canhoto, Silvio, Olívio, Batista, Soares, Camarão, Nico, Ministrinho, Rei, Luizinho, Athos, Paulo, Bonito e tantos outros.




.....oooooOooooo.....

Largo das Caneleiras, onde, por muito tempo, foi campo de futebol "lá longe".





(1) Football Association (FA) é a entidade que controla o futebol na Inglaterra. Foi criada em 1863 e é a mais antiga associação de futebol do mundo. Equivale à CBF - Confederação Brasileira de Futebol. É provável que o autor do texto tenha usado o termo para referir-se aos primeiros times de nossa cidade "oficialmente" associados, ou seja, organizados "oficialmente".


quinta-feira, 2 de abril de 2015

A Original Bandinha do Dunga

Texto de Ejotaele*
Ejotaele escreve sobre o início do século XX


Não podíamos omitir nesta sintonia contemplativa de fatos do passado, a famosa banda musical infantil, que o esforço e dedicação do velho Dunga(1), a puseram em relevo numa época em que não havia as luzes deste fim de século.

De fato, quem não lembraria ou quem se daria ao trabalho de formar entre meninos ainda mal alfabetizados, uma filarmônica inteiramente equipada?

E dizer-se que muitos dos nossos musicistas ali aprenderam a divina arte de Beethoven e Verdi!

A original bandinha do Dunga, que nas ocasiões de festa rompia invariavelmente com o mesmo dobrado, e o era singular, cantando à viva voz ao mesmo tempo, compunha-se de vinte ou mais figurantes e se bem nos recordamos dela faziam parte: o Chico da D. Teodora e o Elpídio com seus lilipúticos flautins, o João Nunes com o saxe, o Rêmulo Zoppi com o seu depois famoso bombardino, o Pires Camargo, hoje compositor e professor de música, o Godofredo com o seu trombone, os irmãos Copinni, mais tarde exímios musicistas, o Gildo, mais tarde compositor de valsas melodiosas, o Alfio Bertolotti, Oswaldo Soares, o Dóro e muitos outros garotos da época, cujos nomes me fogem da memória.

A nota curiosa era quando o velho Dunga, sempre de criança no colo, anunciava os ensaios da Banda, mandando o Anselmo, seu servidor desde criança, "manter o macete" no bombo, à porta da sua casa, fazendo uma barulheira dos diabos que toda Indaiatuba ouvia, sem tugir, nem mugir.

Escusado é dizer que nenhum faltava aos ensaios...

Existiu anteriormente a Corporação Musical Lira Indaiatubana, em cuja regência se notabilizou o Maestro Fávero, figura estimada da localidade, que foi progenitor do mui querido e ilustre professor Flamínio Fávero (2) , Lente de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Faziam parte dessa corporação: Esterlino Minioli (3) que foi mais tarde seu regente, Ociamo Minioli (4), Rêmulo Zoppi (5), Pasqual Bofa e o grande maestro Luiz Baldi.


..... ooooo O ooooo .....


Notas de Eliana Belo Silva:
(1) Maestro José Lopes dos Reis 
(2) Jurista 
(3) Bombardino 
(4) Bateria 
(5) Bombardino e barítono


Rêmulo Zoppi


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