BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Cemitério de Friburgo


Friburgo fica no interior de São Paulo entre as cidades de Campinas, Indaiatuba e Monte Mor (perto do aeroporto de Viracopos).

Por volta de 1860 os primeiros imigrantes de língua alemã chegaram na região de Friburgo e começaram a buscar terras. Em 1879 foi inaugurada a Sociedade Escolar; o prédio da escola alemã existe até hoje ao lado da igreja. 

A Igreja Luterana de Friburgo foi inaugurada em 1934. A partir de então, os cultos foram realizados na capela, assim como algumas festas tradicionais. 

Ambos os prédios, a escola e a igreja, foram tombados e estão bem preservados. 

O cemitério de Friburgo foi inaugurado em 1886 e conta com mais de 800 túmulos, sendo a maioria com nomes alemães como dos primeiros fundadores de Friburgo Krähenbühl e Tamerus, além de outras famílias como Jürs, Quitzau, Steffen e Schäfer entre outros.





quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Eleitores em Indaiatuba em 1856

Quantos eleitores Indaiatuba tinha em 1856?  Apenas três (3).

De acordo com a fonte abaixo, a distância da parochia  de Indayatuba até à cabeça do Districto (Sorocaba) era de 10 legoas (léguas).

Fonte: Correio Mercantil de 3 de abril de 1856.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Luto - Reverendo João Marinho

Sinto informar que o Professor Reverendo João Marinho  faleceu ontem, dia 15 de agosto. 

O velório do meu pai será no templo da Igreja Presbiteriana Unida, na Rua Bernardino de Campos, 644- Centro. 

O sepultamento será hoje, 16/08 as 16h., no Cemitério Memorial, Rua Primo José Mattioni, 509 - Vila Brizzola, após ofício fúnebre que ocorrerá as 14:30h.

Durante o período em que trabalhei como professora de História na EEPG Helena de Campos Camargo, assim que ingressei no Estado por concurso, tive o prazer de ser sua colega e rapidamente aprender a admirá-lo como agente apaixonado pela Educação e sobretudo com extrema vontade e confiança em mudar a realidade através da Leitura e da Literatura.

O Professor reverendo João Marinho era casado com a professora de História Martha Barbosa Marinho e pai de Anael (médica otorrinolaringologista), João Marcos (historiador, pedagogo e comerciante), João Márcio (médico oftalmologista) e Marcia Marinho.

R.I.P.


terça-feira, 15 de agosto de 2017

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA NOVA OFICINA DA ESCOLA DO PATRIMONIO

As fichas de inscrições estarão disponíveis no site da Fundação

A Prefeitura por meio da Fundação Pró-Memória e em parceria com o Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas na Unicamp, promoverão oficinas gratuitas da Escola do Patrimônio durante o ano de 2017. 

Para participar basta preencher a ficha de inscrição disponível no site da fundação,www.promemoria.indaiatuba.sp.gov.br/, e encaminhá-la para o e-mail escoladopatrimonio@promemoria.indaiatuba.sp.gov.br. O documento estará à disposição quinze dias corridos antes de cada curso. Maiores informações pelo telefone 3875-8383 ou diretamente no Museu Casarão Pau Preto.

A Escola do Patrimônio é um projeto realizado em parceria entre Fundação Pró-Memória e o Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas na UNICAMP desde 2014, que visa discutir questões referentes ao patrimônio documental, cultural e ambiental e sua preservação por meio de oficinas gratuitas destinadas à comunidade.


Oficina: A preservação do patrimônio urbano do primeiro Oeste Paulista

Professor: Dr. Francisco Dias de Andrade (Doutor em História da Arte – UNICAMP)
Data: 26 de agosto
Horário: 9h às 13h - 14h às 16h
Local: Tulha – Casarão Pau Preto (Rua Pedro Gonçalves, 477 Jardim Pau Preto, Indaiatuba/SP)
Ementa: A oficina visa apresentar algumas noções e elementos urbanísticos e arquitetônicos básicos do passado da região compreendida por cidades como Jundiaí, Campinas, Itu, Indaiatuba, Sorocaba, Piracicaba, entre outras. No primeiro bloco temático se abordará algumas questões comuns à todas as cidades da região. Dentre elas, pode-se citar a influência da legislação colonial e imperial concernente ao solo urbano, as transformações decorridas da mudança da malha viária a partir do fim do séc. XIX, a importância dos imigrantes para a consolidação da vida urbana, o processo de criação de novas centralidades urbanas e seu impacto no “centro histórico” e o modo como essas dinâmicas foram (ou deixaram de ser) contempladas pelas políticas de preservação cultural.  No segundo bloco, pretende-se apresentar algumas diretrizes para pesquisadores interessados na história e na preservação urbana regional. Intenta-se encerrar a oficina com um roteiro de visita pelo centro histórico de Indaiatuba.
Atividade prática: Visita pelo centro histórico de Indaiatuba


Oficina: Experiências paulistas em educação patrimonial

Professor: Ms. Fernando Siviero
Data: 23 de setembro
Horário: 9h às 13h - 14h às 16h
Local: Tulha – Casarão Pau Preto (Rua Pedro Gonçalves, 477 Jardim Pau Preto, Indaiatuba/SP)
Ementa: Atualmente, muito se fala no campo da preservação do patrimônio cultural em Educação Patrimonial. Cada vez mais, as leis e as políticas públicas apontam a necessidade de projetos e ações educativas em qualquer intervenção preservacionista. Governo, ONGs e empresas disputam significados e práticas da educação patrimonial.
Em 2014, o Iphan publicou "Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos". Nesse breve livro, encontra-se uma perspectiva histórica do assunto na instituição e algumas orientações para a prática educativa. Apesar disso, observa-se que esse campo possui um acúmulo de experiências muito distintas em todo território nacional e ainda não possui sistematização. Nesse curso vamos estudar o histórico da educação patrimonial no Iphan e conhecer diferentes conceitos, paradigmas e ações educacionais.
Além disso, teremos a oportunidade de analisar algumas experiências nas quais a preservação e a educação patrimonial caminham em conjunto, criando situações e perspectivas que potencializam a função sociocultural dos bens culturais.
Inscrições a partir do dia: 08/09/2017


Oficina: O Barroco Paulista

 Professor: Doutorando Mateus Alves Silva (Doutorando em História - UNICAMP)
Data: 21 de outubro
Horário: 9h às 13h - 14h às 16h
Local: Tulha – Casarão Pau Preto (Rua Pedro Gonçalves, 477 Jardim Pau Preto, Indaiatuba/SP)
Ementa: A formação de São Paulo e o desenvolvimento artístico; Particularidades do Barroco Paulista; Arquitetura religiosa e civil; Escultura e talha barroca; Pintura e decoração religiosa.
Atividade prática: Exercícios de análise de obras de arte.

Inscrições a partir do dia: 06/10/2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

MUSEU DA ÁGUA RECEBE EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA CASINHAS DO INTERIOR

Desde ontem, (quarta-feira, dia 02 de agosto) o Museu da Água passou a receber em seu saguão de entrada a exposição fotográfica Casinhas do Interior, promovida pela Secretaria de Cultura e o Grupo Fotografando Ideias, como parte das atividades do Agosto das Artes.
São 70 imagens captadas por 12 integrantes do coletivo Fotografando Ideias e busca homenagear a vida no campo não apenas apresentando casas localizadas em áreas rurais de Indaiatuba e cidades vizinhas, mas vários aspectos desse universo. Personagens, objetos do dia a dia, animais, paisagens e produtos agrícolas estão entre os temas que resgatam lembranças das casinhas do interior que ainda resistem ao tempo.
A exposição tem como propostas apresentar ao público urbano, principalmente o jovem, um panorama do dia a dia no campo, as características e particularidades dessas áreas, a importância do caipira e suas atividades agrícolas e culturais. ]
A mostra também registra as atuais transformações nas áreas rurais dessas cidades com a chegada de grandes empresas e o crescente avanço de empreendimentos imobiliários sobre esses locais.
O evento é gratuito e pode ser visitado no Museu da Água localizado na rua do Museu, 205, Tombadouros (atrás da Concessionária Ballila) de terça a domingo das 9h às 16h até dia 25 deste mês.
Crédito da imagem: Divulgação - SAAE

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Carta de Brasília - Manifesto dos professores de História - 27 de julho de 2017



Que se registre para sempre a posição de resistência dos professores de História da Universidade de Brasília neste Estado de Exceção instalado com o Golpe de 2016 e, que a partir de então, vem trazendo, além do que está citado no texto, um profundo esvaziamento das discussões intelectuais causado, entre outros motivos, pela desvalorização da ciência em múltiplos aspectos.

Este blog subscreve humildemente este manifesto.

Eliana Belo Silva

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REPOSITÓRIO DE DOCUMENTOS AFINS

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Nota do Comitê do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica sobre corte de bolsas do CNPq
02/08/201
O Comitê do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reunido em sessão de 2 de agosto de 2017, vem a público expressar indignação com as notícias veiculadas em relação aos cortes no orçamento do CNPq e à suspensão do pagamento de bolsas de estudo. O programa de bolsas de iniciação científica e tecnológica é uma iniciativa única no mundo na formação de alunos de graduação, preparando gerações de pesquisadores e contribuindo para a soberania nacional. Os estudantes beneficiários têm a oportunidade de obter treinamento avançado em laboratórios de pesquisa, preparo para carreiras inovadoras, e inserção na Pós-Graduação.

Existente desde a fundação do CNPq, em 1951, o Programa de Iniciação Científica é um patrimônio da comunidade científica e de toda sociedade brasileira. Este Programa  nunca sofreu descontinuidade mesmo em momentos mais graves de crise econômica e durante governos de diferentes matizes ideológicas.

Em um momento em que nos deparamos com cortes já concretizados na CAPES, FAPERJ e outros órgãos de fomento, estas notícias causam enorme preocupação em relação à continuidade do PIBIC, uma vez que o CNPq é responsável pela concessão de 50% das bolsas de Iniciação Científica (IC) e Iniciação Tecnológica (IT) na UFRJ.

Avaliamos que há um projeto político em curso, que se concretiza em um ataque e desmonte da Ciência e da universidade pública no Brasil, que acarretará prejuízos inestimáveis para toda a sociedade.

Repudiamos os cortes anunciados no orçamento do CNPq, compreendendo que estes inviabilizam a existência da própria 
agência e o futuro do país.



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Nota de repúdio ao vídeo de escola militarizada em Manaus: “escola sem partido” para quem?

O Professores Contra o Escola Sem Partido vem a público manifestar-se urgentemente em repúdio ao vídeo divulgado pelo deputado federal Jair Bolsonaro e discutido hoje em notícias d’O Globo e Folha de SP. O vídeo mostra alunos e alunas do 3º ano de uma escola pública de Manaus, gerida pela Polícia Militar, enfileirados, falando em coro: “Convidamos Bolsonaro, salvação dessa nação, para participar de sua cerimônia de formatura”. O vídeo foi divulgado no canal de deputado do YouTube e acompanhado por um comentário do mesmo onde diz que as cenas são “um exemplo de ensino” que todas as escolas deveriam seguir.
Bolsonaro repetidamente afirma que o “escola sem partido” é sua pauta prioritária para a educação. Seus filhos, Carlos, Flávio e Eduardo, são proponentes de projetos ESP em esferas legislativas variadas e fazem aparições frequentes em audiências públicas sobre o assunto. O que acontece agora só deixa ainda mais explícita a seletividade da perseguição feita pelo movimento “escola sem partido” e seus apoiadores no legislativo brasileiro. Como dizemos há anos, as demandas do movimento e seus entusiastas não se tratam de uma luta por uma boa educação, mas de uma instrumentalização das discussões educacionais para reagir contra mudanças necessárias à democratização da sociedade: a conquista de direitos de mulheres, LGBTs, e pessoas negras de discutir a sua cultura; o reconhecimento e superação de resquícios do regime autoritário que vivemos no passado, dentre outros.
As imagens de alunos de uma escola pública, em formação militar, saudando uma figura pública como “salvador de uma nação”, figura essa que é notória por seus incontáveis pronunciamentos preconceituosos e violentos – dentre os quais apologia à tortura em sessão parlamentar transmitida nacionalmente e um atestado de misoginia quando se dirigiu a uma deputada afirmando que “não ia estuprar você porque você não merece”, num contexto onde temos 13 feminicídios por dia cometidos majoritariamente por companheiros das vítimas – são perturbadoras. No vídeo vemos um slogan da escola ser entoado pelos alunos: “Disciplina, honra, educação Brasil”. É impossível não lembrar da expressão tradicional nas aulas de história sobre certos acontecimentos do século passado: “culto à personalidade”.
O movimento “escola sem partido” age perseguindo professoras que discutem gênero dizendo que são “doutrinadoras” e “violam os direitos da família”; persegue quem discute cidadania, igualdade social, dizendo que isso não é papel da escola; afirma que discutir as notícias atuais é “doutrinação”, acusando de “ideológico” ou “partidário” qualquer tentativa de fazer uma educação democrática que busque a desalienação dos alunos e alunas do mundo. E frente a esse absurdo, o que um dos grandes defensores do movimento no Congresso Federal considera uma boa educação? Um tipo de colégio preconceituoso, que cobra mensalidades, cobra taxas, faz pré-seleção de alunos, viola o princípio de uma educação pública gratuita e para todos. Desde que começaram a surgir no país escolas públicas geridas pela Polícia Militar, numerosas matérias e notícias de jornais expõem um processo antidemocrático de tornar essas escolas elitizadas, deixando de lado aqueles e aquelas que realmente mais precisam de um bom ensino público.
Jair Bolsonaro (PSC) é um dos principais políticos defensores do “escola sem partido” no Brasil. Seu filho e deputado estadual no Rio, Flavio Bolsonaro (PSC), foi quem apresentou o primeiro projeto ESP no país. O seu partido, Partido Social Cristão, é o que mais apresenta projetos ESP em números absolutos no legislativo brasileiro. Agora, mais do que nunca, perguntamos: “escola sem partido” pra quem?
Fontes:

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Nota de Repúdio - ADUNIFESP - 11/08/2017


Manifestamos nosso mais profundo repúdio ao que ocorreu na Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista, na noite de 11 de agosto de 2017, durante a Audiência Pública convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo.

Desde às 18h o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente armados (foi exigido que guardassem as armas). A calçada do portão principal ficou abarrotada de viaturas da Polícia Militar. A comunidade acadêmica que ali se encontrava para as atividades diárias tinha pouca informação a respeito e ficou estarrecida quando soube que se tratava de uma audiência em que seriam definidos os rumos da educação em direitos humanos e, mais ainda, quando compreendeu que os policiais militares (que a esta altura chegavam a quase cem) defendiam a proposta de eliminar conteúdos fundamentais à educação pública. Estes bradavam por “direitos humanos aos humanos direitos”, “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, etc.

Professores, técnicos e estudantes que estavam no campus, após tomarem conhecimento do que ocorria, decidiram participar da audiência e foram hostilizados pela tropa, que tentou impedir que votassem, sob o argumento de que não estavam lá desde o início. Houve até gritos de “vagabundos”. Se fazem isso contra quem estava no próprio espaço de trabalho e estudo (muitos descendo da sala de aula), o que não farão com pessoas mais vulneráveis em um país com cerca de treze milhões de desempregados?

Estudantes e professores que se manifestaram pacificamente com cartazes em defesa da Escola Pública e dos Diretos Humanos também foram hostilizados. Ouviram-se frase macabras, como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”. Além disso, um grupo de militares e seus apoiadores começou a fazer cartazes com “Bolsonaro 2018”, “Liberdade sem libertinagem”, “Pode confiar #”. Situação preocupante em que os que defendem a “escola sem partido” partidarizam sua atuação portando as vestes e as insígnias de uma corporação militar. Ainda mais lamentável: a alta patente fardada nada fez para controlar seus subordinados que, aliás, quase agrediram fisicamente algumas docentes e estudantes.

Feita a leitura do texto-base do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo, começou a “votação”. O que se viu foi um verdadeiro espetáculo de horror. Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os – mais uma vez – de “vagabundos”. Nas votações subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo ameaçador cada um que votava contra a posição deles. Ao longo da noite, a comunidade acadêmica correu sérios riscos.

Foi aprovada a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar das minorias; foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.

Apesar do temor, a comunidade acadêmica resistiu pacificamente. Externamos nossa forte preocupação com quem pretende, na base do grito, se sobrepor à produção de conhecimentos, à liberdade de pesquisa, à democracia e à autonomia universitária.
A Adunifesp-SSind entende que este ato abusivo e autoritário se insere num movimento maior de ataques à democracia e aos direitos humanos em curso em nosso país. Também o fato de que ele tenha ocorrido dentro da Unifesp escancara o processo de demonização e ataque às Universidades Públicas que é impetrado hoje em dia por setores reacionários da sociedade. 
Por fim, repudiamos veementemente o modo como ocorreu a votação e solicitamos que o Conselho Estadual da Condição Humana desconsidere o resultado desta “consulta”.

Queremos esclarecimentos sobre a utilização do espaço da Universidade Federal de São Paulo para episódios desta natureza. Manifestamos nossa preocupação com a integridade física dos professores, técnicos e estudantes que ali defendiam o ensino público e de qualidade, a escola sem mordaça, a permanência dos direitos humanos como princípio norteador da educação. Exigimos que as chamadas autoridades competentes manifestem posição urgente e clara sobre o ocorrido, especialmente no tocante às relações entre disciplina da tropa e Estado de direito. 

ADUNIFESP - SSind


terça-feira, 25 de julho de 2017

41ª Festa da Tradição de Helvetia - 29 e 30 de julho





Homenagem à São Nicolau de Flüe

Padroeiro da Suiça-1417-2017

São Nicolau de Flüe nasceu em Sachseln, Cantão de Obwalden, o cantão dos helvecianos, filho de pais católicos fervorosos, dedicados ao trabalho na terra e gado.

A Suíça de seu tempo passava por conflitos entre os cantões da confederação, e Nicolau precisou pegar em armas, sempre na busca de justiça e paz, se tornando um herói de guerra.

Foi convidado a ser prefeito, mas não aceitou, preferindo se tornar juiz da corte local, onde permaneceu por 19 anos, reconhecido pelas decisões justas e sempre na procura da paz, daí o reconhecimento de todos como “Construtor da Paz”, contribuindo decisivamente para a realização do Tratado de Stans, que consolidou a “Confederação Helvetica”.

Casou-se com Dorothea, com quem teve 10 filhos. Mas, tão forte foi o chamado que recebeu de Deus, que decidiu-se pela sua consagração pessoal na solidão. Após dois anos de muito dialogo com a esposa, esta consentiu plenamente e deu o sim para Nicolau.

Em uma noite, dormindo no relento, Deus o contemplou com um sinal de aprovação de sua decisão, cauterizando seu estômago com um raio vindo do céu. Assim, o eremita Nicolau viveu pobremente, durante 20 anos, em sua choupana, dormindo sobre uma prancha, tendo como travesseiro uma pedra, e vivendo unicamente da eucaristia e da oração, aconselhando a todos que o procuravam.

Após uma dolorosa doença, faleceu no mesmo dia do seu nascimento, com 70 anos, e sua santidade foi reconhecida pela Igreja.

São Nicolau de Flüe, rogai por nós!

(Crédito do texto: Comunidade Helvetia)


Também será comemorado os 40 anos do Grupo de Danças Folclóricas! 

Muitos passaram por aqui nesses anos, e cada um deixou sua contribuição para enriquecer a cultura e e folclore! 





quarta-feira, 19 de julho de 2017

As três enxadas

AS TRÊS ENXADAS

Eliana Belo Silva

(pós escrito ao livro "O Crime do Poço" que você pode ler aqui)


O amor de mãe por seu filho  é diferente de qualquer outra coisa no mundo.
Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas
e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.
Agatha Christie


A primeira enxada – A desencabada


Colocaram o cadáver em dois sacos de juta que ali estavam esquecidos: um pelos pés, outro pela cabeça. Mas o que urgia agora era se desfazer do cadáver. Retiraram algumas tábuas que cobriam o poço abandonado, até obter um espaço suficiente por onde deixaram cair o cadáver. O barulho da queda foi bem pequeno, talvez pela profundidade do poço, que deveria ter setenta palmos. Precisavam agora, desesperadamente, aterrar o poço para eliminar qualquer prova. E os três se puseram logo ao trabalho para acabar o mais depressa possível com o macabro serviço. “Com uma enxada desencabada e velha que estava jogada no quintal da casa número vinte e um, rasparam toda a terra ensanguentada, que era muita, pois o sangue era muito... jogaram... a terra ensopada de sangue dentro do poço. Que depois pegaram a enxada, as botinas e o chapéu de Domênico e colocaram num outro saco que também jogaram no poço.... Atiraram para dentro do poço o pau de fumo com que Antônio N. havia morto Domênico, assim como tudo o mais que encontraram ao redor...”. A matriz Nossa Senhora da Candelária anunciava quatro horas da tarde quando o delito se deu por encerrado. (1)

A segunda enxada – A emprestada


Em dezembro de 1907 o jovem italiano Domênico de Luca foi assassinado em Indaiatuba em uma emboscada planejada para roubá-lo. Após o assassinato, os três criminosos confessos jogaram o corpo da vítima – que tinha apenas 17 anos de idade – dentro de um poço desativado, que recobriram com uma enxada que “foram descaradamente emprestar da minha avó Maria Pia”, conta Antonio Reginaldo Geiss (2), recordando uma das personagens de sua família que interagiram nessa história, que é uma das mais presentes no imaginário da cultura indaiatubana.

A enxada que Geiss se refere não é que foi usada no dia do crime, e sim uma outra que foi utilizada depois, no dia seguinte, quando os assassinos acharam que a terra que havia sido jogada por cima do cadáver ‘era pouca’. Chamaram então o ‘preto Delfino’ para fazer o serviço, que segundo os laudos do processo, fora emprestar a enxada de Dona Maria Pia. Ao depor, Delfino de Moraes, 40 anos, disse que, ao perguntar por que haveria de entupir um poço até então descoberto, o contratante respondeu: “tenho irmãos pequenos que podem cair ali. ”  Delfino entupiu o poço com tudo o que havia de terra no quintal, deixando o terreiro bem limpinho. E como ainda só havia aterrado o poço até um pouco mais da metade, Adão deu um pano para que fosse esticado na boca e preso nas bordas, recoberto e disfarçado em seguida com mais um pouco de terra.

Domênico era italiano, mas morava com sua família no bairro do Brás, em São Paulo, que fazia comércio, revendendo cereais produzidos em fazendas do interior de São Paulo. O menino que tão cedo perdera a vida tragicamente por dinheiro, havia saído de trem em direção a Piracicaba, justamente para efetivar negócios que aprendera com seu pai, o Sr. Modesto de Luca. No caminho, a composição parou na estação ferroviária de Indaiatuba – atual Museu Ferroviário _ onde ele desceu, já atraído previamente por um dos seus algozes, que sabia ser ele portador de dinheiro vivo. A família em São Paulo começou a estranhar a ausência de notícias do moço, pois ele não havia telegrafado nenhuma vez para atualizar sobre seu paradeiro. A mãe logo se agonizou e transformou a estranheza em profunda preocupação até que se desesperou ao saber que ele não havia desembarcado em Piracicaba.

O crime chocou a população urbana de Indaiatuba, que presumidamente não passava de 1200 pessoas, formadas por pequenos comerciantes, artesãos e trabalhadores livres, que moravam em casas simples, de barrote de pequena altura – a ponto de unirem-se em uma ‘vaquinha’ para construir um imponente (para a época) túmulo em homenagem ao jovem morto.  Essas casas geralmente possuíam pequenos jardins ou terreiros com pequenas hortas, árvores frutíferas e galinheiros, ou ainda, como escreveu o notável indaiatubano Nabor Pires Camargo, não só com galinheiros, mas pequenos zoológicos, com “frangos, cabritos, leitões, perus, carneiros, e algumas vezes até caças de pelo, como capivaras e pacas(3). Eram delimitadas, quando muito, por cercas de arame ou taquara.

A arquitetura só era diferente disso nas imediações da igreja Nossa Senhora da Candelária onde existiram alguns casarões nos quais 'residiam os ‘principais’ do lugar, como oficiais da Guarda Nacional, fazendeiros senhores de engenho, fazendeiros cafeicultores, comerciantes principais e autoridades locais” (4). Alguns fazendeiros moravam na sede das fazendas, mas tinham um casarão como habitação urbana, como por exemplo o Barão de Itaicy.

Alfredo Camargo Fonseca – o Major Alfredo, o chefe do executivo na época, o equivalente a prefeito atualmente; o delegado era João Firmiano de Souza, o Juiz de Paz era José Tanclér, que também era “camarista” (vereador) junto com mais seis pessoas: Antônio Estanislau do Amaral Campos, Antônio Ambiel, Francisco Celestino Guimarães, Benjamin Constant de Almeida Coelho, Luiz Gonzaga Bicudo e Alfredo de Camargo Fonseca (ele mesmo, que também era prefeito). O procurador (funcionário público que era responsável pela arrecadação de impostos) era Jordão Teixeira de Camargo e o fabriqueiro (5) era Luiz Teixeira de Camargo, que também era escrivão do cartório e escrivão da polícia.

O crime provocou muito alvoroço na pacata cidadezinha, numa época em que não tinha jornal nem cinema, e na qual a distração mais comum era visitar os compadres e comadres para conversar e tomar um cafezinho perto do fogão de lenha, após caminhar nas ruas de chão batido. Jogos, principalmente de cartas, também era um lazer comum, principalmente para os que frequentavam vendas e botecos. Fora algumas festas religiosas, principalmente as festas em louvor a padroeira Nossa Senhora da Candelária que eram realizadas desde a criação da freguesia, a vida transcorria bucolicamente. Tudo girava praticamente em torno da igreja matriz, único templo religioso da cidade construído em taipa de pilão, belo exemplo da arquitetura religiosa colonial paulista.

No sábado, dia 07 de setembro de 1907, os sussurros discretos sobre o sumiço do moço que havia chegado três dias antes e deixado a mala em um pequeno hotel na pequena Indaiatuba, se transformaram em fofocas fervorosas cheias de conjunturas. O assunto virou um fervo quando alguns perceberam que 'certas pessoas' estavam com mais dinheiro do que de costume e estavam fazendo apostas ousadas nos jogos das mesas de bar.

E outros dois parentes de Geiss se envolveriam na história, e de maneira definitiva para o seu desenrolar: José Tanclér, o juiz de paz, seu bisavô - e o delegado João Firmiano de Souza, seu tio-bisavô. Aconteceu quando o Sr. Modesto de Luca chegou em Indaiatuba. Sua vinda para cá é o capítulo mais fantástico dessa história: a mãe de Domênico, a Sra. Elisabete, sonhou (sim, ela sonhou!) Que o filho estava morto, em uma casa em Indaiatuba (6).

No dia 12 de dezembro, após ir para Piracicaba e confirmar que o filho não havia estado lá, o Sr. Modesto veio, incrédulo, para Indaiatuba. Recusava-se a acreditar para onde o destino lhe estava levando.

Aqui, a atenção se voltava para certas pessoas, que haviam ido para São Paulo fazer compras. De onde haviam conseguido tanto dinheiro?  O delegado-tio-bisavô de Geiss, João Firmiano, já estava na estação ferroviária quando o pai da até então “suposta vítima” chegou, exausto, triste, inconformado, cabisbaixo. E não só ele. A população já tinha o hábito de ir acolher cada composição que chegava na Estação. Aquela, então... Era especial. Só não foi a banda, que ia sempre em ocasiões de visitas ilustres por motivos óbvios. Oficialmente estavam com o tio-bisavô-delegado o prefeito Major Alfredo e o escrivão Luiz Teixeira. Mas extraoficialmente...

A delegação oficial levou o pai para o hotel onde o filho havia deixado a pequena mala. Era uma pista concreta, não era mais um sonho de uma mãe desesperada, que para enganar a si próprio, até então o pai julgara estar alucinando, surtando, ou simplesmente tendo um pesadelo. Logo em seguida, em comitiva pela cidade, acompanhado com o delegado-tio-bisavô, o Sr. Modesto viu a casa que sua esposa havia descrito.

Sem poder compreender aquilo tudo de forma concreta, Modesto sentia apenas sua tristeza aumentar. Não compreendia que o sonho havia cumprido um papel de mensageiro entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos. E embora acreditasse cada vez mais nessa informação, não lhe dava crédito o suficiente para utilizá-la como combustível para seu corpo e mente, cansados e confusos. Afinal, sonho era sonho, não havia provas e a realidade é coisa bem diversa. Renunciar à razão e entregar-se ao sonho significava enfrentar a dor do luto. Talvez por isso, a clara mensagem sobrenatural não se sobrepunha à razão: urgia continuar procurando o filho.

Modesto de Luca prestou queixa e o delegado-tio-bisavô acatou. Formalizado o desparecimento, a primeira atitude de João Firmiano de Souza foi dar importância às fofocas locais -  que ele mesmo acreditava e
... chegando ao meu conhecimento por queixa do cidadão Modesto de Luca, que seu filho Domênico desapareceu misteriosamente sem que se saiba o rumo que tomou e podendo haver no caso algum crime a apurar (...), digo procedente o desentupimento do poço.

Autoridades, repórter do jornal A Gazeta de São Paulo e o povo no quintal da casa, à beira do poço onde foi atirado o cadáver do mocinho Domênico de Luca. (7)

Logo em seguida, mandou prender um dos suspeitos. Sabendo da ordem de prisão, o padre debandou com sua batina arrastando no chão de terra batia e ordenou que o sino da igreja fosse tocado.

Era comum que quando ordens de prisão fossem expedidas, isso acontecesse. Mulheres com seus coques presos em lenços de chita benzeram-se com lágrimas nos olhos, certamente pensando, cada uma, em seu próprio filho. Livrai-me desse mal, amém.

A cidade agitou-se.

O suspeito preso negou por horas a fio. Até que o delegado-tio-bisavô teve uma ideia e estrategicamente armou uma arapuca com o Major Alfredo. E o plano foi posto em prática:

(...) numa certa hora, no meio do interrogatório, entrou de repente o Major Alfredo, e dirigindo-se diretamente ao criminoso, disse: _ É melhor você contar tudo, o cadáver foi encontrado no poço.  A firmeza do Major deixou o suspeito branco, que após vacilar um pouco, com a respiração ofegante e com os olhos voltados para o nada, finalmente começou a falar, quase que sem parar...

Geiss conta que entre “entre baixos e contrabaixos” o delegado-tio-bisavô, mesmo não tendo experiências como crime, pois na época a prática era rara, utilizou-se de sua experiência de vida e, percebendo o nervosismo do rapaz, que era justamente o mais novo dos três assassinos confessos, aproveitou-se da insegurança, provocando: “conta tudo, que os outros já confessaram”. E assim os outros dois nomes foram verbalizados.  Esse plano do delegado-tio-bisavô e a participação do Major Alfredo na cilada verbal ganhou notoriedade em jornal da Capital:

A ideia de que todas aquelas misteriosas circunstâncias ocultavam um crime começou a ganhar terreno e a pacata população, habituada à sua inalterada tranquilidade, começou a empenhar-se pelo caso, surgindo, como um dos mais interessados no descobrimento da verdade, o Sr. Alfredo de Camargo Fonseca, que tomou a si o encargo de prestar o seu apoio à autoridade policial. E foi ainda o Sr. Camargo que, percebendo indícios da responsabilidade de Adão. R., submeteu-o um dia a inteligente interrogatório, vendo, depois de alguma relutância da parte do interrogado, confirmadas todas as suas suspeitas. Adão R. confessara o seu hediondo crime, fora ele, com a cumplicidade de dois companheiros Antônio N. e Eugenio C. que perpetraram o tremendo delito, cujo móvel foi o roubo (8).

O juiz de paz José Tanclér estava presente no interrogatório e após a confissão, foi contar para o pai.
Achou-o em volta do poço, acompanhando atônito a retirada de cada pertence de seu filho no meio do mato morto e da terra umedecida pela chuva dos últimos dias. Até que, por fim, o cadáver do filho insepulto foi encontrado.

O delegado-tio-avô comunicou imediatamente o Dr. Washington Luís, Secretário da Segurança Pública de São Paulo, através de telegrama, que havia sido encontrado em um poço, na localidade de Indaiatuba, o cadáver de um indivíduo. A notícia foi destaque no jornal O Correio Paulistano:

Tratando-se de um hediondo crime, cujo motivo foi o roubo, a autoridade terminou o seu despacho requisitando a ida áquella vila de um médico legista, afim de proceder à respectiva autopsia. Essa diligência será effectuada pelo dr. Alfredo de Castro, que seguirá hoje pelo primeiro trem da S. Paulo Railway. (9)

O pai, após sepultar o filho em Indaiatuba, procurou pessoalmente e de imediato o Dr.  Secretário da Justiça e Segurança Pública de São Paulo para pedir providências a fim de “evitar a fuga dos miseráveis assassinos” que mataram o filho dele, em atroz assassinato em Indaiatuba (10). Debulhado em lágrimas, o pai da vítima contava “não oferecer a cadeia de Indaiatuba condições de segurança”. Receava que os amigos dos criminosos, mais dia, menos dia assaltassem a prisão, contando também para levar a cabo essa tentativa o eficiente destacamento policial. Consta que o Secretário da Justiça tranquilizou o desditoso pai, que num momento de natural desabafo havia repetido os pormenores do crime, lamentando a morte do filho que era toda a sua alegria e todo o seu orgulho.

Quando deixou de receber respostas aos telegramas que lhe dirigiu para Piracicaba – continuou o pai – teve logo o pressentimento de que alguma desgraça sucedera ao seu querido Domênico.

Nem por um momento passou pela mente que seu filho pudesse ter-se transviado, esquecendo-se dos seus deveres. E agora que não tinha mais remédio, que seu Domênico não existia mais, o velho pai desejava que “os bandidos que arrancaram para sempre o filho querido ao seu carinho, ao seu amor, tivessem o castigo devido e não se escapassem da cadeia para gozar, noutro lugar, da liberdade só concedida aos dignos e aos bons”. O Dr. prometeu tomar as devidas providências e os assassinos foram transferidos para a “cadea de Ytú”, sendo que, durante o período em que ficaram detidos em Indaiatuba foram, todos os dias, cada um deles, visitados por suas famílias (11). No dia 14 de janeiro de 2008 era noticiado (12) que o promotor público de Itu apresentava denúncia - naquela Comarca - contra os assassinos de Domênico.

Os três foram condenados.

No julgamento de cada um dos três, cada um jurou por Deus inocência e acusou os outros dois.

O mais jovem, Adão R., que se envolveu no crime quando tinha menos de 21 anos, foi condenado há 25 anos e seis meses de prisão e condenado a pagar ¼ do valor da quantia subtraída da vítima como multa.  No dia 28 de janeiro de 1908, o jornal Correio Paulistano anunciou que as mercadorias aprendidas na casa de comércio de Adão R. foram vendidas em praça pública; é provável que o numerário advindo desse comércio tenha sido utilizado para pagar essa multa ou parte dela.

A terceira enxada – A escada


Adão R. fugiu da cadeia de maneira inusitada: encostou uma enxada em um muro, escalou equilibrando-se e, segundo se falava a boca-pequena, veio buscar dinheiro em Indaiatuba para fugir para a Argentina, de onde vinha de vez em quando, sorrateiramente, visitar a família.  

O Dr. Washington Luís recebeu comunicação do delegado de polícia de Itu de ter-se evadido da cadeia daquela cidade o criminoso Adão R. (...), um dos autores do crime cometido há três anos em Indaiatuba. (13)

Adão R. – Condenado há 25 anos de prisão, fugiu da cadeia. (14)

O mais velho de todos, Eugenio C. foi condenado a 30 anos de prisão e foi absolvido de multas; o juiz entendeu que sua família não teria meios de arcar com essa despesa. Ele não cumpriu a pena completa pois morreu na prisão. Dos três, Antônio N. foi o único dos três que ficou encarcerado.

Incialmente também condenado à pena máxima, que era de 30 anos, cumpriu 21 após redefinição. Sua família foi a que mais recorreu da sentença e após ter confessado e condenado, mudou sua versão da história, dizendo por anos a fio que havia sido torturado pelas autoridades indaiatubanas para confessar o crime.

Eugenio C. – Condenado há 30 anos de prisão, morreu encarcerado. (15)

O julgamento de Antônio N. ganhou notoriedade na época. O jornal O Commercio de São Paulo (16) cobriu o acontecimento e dedicou quase ¼ de página para narrar em detalhes a condenação de Andó (apelido dele): o conselho, o interrogatório, a acusação, a defesa e o veredito foram descritos. O réu argumentou, segundo registrou o jornal, ter sido torturado à exaustão até que

... completamente desanimado, assinou o tudo quando as autoridades policiais quiseram, que as declarações dos autos foram feitas exclusivamente pela autoridade policial, sendo ele obrigado a assiná-las e que nega terminantemente ser autor do assassinato de Domênico de Luca.

O responsável pela acusação Carlos Alberto Vianna, sustentou a acusação recorrendo à condenação que já fora imposta aos outros assassinos, a provas dos autos, acareação, relatos de testemunhas e por último destacou a inútil habilidade do réu em tentar subtrair-se de suas responsabilidades no latrocínio. O advogado de defesa, Capitão Juvenal Leite do Amaral Coutinho iniciou a defesa desalentado (17), em vista dos julgamentos anteriores, de Adão R. e Eugenio C. Destacou que a causa de seu constituinte “já estava prejudicada pela opinião pública, que dominava poderosa e invencivelmente”.

Criticou as gazetas, que “exploraram os fatos espetacularmente, com a avidez” de quem só tem o foco na “venda avulsa”. Isso colocou seu cliente indefensável, o acusado, para ele, ficou em uma “atmosfera de rancores e prevenções que lhe tolhem a defesa” clima esse que já “domina a consciência dos senhores jurados”. Argumentou que o acusado Antônio N. fora envolvido no processo por dois motivos: pela inveja e pela vaidade.

Inveja daqueles que, em Indaiatuba não podiam com bons olhos ver o acusado feliz e prosperando em seu comércio, tirando sobejas recompensas das suas múltiplas atividades, todas honestas. A vaidade também agiu poderosamente, pois o crime de Indaiatuba era sensacional e oferecia, no descobrimento de seus autores, a glória à autoridade policial. Na falta de outros meios que pudessem dar o procurado resultado, implantou-se o regime de violência e da incomunicabilidade para arrancar confissões e se utilizaram de testemunhas que são verdadeiros comparsas da polícia. (18)

Mesmo com a mudança no depoimento, o veredito julgou o réu Antônio N. culpado e o condenou a 30 anos de prisão, sob protestos do advogado de defesa.

Também mesmo com inúmeros recursos, ele pagou pelo crime que cometeu e pelo qual foi julgado e condenado. Cumpriu a pena imposta e nada mais devia para a sociedade após sair da prisão.

Mas não foi isso que aconteceu, ele não conquistou a liberdade; essa ficou apenas na esfera documental, em uma autorização de soltura. Geiss lembra que quando era menino, por trás do balcão da loja do seu tio, certa feita Antônio N. passou por ali e as pessoas apontaram-no como 'o criminoso'. Ele estendia a mão para cumprimentar as pessoas, mas ninguém retribuía. Lembra-se vagamente que atravessavam a rua quando deparava com ele no mesmo caminho.  

O jornalista da Gazeta de São Paulo, que viera da Capital para acompanhar o desenrolar do crime, contou que, quando ele estava cobrindo o fato, ao redor do poço, ao lado do pai, Antônio N. que ali ficara, junto com demais populares, dissera:

- Aposto 100$ contra 2$ que nesse poço não tem nenhum cadáver!

Por essa e por outras histórias que se avolumaram, não houve como se reintegrar à sociedade de Indaiatuba.

Se a justiça o condenara e o livrara da responsabilidade após cumprir a pena, as pessoas do lugar, não deram a ele essa condição; não o livraram, jamais, da culpa por ter participado do crime que tão barbaramente ceifou a vida do jovem Domênico.  

 
Antônio N. – Condenado a 30 anos de prisão, cumpriu 21 anos. (19)

O comerciante Walter Nicolucci (20) conta que, na ocasião em que foi construído o Hospital Augusto de Oliveira Camargo na década de 1930, entre os tantos profissionais contratados da Capital para efetuar os serviços, um deles era um responsável pela pintura. Ele apaixonou-se por uma das descendentes de Antônio N., que vivia na cidade. Contaram para ele sobre o crime, sobre a “proximidade” que a moça tinha com o assassino.

_ Melhor não se casar com ela! - aconselharam.

Correu a boca pequena que até carta enviaram para a família dele em Portugal, dedando sobre a proximidade do moço com a filha do assassino. Obviamente o enamorado não deu importância para a restrição, casaram-se e constituíram família. Mas esse exemplo ilustra o quanto os familiares de Antônio N. carregaram o peso de um crime que não foi a família que cometeu.  

 

Antônio N. sendo interrogado pelo D. Mamede Silva, delegado de Itu, acompanhado do escrivão Luiz Camargo. Imagem feita no momento em que ele confessava o crime. Em pé, tomando notas, o Sr. Osvaldo Queiroz, repórter da Gazeta de São Paulo. (21)

Na década de 1940 estiveram em Indaiatuba profissionais de uma emissora de São Paulo. Geiss não se recorda bem, mas acha que era a Rádio Record de São Paulo.

Seu avô materno foi entrevistado sobre o crime e essa foi apenas uma das mídias que, durante mais de um século, divulgou essa história que até hoje emociona os indaiatubanos e aos que visitam o túmulo do menino Domênico, que foi eleito um Santo de Província, recebendo em sua sepultura ex-votos agradecendo várias graças alcançadas para quem reza para sua alma.



.....oooooOooooo.....



(1)  A história completa do crime do poço você pode ler no livro O Crime do Poço – Uma tragédia indaiatubana (Eliana Belo Silva, 2007) ou em meio digital a partir deste link.
(2) Em entrevista para a autora (datas diversas).
(3) CAMARGO, Nabor Pires. Recordações de um Clarinetista. Indaiatuba (SP): Fundação Pró-memória de Indaiatuba, 2000, (Crônicas Indaiatubanas - Volume 2).
(4) CARVALHO, Nilson Cardoso de. Os Casarões Antigos do Largo da Matriz de Indaiatuba. Disponível em http://www.promemoria.indaiatuba.sp.gov.br/arquivos/galerias/os_casaroes_do_largo_da_matriz.pdf
(5) Membro de uma paróquia, encarregado de recolher os rendimentos de uma igreja, administrar-lhe o patrimônio (que pode incluir o cemitério) e zelar pela conservação de alfaias e parâmetros.
(6) Algumas fontes atribuem o sonho ao pai, mas quem sonhou foi a mãe. Essa atribuição foi feita para poupar a mãe de depor no inquérito, uma vez que o sonho foi definitivo para esclarecer o crime e encontrar o cadáver do menino assassinado.
(7) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(8) O Correio Paulistano de 16 de dezembro de 1907 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(9) O Correio Paulistano de 17 de dezembro de 1907 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(10) Notícia publicada no Correio Paulistano de 18 de dezembro de 1907 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(11) Correio Paulistano, 08 de janeiro de 1908 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(12) Correio Paulistano, 14 de janeiro de 1908 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(13) Correio Paulistano, 27 de março de 1910 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(14) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(15) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(16) Jornal O Commercio de São Paulo de 18 de novembro de 1908– Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(17) Jornal O Commercio de São Paulo de 18 de novembro de 1908 - Idem.
(18) Defesa de Antônio N., segundo publicado no jornal O Commercio de São Paulo de 18 de novembro de 1908.
(19) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(20) Em entrevista para a autora.
(21) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.













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