BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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terça-feira, 31 de março de 2015

Novo GeoAtlas da Região Metropolitana de Campinas

Ficou pronto o volume 1 do Atlas Escolar da Região Metropolitana de Campinas, material didático feito em parceria com professores do Centro de Formação, Tecnologia e Pesquisa Educacional “Professor Milton de Almeida Santos” (Cefortepe) e técnicos da Embrapa Monitoramento por Satélite - que utilizaram a técnica da "geotecnologia".




 
O lançamento aconteceu em 16 p.p. no Salão Vermelho da Prefeitura de Campinas.

A utilização da obra já está confirmada no município de Campinas, para alunos do Ensino Fundamental, do 6o. ao 9o anos.

O primeiro volume do Atlas apresenta dados, mapas e gráficos com informações sobre aspectos históricos, temas ambientais e as principais atividades econômicas de Campinas e região, com ênfase na agropecuária.

Usando recursos tecnológicos, o GeoAtlas também oferece um banco de dados com sequências didáticas para cada tema, que poderá ser utilizado pelos professores como material complementar nas aulas de todos os componentes curriculares. “Vamos poder utilizar o material de forma interdisciplinar e, o mais bacana, por meio da investigação, os alunos conhecerão os espaços onde habitam e, a partir disso, terão uma visão mais ampla da cidade e da região metropolitana”, falou a secretária da Educação, Solange Pelicer.  
 
 
O segundo volume do GeoAtlas já está em fase de elaboração e vai abordar os produtos regionais, como cana-de-açúcar, café, frutas, hortas e produção animal. “Ver a geotecnologia chegando às salas de aula, além de ser o coração do nosso trabalho, também é uma forma de tornar concreto o que para os alunos é abstrato”, comentou o chefe da Embrapa, Mateus Batistella.
 
 
Indaiatuba é retratada a partir da página 74.

O conteúdo virtual você pode acessar no site da Emprapa, neste link.


terça-feira, 24 de março de 2015

Caçarola Italiana da Padaria do Denny

Todo indaiatubano "da gema" guarda em sua memória o sabor da caçarola italiana da tradicional padaria do Denny, que funcionou na esquina da Rua 15 de Novembro com a Padre Benco Pacheco, onde hoje tem uma loja de calçados.

Eis aqui a preciosa - mais simples - receita que pode ser chamada de "histórica".

Ingredientes:
4 ovos;
1 copo pequeno de trigo;
2 colheres de margarina;
1/2 litro de leite; 
350 gramas de açúcar;
1 colher de queijo ralado; 
1 colher de maisena.

Modo de fazer:
Bata tudo no liquidificador, coloque em forma untada e caramelizada.
Assar em banho maria em forno bem quente por 1 hora.


Fez a receita?

Mande a foto para ser divulgada neste post!

quinta-feira, 19 de março de 2015

Indaiatuba na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - Publicação do IBGE em setembro de 1957

A coleção "Enciclopédia dos Municípios Brasileiros" foi editada pelo IBGE entre 1957 e 1964 com o objetivo de sistematizar informações estatísticas e geocientíficas do território brasileiro, priorizando o município, mas oferecendo também informações sobre grande grandes regiões. A enciclopédia é composta por 36 volumes (cada um pesando em média 4 quilos com 27 x 37 cm), e foi planejada e orientada por Jurandyr Pires Ferreira, na época presidente do IBGE. 

O volume que fala sobre Indaiatuba é o de número 28, na página 415. Infelizmente não há fotos do nosso município, como há de vários outros. Os créditos citados são os seguintes:

Autoria do histórico - Romário da Silva· Capossoli; 
Redação final - Daniel Peçanha de Moraes Júnior; 
Fonte dos dados - A. M. E. - Romário da Silva Capossoli. 

O download dos 36 volumes da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros totaliza 3,36 GB e pode ser feito aqui.

O post abaixo é uma cópia fiel do conteúdo da Enciclopédia e deve servir, atualmente, como fonte histórica.


INDAIATUBA - SP


HISTóRICO - A notícia histórica de lndaiatuba é bastante escassa porém conta-se como tradição que pelo fins do século XVIII ou princípios do século XIX, José da Costa, morador do lugar denominado Vutura (município de ltu), encontrou às margens do rio Jundiaí uma velha imagem de Nossa Senhora da Candelária, edificando no lugar uma pequena capela onde se reuniam os moradores vizinhos para fazerem rezas. Diz-se que Vutura foi a célula inicial de Indaiatuba e isso comprova-se pelos vestígios que ali ainda existem de antigas moradias. Foi elevada à freguesia com o nome de lndaiatuba, pelo Decreto de 9 de dezembro de 1830 e à vila pela Lei n.O 12, de 24 de março de 1859. Como município, instalado a 31 de julho de 1859, foi criado com a freguesia de Indaiatuba.

LOCALIZAÇÃO - Situado no traçado da E. F. Sorocabana e na zona fisiográfica 'industrial", Indaiatuba limita com os municípios de Monte Mor, Campinas, Jundiaí, Itu, Salto e Elias Fausto~ Posição da sede municipal - 23° 05' de latitude sul e 4 7° 13' de longitude W. Gr.

Posição do município de Indaiatuba em relação ao Estado e sua Capital

ALTITUDE - 620 metros. 

CLIMA - Quente de inverno seco com as seguintes temperaturas: mês mais quente maior que 22°C; mês mais frio menor que 18°C. Precipitação pluvial de 30 mm no mês mais seco. 

ÁREA - 299 km2 

POPULAÇÃO - Total do município 11 253 habitantes (5 776 homens e 5 477 mulheres) sendo 50% na zona rural (Censo de 1950). 
Estimativa para 1954: total 11961; zona urbana - 4 900; suburbana - 1 006 e rural 6055. 

ATIVIDADES ECONôMICAS - A economia municipal é baseada na agricultura e indústria. A produção agrícola em 1956, alcançou os seguintes índices: 

Produção agrícola em Indaiatuba no ano de 1956 - IBGE 

A área das matas existentes no município é estimada em 100 hectares. 

A. indústria com 1 500 operários tem nos seguintes estabelecimentos sua maior expressão: Cotonifício Indaiatuba, 
  • Tecelagem Judith - Giomi & Cia. (tecelagem de raion)
  • João Varoti 
  • Indústria e Comércio Mirian Ltda. 
  • Indústrias Mazzoni S/ A (cabos para guarda-chuva)

A pecuária em 31-XII-1954, apresentava-se com os seguintes rebanhos: 
  • bovino 8 000
  • muar 3 000
  • equino 1 600
  • caprino 1 200
  • suíno 1 000
  • ovino 200
  • asinino 3.

A produção de leite, até a mesma data, era de 2 500 000 litros. 

MEIOS DE TRANSPORTE

Com as cidades vizinhas: 
Monte Mor - rodoviário 19 km; 
Campinas rodoviário 30 km; ou ferroviário E.F.S. 42 km; 
Jundiaí rodoviário (via Campinas) 7 4 km ou ferroviário E.F.S. 38 km; 
Itu rodoviário 24 km ou ferroviário E.F.S. 30 km; 
Salto rodoviário 17 ou ferroviário E.F.S. 23 km e;
Elias Fausto rodoviário 22 km ou ferroviário E.F.S. 22 km. 

Com a Capital do Estado - rodoviário (via Itu e Santana de Parnaíba) 123. km ou ferroviário E.F.S. 152 km. 
Trafegam diariamente pela sede municipal cerca de 6 trens e 320 veículos entre automóveis e caminhões. 

COMÉRCIO E BANCOS 
O comércio com 10 estabelecimentos atacadistas e 140 varejistas transaciona mais freqüentemente com as praças de Campinas, Jundiaí, Itu e São Paulo. 
Mantêm agências no município os Bancos: 
Mercantil de São Paulo S. A., 
Paulista. do Comércio de São Paulo S. A., e 
Segurança S. A., bem como a Caixa Econômica Estadual que em 31-XII-1955 possuía 2 403 cadernetas em circulação . 

ASPECTOS URBANOS
A sede municipal possui 33 logradouros públicos dos quais 11 pavimentados.
Serviços públicos - energia elétrica - fornecida pela Cia. São Paulo Rio com 2 500 ligações;
água com 2 250 ligações;
telefone com 111 aparelhos;
correio, telégrafo (E.F.S.) .
 Há ainda, 4 hotéis, 2 pensões (Cr$ 120,00 diária), 2 cinemas, 1 cooperativa de produção e 1 sindicato de empregados.

ASSISTÊNCIA MÉDICO-SANITARIA
lndaiatuba é servido por 1 hospital com 127 leitos disponíveis,
1 posto de saúde,
1 posto de puericultura,
1 posto especializado em higiene mental e combate ao tracoma e 4 farmácias.
Exercem a profissão: 6 médicos, 8 dentistas, 3 farmacêuticos e 1 veterinário

ALFABETIZAÇÃO - 68% da população de 5 anos e mais sabem ler e escrever (Censo de 1950).

ENSINO
O ensino é ministrado através de 2 grupos escolares, 4 escolas municipais, 2 particulares, 44 isoladas, 1 ginásio estadual e Sociedade Brasileira de Educação ( rural-superior) .

OUTROS ASPECTOS CULTURAIS
Há na cidade uma biblioteca de caráter geral com 1 232 volumes e um jornal publicado quinzenalmente.

MANIFESTAÇÕES FOLCLóRICAS E EFEMÉRIDES - Além das datas cívicas de maior importância comemora-se dia 2 de fevereiro - Nossa Senhora da Candelária - padroeira do município.

VULTOS ILUSTRES - D. José de Camargo Barros, natural da Indaiatuba, foi bispo da então diocese de São Paulo.

OUTROS ASPECTOS DO MUNICIPIO

 A denominação local dos habitantes é "indaiatubanos".
O município conta com um campo de pouso cuja pista mede 800 metros de comprimento por 150 de largura.
Em 1956 a Prefeitura Municipal registrou 107 automóveis e 141 caminhões.
3-X-1955, havia 11 vereadores em exercício e 4161 eleitores inscritos.
O Prefeito é o Sr. Lauro Bueno Camargo.


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terça-feira, 17 de março de 2015

Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio é tema de palestra no Casarão

Na próxima quinta-feira, dia 19, às 19:30, estará No Casarão Pau Preto a superintendente do Arquivo Público de Rio Claro, Teresa Arruda, que ministrará palestra sobre a Lei 10639 de 2003 sobre o ensino de História e Cultura Afro Brasileira no Ensino Fundamental e Médio de escolas publicas e particulares. Essa lei alterou a LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação e tem como objetivo promover uma educação que reconheça e valorize a diversidade, comprometida com as origens do povo brasileiro.

A EXPERIÊNCIA DE RIO CLARO

Desde 2011, a cidade de Rio Claro vem, por meio de iniciativas do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro – “Oscar de Arruda Penteado”, discutindo a temática quanto à implementação da Lei 10.639/03 no município. O grupo de pesquisa Afro-brasilidades, composto por diferentes atores da sociedade rio-clarense (professores universitários, alunos de graduação e pós-graduação, representantes de diversos setores da Prefeitura Municipal e representantes da comunidade negra local), não mediu esforços para colocar em pauta a efetivação da legislação na rede de ensino municipal.
Um vasto trabalho de pesquisa nos acervos do Arquivo Público e Histórico, bibliotecas, coleta de depoimentos e produção de documentários permitiu a organização de uma proposta junto à Secretaria Municipal de Educação. Dessa forma, no segundo semestre de 2012, foi oferecido um curso de capacitação aos professores coordenadores das escolas de Ensino Infantil e Fundamental I. Essa ação teve como objetivo sensibilizar os gestores sobre a necessidade de discutir um tema tão presente em nossos dias e que, muitas vezes, se torna invisível, silencioso, intocável.
Nesse sentido, os projetos organizados pelo grupo de pesquisa sempre tiveram como foco a escola, que possui papel preponderante na formação das crianças e jovens quanto à construção ou à reafirmação de valores morais. Partindo da visão de que o etnocentrismo europeu está presente no universo de conhecimentos transmitidos pela educação formal em seus diferentes níveis, acredita-se que também orientem as relações etnicorraciais e sociais presentes nos processos pedagógicos.
Ressalta-se que o acervo do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro reúne material escrito e audiovisual que aborda a história da cidade, bem como da arte e da cultura locais. Dispõe de diversas fontes documentais, jornais e acervo iconográfico, que foram fundamentais para a elaboração do material didático-pedagógico sob as luzes do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

A Lei 10639 de 2003

O aprofundamento do conteúdo estabelecido na lei é encontrado no texto das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, de outubro de 2004. 

Por meio dele as instituições de ensino, gestores e professores podem se munir de orientações, princípios e fundamentos para o planejamento e execução do conteúdo afro-brasileiro e africano dentro de sala de aula.

A entrada é gratuita e tem como público alvo não só professores e educadores envolvidos no assunto, mas jornalistas, historiadores, filósofos, cientistas sociais, estudantes, pesquisadores, e comunidade em geral interessada e relacionada com o tema.

A entrada é gratuita.



segunda-feira, 16 de março de 2015

75 anos de água encanada em Indaiatuba


A Festa

Há 75 anos, no dia 02 de fevereiro, a cidade amanheceu de gala. A caixa d’água, parecendo um arranha-céu, se elevava sobre os telhados da cidade. A inauguração, solene, foi bastante concorrida, como lemos em Cronologia Indaiatubana: 



1937
Abastecimento de água

2 de fevereiro: inaugurada com festejos a primeira rede de abastecimento d’ água em Indaiatuba. Até então a água era recolhida num chafariz da Rua Siqueira Campos. A obra foi realizada nas gestões do Dr. Scyllas Leite Sampaio e Dr. José Cardoso da Silva e foi financiada com o aval do casal Augusto Oliveira Camargo e Leonor de Barros Camargo tendo custado mais de quatrocentos contos. 

Fotos 1 e 2: Inauguração do sistema de abastecimento de água, dia 02 de fevereiro de 1937.
Coleção Luis Guilherme Sampaio. Arquivo Público– Fundação Pró-Memória. de Indaiatuba


Neste dia o Dr. Scyllas publica em “O Município” dados históricos referentes ao problema da água em Indaiatuba desde o chafariz de 1863, passando pelas soluções paliativas das torneiras em alguns pontos da cidade, obra do major Fonseca que alegava ser o Município muito pobre para custear uma obra do vulto da que se inaugurava neste dia. 

Os estudos para aproveitamento do manancial do Cupini tiveram início em setembro de 1935, em agosto de 1935 o projeto, e um financiamento de 475 contos, foi aprovado pelo Governo do Estado, e em 2 de fevereiro de 1936 tem início a construção do sistema de captação, inaugurado exatamente um ano depois. A represa tinha vazão de 21 litros por segundo. 

Um motor de 25 HP movimenta bombas, cada com capacidade de recalque de 12 l/seg, levando água ao reservatório de 400 metros cúbicos, suspenso sobre colunas a 22 metros de altura na Avenida Presidente Vargas. 

A energia elétrica para o motor que acionava as bombas era fornecida pela Empresa de Luz e Força de Jundiaí através de uma extensão de 260 metros de fio. A rede de distribuição é de tubos de ferro fundido e o estudo previu abastecimento para 20 anos, ou seja, para o dobro da população da época.

Nilson Cardoso de Carvalho, Cronologia Indaiatubana, p. 141.
Indaiatuba: Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, 2009.




Em 1937 a cidade era pouco maior do que se vê nesse recorte de planta urbana...

A Cidade

Na década de 1940 dois estudantes de medicina fizeram seus trabalhos de final de curso para a cadeira de Higiene tendo como tema Indaiatuba. Um deles, Manoel Ramos Tavares, relata como se deu a escolha da nascente da Fazenda Barroca Funda, da família Cuppini para abastecer a cidade.

Segundo Manoel, em 1940 a área urbana de Indaiatuba tinha 454 edificações; de todos os mananciais próximos, o Cuppini era o único capaz de abastecer toda a cidade com 1200 litros de água/dia, podendo mesmo chegar a dobrar essa cota.

Os documentos produzidos pelas ações do poder público municipal para o abastecimento de água, hoje no Arquivo Público de Indaiatuba, da Fundação Pró-Memória, guardam um retrato dos moradores desse núcleo urbano que recebeu pela primeira vez a água encanada.
Entre eles um rol dos chefes de família que moravam na área urbana da cidade, que reproduzimos parcialmente abaixo:


Imagens de documentos relativos ao controle do abastecimento de água pelo poder público municipal.
Fundo Prefeitura Municipal de Indaiatuba,
Arquivo Público – Fundação Pró-Memória de Indaiatuba.


Reprodução de planta da área urbana de Indaiatuba em 1935.
Acervo Nilson Cardoso de Carvalho. Arquivo Público – Fundação Pró-Memória de Indaiatuba.


Para além da caixa d’água, em 1940, começava a roça, onde morava a maioria da população de Indaiatuba. Décadas depois daquele dia de festa de 1937, um fotógrafo registrou a cidade crescendo em direção ao novo bairro, a “Cidade Nova”, vista do alto da caixa d’água. 

A paisagem rural daquele momento hoje está no centro da área urbana, e a caixa d’água, preservada e cercada de valor afetivo pela cidade, tornou-se um marco dessa história.


Créditos:
Texto de Adriana Carvalho Koyama publicado em janeiro de 2012 
Capturado em: http://www.saae.sp.gov.br/arquivos/75_anos_do_abastecimento_de_agua.pdf


Torneira Pública

Meninos vendedores de água


quinta-feira, 12 de março de 2015

Livro narra vida rural de menina na Fazenda Pimenta entre os anos 1908 e 1913

O Livro "Clarita da Pá Virada" conta a infância da pequena Clarita entre os cinco e dez anos de idade, vividos entre 1908 e 1913 na Fazenda Pimenta em Indaiatuba, São Paulo.

A autora, Maria Clarice Marinho Villac, nasceu em Itu em 14 de julho de 1903. Era neta do coronel Antonio de Almeida Sampaio, o Totó Sampaio, como era chamado,um dos mais importantes e fazendeiros da região, sendo proprietário das fazendas Pimenta, Grama, Santa Rita, Ingamirim e Sitio Grande, tendo esta última sido a sede da grande propriedade agrícola do seu avô materno, Capitão-mor João de Almeida Prado. "Coroné" Totó Sampaio faleceu em sua fazenda Pimenta em 3 de novembro de 1910 após ter sido presidente da câmara de Itu (NARDY, 1951).

As histórias de Clarita contam a infância da autora, cujo cenário principal é a Fazenda Pimenta, chamada no livro de Fazenda Pitanga. A autora conta todas as peraltices da menina, de seus irmãos e primos no cenário da vida rural de Indaiatuba do início do século XX. Uma descrição imperdível do cotidiano na vida no campo de crianças e mulheres com seus afazeres entre a cozinha, copa e sala.

Um capítulo conta sobre "pretos" libertos, que "ganharam terras do vovô".



Um livro que pode ser apreciado a qualquer tempo e em qualquer idade, revelando,
 a cada página, um profundo conhecimento do universo infantil.



A autora estudou em Campinas, no Colégio Progresso Campineiro, sobre o qual ela também escreveu um livro, o CLARITA NO COLÉGIO, publicado em 1945. No colégio, aperfeiçoou-se em francês e literatura francesa, inglês, pintura e trabalhos manuais e artísticos.

Viúva aos 27 anos e com cinco filhos, sempre trabalhou. Lecionou no Externato Meira em São Paulo. Fundou e dirigiu um contro social para operárias, além de ter dado aulas de francês e inglês durante muitos anos.

Em 1937 escreveu CINCO TRAVESSOS que teve 8 edições, num total de 44.000 exemplares. 

Em 1939 publicou CLARITA DA PÁ VIRADA e, em 1945, o já citado CLARITA NO COLÉGIO. Esta dupla de livros conquistou a juventude dos anos de 1940 e recebeu, inclusive, elogios de Monteiro Lobato.

Estes dois livros voltariam a ser publicados apenas na década de 1980.

Maria Clarice foi homenageada na Biblioteca Infantil Municipal de São Paulo em 1950. 

Em 1970 foi eleita, por aclamação, Membro Honorário da recém fundada Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil.

Faleceu em 23 de abril de 1984.



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Na década de 1940, Monteiro Lobato tinha o costume de ir
frequentemente à Biblioteca Municipal Infantil Municipal de São Paulo
verificar a popularidade de seus livros infantis.
Apesar do sucesso constante, houve um dia em que surgiu um concorrente à altura.
Curioso, o escritor levou para casa o exemplar de CLARITA DA PÁ VIRADA.
Voltou então à Biblioteca no dia seguinte só para reconhecer, encantado,
que aquele era um livro atraente e divertido,
e as crianças tinham razão para admirá-lo

Folha de São Paulo 08/06/1946.



ENCANTOU MONTEIRO LOBATO E, CERTAMENTE, ENCANTARÁ VOCÊ.


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A Biblioteca Pública (na frente da lateral do Dom José, na Rrua Oswaldo Cruz, 
possui um exemplar do livro, doado pela Conselheira Consultiva da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, Candinha Sampaio.




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Leituras para crianças: vida e obra de quatro escritoras entre a metade do século XIX e início do Século XX*

Priscila Kaufmann Corrêa

(Fragmento do artigo)

Maria Clarice Marinho Villac é a representante brasileira do grupo de escritoras escolhido para esta pesquisa*.
A autora se utiliza de suas próprias memórias e experiência de vida para elaborar suas narrativas e apontamentos. Maria Clarice nasceu em Itu no ano de 1903. Quando criança, circulava pelas fazendas de seus avós no interior do estado de São Paulo, além de estudar como interna no Colégio Progresso Campineiro. Casou-se com Dr. Paulo José Villac ao se formar e tornou-se escritora quando perdeu o marido aos 27 anos de idade, tendo cinco filhos para criar. O primeiro livro que publicou foi Cinco travessos, em 1937, pela Editora Revista dos Tribunais, com uma tiragem de 44 mil exemplares (VILLAC, 2008). O livro seguinte foi lançado em 1939, com o título de Clarita da pá virada. Este foi republicado na década de 1980 pela editora Fermata e, posteriormente, em 2006, pela editora Lacruce. O último livro de Maria Clarice, Clarita no Colégio, saiu em 1945 pela editora Cristo-Rei e foi republicado em 2008, também pela editora Lacruce. O livro Clarita da pá virada relata primordialmente a vida no campo, na qual a protagonista se mostra uma criança peralta. Nesta obra, Maria Clarice narra sua infância nasfazendas da família, apresentando seus familiares e as crianças que a acompanhavam em suas brincadeiras e confusões. A menina chega a frequentar a escola, aprendendo elementos do catecismo, a leitura e a escrita, porém o ingresso definitivo no universo escolar se dá no final do livro, quando Clarita toma o trem para Campinas, para estudar no Colégio Progresso. Este deslocamento marca uma nova fase na vida de Clarita, deixando para trás a infância repleta de brincadeiras para dedicar-se aos estudos. O cenário primordial de Clarita no Colégio é o Colégio Progresso, por vezes alternado pelo espaço rural, quando a menina passa as férias nas fazendas da família. A vida no colégio não se mostra fácil, uma vez que Clarita precisa aprender a controlar seus impulsos e adequar-se às regras do internato. Seu comportamento acabou merecendo alguns castigos e muitas conversas com Dona Emília, que emerge como figura central no esforço de tornar Clarita uma menina mais obediente. A religião católica é o elemento utilizado pela diretora para que Clarita incorpore o comportamento esperado para uma menina. A Primeira Comunhão, a Crisma e o ingresso na Pia União das Filhas de Maria são descritos como momentos cruciais na trajetória escolar da menina, que abraça a religião católica com fervor. A moralidade calcada na religião católica aproxima a autora brasileira das obras da Condessa de Ségur.
Por fim, a obra Cinco travessos: amiguinhos de Jesus Hóstia se diferencia dos outros dois livros por se destinar a um público diferente: as mães de família. O livro reúne os apontamentos de Maria Clarice sobre a formação de seus filhos, narrando alguns acontecimentos considerados dignos de nota. Cinco travessos foi publicado, como a própria autora explica, “impelida por reiteradas instâncias de algumas amigas, religiosas de uma Santa Ordem” (1956, p. 05). Na obra a “mãe brasileira” relata como buscou criar seus cinco filhos dentro dos preceitos da moral católica, estimulando-os a amarem Jesus e a realizarem sua Primeira Comunhão por volta dos cinco anos de idade. Apesar de não ser exatamente uma obra destinada aos públicos infantil e juvenil, Cinco travessos permite identificar a influência da escolarização sobre a vida de Maria Clarice, que estimulou os filhos a uma vida religiosa intensa, tal qual aquela vivenciada no colégio. Estes apontamentos se mostram um registro valioso sobre o papel da mulher formada no Colégio Progresso Campineiro nas décadas iniciais do século XX. Mesmo sendo o registro de uma única mãe, o que não possibilita generalizações, ele auxilia a compreender o que o cotidiano do internato, permeado de práticas religiosas, suscitou em pelo menos uma de suas alunas. Maria Clarice Marinho Villac é a única escritora do século XX, que também leu os livros da Condessa de Ségur e se identificava com a personagem Sofia. Neste sentido, a pesquisa das trajetórias de vida das escritoras permitirá identificar aproximações e peculiaridades de cada autora, tecendo um diálogo entre estas mulheres e suas obras. Também não pode ser ignorado o caráter educativo das publicações, uma vez que se destinam a leitores e leitoras em formação.

Em nossa inevitável subordinação em relação ao passado, ficamos [portanto] pelo menos livres no sentido de que, condenados sempre a conhecê-lo exclusivamente por meio de [seus] vestígios, conseguimos todavia saber sobre ele muito mais do que ele julgara sensato nos dar a conhecer. ( Marc Bloch)

terça-feira, 3 de março de 2015

Os circos de cavalinhos (e os primeiros cinemas de Indaiatuba)

Texto de Ejotaele



Em 1908, se bem nos lembramos, foi ter a Indaiatuba, um dos primeiros circos de cavalinhos com o nome "Circo Clementino".

Os circos de cavalinhos, quando aqui começaram a aportar, faziam com que o acontecimento tomasse um cunho rumoroso e de sua importância, dada à ausência completa de diversões.

Os espetáculos geralmente funcionavam em grande parte de seu período sob a algazarra do povo.

_ Que saia! Que saia! Que saia o homem que come fogo!

A alegria da criançada chegava ao auge e os meninos pobres, quando não acompanhavam o palhaço pelas ruas da cidade para entrar na graça, arriscavam-se a passar por baixo do pano, no que eram, muitas vezes, pilhados em flagrante e castigados...

Os garotos preferiam acompanhar o palhaço quando este saía à rua a fim de anunciar o espetáculo da noite. Era com entusiasmo fora do comum que eles, porte marcial, marchavam atrás do palhaço e sua cavalgadura em coro estridente:

O palhaço o que é
É ladrão de muié
O sol suspende a lua
Bravo palhaço que sai à rua...
Hoje tem marmelada?
Tem, sim senhor.


Não há nada, realmente, que envelheça tanto como vermos na lembrança as coisas já tão remotas.

O advento do cinema registrou-se em Indaiatuba relativamente tarde. Imagine-se que só aí pelo ano de 1910 é que um empresário de nome João Fazano, aí aportou e plantou ali no Largo da Matriz, em um terreno baldio, o seu cinema ambulante à maneira de circo, com cobertura de pano!

Foi uma festa impressionante a sua primeira exibição, não só para a garotada de Indaiatuba, como também para gente grande!

Lembramos bem a primeira "fita" muda que o cinema barulhento de João Fazano exibiu. Tratava-se de uma cena cômica em filme tremelicante, cheio de ruído peculiar aos aparelhos cinematográficos de então, em que culminava com um dos encenantes a beber cerveja num vaso sanitário...

Não é preciso dizer das risotas que provocou e da galhofa da petizada.

Alguns anos mais tarde, Indaiatuba teve oficialmente os seus primeiros cinemas: o "Recreio", de propriedade de Nicolau Carderelli, sucedendo-o, após, Miguel João; o "Progredior" de propriedade de Domingos Gazignato, ambos localizados na Praça Prudente de Moraes.

Era comum, antes das sessões cinematográficas, a Banda de Música regida pelo saudoso Estelino Minioli executar marchas e dobrados, à porta do cinema "Progredior". Quando a banda rompia com o seu dobrado habitual, era sinal que a sessão ia ter início logo após pitorescamente...

Durante a exibição dos filmes, como não houvesse orquestra na cidade, os musicistas da Banda supriam essa falta no cinema "Progredior"; já o cego Alberto com sua sanfona e Inacinho Antunes no baixo tocavam no "Recreio".

Quanta gente daquele tempo não se lembrará dos filmes seriados, famosos na época, que eram assunto obrigatório de uma semana inteira, pois só havia cinema aos domingos! Calcula-se que até apostas havia!

Os filmes que mais se identificaram no espírito da população foram: Estranguladores de Nova York, Mistérios de Nova York, Ravengar, A Casa do Ódio, O Grande Segredo, Nas garras do Leão e tantos outros.

Os atores cinematográficos em voga eram: Pearl White, Antonio Moreno, Eddie Polo, Francis Ford e Maria Walcamp.

Algum tempo depois, tendo o "Progredior" encerrado suas atividades, surgia o Cinema Internacional de propriedade da "Corporação Musical Internacional" figurando, como diretor, Ernesto Laurenciano e que teve um período de fastígio.









Francis Ford





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CIRCO DE CAVALINHOS
(samba de Ary Barroso)


A vida é um circo 
Um circo de cavalinhos

- O palhaço quem é? 

É o coração da gente 
Que faz pirueta 
Pelo "amô" de uma "mulhé" 
Os olhos de uma certa morena 
São duas feras 
Pra qualquer domador 
Cai na jaula dessas feras para ver 
Como és capaz de morrer 
Nas garras do amor 
No circo, a gente vê comumente 
Andar um homem 
Sobre a faca e facão 
Eu não ando, mas um dia engoli 
Engoli fogo e sofri 
A dor de uma paixão 
Eu nunca tive jeito pra coisa 
Mas uma vez 
Dei um salto mortal 
Da janela à rua 
De um bangalô 
Juro que outro não dou... 
Que salto colossal!! 




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Segundo Ermínia Silva*, o circo como se conhece hoje, dito moderno - para diferenciar dos circos gregos e romanos -, nasceu no final do século XVIII, na Inglaterra. “É resultado da união de membros da Real Cavalaria Inglesa, com artistas de rua, do teatro, da dança. Ser artista circense significava dominar várias linguagens. Eram artistas completos – atores, acrobatas, dançarinos”, comenta. Só no início do Século XIX, conforme Ermínia, é que estes espaços de apresentação passaram a se denominar circo. Mas a autora estabelece muitas diferenças entre o circo moderno e o circo de gregos e romanos. “O moderno apresenta um espetáculo de entretenimento e não de jogos, nem de morte, como acontecia em Roma, por exemplo”.
Ela diz que o circo chegou no Brasil no início do século XIX. “O primeiro registro é de 1930. Mas antes disso, em 1810, pesquisadores argentinos já registravam a presença de circos brasileiros em Buenos Aires”. O circo, segundo a autora, não nasce na lona, mas em espaço físico feito de alvenaria e madeira. Por conta disso, passavam muito tempo no mesmo local. No início, eram denominados circo de cavalinhos. “Se não tivesse cavalo não era considerado um bom circo. Os cavalos também eram importantes para transportar os equipamentos. Alguns eram usados como tração, para puxar as carroças, outros eram montados”, conta..

*Fonte: “Circo Teatro: Benjamin de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil”, da doutora em História Ermínia Silva.
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