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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os primeiros "Krähenbühl" de Friburgo

Os irmãos Samuel (então com 28 anos) e Niklaus Krähenbühl* (com 24) partiram de Signal, estado de Berna - na Suíça e chegaram ao Brasil, mais precisamente no porto de Santos, no dia 15 de abril de 1857. Os dois eram filhos do casal Magdalena e Johanes e irmãos de mais seis filhos: Elisabeth, Barbara, Johanes, Christian, Peter e Ulrich. Enfrentaram uma viagem de mais de 10.000 quilômetros em uma embarcação de "42 passos de comprimento por 6,5 de largura, o equivalente à aproximadamente 63 metros de comprimento por 10 de largura".

Inicialmente foram trabalhar na Colônia de São Lourenço, entre Piracicaba e Rio Claro, propriedade de cafeicultor Luiz Antonio de Souza Barros, onde permaneceram por três anos para pagar as dívidas da viagem. Seguiram então para trabalhar na Fazenda Sete Quedas, onde já havia muitos imigrantes de origem alemã. Nessa fazenda Niklaus casou-se com Philipina, filha do alemão Frederico Thamerus e Samuel casou-se com Maria Úrsula Margareth Item.

A família de Frederico Thamerus, os irmãos Niklaus e Samuel e mais 34 famílias de outros imigrantes estabeleceram-se, então, em

“...terras muito férteis, medindo no mínimo 800 alqueires de 24.200 m2, pouco acidentada, cortada por vários riachos... localizada em um triângulo entre Campinas, Indaiatuba e Monte Mór”. Reunidos certo dia, decidiram nomear o lugarejo onde se agrupavam as casas de FRIEDBURG, que significa “castelo da paz”, hoje FRIBURGO."

No início, as casinhas eram modestas, de três cômodos, mobiliadas com móveis feitos de caixotes trazidos na viagem ou ainda manufaturados com madeiras e varas do local, amarradas com cipó. Sobre as camas, um saco de capim servia como colchão. Plantaram para sobreviver e também para comercializar. A principal cultura, na época, era a batata; mas plantavam também arroz, feijão, milho, café. Vendiam esses produtos na região, principalmente em Campinas, para onde eram transportados em caminhos mal conservados no “cargueiro”, que consistia na união de dois sacos de couro postos sobre lombo de um cavalo, que carregava aproximadamente 30 quilos de cada lado.

Com dificuldade, as famílias começaram a adquirir cabeças de gado. Como não havia condições de acesso para fazer cercas como as de hoje em dia, cavavam valas de mais ou menos 2 metros de largura por dois de profundidade, que ainda hoje podem ser vistas em alguns locais de Friburgo.

“Assim lutaram... lutaram arduamente...”
Por muitos anos, para ir de Friburgo para Campinas, era necessário passar por Helvétia e ali tomar a estrada que corria paralela à estrada de ferro. Somente com a estrada municipal que passava por Viracopos, a distância encurtou bastante.

Hoje, com a necessidade do aumento da infra-estrutura aeroportuária não só em nossa região, mas no Brasil inteiro, a histórica comunidade erigida pelos primeiros Krähenbühl está ameaçada. Com a globalização, importações e exportações são feitas em grande volume e a classe média, que até a poucos anos atrás não tinha possibilidade para usar o avião como meio de transporte, agora superlota os aeroportos, causando sucessivos caos, escancarando que a infra-estrutura não aumentou na proporção desse acesso.

Viracopos possui um plano de expansão para se adequar a essa necessidade atual e ninguém negaria que o desenvolvimento é bem vindo em nossa região.

Mas... a qual custo? Seria esse desenvolvimento "sustentável"?

Não. Pois além da provável dizimação de Friburgo, de suas casas centenárias, de sua escola, igreja e cemitérios, a expansão ameaça o pouco de mata nativa da região e muitas nascentes. São mais de 30 impactos ambientais já mapeados pelos próprios responsáveis pela obra. E nós não podemos ficar à deriva dos fatos, vendo a História passar e dando adeus ao nosso passado, tradições, e infelizmente poucas riquezas naturais. É necessário analisar quais são esses impactos, verificar quais ações estão sendo propostas para mitigá-los e sem pestanejar – se necessário - unirmo-nos para impedir essa expansão.




*Krähenbühl é uma palavra originária da junção de outras duas: krähen, que significa gralhas e bühl, que significa colina. Gralha era uma ave muito comum na Europa, principalmente na Suíça, onde há muitas montanhas, montes e colinas, onde essas aves pernoitam. Então, krähenbühl significa “colina das gralhas”. Desde há muito tempo, as famílias que residiam nas proximidades destas colinas já eram identificadas como “as que moram perto das colinas das gralhas”. Die famile von bühl der krähen ou então die famile von krähen bühl.



Abaixo, imagens atuais da casa contruída por Niklaus no final do século XIX, atualmente restaurada, cedida para esse blog, de acervo particular:



Krahenbühl    Krähenbuhl Krahenbuhl

-----oooooOooooo-----


As citações e informações deste post são do trabalho mimeografado feito por Walter Krähenbühl em 1992: "Friedburg - O Castelo da Paz", com 81 páginas. Agradeço a Antonio Reginaldo Geiss pela cessão deste trabalho.

4 comentários:

  1. Prazer, me chamo Renato Tadeu Krahenbuhl filho de Hermal Krahenbuhl ( em memória ) Yolanda Mulatto Krahenbuhl ( em memoria ), meus avós paterno Reynaldo Krahenbuhl ( em memória ) e Hulda Krahenbuhl ( em memória ), meu Pai falava muito de Friburgo hpje estou com 52 anos quando criança la com meus 8 anos costuma passar o fim de semana no sitio do meu avo que ficava no bairro Campo Grande dentro do sitio havia uma lagoa onde brincava enquanto meu pai pescava iamos de onibus da viaçao Capriolli era a uinica empresa que fazia este caminho tinha apenas um onibus ele ia de manha e voltava a tarde lembro-me que a gente descia em um ponto em frente a unica escola que existia na época quando pequeno meu pai me levava em Friburgo passando por Helvétia hoje lamentavelmente não me lembro mais de muitas coisas, mas lendo este pequeno trecho me emocionei muito em saber que minha familia fez parte desta história, parabems .

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  2. Renato,

    Obrigada pelo visita no blog e por compartilhar suas memórias.

    Um abraço,

    Eliana Belo

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  3. Parabéns Eliana, os Krähenbühl, vieram em duas etapas, em 1854 e 1857. Sou descendente de Peter que veio com o irmão Christian. Na outra viagem é que vieram Niklaus e Samuel. Estive aí em Friedburg, e seu trabalho de divulgação está ótimo. Conheci o Dr, Walter. Tem um livro completo da história da imigração, escrito por um primo suiço, já falecido o Renée Krähenbühl. Entre no meu Face e acesse o álbum Família krähenbühl e verá muitas fotos e histórias. Meu Face é Pedro Paulo.Krähenbühl de Piracicaba-SP.

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  4. Veja Eliana, meu Facebook tem a história completa da imigração. O Face é Pedro Paulo.Krähenbühl. Òtimo artigo, parabéns.

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