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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

As Tropas de Muares

(texto de Ejotaele)*

Não faltavam, de quando em vez, a passagem pela cidade, das famosas tropas de muares, que constituíam sempre um espetáculo novo para a população.

Essas tropas faziam comumente o seu "pouso" a uns cem metros da Praça Prudente de Moraes, hoje parte central da cidade.

Os proprietários de tais tropas aqui faziam boas vendas e barganhas com os habitantes do município.

Os burros e os cavalos eram vendidos alguns até Cz$ 100,00 (na época, cem mil réis), o que era uma fortuna para aquele tempo!

Existia àquela época, pouco mais de uma dúzia de negociantes: os Lisoni, o Tomasi, o Filetti, o Nicola Ferrari, o Juquinha Balduino, o Dominguinho Gazignatto, o Luiz Bertolotti, o Vicente Gandini, o Ernesto Gunther, Batista Araújo, Miguel João e o Tanclér, que exploravam o ramo de "fazendas e armarinhos".

A loja do Nicolau denominava-se "Loja do Queima".

"Sempre Avanti Savóia" era o lema da loja do velho Tanclér.

Sempre Avanti Savóia - Loja dos Tanclér


Singular costume usavam os comerciantes desse tempo: era o de colocar a porta de seus estabelecimentos comerciais, preso a uma haste, um pano branco à guisa de bandeira, para indicar quando havia carne de porco à venda. Isto acontecia semanalmente ou quinzenalmente, conforme exigiam a necessidade, a oportunidade, os reclamos da população. A carne, sempre saborosa, fresca e sã, porque era exposta à venda no mesmo dia do abate; dia do abate do suíno vendia-se ao preço de variava entre dois a três cruzeiros o quilo!

No ramo dos bares ou melhor chamados "botequins" havia apenas dois, o do Elia Pioli e do Ripabelo, para onde convergiam os amantes do jogo carteado.

Apenas três padarias existiam, que davam bem para o abastecimento da cidade: a do Pedro Pioli, do Adolfo Boari e do Nicoloni.

Farmácia, por muito tempo houve uma apenas: do Chiquinho Boticário. Muitos anos após 1906 instalou-se outra farmácia, o proprietário era José Siano, passando após o farmacêutico Luiz de Beneditis.

Apesar de não existir comércio compensador, Indaiatuba teve uma cervejaria e seu proprietário era Luiz Petri, que vendia a 40 réis uma garrafa, embora o povo subestimasse o produto que no seu dizer era "marca barbante". Esta cervejaria passou mais tarde por diversos donos: Major Alfredo de Camargo Fonseca, que a batizou com o nome "Condor"; Alfieri Martini, que a transformou em uma fábrica de bebidas e por fim Alexandre Prandini, que criou os saborosos refrescos "Ná-Ná" e "Abacaxi",que ficaram famosos.

O bilhar do Tabarana, situado defronte à loja do Tanclér, na confluência da rua 15 com a 7 de setembro era o único estabelecimento de comestíveis e ponto de diversão e reunião dos ociosos ricaços da época: Quinzó Bicudo, Nho Teço Barrinho, Nhobin, os Galvões, os Tebas, João Pires e outros.









* Eltemiro José Lisoni foi um dos primeiros cronistas de Indaiatuba, ele escreve memórias do final do século XIX e início do século XX.

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