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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CARRO DE BOI

Texto de Henrique Ifanger
Do livro Fragmentos de Memórias que você pode ler completo aqui.



Em 1919, as famílias de João e José Amstalden compraram a fazenda Bela Vista, que era de propriedade do Sr. Guilherme Cotching, negócio de que meu pai foi intermediário. 

A compra foi negociada por cem contos de réis. 

A comissão rendeu dois contos de réis. Com esse dinheiro, ele comprou um carro de bois com oito bois amestrados, do Sr.Juca Balduíno, com todos os equipamentos necessários e em condições para trabalhar. 

O primeiro empregado que tinha prática em conduzir o carro de boi, chamava-se Franquito Canali; quando casou-se, foi substituído por seu irmão João Canali. 

Como este era muito violento com os bois, meu pai dispensou-o e, no lugar vago, meu irmão João Netto substituiu-o. 

Como Joãozinho conhecia os nomes dos bois e das vacas leiteiras que estavam no mesmo mangueirão cuidado pela Benedita, que tirava o leite, era só chamá-los que cada um ia chegando no seu lugar; depois era só levantar a canga no pescoço do boi, travar a brocha, prender a chifradeira em cada par, e estava pronto para o trabalho. 

O carro de boi era muito útil para o transporte pesado, como toras de madeira, lenha, cereais ensacados. 

Só que era muito lento, nem todos os dias podia trabalhar, pois tínhamos uma carroça com dois burros que fazia pequenos transportes e mais rápidos. 

O Joãozinho tinha que controlar os empregados, distribuir serviço para onde era mais necessário. Aos sábados, ele preparava a tarefa para todos. 

Concluído o trabalho, estavam livres; iam para casa com o pagamento semanal.

Fonte da imagem: onordeste.com



COMO ERA FEITO O CARRO DE BOI 

Quanto ao carro de boi vamos falar alguma coisa. 

Como era feito. 

O carro de boi era um veículo construído quase totalmente de madeira de boa qualidade, constituído por um par de rodas, fixado em um eixo, formando um grande carretel. 

Cada roda é formada por três pranchas inteiriças, primeiro juntadas com cavilhas e depois serradas com serra curva em forma circular. 

A madeira usada era geralmente a cabreúva. Era construída por carpinteiro bem prático, para juntar as três pranchas, que eram de dez centímetros de espessura. 

A junção das pranchas se faz por meio de duas cavilhas, unindo as duas laterais, chamadas cambotas, à do centro, que possui então quatro furos para a colocação das cavilhas. 

Estas medem 3x6 cm, e são bem ajustadas e batidas com uma marreta. A roda deve ter um metro e vinte centímetros de diâmetro. 

Com um compasso marca-se o rodigio e o centro. Com serra curva faz a circunferência e com a ferramenta chamada enchó desbasta-se a madeira para deixar, a partir dos dez centímetros da área central, uma espessura de cinco centímetros na periferia, correspondente à largura da ferragem. 

Os dois furos da roda, que medem 20 centímetros, na forma de um óculos, servem de degrau para subir até a mesa do carro e ajeitar a carga. 

Os furos das rodas não tem nada a ver com os cantos das mesmas. 

O canto só acontece com o movimento lento e o peso da carga. 

A pedido de meu pai fiz um eixo de carro - o outro foi gasto pelo uso - com uma tora de jacarandá, com dois metros de comprimento, lavrada em forma oitavada, acompanhando a peça anterior, com duas cavidades para girar o eixo da mesa.  

O encaixe da roda tem que ser bem ajustado e estar bem no esquadro para que as rodas girem alinhadas. 

Para comprovar com exatidão é só verificar o rastro que o carro deixa no chão. 

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