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segunda-feira, 18 de abril de 2016

CENTRO EDUCACIONAL DA A.C.E.N.B.I MIYOJI TAKAHARA

texto de Estela Takahara
cedido por Maria Maçako Takahara Imanishi
crédito das imagens: Acervo Familiar da família Takahara



O Centro Educacional Miyoji Takahara inaugurado em 12 de dezembro de 2004, é uma parceria da Associação Cultural Nipo Brasileira de Indaiatuba (ACENBI) com a Prefeitura Municipal.

Localizando na Rua Chile n. 689, foi construído na sede de campo de ACENBI, junto ao conjunto esportivo da entidade, em funcionamento desde 1978.

O prédio do Centro Educacional começou a ser construído em 2003, com verba da ACENBI, para ser uma escola de língua japonesa.

Na ocasião da inauguração, a gestão do Prefeito Reinaldo Nogueira,  apoiou o projeto, e ela se tornou também uma Escola Municipal de Educação Infantil. Foram investidos aproximadamente 680 (seiscentos e oitenta) mil reais e a Prefeitura arcou com metade dos custos.

No projeto original, o prédio continha 05 (cinco) salas, biblioteca, sala de estudos, sala dos professores e secretaria, com capacidade para atender 150 alunos.

"No Centro Educacional Miyoji Takahara funcionam duas escolas: a EMEB Miyoji Takahara e a Escola de Língua Japonesa da ACENBI. Desde de 2004 temos um projeto de parceria entre as duas escolas, com as quais divulgamos um pouco da cultura japonesa aos alunos da EMEB e estes tem se apresentado em eventos como o Dia da Comunidade Japonesa, formaturas e também quando recebem visitas ilustres", complementa a professora Eliza Ayako Mukai.

O nome Miyoji Takahara e em homenagem a um dos maiores benfeitores da comunidade nipo brasileira de Indaiatuba.
   

Miyoji Takahara

(12/02/1907 – 31/03/2001)
  

Miyoji Takahara, filho de Sakuju Takahara e Moyo Takahara, nasceu em 12 de fevereiro de 1907, ano 40 da Era Meiji, na província (Estado) de Fukushima, Japão. Era o segundo filho uma família abastada, proprietária de terras e, desde criança, sentia de perto a hierarquia existente na sociedade japonesa: uma relação semelhante a de suserano e vassalo.

Mesmo pertencendo a casta privilegiada, ele se compadecia dos lavradores que arrendavam as terras de sua família para plantar arroz, produto que eles mal podiam consumir.

Ele sabia que não herdaria as terras de sua família, pois conforme a tradição japonesa, todos os bens pertencem ao filho mais velho que fica também com o dever de cuidar dos pais.

A família, porém, já tinha assegurado o seu futuro com um casamento arranjado. Uma moça muito rica procurava um noivo, que aceitasse renunciar ao seu nome de família, para adotar o dela.

E um costume que existe ainda hoje no Japão, e o noivo e conhecido como “mukoyooshi”. Acontece nas famílias abastadas que tem somente filhas. Para que o nome dessa família não desapareça, a filha mais velha casa-se com um rapaz que adota o novo nome para dar continuidade.

Seria muito confortável para ele continuar no Japão onde seu futuro estava praticamente traçado, pois concordou, atendendo ao pedido da avo de Miyoji que não queria que ele viesse ao Brasil.

Isso, e claro, não combinava com o espirito vivo e grandioso do jovem Takahara. Ele não era um acomodado. Seu sonho era tornar-se útil a sociedade, ajudar os pobres lavradores, construir um mundo mais fraterno.

Seu avô queria fazê-lo um político, um deputado. E desde, criança, ele lia em casa, com voz alta e solene, os discursos que o avo escrevia.

Ele queria ser médico para minorar o sofrimento alheio. A realidade porem era muito diferente.O Japão passava por uma grave crise econômica, social e financeira desde o final do século 19. A população rural, principalmente, sofria muito com os altos impostos. Não se deslumbrava um futuro melhor e o próprio governo incentivava a emigração.

Idealista, o jovem Takahara sofria com essa situação e não se conformava em garantir apenas o seu futuro. Assim, pedalando a sua bicicleta, saia pregando entre os lavradores de sua vila que havia sim, uma solução para os problemas: o Brasil. País pouco conhecido, precisava de mão de obra para crescer, progredir, tornar-se grande. As fazendas de café precisavam de gente para trabalhar.

Ele poderia ser muito útil num país que começava a despontar. Por outro lado era uma oportunidade para os pobres lavradores mudarem o seu futuro. E era também uma maneira de colaborar com o Japão, a pátria amada, imersa em muitos problemas, inclusive o de superpopulação. E os que ficassem poderiam ter uma melhor qualidade de vida. Foi, desse modo, o amor, no seu sentido maus humano, patriótico, fraterno profundo que o fez vir para o Brasil.

Ele não veio apenas para ganhar dinheiro, enriquecer e voltar em seguida para o Japão, como a maioria dos imigrantes. Ele veio para ficar, veio por amor a sua terra natal, veio para ajudar a construir um novo mundo. Por essa razão, também, que ele, contrariando o costume da época entre os imigrantes, não registrou os filhos no Consulado Japonês. Apenas no Cartório Civil Brasileiro.

O sonho de ser médico foi substituído pela necessidade de se preparar para o novo desafio a que ele se impôs. Se estava decidido a enfrentar a família, abdicando do confronto de seu futuro previsível, ele tinha que se esforçar muito para atingir o seu objetivo.

Assim, cursou a Escola de Agronomia de Sugakawa, que ficava a 8 km. de Narita, a vila onde morava. Dizia com orgulho que, o mesmo om chuva ou neve não falou nenhum dia. Deixando para trás uma vida tranquila na província de Fukushima, foi para a capital, Tóquio, onde ficava a sede da Rikko-kai.

Rikko-kai, erma uma entidade crista que preparava jovens interessados em vir para o Brasil. 
Ali eles eram treinados física e espiritualmente para enfrentar as dificuldades e os novos desafios.  Tinham aulas práticas diversas e estudavam também o português. Os jovens da Rikko-kai emigravam solteiros, sozinhos e pagavam, antes de vir, a sua passagem.

A maioria dos imigrantes vinha com a família, que pela lei brasileira tinha que ser composta por um número de 4 trabalhadores. Dessa forma, muitas famílias postiças, sem vínculo de parentesco se formaram nessa época. Eram também financiados pelo governo de São Paulo e mais tarde pelo governo japonês.

Munido de noções rudimentares da língua portuguesa, de muitos sonhos e esperança, o jovem Takahara embarcou no navio Santos Maru no porto de Yokohama e depois de 48 dias de viagem chegou ao porto de Santos em 1928.



O navio Santos Maru foi construído em 1925 para o transporte de passageiros e esteve a serviço da Osaka Shosen Kaisha até Abril de 1940. Em novembro de 1944 foi afundado pelas tropas Norte-americanas. Reconstruído, mais tarde, voltou a operar.

Subiu a Serra do Mar no trem que o desembarcou na Hospedaria dos Imigrantes. Seu destino era a fazenda Aliança, onde a Rikko-kai tinha uma colônia, mas um surto de malária nessa região fez mudar o seu rumo para a Mogiana (São José do Rio Preto).

Trabalhou posteriormente nas regiões do Nordeste (Bauru) na Alta Paulista (Gralha, Gália, Pirajuí, Duartina e Garça) por onde passava sempre se sensibilizou com as dificuldades dos que o rodeavam. Assim, mesmo com o seu português precário, foi interprete de seu conterrâneos, possibilitando uma relação mais cordial entre os colonos e os fazendeiros.

Muito prestativo, foi também professor de Japonês dos filhos de imigrantes nas colônias por onde passou, erguendo, muitas vezes, com seus próprios recurso, barracões que serviam de salas de aulas.

Casou se em 31 de maio de 1931 na cidade de Duartina com Toshiko Tsumoto, companheira de 55 anos, com quem teve 10 filhos.

Uma convivência de mais de meio século e muita história para contar: alegrias, preocupações, sonhos, dificuldades, realizações e doenças.

A mais grave das enfermidades foi, sem dúvida, durante a segunda gravidez de D. Toshiko (1933) que sofreu muito com a chamada “ferida brava” (leishmaniose), sem condições de tratamento no interior.

Mesmo morando 500 quilômetros de São Paulo e, com todas as dificuldades da época. M. Takahara fez de tudo para tratar da esposa, levando a para a capital e deixando-a, numa pensão no bairro da Liberdade, aos cuidados do Dr.  Takaoka, o médico mais famoso da comunidade nipônica da época.

O livro “Margarida Vatanabe” do escritor japonês Takashi Maeyama traduzido para o português recentemente (2004), enaltece a figura do Dr. Takaoka e relata bem todo esse período. Outras personalidades citadas nesse livro fizeram parte da história da família Takahara, como Washizo Sugayama, comerciante de São Paulo, benfeitor da comunidade nipo-brasileira. Foi no armazém do Sugayama –san que o primogênito Luiz Hideo passou 3 anos trabalhando e estudando a noite e com quem aprendeu também a jogar beisebol, esporte que ele ajudou a divulgar, de volta a Indaiatuba.

Armazém de Washizo Sugayama, secretário do Kyuen-kai - Comitê de Socorro às Vítimas de Guerra. Hideo Takahara é o 4o. da direita para esquerda.
Foto de 1947


Outra personalidade retratada no livro e o Kiyoshi Yamamoto, diretor da Fazenda Tozan Campinas, fundador da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, o Bunkyo, referência nacional cultural japonesa, com quem M. Takahara se relacionava por causa dos festejos do quarto centenário da cidade de São Paulo em 1954, e mais tarde, pelo cinquentenário da imigração japonesa no Brasil em 1958.

Além desses relacionamento, outros como o Akama Gakko, a Escola de Michie Akama de São Paulo (hoje transformado no Colégio Pioneiro.) onde Seu Takahara enviou suas filhas para estudar, revelavam uma pessoa muito esclarecida, preocupada com a educação dois filhos e inserida numa comunidade muito maior do que sua pequena cidade. Por outro lado, esses relacionamentos ajudavam a divulgar dentro do contexto nacional a pequenina Indaiatuba, que em 1956 tinha cerca de onze mil habitantes.

A primogênita Maria Maçako Imanishi (2a. da esquerda para a direita na fileira da frente) com as colegas e a professora Michie Akama em 1954.


A história no período da segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi muito dolorosa para os imigrantes italianos, alemães, e japoneses pois eles eram considerados inimigos do Brasil. Itália Alemanha e Japão faziam participou do Eixo que lutou contra os Aliados, Estados Unidos, Inglaterra e Rússia. M. Takahara, que dava aulas de japonês, nesta época, teve que destruir de noite e as pressas o barraco que servia de escola.

Foi porem depois de determinada a guerra, o pior momento na vida de M. Takahara. Ele, que até essa época, era um prospero comerciante em Garça, perdeu muitas mercadorias que foram confiscadas por causa dos rótulos escritos em japonês e pelo abuso da política brasileira que se achava no direito de não pagar o que consumia.

Por outro lado, seus próprios conterrâneos, não pagavam as dívidas. Foi considerado “Traidor da Pátria” porque na abertura de uma jogo de beisebol, ele discursou dizendo que a derrota do Japão era um fato real e que era necessário muita união, compreensão e trabalho redobrado para que todos pudessem viver em paz.

O fanatismo tomou conta dos “vitoristas” (katigumi) que pregavam a vitória do Japão e eles perseguiam os “derrotistas” (makegumi) que aceitavam a derrota. É a ação do “Shindo Ranmei”, organização ultraconservadora de japoneses do Brasil, tão bem retratada no livro “Corações Sujos” de Fernando de Morais.

Em Garça, M. Takahara teve até um enterro simbólico realizado pelos “Vitoristas”.

Esses acontecimentos foram determinantes na vida de M. Takahara. Ele saiu de Garça e veio para Campinas, a procura de um lugar seguro.

D. Toshiko tinha ficado num sitio nas proximidades da Garça com sete filhos: Hideo (Luiz), Takashi (Mario), Maçako (Maria), Chirossi (Mariano), Kayo (Estela), Kiyoko (Tere), Shigueko (Amélia), e grávida do oitavo. E, foi ai, sozinha que ela deu a luz, uma menina, Maria Katsuko (Cida). Até então, todos os partos de seus sete filhos tinham sido feitos pelo M. Takahara. Era ele também que costumava cuidar de doentes, aplicar injeções, servir de conselheiro e outras funções mais, nas comunidades onde viveu.

Em Campinas, M. Takahara tinha alguns amigos que o ajudaram. E, enquanto trabalhavam numa fábrica de óleo no bairro Swift, ele procurava nas redondezas, um lugar tranquilo, pois em Campinas também havia um certo tumulto na cidade.

OS TAKAHARA CHEGAM EM INDAIATUBA

Encantou-se com Indaiatuba e a hospitalidade de seu povo.

Foi buscar a família em Garça, e em março de 1947, chegou com sua esposa e seus oito filhos e radicou-se definitivamente nesta cidade. Aqui nasceram seus dois filhos: João Carlos Ditsumi e Mitiko.

A família Takahara foi a primeira japonesa a se instalar na cidade e as pessoas saiam às ruas para vê-la. Afinal era uma grande novidade: tipo físico diferente, os olhos puxados, fala engraçada e M. Takahara, em especial, era muito comunicativo e fazia amigos com facilidade.

Em Indaiatuba, já haviam um pequeno número de japoneses, no período de 1935/1941 que plantava algodão na Fazenda Pimenta: os Gomassako, Imanishi, Miura, Miyake.

Mas, foi somente em 1947 por iniciativa do e M. Takahara que eles se resolveram formar uma associação. Assim, em 29 de abril de 1947, dia do aniversário do Imperador Hiroito, realizou se a primeira reunião entre os japoneses da região, na casa de Teruo Imanishi na Fazenda Pimenta. E, com 18 membros foi fundada em 7 de setembro de 1947 a primeira Associação Japonesa Ituana que abrangia os japoneses desde a região de Itu até a fazenda Itaoca. (Campinas).

Esta Associação é a atual ACENBI que M. Takahara teve honra de presidir por 17 anos (1953 a 1970), participando ativamente de todos os eventos.

A primeira sede própria da Associação Japonesa foi na Fazenda Pau Preto, mais conhecida como Bicudo, onde viveram os japoneses, Foi construída para ser escola de língua japonesa (1953) e a noite estudava se a luz de lampião de querosene. Havia também um campo de terra batida onde se jogava beisebol e futebol e era realizado o undo-kai, a tradicional gincana esportiva japonesa.

M. Takahara recebendo uma homenagem das mãos de Padre Liu, na abertura de “Undo – Kai”, em frente à sede da Associação Japonesa - Bicudo – 1957.

 Em 1959, essa escola transformou se em escola municipal rural graças aos esforços de M. Takahara, recebendo o nome de Escola Municipal da Fazenda Pau Preto de Indaiatuba, tendo como primeira professora a Sra. Zélia Stocco Martins.

 Preocupado com a educação dos filhos (já havia mandado o primogênito para São Paulo e o segundo para Minas) pois em Indaiatuba só existia o curso primário no Grupo Escolar “Randolfo Moreira Fernando”, logo que chegou aqui, procurou o prefeito Jacob Lyra (1947) para reivindicar a criação do curso ginasial. Jacob Lyra propôs ao M Takahara que se ele conseguisse um número mínimo de alunos, ginásio seria implantado.

Como vendia hortaliças de porta em porta, ele perguntava se na família havia alguém que quisesse cursar a primeira série do Ginásio. Com toda essa persistência e força de vontade, ele teve a alegria de ver sua primogênita fazer parte da turma ginasial da cidade (em 1950, na gestão do prefeito Luiz Teixeira de Camargo Junior).

Apesar de todos os esforços, devido as diversas causas e dificuldades da época os filhos mais velhos só poderiam cursar o ensino fundamental.

Muito comunicativo em educação, colaborou na criação do Órgão de Cooperação Escolar do Ginásio Estadual “Dom José de Camargo Barros”, O.C.E., atual Associação de Pais e Mestres e fez parte da diretoria.

Muito cansativo e criativo, ensinava as pessoas a preparar e consumir verduras pouco conhecidas na época, como couve-flor, acelga, berinjela, pois só dando receitas, consegui vender o que plantava.

Mais tarde uniu se a outros lavradores de Indaiatuba e criaram a Feira Livre que era realizada aos domingos na praça Prudente de Moraes.

A dedicação de M. Takahara foi decisiva para o desenvolvimento da agricultura em nossa cidade. Por seu intermédio junto ao fazendeiro João da Fonseca Bicudo, os japoneses passaram a cultivar tomate. 

Entre eles estavam muitos dos “katigumis” que o perseguiam em Garça, muito generoso e compreensivo, M. Takahara recebeu – os bem, e graças a esses laboriosos lavradores a cultura do tomate se expandiu e Indaiatuba se tornou conhecida como a capital do tomate de mesa.

M. Takahara com os filhos, Hideo, Takashi, e Mariano na lavoura de tomate Fazenda Pau Preto, 1952.


Participou intensamente na organização de todas as Festas do Tomate juntamente com o engenheiro agrônomo Doutor Sinézio Martini da Casa da Lavoura e da Uva, um indicativo da mudança nas lavouras de Indaiatuba.


Festa do Tomate – ACENBI 1962


M. Takahara ficou sendo referência para imigrantes e estudantes que o procuravam para as suas pesquisas. Ele também, um dedicado pesquisador, teve até uma variedade de tomate tipo santa cruz batizado com seu nome citada em publicações.

Muitos imigrantes japoneses de pós-guerra (década de 1960) foram acolhidos no sitio do M. Takahara, principalmente os do Rikko- kai e da Cotia. Todos eles o consideravam um verdadeiro pai e a família já era grande, tornava-se cada vez maior com a enormidade dos “filhos adotivos”.

Observador atento da natureza, costumava prever se o ano seria frio ou não, se geadas aconteceriam e em que época entre outras coisas, apenas observando o comportamento de alguns animais e plantas. Tamanha era a precisão de suas previsões que artigos a respeito desse conhecimento foram publicados em revistas.

Ele era também muito procurado para ajudar a descobrir em que local e profundidade se achava água para perfurar um poço.

Procurava-se muito no meio ambiente, qualidade da água e energia da terra, principalmente com o petróleo que ele achava que logo iria faltar. na avenida Getúlio Vargas, onde estão Balila e Hotel Vitoria e outros empreendimentos em andamento), não tinha porteiras, e as portas da sua enorme casa viviam escancaradas.

Muitas atividades culturais, esportivas, sociais e assistências eram realizadas no Sitio Takahara, que acolhia não só a comunidade japonesa como todas as que o procuravam.

Os mais antigos provavelmente se lembram das animadas festas juninas, das brincadeiras dançantes, reuniões culturais e casamentos que aconteceram nesse sitio. Arranjou “miai” (apresentação de interessados que querem se casar) para muita gente e foi “nakoodo” (intermediário entre as famílias dos noivos) e padrinho de casamento inúmeras vezes.
  
M. Takahara pode se dedicar intensamente a causa nipo-brasileira porque encontrava em seu primogênito Luiz Hideo e toda sua família, um grande apoio de abrir uma estrada, facilitando o acesso a Unidade de Tratamento de Água.

Na implantação da fábrica Yanmar do Brasil, empresa japonês de motores M. Takahara foi um importante articulador.


Com diretores da Yanmar Diesel do Brasil


Yanmar Diesel do Brasil na época da implantação


Foi também na gestão de M. Takahara que a colônia japonesa construiu a sede social da Rua Humaitá com muito sacrifício, contribuições e união.

A festa de inauguração em dezembro de 1960 foi coordenada por seu filho Luiz Hideo presidente do “Seinen – kai”, Departamento Jovem, nessa época.

Ao lado da Sede Social foi construída uma escola de língua portuguesa uma escolar da língua que foi inaugurada em 1967 junto com as festividades dos 20 anos da Associação e onde M.  Takahara teve grande participação.

Inauguração da Escola de Língua Japonesa  -M. Takahara e Teruo Imanishi - ACENBI – 1967
  
Durante toda a sua vida trabalhou para entidades beneficentes sendo o responsável na cidade pela Associação Pro-excepcionais Kodomo-no-Sono.

Teve sempre o apoio e a colaboração de sua esposa Toshiko que pelo, seu trabalho dedicação recebeu  em 1986, pouco antes de sua morte, a Medalha João Tibiriçá Piratininga, concedida pela Fundação Pró-Memória de Indaiatuba. Uma rua no bairro Santa Cruz leva seu nome.

M. Takahara sempre foi uma pessoa muito ativa tanto na parte física como na cultural. Gostava de pescaria, gate-ball, kendo (arte marcial), haiku (poesia sob orientação do mestre Nenpuku Sato), canto clássico japonês que ele aprendia com o Senhor Takase de São Paulo.
  
Gostava muito de viajar e costumava acompanhar sempre sua esposa nas viagens que o Fujin-Kai, Departamento das Senhoras, promovia. Conheceu praticamente o Brasil inteiro. Voltou ao Japão para visitar os parentes e conheceu outros países.

Muito independente, era visto andando com sua mobilete vermelha por todos os cantos da cidades, mesmo aos 90 anos de idade. Ele dizia que, cada pessoa que o atropelava, tornava-se um grande amigo.

Miyoji Takahara foi muitas vezes homenageado. Recebeu o Título de Cidadão Indaiatubano concedido pela Câmara Municipal em 1977, a Comenda Pedro Alvares Cabral do governo paulista, a Comanda Sol Nascente oferecida pelo Imperador Hiroito do Japão em 1986, a Medalha João Tibiriçá Piratininga em 1999.

M. Takahara se orgulhava da grande família que construiu no Brasil. Ele que veio sozinho, formou uma família, com 107 membros. Seus 10 filhos, todos casados, lhe deram 30 netos. Desses, 20 se casaram o que resultou em 34 bisnetos e uma tataraneta. Fazem parte da família Takahara: Massae (Luzia), Guiboshi, Kayo (Rosa) Sato, João Kazuo Imanishi, Mitiyo (Isaura) Guiboshi, Luiz Kenzo (Dinho) Osawa – Registro (SP), Shigeru Kimura, Shinichi Matsunaga, Kuniyoshi Kobayashi – Campinas (SP), Maria Aparecida (Cida) Castilho – Botucatu (SP) e João Kihachi Watanabe.

Adorava o Brasil que era realmente a sua pátria e Indaiatuba, sua sede. Era naturalizado brasileiro desde 1958, votava religiosamente em todas as eleições, pertencia a várias entidades nipo-brasileiras e gostava de participar dos eventos que elas promoviam. 

Sempre alegre e muito festeiro, gostava de comemorar seu aniversário ao lado dos filhos genros, noras, netos, bisnetos e amigos.

Faleceu em 31 de março de 2001 aos 94 anos de idade.

O amor foi sempre a mola mestra da sua existência. 

Deixou de herança exemplo de fé, força de vontade, coragem, trabalho, uma verdadeira lição de vida.
Seu lema era “quem planta com dedicação e esperança, colhe com amor”.

Que cada estudante do Centro Educacional possa ajudar a espalhar, um pouco que seja, a semente da solidariedade, respeito, patriotismo, honestidade, amor ao próximo que Miyoji Takahara plantou nesta terra.
  

2 comentários:

  1. No Centro Educacional Miyoji Takahara funcionam duas escolas: a EMEB Miyoji Takahara e a Escola de Língua Japonesa da ACENBI. Desde de 2004 temos um projeto de parceria entre as duas escolas, com as quais divulgamos um pouco da cultura japonesa aos alunos da EMEB e estes tem se apresentado em eventos como o Dia da Comunidade Japonesa, formaturas e também quando recebem visitas ilustres.

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    1. Obrigada Eliza! Acrescentarei suas informações no texto original.

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