BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

Este blog só é viável com o auxílio de vários colaboradores; seja um também, divulgando seu (s) texto (s) ou imagem (ns).

CITE A FONTE ao fazer uso de textos ou imagens publicados neste blog; grande parte do material foi cedido generosamente por colaboradores.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

JARDIM MORADA DO SOL HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DE UM BAIRRO

texto de Denise Yonamine (história) e 
Victor Hugo Bonequini (depoimentos)


A Fundação Pró-Memória de Indaiatuba elaborou a exposição itinerante sobre a história de um dos mais importantes bairros da cidade de Indaiatuba, o Jardim Morada do Sol, que completa no ano de 2016, 36 anos de existência. Com o objetivo de rememorar a trajetória histórica desse bairro que surgiu na década de 1980 e, por meio do acervo documental do Fundo Vereador Hélio Ribeiro do Jardim Morada do Sol, pertencente ao Arquivo Público Municipal Nilson Cardoso de Carvalho, é possível conhecer a história dos primeiros moradores do local, os primeiros comércios e testemunhar o crescimento e desenvolvimento conquistado ao longo dos anos.

Atualmente o bairro abriga cerca de 15 mil habitantes e tornou-se o mais populoso da cidade de Indaiatuba. Por meio dos depoimentos dos moradores que foram pioneiros ao residir no local, podemos ver o quanto tudo foi muito difícil no início, época em que não havia infraestrutura suficiente para atender as necessidades. Para comportar todos os habitantes atuais, as melhorias foram sendo conquistadas ao longo dos anos e assim, uma vida melhor foi sendo construída, inclusive através da colaboração e reinvindicação desses primeiros moradores.

COMO TUDO COMEÇOU

No início do século XIX, mais especificamente no ano de 1809, consta que - nas margens do Ribeirão de Indaiatuba (atual Córrego do Barnabé, no Parque Ecológico) - existiam nove propriedades produtoras de açúcar, uma delas possuía um engenho movido à água, que pertencia à Francisco de Paula Almeida Prado.

Em 1874, a fazenda foi vendida à José Balduíno do Amaral e, posteriormente, adquirida em 1907 por Valeriano Barnabé. Nesta época a fazenda já era um grande cafezal. Valeriano e mais tarde, seus herdeiros Renato e Ário, foram expandindo a propriedade a ponto de atingir 360 alqueires. A partir da década de 1970 a propriedade passou a ser fracionada e, por meio da aprovação do Decreto Municipal nº 2.081 de 19/03/201980, o então prefeito Clain Ferrari, iniciou o loteamento de parte da propriedade, que receberia o nome de Jardim Morada do Sol.

Ao longo da ocupação do bairro muitos migrantes paranaenses, principalmente de Moreira Sales, vieram em busca de melhores condições de vida. Mas não foram apenas os paranaenses que se mudaram para Indaiatuba, também vieram moradores de diferentes regiões do Brasil e, inclusive, indaiatubanos que passaram a viver no Jardim Morada do Sol.

MEMÓRIAS E HISTÓRIAS

Por meio de um projeto de valorização da história do Jardim Morada do Sol desenvolvido há dois anos, houve a iniciativa de gravar depoimentos dos moradores mais antigos do bairro, com objetivo de conhecer e registrar as memórias desses pioneiros, até então reservadas apenas na esfera familiar. Saber de onde vieram, os motivos que os tiraram de onde estavam, os fatores que os atraíram para cá, os caminhos que percorreram, como superaram os primeiros desafios...

Todas essas memórias familiares possibilitaram a construção da História dos primeiros anos do Jardim Morada do Sol. São reminiscências que, quando resgatadas e expostas, permitem a reconstrução não só do maior bairro de Indaiatuba, mas da própria História de Indaiatuba, construída em uma perspectiva pessoal e familiar de desafios e melhorias, que aconteceram e acontecem ano após ano.

Algumas dessas histórias, estão registradas aqui. Através das memórias dela, da História percorrida por ela e por sua família, convidamos para que você conheça todas as outras!



Lançamento da pedra fundamental da igreja do Jardim Morada do Sol.
crédito: Silva e Penna Imagens
(ao utilizar para sua pesquisa, CITE OS CRÉDITOS)

DEPOIMENTOS


Geni Michelon

Geni Michelon nasceu em 24 de março de 1949 em Vacarias, RS. Filha de Hercolino Michelon e Mabina Mussato Michelon, tinha 13 irmãos. Foi moradora de Indaiatuba por mais de 32 anos. Chegou aqui no ano de 1983, e se instalou no Jardim Morada do Sol. Quando chegou no bairro ainda havia muitas áreas vazias e a água era retirada por meio do uso de poços caipiras ou caminhões pipa. Participou ativamente da luta para as melhorias do bairro e viu a chegada da energia elétrica nas ruas, asfalto, água encanada, linhas de ônibus e muitos outros benefícios:
“Lembro como se fosse hoje, o medo que eu passei quando o ônibus atolou no barro e estava tudo escuro, no meio do nada. Que medo. Hoje estamos no paraíso”
Sempre foi muito preocupada com as questões sociais e atuava voluntariamente em diversas entidades dentre elas, no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC), Lar São Francisco de Assis e diversas associações de bairro. Faleceu em 2015.

José Radovanovich  (Padaria Gianini)

José Radovanovich nasceu em 15 de julho de 1939 na cidade de Indaiatuba/SP. Casado com a Sra. Maria Julia Gianini, filho do Sr. Adão Radovanovich e Maria Stifter Radovanovich. Pai de três filhos: Márcio Luiz Radovanovich, Fábio Antônio Gianini Radovanovich e Mirian Cristina Radovanovich. José mudou-se para o Paraná onde permaneceu até 1980, quando retorna para Indaiatuba e adquire um terreno na Avenida Ario Barnabé, no recém-criado Jardim Morada do Sol. Decide construir um prédio e inaugura a primeira padaria do bairro com o nome de SANI, mas no ano de 1998 decide mudar o nome para Padaria Gianini, mesmo período em que seus filhos assumem a administração do negócio. José Radovanovich relembra dos primeiros anos no bairro:
“(...) Uma lembrança que marcou muito, no início do bairro, é que para realizar as entregas das encomendas com o carro nas ruas de terra, quando chovia, era necessário colocar correntes em volta dos pneus, de tanta lama...”

Maria Dirce de Carvalho (Michelly Modas)

Maria Dirce de Carvalho, nasceu na cidade de Ibiporã, no Paraná. Filha do Sr. Antônio Cândido de Carvalho Machado e Sra. Maria Aparecida de Carvalho Machado, possui 15 irmãos e 4 filhos: Michele de Lourdes Gonzales Mussi, Simone Gonzales Clementino, Raphael C. Gonzales e Maria Danielle Carvalho Gonzales.
Há 29 anos, saía de Goioerê, também no Paraná, para se estabelecer na cidade de Indaiatuba. Veio tentar uma nova vida viajando 750 Km até Indaiatuba, e se estabeleceu especificamente no bairro Jardim Morada do Sol, com suas filhas. Começou o seu negócio revendendo roupas de porta em porta, mas logo conquistou a confiança de seus clientes e passou a atender em um local fixo.
Atualmente, a comerciante possui duas lojas localizadas na Rua Jordalino Pietro Bom, nºs. 493 e 494 (antiga 74), uma em frente à outra, no bairro Jardim Morada do Sol, e relembra:
“Me orgulho de ser moradora até hoje do bairro, onde acompanhei a luta das pessoas na superação das dificuldades com a falta de infraestrutura, como asfalto, água e, hoje, vivenciar o progresso dos moradores”.

Sra. Maria  Alves

A senhora Maria Alves nasceu em 13 de setembro de 1944 na cidade de Salinas, em Minas Gerais. Filha do Sr. Ozorino Alves dos Santos e Jenerina Maria de Jesus, teve um total de dez irmãos. Ficou viúva de Feliciano Maxímio, com quem teve um filho, Hélio Ribeiro. Hoje é casada com Vilson Pereira.
Antes de chegar em Indaiatuba, morou em Umuarama, PR e depois em Itu, SP. Em 1980 adquiriu seu primeiro terreno no Jd. Morada do Sol, mas somente em 1985, mudou-se para o bairro, atrás de novas oportunidades. A primeira casa localizava-se na rua 52, depois mudou-se para a rua 53, depois na rua 80. Atualmente, mora na antiga rua 49.
Lembra que na época passou por muitas dificuldades, construindo sua casa com material de segunda linha. As coisas só começaram a melhorar nos anos 90, quando abriu um bar e lanchonete na rua 80 e relembra:

“Agradeço a Deus por não pagar aluguel e ter um comércio como fonte de renda; um dos momentos mais marcantes de minha vida foi a eleição do meu filho, Hélio Ribeiro, para vereador; graças à educação que com muito sacrifício consegui dar a ele, o que me causa sempre muito orgulho”.

Patrício Barbosa dos Santos (Seo Barbosa) e a comunidade de São João Batista

Patrício Barbosa dos Santos, mais conhecido como seo Barbosa, nasceu em 16 de março de 1936 na cidade de Serrolândia, na Bahia. Foi casado com a Sra. Dolair Maria dos Santos (in memorian) e teve dois filhos.
Em 1972 veio da Bahia para a cidade de Diadema, em São Paulo, e no ano de 1983 mudou-se para o Jardim Morada do Sol, em Indaiatuba. Passou a trabalhar como metalúrgico na Fupresa, onde se aposentou no ano de 1995.
No início da década de 1990 começou a construção da capela da Igreja São João Batista,  em um terreno doado pela Arquidiocese de Campinas ao grupo de vivência São João Batista, que rezava nas casas próximo ao terreno da antiga rua 20.  Seo Barbosa e a dona Maria Feitosa foram os responsáveis pelo início da Catequese na Comunidade, e lembra:
 “Tenho um enorme respeito, e me perdoe se eu esquecer algum nome, aos fundadores da Comunidade Igreja  São João: José (Zulu), Natal, Vilson Alves Ribeiro, Augusto, Terezinha, Maria Feitosa e José  Feitosa”.

Associação XII de Junho

O início da Associação XII de Junho tem uma relação direta com Ana Maria e Vanderlei Volpino, moradores do Jardim Morada do Sol desde 1983, nesse tempo contavam ainda com poucas casas no bairro.
Para tentar melhorias para a localidade a Associação XII de Junho foi fundada com 30 pessoas e logo foi declarada de utilidade pública, tornando-se referência para as pessoas que moravam na Morada do Sol. Ana relembra:
“A Associação tem foco mesmo no trabalho social, de auxílio às pessoas mais carentes, chegando até a financiar o velório e o enterro de algumas famílias que não tinham condições”.
Dentre as principais reinvindicações da Associação estavam a instalação do esgoto e do asfalto, cursos de costura industrial e a iluminação residencial, que foi implantada na presença do Prefeito José Carlos Tonin e do governador da época, Franco Montoro. 
“Uma das festas mais bonitas foi realizada para a inauguração da iluminação pública. Foi bonito porque a Eletropaulo, na época, acendia uma parte, e depois outra e outra, até que de repente toda a Morada do Sol estava iluminada”.


FICHA TÉCNICA DA MOSTRA ITINERANTE

Fundação Pró-Memória de Indaiatuba

Antônio Reginaldo Geiss
Presidente

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus
Superintendente

Anderson Cristiano de Souza
Assessor de Direção

Arquivo Público Municipal ‘Nilson Cardoso de Carvalho’
Thais Jeronimo Svicero
Diretora

Museu Municipal Casarão Pau Preto
Denise Yonamine
Diretora

Estagiários do Museu Municipal Casarão Pau Preto
João Jerônimo Norato Cruz 
Ingrid Rosa dos Santos
Lais Camargo Villaverde Beccari

Imagens
Eliando Figueira
Antônio da Cunha Penna

Um comentário:

  1. A foto do lançamento da pedra fundamental da igreja do Jardim Morada do Sol me fez voltar no tempo, dá para ver uma parte da Av. Ário Barnabé, lá no fundo creio que seja a Filtros Mann, mais lá no fundo tenho a certeza que é a Fundituba e depois mais no canto lá no fundo a parte central da cidade. O Jd. Tancredo Neves ainda não era formado, só o mato, as casas em processo de . Essa foto me fez viajar, pois vi o Jd Morada do Sol se formar desde a época que não tinha iluminação e nem asfalto. Quantas lembranças!

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

POSTAGENS MAIS PROCURADAS - Última semana

Entre em contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

.

Indaiatuba - A cidade que tinha um urubu de estimação

Indaiatuba - A cidade que tinha um urubu de estimação
Ave silvestre foi domesticada e atualmente voa livremente pela cidade, pousando em logradouros públicos, tornando-se conhecida e querida pelos indaiatubanos. Ajude a preservar!

SEGUIDORES