Eliana Belo Silva.
Sugere-se que antes deste texto, você leia este.
Adalto Missias de Oliveira
apresenta um perfil de atuação concentrado na área de TRÂNSITO E MOBILIDADE, categoria que reúne, de forma predominante, a maior parte de suas indicações. Trata-se de uma produção marcada por demandas de curto prazo, voltadas à zeladoria urbana cotidiana, como organização do tráfego, ajustes pontuais no sistema viário e melhorias imediatas em espaços públicos, o que caracteriza uma atuação pragmática e territorializada. Do ponto de vista do comportamento parlamentar, observa-se que o vereador não costuma ocupar com frequência a tribuna do plenário, optando por uma atuação mais silenciosa, baseada no encaminhamento formal de indicações. Raramente sobe para defender suas Indicações, não justifica seus votos, não entra em discussões de matéria nenhuma. Destacam-se, entretanto, duas proposições de caráter 'mais inovador' para o padrão dele: (1) a indicação que propõe fomentar estudo para a concessão de isenção da tarifa do transporte público municipal às mães ou responsáveis legais que acompanham crianças atendidas no CAPSij, e (2) a que sugere apoio institucional às famílias de munícipes que venham a óbito fora do município durante tratamentos de alta complexidade, incluindo o traslado funerário. Ambas sinalizam sensibilidade social e introdução de novas práticas, o que é coerente com sua trajetória recente na Secretaria de Assistência Social, reconhecida pela população como uma pasta de atuação imediata e assistencialista, voltada à resposta direta às demandas sociais mais urgentes. Só não demonstrou que são indicações viáveis do ponto de vista jurídico e orçamentário.
Alexandre Carlos Peres
apresenta uma atuação fortemente concentrada na categoria TRÂNSITO E MOBILIDADE, que reúne a maior parte de suas 247 indicações, caracterizadas por demandas operacionais, territoriais e de curto prazo, típicas da zeladoria urbana e da gestão imediata do espaço público. Como engenheiro de carreira do SAAE, chama atenção a baixa incidência de indicações voltadas à segurança hídrica, à infraestrutura de saneamento e ao fortalecimento institucional da autarquia, áreas nas quais se esperaria maior protagonismo técnico e político, sobretudo considerando que a segurança hídrica figura entre as maiores demandas estratégicas de Indaiatuba, do Brasil e do mundo. Neste sentido, observa-se, por decorrência, ausência recorrente de atuação como articulador entre os Poderes Legislativo, Executivo e o SAAE, papel relevante para um vereador integrante da base do prefeito, o que poderia potencializar soluções estruturantes para o município nessa área. Desde o seu primeiro mandato (ele está no terceiro) Alexandre Peres demonstra compromisso com a preservação da história e da memória de Indaiatuba, reconhecendo o valor do patrimônio histórico como elemento estruturante da identidade local , no entanto, não se vê respostas concretas da Secretaria da Cultura às inúmeras proposições que ele já fez neste sentido, o que é lamentável. Entre suas principais Indicações em 2025 estão: (1) implantar uma usina de reciclagem de entulho e resíduos da construção civil, (2) instalar placas fotovoltaicas nos prédios públicos, (3) implantar farmácias em todas as unidades de saúde do município, (4) revisar do Plano Municipal de Arborização Urbana, (5) disponibilizar podólogos para diabéticos no SUS (eu acrescentaria que toda ESF deveria ter um). No plano do comportamento parlamentar, Alexandre Carlos Peres utiliza com frequência a tribuna para defender suas indicações e esteve presente em praticamente todas as discussões envolvendo temas mais sensíveis ou controversos, assumindo uma postura fortemente alinhada ao Executivo. Seus pronunciamentos são marcados por elevada carga emocional e por um discurso intensamente governista, que, em alguns momentos, privilegia a ênfase afetiva em detrimento de uma argumentação mais técnica e racional. Essa atuação, embora revele engajamento político, acaba por ultrapassar, ocasionalmente, o papel institucional tradicionalmente atribuído ao líder de governo — função formalmente exercida pelo vereador Cebolinha —, destacando-se como uma das mais enfáticas defesas da Administração, superada apenas pela postura 'exagerada' adotada por Othniel Harfuch.
Clélia dos Santos Carvalho
No atual contexto político da Câmara Municipal, a posição ocupada pela vereadora Clélia dos Santos adquire um peso simbólico incontornável: ela é a única mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo. Essa condição, por si só, não obriga uma militância identitária, mas carrega uma expectativa legítima de representação qualificada das pautas relacionadas às desigualdades de gênero, à proteção social das mulheres, à equidade no acesso a políticas públicas e à ampliação de direitos — temas que hoje constituem demandas centrais da esfera pública em Indaiatuba, no Brasil e no mundo. Posto isto, a análise de sua atuação revela um descompasso entre essa expectativa histórica e sua prática parlamentar. A produção legislativa e a participação política da vereadora não evidenciam protagonismo nas agendas estruturantes ligadas às mulheres, tampouco uma atuação capaz de tensionar o status quo ou de inserir, de forma consistente, o debate de gênero nos debates e nas decisões que Legislativo municipal poderia influenciar. Ao contrário, sua postura tem se caracterizado por um alinhamento irrestrito ao Executivo, o que limita sua autonomia política e reduz sua capacidade de exercer o papel crítico e fiscalizador que se espera de uma representante eleita. No plano discursivo, sua presença em plenário tende a privilegiar uma retórica fortemente emotiva, por vezes marcada por apelos afetivos e manifestações pessoais intensas, em detrimento à intervenções analíticas, argumentativas e politicamente assertivas. Essa escolha pode ser considerada legítima no campo da expressão individual, mas acaba por fragilizar sua atuação nos debates mais relevantes, especialmente aqueles que exigem firmeza conceitual e posicionamento claro. Assim, o que se observa é uma atuação que, embora se dê a partir de um espaço historicamente conquistado pelas mulheres após longas lutas por representação, não se traduz, ao menos sob esta leitura analítica, em força política transformadora. Reconheço, por fim, que trata-se, é verdade, de uma expectativa legítima da autora deste texto — e não de uma obrigação inerente ao mandato dela —, mas que se impõe diante do contexto histórico e social em que essa representação se insere. Ao evitar qualquer conflito democrático, a crítica fundamentada e a afirmação de agendas próprias, a vereadora acaba por esvaziar o potencial simbólico e político de sua condição, reforçando uma lógica governista e conservadora que dialoga pouco com os desafios contemporâneos colocados às mulheres no exercício do poder. A produção do seu gabinete é pautada em sugestões de cunho cotidiano, de zeladoria da cidade que, como no caso dos outros vereadores da Base, poderiam - talvez - serem resolvidas com um telefonema para o tecnocrata responsável pelo processo. Concluindo, embora o número maior de Indicações dela sejam relacionadas ao TRÂNSITO E MOBILIDADE atuação prioriza, em segundo lugar, pautas assistenciais e pontuais, falhando por não apresentar uma agenda de justiça social voltada à afirmação de direitos e ao enfrentamento das desigualdades estruturais. Entre suas Indicações, as que mais dariam impactos para o cidadão indaiatubano seria: (1) implantar programa itinerante de Assistência Social nos bairros, (2) criar Casas de Acolhimento em regime de “porta aberta” em pontos estratégicos, (4) adotar medidas voltadas à mitigação do fenômeno das ilhas de calor, (5) ampliação das escolas em tempo integral e (5) implantar ações voltadas ao atendimento digno, inclusivo e humanizado às pessoas trans e travestis no âmbito da rede municipal de saúde.
Eduardo Tonin
O vereador Eduardo Tonin concentrou o maior número de suas Indicações na área de TRÂNSITO E MOBILIDADE, porém com uma abordagem distinta da maioria dos parlamentares. Enquanto outros vereadores se limitaram, em geral, a sugerir melhorias pontuais e fragmentadas — como reparos em vias específicas, implantação isolada de ciclovias, ajustes de itinerários de ônibus ou instalação de lombofaixas —, Tonin reiterou, tanto em seus protocolos quanto em suas manifestações em plenário, que ações desconectadas, embora legítimas e necessárias, não resolvem os problemas estruturais da mobilidade urbana. Sua crítica recorrente apontou para a ausência, em Indaiatuba, de uma instância administrativa capaz de tratar o tema de forma sistêmica. Defendeu, em diversas oportunidades, a necessidade de uma Secretaria responsável por Trânsito e Mobilidade, com atuação planejada, integrada e contínua, incluindo a organização de manutenções corretivas e preventivas previamente agendadas, superando a lógica reativa e episódica que hoje predomina na gestão do setor. Essa postura do vereador Eduardo Tonin, ao tratar problemas municipais pontuais a partir de uma perspectiva sistêmica e integrada, constitui um dos aspectos mais diferenciados de sua atuação legislativa. Em vez de abordar as demandas de forma isolada, como ocorrências episódicas, sua produção e seus posicionamentos indicam a preocupação em compreender a cidade como um conjunto articulado de políticas públicas. Nesse sentido, percebe-se que seu gabinete não operou apenas como um canal de recepção de reclamações individuais dos munícipes — prática que, em muitos casos, poderia ser encaminhada diretamente à Prefeitura —, mas como um espaço de elaboração de proposições mais complexas, voltadas à organização e ao planejamento da ação pública. Essa escolha revela um perfil parlamentar que se aproxima mais da lógica do gestor, interessado em estruturar sistemas e induzir políticas integradas, do que do modelo predominante em outros gabinetes, que se limitaram quase exclusivamente ao atendimento de pedidos pessoais e pontuais da população. Foi também o gabinete que mais gerou Indicações (embora essa produtividade não signifique, em nada, efetividade, ainda mais sendo ele um vereador da Oposição). Na avaliação do blog, é de autoria dele a Indicação mais relevante do ano: a contratação de um sistema de monitoramento por satélite capaz de identificar, com precisão, os vazamentos na rede de distribuição de água do SAAE. Trata-se de uma proposição "simples", tecnicamente consistente e de alto impacto estrutural. É inadmissível que uma autarquia responsável pela gestão de um recurso essencial continue a perder cerca de 30% da água tratada por falhas na rede, transformando a cidade, na prática, em um sistema ineficiente e crivado de perdas evitáveis. A indicação enfrenta o problema na origem, com racionalidade técnica, responsabilidade ambiental e visão de gestão pública. Também foi o vereador Eduardo Tonin, como líder da Oposição, que trouxe para a Câmara a exposição do "escândalo do passe-bolsa", esquema de corrupção na Secretaria da Assistência Social que tomou proporções nacionais e que segue em investigação pelo Ministério Público.
Hélio Alves Ribeiro
como os demais, apresentou o maior número de Indicações na área do TRÂNSITO E MOBILIDADE, sendo elas concentradas no atendimento de demandas pontuais trazidas por eleitores/cidadãos ao gabinete, voltadas a problemas específicos e desconectadas de uma lógica de Sistema Municipal de Mobilidade gerido por Secretaria própria, padrão seguido pela maioria dos vereadores, com exceção de Eduardo Tonin. Há, contudo, um elemento que diferencia Hélio Ribeiro dos demais: parte de suas Indicações busca integrar sua experiência como funcionário público do Hospital Dia à atuação legislativa, estabelecendo pontes com o Executivo, o que resultou em proposições voltadas à melhoria estrutural da Saúde Pública. Destaca-se também a insistência em determinadas pautas ao longo do tempo — como já ocorreu em legislaturas anteriores com o Autismo e, mais recentemente, com a Saúde do Homem —, aspecto positivo de sua atuação, na medida em que a recorrência pode ampliar a visibilidade do tema e pressionar os tecnocratas do Executivo responsáveis por filtrar e implementar as demandas. (continua)
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