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domingo, 28 de junho de 2009

Parque Ecológico de Indaiatuba - Ecológico?

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Foi Ernest Haeckel que, em 1870, usou pela primeira vez a palavra ecologia:
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“pela palavra ecologia, queremos designar o conjunto de conhecimentos relacionados com a economia da natureza - a investigação de todas as relações entre o animal e seu ambiente orgânico e inorgânico, incluindo suas relações, amistosas ou não, com as plantas e animais que tenham com ele contato direto ou indireto, - numa palavra, ecologia é o estudo das complexas inter-relações, chamadas por Darwin de condições da luta pela vida”.
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Atualmente a palavra mudou um pouco de sentido e passou a ser usada como se fosse um adjetivo. Deixou de ser um "estudo" para dar qualificação ao que é ou não relacionado à ecossistema, ou até mais apropriadamente à natureza - de forma benéficaTal coisa é ou não "ecológica" na medida em que afeta positivamente o meio-ambiente ou então que produz um impacto menor. Ou até é propriamente um sinônimo de meio-ambiente ou valorização deste.
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Bem, dei início a este post escrevendo sobre esse conceito que virou definição para deixar clara minha opinião e argumentos sobre o que temos de mais "ecológico" em nossa cidade: o Parque. Parque Ecológico. [SIC!]..
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Começo com uma pergunta: o que tem de "ecológico" naquele Parque?  (Não seria melhor classificá-lo como um "parque urbano"?) Aqueles lagos mau cheirosos e cheio daquelas plantas que-eu-não-sei-o-nome mas sei que crescem adubadas com sujeira, mas apropriadamente, aquela sujeira que vem do esgoto? Ou a presença das parcas garças que quase atolam seus gabitos no barro fedorento?
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Ou o movimento da água, que gera uma espuma esquisita, imagino que igual ao caldo que sobra da lavagem de um corrimão de gafieira? As árvores? Bem que a administração do José Onério tentou plantar, e a do Reinaldo está sempre aguando... Mas como adquirir raízes sólidas sob um local aterrado com restos de construção? Só por milagre.
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Para não são ter injusta... Eu gosto daquela matinha ciliar que foi feita há muitos anos atrás pelos alunos do Colégio Monteiro Lobato. Também gosto daquelas ávores enoooooormes na frente da prefeitura. (E aquela prefeitura, hein gente? Não foi construída "torta"? Com a frente voltada para o sudeste em vez do leste, onde está a cidade? O que será que o profissional que fez o projeto pensou quando colocou aquela porta envidraçada virada para o sudeste?).
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Mas é só isso. No resto, de "ecológico" o parque só tem o nome, principalmente se analisarmos sob a ótica da definição. Ao seu redor pululam outodoors. Crescem construções verticais, essa invenção medonha. (Alguém pode me explicar porque Indaiatuba precisa de edifícios verticais? Mas quero boas explicações...). Tem lixo por toda a parte, embora a prefeitura tenha instalado lixeiras. E olhem que eu moro pertinho e sempre vejo o poder público cortando a grama (uns dois cortando, uns oito segurando a cerca de contenção cor-de-abóbora e uns quinze olhando... . mas vá lá).
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Poluição de tudo quanto é tipo. Polui até a dignidade dos usuários.

Por falar em usuários... E os usuários, então? Como é que alguns têm coragem de passear no parque sem que os radares estejam operando? Esse povo não tem medo de ser atropelado, não? Nossa, ali perto do chafariz... dá até medo de caminhar e acordar no além, sem saber nem como se foi parar lá, se atropelado por um carro ou varrido por um tornado desses que já passaram pela região, tal a intensidade das trombadas que ocorrem por ali. É sério. Até o reconhecido Antonio da Cunha Penna, na impagável crônica "Caminhando no Parque"(1) já demonstrou sua indignação com "uma parcela da população a girar como alucinados em volta de um rego". Uma pena, né Penna.
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Até uma parte do querido Córrego do Barnabé, o tal "rego" citado pelo escritor, está sem identidade. Sim, porque se o nosso querido Córrego, que já foi Votura, não nasce lá perto do Corpo de Bombeiros como se acreditava... Como se chama esse córrego, desta nascente até desaguar (ou se encontrar) com o Barnabé? Sei não...
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Com um córrego parcialmente sem nome, sem lenço e sem documento, sujo, sem respeito, descaracterizado, invadido, poluído e até perigoso.... mas com (ainda) muita querência... está nosso parque... que para ser ecológico falta muito.
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Parque Ecológico na época em que estava sendo aterrado.
Imagem original de Percival Hamilton Nunes (acervo pessoal)



Parque Ecológico - 1993






Família Miguel - década de 1970
Casa de Francisco Miguel, nas mangueiras de frente a prefeitura, onde hoje é uma área de lazer.
Aparece ao fundo a linha do trem, onde hoje é a pista de bicicross. Após a linha do trem, é onde hoje está o Parque Mall e o Supermercado Sonda!
(acervo familiar de Luiz Carlos Fritz, originalmente publicada do grupo Dinossauros de Indaiá).

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BREVE HISTÓRIA DO PARQUE ECOLÓGICO
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O local onde está o Parque Ecológico atualmente, era uma faixa que ficava entre (e muito próxima) do centro urbano e o que era a zona rural de nossa cidade, com um extenso limite com a Fazenda Santa Dulce (mais conhecida como Fazenda do Pau-Preto). O local era conhecido como Fundo do Vale, uma região banhada pelo Córrego do Barnabé.

.Com a expansão urbana, o Fundo do Vale passou a ser um problema para o município. Lixo e esgoto iam parar ali e muito rapidamente práticas predatórias destruíram a vegetação ribeirinha nativa. Inundações sucessivas demonstravam-se cada vez mais insalubres para a população que rapidamente foi construindo suas casas nos arredores daquele "pântano".


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Além desses fatores, o Fundo do Vale passou a ser um obstáculo intransponível entre o norte já desenvolvido da cidade e o sul mais carente, rapidamente povoado após o loteamento que deu origem ao Jardim Morada do Sol.
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Foi no final da década de 1980 e início da década de 1990 - no governo de Clain Ferrari - que ficou pronta a primeira parte das obras de drenagem das áreas alagadiças, a despoluição (parcial) do Córrego do Barnabé e a criação de lagos através de barragens. Foram instalados quilômetros de coletores de esgotos nas duas margens do córrego Barnabé, que passaram a conduzir todo o esgoto até a lagoa de tratamento, situada perto da rodovia. Creio ter sido a maior obra de saneamento básico da história de Indaiatuba. O mal cheiro foi erradicado e assim nasceu o Parque Ecológico Presidente Collor (2).
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Imagem usada no governo Clain Ferrari


.Sua principal qualidade é ser um agente de integração social urbana que conseguiu aproximar os extremos norte e sul, facilitando o desenvolvimento desta segunda região, que paulatinamente foi sendo pavimentada e ligada através de várias alças à via expressa do Parque, que recebeu o nome de Avenida Engenheiro Fábio Roberto Barnabé, um sistema viário composto, na verdade, por duas vias expressas perimetrais..
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Na época do início das obras, uma grande ciclovia foi planejada, com o objetivo de atender uma realidade indiscutível na época: o grande número de trabalhadores de baixa renda que usavam a bicicleta como meio de transporte.
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Também nesta época, segundo o planejamento divulgado pela administração do então prefeito Clain Ferrari, o parque não seria "cortado" por outras vias. Seria um extenso eixo de aproximadamente 10 quilômetros lineares com uma área de aproximadamente 2 milhões de metros quadrados com: 12 centros comunitários, viveiro de pássaros (na época isso era "ecológico"), restaurante, museu, pátio de esculturas, centro de exposição de flores, centro administrativo com fórum, câmara e paço municipal, barcos, pedalinhos, teatro de arena, lanchonete e a já citada ciclovia em todo o contorno.
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O programa efetivamente praticado integrou sim, as áreas da cidade.

Drenou e saneou.

E embora tenha sido um enorme esforço de urbanização, não preservou e até agora pouco enriqueceu a flora e a fauna dessas áreas, não instituiu hortos de destaque, não estabeleceu a harmonia da natureza e nem tão pouco disciplinou o crescimento em seu entorno.

Uma pena.

E mesmo assim a gente gosta dele. Ama.



Construção do Parque Ecológico imagem do Arquivo Público da Fundação Pró-Memória



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Construção do Parque Ecológico imagem do Arquivo Público da Fundação Pró-Memória



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(1) PENNA, Antonio da Cunha. " Só Doi Quando Dou Risada". Indaiatuba. SP: Rumograf: 2005. 136p.
(2) O parque ecológico não tem mais esse nome.



Fontes:
1) Antonio Reginaldo Geiss
2) Propaganda com imagem do projeto (antigo) divulgada na época em que Clain Ferrari era prefeito.



Imagens abaixo crédito: http://www.forumdaconstrucao.com.br


O arquiteto Ruy Othake, contratado para concepção do parque, decidiu pela criação de uma área onde a natureza fosse privilegiada e o entorno preservado, aproveitando a topografia da área. 

Optou-se então pela construção de uma série de barragens de acumulação em gabiões para a formação de lagos que permitissem a integração ambiental e realçassem arquitetônicamente a área de talvegue escolhida. Complementarmente, foram propostas contenções de margem, também em gabiões, o que permitiu, além da harmonia estética, a correta regularização hidráulica esperada.

Indaiatuba, cidade com mais de 200.000 habitantes, no interior do São de são Paulo, necessitava de um local público para lazer da população. Surgiu então a ideia de se criar um parque no perímetro urbano da cidade e essa ideia pôde ser colocada em prática com o aproveitamento de uma área de Talvegue próxima à cidade.









Data: 1991 

Ficha Técnica 
Nome do cliente:PREFEITURA MUNICIPAL DE INDAIATUBA 
Construtor: CONSTRUTORA LIX DA CUNHA 
Projeto e consultoria:RUY OTHAKE 
Produtos usados: Gabiões caixa, Gabiões saco, Colchões Reno® e Geotextil Mactex®: 2.205 m3 Gabiões Caixa Galfan + PVC 
1.200 m2 Colchões Reno® H = 0,17 m Galfan + PVC 
930 m3 de Gabiões Saco Galfan + PVC 
2.070 m2 de Geotêxtil MacTex® 
Data da obra: Construção:1991 
Término:1991 

Fonte: Maccaferri / Data 22/08/2005 

2 comentários:

  1. Prezada Eliana,

    Por acaso encontrei seu blog e nele um artigo, de 2009, sobre o Parque Ecológico. Procurava eu informação sobre a área ocupada pelo parque. Seu artigo menciona 2 milhões de metros quadrados, enquanto a cidade de Santos se orgulha de possuir um parque praiano de 5km com 200 mil metros quadrados, um décimo da área do nosso parque, que já tem pelo menos 8 km de extensão.

    Como Indaiatubano recente (12 anos), apreciei as informações históricas do parque.

    Entretanto, usuário do parque, entendo que o artigo merece uma reavaliação. Caminho e pedalo por lá cotidianamente sem aborrecimentos, é um lugar prazeroso. Até a pista de caminhada foi movida mais para dentro do parque e em grande parte dela não se ouve ruído dos carros. Mesmo assim, alguns caminhantes preferem caminhar na ciclovia, cujo piso é de pior qualidade.

    Os lagos já não exalam mau cheiro (no seu artigo você grafou incorretamente "mal cheiro").

    Aves de várias espécies, além das mais visíveis garças e patos, povoam o parque, onde árvores frutíferas foram plantadas (adoro as calaburas e sempre que posso alcançar pego uma).

    Famílias ocupam o parque nos fins de semana e área que o povo ocupa, marginal abandona. Durante a semana julgo ver um ou outro fumante ilegal, sempre discretos.

    Concordo que o termo "ecológico" não foi corretamente aplicado, mas afinal, com o escasseamento das áreas de mata, o parque tem sido refúgio de pequenos animais silvestres, notadamente as aves, e talvez algo ecológico resulte daí!
    Muitas árvores foram plantadas, apesar de não serem exatamente nativas e ainda não terem completado seu crescimento.

    Por fim, julgo oportuno dizer que não tenho laços especiais com a cidade (já morei em 6 cidades diferentes na minha vida) e nenhum tipo de envolvimento com o poder e/ou a política locais, o que coloca meus comentários fora desse contexto e o encaixa unicamente no de cidadão atento.

    Atenciosamente,

    José Luiz Peron

    ResponderExcluir
  2. ola... fui visitar a cidade.. e fui caminhar pelo parque ecologico que, me desculpe assim dizer, mais realmente a agua esta grande parte contaminada e as erosoes as margens sao visiveis. porem, ainda tem gente boa no mundo!!! percebi muitas arvoes plantadas recentemente que se, cada morador da cidade tivesse essa conscientizacao de plantar uma arvore, daqui a alguns anos toda a margem estaria envolta de arvores!!! mais vim com uma curiosidade, ja que foi mencionado as aves, observei uma ave estranha, que pelo que soube, tem habitos noturnos..não sei descreve-la direito.. mais alguem tem alguma informacao sobre esse animal?? fiquei curiosa..

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