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quarta-feira, 30 de março de 2016

Os mais ILUSTRES e ANTIGOS habitantes de Indaiatuba

Pesquisa, imagens e texto de Charles Fernandes
Arquiteto



Esse é o cara, a pequena palmeira que emprestou seu nome para a minha cidade. 
O INDAIÁ

Era abundante, "tuba" em língua indígena, e aqui era a terra de muito indaiá, ou Indaiatuba. Este está na entrada do Indaiatuba Clube. Existem muito poucos hoje, pois esta palmeira possui um estreita relação com a cotia, seu fruto apenas germina quando roído completamente por esse animal. Quando acabamos com a cotia, condenamos o Indaiá. Também era muito consumida pois seus brotos eram palmitos que se comiam crus arrancando-os pelo campo. Vergonhosamente lembro de ter feito isso a uns 30 anos atras, pelos terrenos do Pau Preto, onde fazíamos pistas para bicicleta.

Veja como, quando quebramos um ecossistema, é difícil, recompor. Hoje, se quisermos trazer o Indaiá, para perto da cidade, teremos que promover corredores de fluxo gênico, para atrair o dispersor, a COTIA, de pontos onde ele povoa, e introduzir indaiás, onde estes animais estão, até que o Indaiá retorne, onde a COTIA quiser que isso aconteça. ALGUÉM VIU ALGUMA COTIA ULTIMAMENTE?



Estes são os enormes INDAIÁ AÇU, da avenida Visconde de Indaiatuba. 
Apesar de grandes e bonitos não são esses que doaram o nome para a nossa cidade.

Meu avô era sapateiro, ali na rua 11 de junho, seu apelido era Angico, assim como esse ANGICO BRANCO
Um pouco dele esta espalhado por toda Indaiatuba, angico é populoso no Cerradão.






Minha preferida, o JATOBÁ. 
Como não tenho mais idade pra ficar pulando o muro do casarão do pau preto, pra roubar jataí, fruta do conde e jambo, este jatobá, no estacionamento do Indaiatuba Clube me proporciona o suprimento desta deliciosa fruta fedorenta.

CURIOSIDADE: existem 02 jatobás, plantados em 1993, hoje com 23 anos, na frente da churrascaria homônima. Se aqueles tem 23 anos, este aqui tem uns 200 ou mais.



PALMEIRA JERIVÁ, outra que tem gosto de molecagem. Íamos de bicicleta até o hospital (HAOC) só pra catar coquinho. Aliás, chamávamos só de coquinho.

Este é o ultimo JERIVÁ da parte inicial do parque ecológico. Suas sementes germinam a mais de 1 quilômetro, no jardim da minha mãe, que ainda mora na região. Palmeira nativa, atraente para a avifauna



Curiosamente, todas as partes do parque ecológico, construídas depois, trocaram o JERIVÁ, pelas exóticas: Seafortea e Imperial.

 A bicharada não gostou.


A ESPATODEA, não é nativa, é uma alienígena da nossa flora, mas vai fazer muitos lembrarem das ruas do centro da cidade. Junto a praça D. Pedro, onde foram podadas até morrerem todas. Pra mim tem cara de infância, apertar os botões das flores para espirrar néctar.

Em um paisagismo sem muito critério, alguém pensou em plantar todo um capão de espatódeas, perto do Colégio Objetivo, no Parque Ecológico. Está lá, um gueto de espatódeas.


Tem cada IPÊ ROXO, na região entre a rua 24 de maio e o Pau Preto! 
Estes estão ao lado do cemitério antigo. O mais belo IPÊ de Indaiatuba, é composto por várias gerações de indaiatubanos, está plantado bem no centro do cemitério antigo. 

Está ao lado de um belo jequitibá branco. Na frente da Gaziola. Outro branco que fotografarei esta na Praça Prudente de Moraes.

A CANELINHA foi outra árvore utilizada para as ruas da cidade.


Ela caduca pouco, ou seja perde poucas folhas (adoro o termo botânico, caduco, para a planta que perde folhas), portanto a canelinha suja menos as ruas. 

Da família da Imbuia, tem porte médio. Esta está junto ao antigo Vila Nova.






SIBIPIRUNA, foi muito usada para arborização urbana nos anos 70, esta tá perto do cemitério antigo. Sua flor amarela em forma de coroa de Cesar, dá nome para a família, Cesalpineae. São desta família também o pau-brasil e o pau-ferro.



Quando as Sibipirunas da década de 70 ficaram grandes, perceberam que ela solta uma cera quando floresce, e isso sujava os carros, substituíram por "Canelinhas". Esta cera é uma proteção para a Sibipiruna, ela impede que suas sementes germinem abaixo dela, diminuindo a competição, portanto ela é dependente de animais dispersores para se reproduzir. Numa mata sem animais, a Sibipiruna perece!



ALECRIM de CAMPINAS, os alecrins do parque já estão bem legais. 

Logo estarão como eram os do praça do Randolfo. Quem estudou lá lembra das guerras de bolinhas de alecrim. Este é o alecrim de flor amarela, da música que cantamos para as crianças.

A Impermeabilização do solo da zona central matou sistematicamente todos os alecrins do Randolfo, hoje em seu lugar estão Jambolões.


PAINEIRA ROSA, acompanha o leito dos rios e córregos, sua madeira tem capacidade de acumular água para as estações mais secas, formando um tronco que também é chamado de "pé de bêbado ".
Desta, eu cuido pessoalmente ! Com a ajuda do proprietário, seu futuro está garantido.


Sr. JEQUITIBÁ ROSA, na avenida Itororó, na minha opinião, pelo local e pelo porte, a árvore mais bela de nossa cidade. 

Existe um outro maior, nos jardins do Casarão do Pau Preto. Na cidade dois canteiros de avenidas possuem Jequitibás. 

Alguém sabe qual a outra avenida?




A EMBAÚBA, não é muito usual na arborização da nossa cidade, esta da foto é de um mero acaso, próximo ao telhadão, assim como é acaso a ocorrência dela em qualquer lugar, duvido que alguém a tenha plantado. 

Assim como o Guapuruvú que também pratica função semelhante, a EMBAÚBA é uma espécie PIONEIRA. 
Se a mata fosse um corpo, a embaúba seria a plaqueta do sangue, se a mata fosse um exército, ela seria o soldado raso de infantaria. Sua estratégia sucessional na mata é de ocupar espaços perdidos, recuperar clareiras deixadas por indivíduos que caíram. Elas recompõe o estrato, para que outras espécies possam ocupá-los depois, utilizando-se de sua sombra. 
Como faz isso? Ela possui algumas qualidades: diferentes de outras arvores que são dependentes de animais ou dos ventos e chuva, suas sementes somente germinam com a luz solar e duram muitos anos; então quando a mata perde indivíduos, elas são as primeiras a nascerem, aliado a isso, crescem muito rápido, recompondo rapidamente a área degradada. Em função disso, possuem madeira fraca, e vivem pouco, apenas cumprem seu papel no complexo ecossistema da mata de nosso Bioma.
Os nomes científicos das árvores, sempre lembram características da planta, do lugar, ou de quem a descobriu; o nome científico da Embaúba é “Cecropia hololeuca”, fácil de guardar: HOLO de Luz, e LEUCA de branca, a embaúba é a cecrópia da luz branca. Quando olharem uma mata, e virem holofotes brancos sobre as folhas ao longe, saberão que é a Embaúba.
A embaúba também é indicador de degradação da mata, pois uma mata saudável possui muito poucas pioneiras.



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