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sexta-feira, 18 de março de 2016

19 de março - 36o. ANIVERSÁRIO DO JARDIM MORADA DO SOL

Amanhã, dia 19 de março de 2016 o Jardim Morada do Sol faz aniversário, completando 36 anos. A data de fundação é considerada quando, em 19 de março de 1980, o então prefeito Clain Ferrari legalizava a sua criação, através do lançamento do bairro, advindo de uma fazenda das mais antigas de Indaiatuba, a primeira a ter um engenho movido a água (chamado, na época, engenho real. Por esse motivo, a fazenda que foi loteada para dar origem ao bairro recebia o nome da Fazenda Engenho D´Água e foi por muitos anos da família Barnabé, que até hoje é lembranda no bairro em sua principal avenida de acesso, a Avenida Ário Barnabé.



PATRIMÔNIO TOMBADO

A antiga sede da Fazenda Engenho D´ Água é um patrimônio tombado pela Fundação Pró-Memória de Indaiatuba. É um patrimônio edificado, provavelmente construído em 1807, testemunha do período em que a fazenda foi uma grande produtora de cana de açúcar (até onde sabemos, do final do período colonial e durante o Império brasileiro). Após a crise do produto açucareiro, a fazenda transformou-se em um grande cafezal, monocultora que foi preservada pela família Barnabé por um tempo; mas que depois começou a dar espaço para outras culturas como milho, arroz e algodão. Esse testemunho material da nossa história ainda precisa ser alvo de mais estudo, principalmente de suas técnicas de construção; por isso é nem modificada sem a autorização do Conselho de Preservação da Fundação Pró-Memória.


HABITANTES

Estima-se que atualmente o bairro tenha mais de 70 mil pessoas e é reconhecido como um marco para o crescimento e progresso de Indaiatuba, principalmente por representar um divisor de águas na história da industrialização de nosso município. A partir da década de 1970, mais especificamente em 1980 muitas indústrias do centro e bairros próximos ao centro começaram a mudar para o Distrito Industrial. Isso impulsionou o crescimento das indústrias locais e atraiu muitas outras, advindas da grande São Paulo, que cada vez tornava-se mais inviável, principalmente por questões logísticas. Um fato impulsionou o outro: indústrias abriram vagas, que possibilitaram a intensificação da migração. Tendo mais mão-de-obra disponível, outras indústrias vieram para cá, também por reconhecerem que a região tinha escolas técnicas para capacitar essa mão-de-obra. No início, muitos imigrantes eram paranaenses expulsos da lavoura daquele Estado, que não mais provinha possibilidades de crescimento e em muitos casos, sequer de sobrevivência. Sendo um bairro onde está concentrada grande parte da força de trabalho local, sua influência política tornou-se também inquestionável. Temos agora uma grande diversidade cultural, advinda não só dos imigrantes que antes eram, na sua maioria paranaenses, mas de todas as regiões do Brasil.

MEMÓRIA


Essa diversidade, sua força de trabalho, sua representatividade política faz do Jardim Morada do Sol um relevante espaço a ser estudado, preservado e divulgado. A história do município mudou com o crescimento do bairro. Para dar visibilidade a todos esses sujeitos históricos, a municipalidade está com iniciativas que precisam ser estimuladas, com a participação de todos.

FUNDO HÉLIO RIBEIRO


O pioneiro nesse sentido foi um dos primeiros moradores do bairro: Hélio Ribeiro, que atualmente é vereador. Por sua iniciativa e intensa colaboração de sua equipe, foi iniciado um projeto de resgate da história do bairro, através de entrevistas e arrecadação de cópias de imagens das mais antigas famílias. O material arrecadado foi doado para o Arquivo Público da Fundação Pró-Memória.
Na noite de hoje, dia 18/03/2016, a Fundação Pró-Memória estará lançando uma exposição itinerante na Câmara Municipal, evento onde moradores antigos serão homenageados:

1) Aurora Severina da Conceição (Dona Nosa), de 87 anos, pernambucana que teve como maior motivação a saída da roça por causa de agrotóxicos que manuseavam na cidade de Moreira Sales, no Paraná. Primeiro morou no Jardim Califórnia e em 1981 mudou-se para a 4a. casa construída na Morada do Sol, antiga Rua 7. Ajudava na limpeza da Igreja Santo Antônio. Lembra-se que onde está a igreja hoje, "tinha uma cocheira" onde eram rezadas as primeiras missas campais. Ganhava uns trocados organizando excursões para a Aparecida do Norte. Também trabalhava em fazendas de Indaiatuba nas colheitas de pimentão, batata e café entre 1981 e 1990. O marido cortava lenhas onde hoje é o Shanadú, para servir de combustão em uma época que não tinha energia elétrica nem água encanada.


Dona Nosa, na 4a. casa construída no Jardim Morada do Sol


2) Patrício Barbosa dos Santos, de 80 anos, baiano de Serrolândia. Morava em Diadema, depois de ter residido no Paraná quando veio visitar parentes em Indaiatuba, no ano de 1978. Ao visitar a cidade neste ano, soube do loteamento barato. Voltou para Diadema, onde organizou uma caravana de 8 famílias que vieram morar em Indaiatuba. Ele fez o mesmo em 1983, saindo da favela onde morava em Diadema para construir 1 (um) cômodo da antiga Rua 19. Trabalhou como servente de pedreiro e depois foi operário da Fupresa, onde se aposentou. Ele lembra que no início, a linha de ônibus subia apenas até a Rua 5, no "sobradinho", onde todos os moradores tinham que ir caminhando pelo barro. Participou da Associação 12 de Junho que lutou para a instalação da infraestrutura mínima, que o bairro não tinha quando foi loteado: água, energia elétrica, transporte público. No início da década de 1990 iniciou voluntariamente a arrecadação para construir a Igreja São João Batista no bairro, em terreno doado pela Arquidiocese de Campinas; ele era, então, do Grupo de Vivência São João Batista (junto com José (Zulu), Natal, Vilson Alves Ribeiro, Augusto, Terezinha, Maria Feitosa e José Feitosa), que rezava nas casas próximas ao terreno da antiga Rua 20. Exerceu por 6 anos o cargo de presidente da Conferência Vicentina.




Mutirão para a construção da Igreja São João Batista no Jardim Morada do Sol
Década de 1980 - Acervo familiar de Patrício Barbosa dos Santos

3) José Mateus, 83 anos, baiano natural de Macaúba, pai de 8 filhos. Veio para Indaiatuba da cidade de Lins, onde moravam na Fazenda Vassoural. Vieram em 1983 para o Jardim Morada do Sol, atraídos por parentes que contaram do baixo custo do terreno e da facilidade em arrumar emprego. Lembra-se que quando comprou o terreno, o bairro não oferecia nenhuma infraestrutura e era impregnado de pernilongos. Trabalhando na Cerâmica Igaçaba, conseguiu construir sua casa. Trabalhou nas roças indaiatubanas e aposentou-se na COBREQ. Evangélico, foi um dos pioneiros da Igreja Evangélica Quadrangular em 1978.



Acervo pessoal de José Mateus - Jardim Morada do Sol - Década de 1980


4) José Moreira dos Santos, 76 anos, baiano natural de Rui Barbosa. Pai de 12 filhos, veio de Americana para o Jardim Morada do Sol no dia 7 de agosto de 1982, para a Rua 77. Inicialmente trabalhou como lavrador nas Fazendas Cruz Alta e Pimenta. Trabalhou no Lar de Velhos, na Cobreq e na Rodoviária de Indaiatuba, onde aposentou-se. Como autônomo, foi corretor de imóveis. No início, construiu um pequeno barraco onde dormiam dez pessoas, sustentadas por legumes e verduras que ele plantava em terrenos ainda desabitados.

5) Ana Maria Postigo Volpiano, natural de Ourinhos/SP é fundadora da Associação 12 de Junho. Veio de São Bernardo (SP) em 1981 s para morar no Jardim Morada do Sol, onde comprou um terreno na Rua 5. Junto com o marido, construiu o Bar do Vanderlei, onde trabalhou por 32 anos. Através da Associação, lutou para trazes para o bairro asfalto, energia elétrica e posto de saúde. Mas a conquista que ela aponta com mais relevante foi quando a Associação viabilizou um curso profissionalizante para as mulheres do bairro, que foram trabalhar nas fábricas de jeans da cidade. Como um dos poucos moradores do bairro a adquirir um carro, ele foi logo apelidado de "ambulância" pois eram muitos os vizinhos que vinham pedir carona para levar pessoas para o HAOC. Na frente de sua casa foi instalado o primeiro orelhão do bairro, tornando-se referência. Quando chegou a iluminação teve uma grande festa com a dupla Liu e Leu, conta Dona Ana Maria, que também foi, por 2 anos, representante do bairro no Conselho de Saúde.





Mutirão para construção da sede da Associação Amigos de Bairro 12 de Junho do Jardim Morada do Sol






Prefeito Tonin, Vice Sfeir e governador Franco Montoro
Acervo Familiar de  Ana Maria Postigo Volpiano - Fundadora da Associação 12 de Junho



6) Joaquim Mota de Carvalho, natural de Teófilo Otoni, 53 anos. Veio para Indaiatuba trabalhar na construção da empresa Gessy Lever, convidado pelo seu cunhado, que já morava aqui. Em maio de 1980 comprou um terreno do Jardim Morada do Sol, na antiga Rua 47. Trabalhou em algumas empresas, inclusive na COBREQ, e hoje é autônomo - eletricista industrial e residencial. Ele se lembra dos jogos de futebol na Avenida Ário Barnabé, onde hoje há um templo da Igreja Universal; o campo foi feito pela comunidade, que capinou e limpou o local. Em 1983 o seu amigo "Foguinho" fundou o primeiro time de futebol do bairro, o Vasquinho e em 1996 assumiu o teime junto com seu amigo Pezão, permanecendo na liderança por 17 anos, chegando a conquistar o Campeonato da TV Sol. Participou da Associação 12 de Junho como Diretor de Esportes.

7) Alberto de Jesus Parise, nasceu em 1952 em Palmital, SP. Mudou-se para Indaiatuba em 1978 e foi trabalhar na Metalúrgica Wolf, onde se aposentou. Conseguiu comprar o terreno no Jardim Morada do Sol porque era barato, pagou em 80 vezes. Construiu na antiga Rua 7 aquela que seria a segunda casa do bairro a receber hidrômetro. Lembra-se que no início teve uma pesquisa no bairro, que apontou que 83% dos moradores eram advindos do Paraná. Lembra-se que quando  o asfalto chegou, o preço cobrado seria muito caro. Foi a Associação 12 de Junho que conseguiu diminuir as parcelas para 40% do valor do carnê. Conta que sofreu preconceitos na empresa em que trabalhou, onde os companheiros diziam que a Morada do Sol era lugar de ladrão e bandido. Lembra-se que as lâmpadas públicas foram sendo acesas por partes. Quando aconteceu perto da casa dele, teve Show com as Marcianas.

8) Ana Maria Ferreira, nasceu em 1933, natural de Salinas/MG. Veio para Indaiatuba em 1971 e foram morar direto na Fazenda Engenho D´Agua, quando ainda não existia o loteamento. Cuidavam do local, plantavam uma roça de subsistência. Ela conta que na ocasião do loteamento, foi obrigada a comprar o terreno, pois caso contrário teria que sair. Conta que contaram com a ajuda do proprietário da imobiliária, Sr. Elias Jorge, que destacou três parcelas do carnê e confiou na honestidade da família para fazer o pagamento. Sempre congregou na Igreja Evangélica Adventista e antes, da construção do templo no bairro, os fiéis congregavam em sua casa.



Acervo familiar D. Ana Maria Ferreira

9) Antônio Bicudo de Almeida (in memorian). nasceu em Itapetininga em 1935.  Foi Fundador do Clube de Malha Santa Rosa, onde se destacou como jogador de malha, inclusive com participações em campeonatos estaduais. Junto com a esposa participou de várias entidades, inclusive a APRAI. Participou ativamente da história política de Indaiatuba desde 1960, sendo vereador por 3 mandatos consecutivos: entre 1989 e 2000. Foi ele quem deu o nome ao bairro de Jardim Morada do Sol, por ser amigo do proprietário  da imobiliária, Elias Jorge.


Imagens do acervo pessoal do vereador Antônio Bicudo de Almeida

10)  Antonio Monteiro, natural de Sergipe, do município de Malhada dos Bois. Nasceu em 1950 e há 46 anos viria morar em São Paulo, onde trabalhou na Filtros Mann. Veio para Indaiatuba transferido para a unidade daqui e inicialmente morou na rua Hércules Mazzoni. Em 1981 mudou-se para a Morada do Sol na antiga Rua 48. Participou ativamente como tesoureiro da Associação 12 de Junho. resolveu sair da empresa e arriscar um negócio, abrindo uma padaria. Até hoje é agradecido para com o diretor da empresa Sr. Roberto, que comprava pães da sua padaria para a empresa, para quem forneceu durante 6 anos consecutivos. Depois da padaria inaugurou um mimi-mercado e no ano de 2007 inaugurou o Mercado Monteiro. Lembra-se com carinho do vereador Bicudo, que sempre esteve ao lado das pessoas do bairro.

Família do Sr. Antonio Monteiro (crédito Rose Parra)

Imagem doada por Antonio Monteiro para o Fundo Vereador Hélio Ribeiro do Arquivo Público Municipal


11) Genézio Xavier, o Chá-Xá (in memoriam). Foi o primeiro a abrir um depósito de materiais de construção no bairro. Nasceu em 1937 no município de Polônia/SP. Veio de Santa Fé do Sul para o bairro em 1982 e foi morar na antiga Rua 33. Para fazer entregas, amarrava correntes nos pneus do automóvel. Também foi membro da Associação Amigos de Bairro 12 de Junho. Em frente de seu depósito chegava a formar fila para usar o telefone. Foi candidato a vereador, mas sua esposa desaprovou pelo fato de as pessoas irem na casa deles para trocar voto por dentadura, botijão de gás e cesta básica. Em 2000 fechou o depósito, cansado de cobrar dívidas de vendas feitas a fiado.


Sr. Genésio Xavier, o "Chá-Xa"
 1o. depósito de material de construção no Jardim Morada do Sol





Imagem do acervo familiar de Genésio Xavier (antiga Rua 33 no início da década de 1980)

12) Mariza Baroni Bernardinetti, ituana, nascida em 1944. Educadora, desde criança já gostava de brincar de escolinha. Organizou a primeira escola estadual do Jardim Morada do Sol quanto trabalhava na 3a. Delegacia de Ensino de Campinas, em 1982. Eram, na época, 120 famílias que moravam no local e onde foi improvisada a escola na antiga sede da Fazenda Engenho D Água, inicialmente montada com doações. Em seguida, com o aumento da demanda, foi montada a E.E.P.G. Antônio de Pádua Prado. Atualmente é diretora do departamento de alimentação escolar da prefeitura de Indaiatuba.


1a. escola do Jardim Morada do Sol na antiga sede da Fazenda Engenho D´Água

CONTINUIDADE


A Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, em parceria com a Secretaria da Educação está dando continuidade ao processo de valorização dos sujeitos históricos do bairro. Uma campanha está sendo feita para arrecadas objetos, imagens, documentos, tudo o que possa remeter à história dos migrantes do local, bem como dos negros e da população indígena.


 Hélio Ribeiro e o lançamento da exposição itinerante "Jardim Morada do Sol".


FELIZ ANIVERSÁRIO A TODOS OS MORADORES DO BAIRRO!

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