sábado, 2 de janeiro de 2010

Joaquim Emigdio de Campos Bicudo (2)

Joaquim Emigdio de Campos Bicudo, conforme já escreveu o pesquisador Nilson Cardoso de Carvalho,

" foi uma das figuras mais importantes da Vila de Indaiatuba na segunda metade do século XIX"... estando seu nome ... "presente a todas as atividades de interesse relevante para a comunidade da época. Foi coletor de rendas gerais e e provinciais, comerciante, fazendeiro cafeicultor e industrial em Indaiatuba."

Em 1875 casou-se com D. Escolástica Angelina da Fonseca, filha do abastado fazendeiro de Indaiatuba, Capitão José Manoel da Fonseca Leite, de quem o casal recebeu a fazenda Pau Preto como dote de casamento. O casal teve 8 filhos (Luiz Gonzaga de Campos Bicudo, Francisco de Campos Bicudo, José Francisco Bicudo, Joaquim da Fonseca Bicudo, Tereza Bicudo Almeida Prado,  Maria do Carmo Bicudo Ferraz, Ana Fonseca Bicudo e João da Fonseca Bicudo), todos eles na imagem abaixo, junto com a mãe:



 A imagem é de 1892, quando D. Escolástica já era viúva de Joaquim Emigdio,
que faleceu precocemente com 48 anos de idade. Na ocasião de seu falecimento,
seu filho mais velho tinha 15 anos e o mais novo 4 anos.


O segundo menino da esquerda para direita é Joaquim da Fonseca Bicudo, avô de Vera Regina Bicudo, que conta:

"Meu avô Joaquim da Fonseca Bicudo, conhecido como Quinzó Bicudo, era o sétimo filho de Joaquim Emigdio de Campos Bicudo. Nasceu em 1886. Tinha 5 anos quando perdeu o pai. Aos 9 anos foi aluno interno do Colégio Makenzie em São Paulo mas saiu aos 13 anos - após várias fugas onde pegava o trem e depois as chamadas "jardineiras" até chegar em Indaiatuba.

Aos 15 anos recebeu da sua mãe como parte de sua herança a Fazenda Paraizo em Itu, de propriedade ainda da família. Fazenda esta que havia sido do Barão do Itaim. E assim, sozinho, começou a sua vida de fazendeiro, permanecendo solteiro até 29 anos, quando resolveu casar.

Para arrumar uma pretendente,  promoveu um "pic-nic" na fazenda, convidando todas as famílias tradicionais da região que tinham filhas "casadoiras". Foi uma festa muito comentada e famosa na época, isso em fevereiro de 1915.  Nesse "pic-nic", como era chamado,  entre mais de 200 pessoas, escolheu a sua noiva.

Um mês após, foi à casa do sr.  José Balduíno do Amaral Gurgel em Itu, pedir a mão em casamento de sua filha Maria Adelaide Galvão do Amaral Gurgel, que então tinha acabado de completar seus 15 anos. Em maio do mesmo ano se casaram.

Tiveram apenas 1 filho, meu pai, Joaquim da Fonseca Bicudo Filho que nasceu em 1917.

Meu avô exerceu um papel importante, influente e de benemerência na vida social, cultural e política da cidade. Foi ativista na política do estado de São Paulo e de Itu, onde era o presidente do Diretório Democrático da região.  Um homem respeitado e muito reconhecido por todos.

Em dezembro de 1930 no começo da Revolução, por uma ação direta do Governo Federal no Estado e na cidade, o "Governo de Itu" como era chamado, foi destituído e Joaquim da Fonseca Bicudo foi indicado por esse Governo Federal como Interventor do Governo Civil de Itu. Fato este repercutido com honrarias pela escolha dele.

" Nada mais justo e digno de encomios do que a deliberação tomada pelos próceres da situação de entregar a chefia do Governo Civil nas mãos do benemérito presidente do Diretório Democrático."

Assim dizia um trecho da reportagem da "Folha de Ytu" no domingo, 14 de dezembro de 1930 /ano I / n-6.

Na década de 1940,  Quinzó Bicudo, tendo necessidade de material para construção e devido às dificuldades do transporte, pesquisou o barro que tinha na Fazenda e verificou que era matéria-prima compatível para fazer tijolos. Então fundou a primeira cerâmica em Itu, na própria Fazenda,onde fabricava tijolos e telhas. Cerâmica Paraizo. Foi o precursor dessa indústria em Itu e na região, que já nos anos 70 eram mais de cem.


Trabalhou muito a vida inteira e mesmo fora da vida politica na cidade, sempre ajudou à todos que necessitavam.

Foi membro benemérito do Asilo Nossa Senhora da Candelária onde sempre prestou auxílio aos idosos menos favorecidos.

Também ajudou financeiramente na construção de uma ala deste asilo, onde se encontra uma placa de bronze em sua homenagem.

Foi um ótimo pai e um avô maravilhoso de quem guardo muitas recordações, todas as histórias da família e quase todos os meus aprendizados. E um irmão presente, amigo, conciliador, adorado e tido como exemplo por todos eles.

Faleceu em 1986, aos 100 anos, lúcido, em sua casa em São Paulo

Deixou 3 netos e 7 bisnetos."


Imagem de Joaquim da Fonseca Bicudo, com 29 anos, em 1915.


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Imagens cedidas por VERA REGINA NOGUEIRA BICUDO, que também contou a história de seu avô, enriquecendo a biografia do indaiatubano Joaquim Emigdio de Campos Bicudo.


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