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quinta-feira, 12 de março de 2015

Livro narra vida rural de menina na Fazenda Pimenta entre os anos 1908 e 1913

O Livro "Clarita da Pá Virada" conta a infância da pequena Clarita entre os cinco e dez anos de idade, vividos entre 1908 e 1913 na Fazenda Pimenta em Indaiatuba, São Paulo.

A autora, Maria Clarice Marinho Villac, nasceu em Itu em 14 de julho de 1903. Era neta do coronel Antonio de Almeida Sampaio, o Totó Sampaio, como era chamado,um dos mais importantes e fazendeiros da região, sendo proprietário das fazendas Pimenta, Grama, Santa Rita, Ingamirim e Sitio Grande, tendo esta última sido a sede da grande propriedade agrícola do seu avô materno, Capitão-mor João de Almeida Prado. "Coroné" Totó Sampaio faleceu em sua fazenda Pimenta em 3 de novembro de 1910 após ter sido presidente da câmara de Itu (NARDY, 1951).

As histórias de Clarita contam a infância da autora, cujo cenário principal é a Fazenda Pimenta, chamada no livro de Fazenda Pitanga. A autora conta todas as peraltices da menina, de seus irmãos e primos no cenário da vida rural de Indaiatuba do início do século XX. Uma descrição imperdível do cotidiano na vida no campo de crianças e mulheres com seus afazeres entre a cozinha, copa e sala.

Um capítulo conta sobre "pretos" libertos, que "ganharam terras do vovô".



Um livro que pode ser apreciado a qualquer tempo e em qualquer idade, revelando,
 a cada página, um profundo conhecimento do universo infantil.



A autora estudou em Campinas, no Colégio Progresso Campineiro, sobre o qual ela também escreveu um livro, o CLARITA NO COLÉGIO, publicado em 1945. No colégio, aperfeiçoou-se em francês e literatura francesa, inglês, pintura e trabalhos manuais e artísticos.

Viúva aos 27 anos e com cinco filhos, sempre trabalhou. Lecionou no Externato Meira em São Paulo. Fundou e dirigiu um contro social para operárias, além de ter dado aulas de francês e inglês durante muitos anos.

Em 1937 escreveu CINCO TRAVESSOS que teve 8 edições, num total de 44.000 exemplares. 

Em 1939 publicou CLARITA DA PÁ VIRADA e, em 1945, o já citado CLARITA NO COLÉGIO. Esta dupla de livros conquistou a juventude dos anos de 1940 e recebeu, inclusive, elogios de Monteiro Lobato.

Estes dois livros voltariam a ser publicados apenas na década de 1980.

Maria Clarice foi homenageada na Biblioteca Infantil Municipal de São Paulo em 1950. 

Em 1970 foi eleita, por aclamação, Membro Honorário da recém fundada Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil.

Faleceu em 23 de abril de 1984.



......ooooooOoooooo......


Na década de 1940, Monteiro Lobato tinha o costume de ir
frequentemente à Biblioteca Municipal Infantil Municipal de São Paulo
verificar a popularidade de seus livros infantis.
Apesar do sucesso constante, houve um dia em que surgiu um concorrente à altura.
Curioso, o escritor levou para casa o exemplar de CLARITA DA PÁ VIRADA.
Voltou então à Biblioteca no dia seguinte só para reconhecer, encantado,
que aquele era um livro atraente e divertido,
e as crianças tinham razão para admirá-lo

Folha de São Paulo 08/06/1946.



ENCANTOU MONTEIRO LOBATO E, CERTAMENTE, ENCANTARÁ VOCÊ.


......ooooooOoooooo......


A Biblioteca Pública (na frente da lateral do Dom José, na Rrua Oswaldo Cruz, 
possui um exemplar do livro, doado pela Conselheira Consultiva da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, Candinha Sampaio.




.....oooooOooooo.....
Leituras para crianças: vida e obra de quatro escritoras entre a metade do século XIX e início do Século XX*

Priscila Kaufmann Corrêa

(Fragmento do artigo)

Maria Clarice Marinho Villac é a representante brasileira do grupo de escritoras escolhido para esta pesquisa*.
A autora se utiliza de suas próprias memórias e experiência de vida para elaborar suas narrativas e apontamentos. Maria Clarice nasceu em Itu no ano de 1903. Quando criança, circulava pelas fazendas de seus avós no interior do estado de São Paulo, além de estudar como interna no Colégio Progresso Campineiro. Casou-se com Dr. Paulo José Villac ao se formar e tornou-se escritora quando perdeu o marido aos 27 anos de idade, tendo cinco filhos para criar. O primeiro livro que publicou foi Cinco travessos, em 1937, pela Editora Revista dos Tribunais, com uma tiragem de 44 mil exemplares (VILLAC, 2008). O livro seguinte foi lançado em 1939, com o título de Clarita da pá virada. Este foi republicado na década de 1980 pela editora Fermata e, posteriormente, em 2006, pela editora Lacruce. O último livro de Maria Clarice, Clarita no Colégio, saiu em 1945 pela editora Cristo-Rei e foi republicado em 2008, também pela editora Lacruce. O livro Clarita da pá virada relata primordialmente a vida no campo, na qual a protagonista se mostra uma criança peralta. Nesta obra, Maria Clarice narra sua infância nasfazendas da família, apresentando seus familiares e as crianças que a acompanhavam em suas brincadeiras e confusões. A menina chega a frequentar a escola, aprendendo elementos do catecismo, a leitura e a escrita, porém o ingresso definitivo no universo escolar se dá no final do livro, quando Clarita toma o trem para Campinas, para estudar no Colégio Progresso. Este deslocamento marca uma nova fase na vida de Clarita, deixando para trás a infância repleta de brincadeiras para dedicar-se aos estudos. O cenário primordial de Clarita no Colégio é o Colégio Progresso, por vezes alternado pelo espaço rural, quando a menina passa as férias nas fazendas da família. A vida no colégio não se mostra fácil, uma vez que Clarita precisa aprender a controlar seus impulsos e adequar-se às regras do internato. Seu comportamento acabou merecendo alguns castigos e muitas conversas com Dona Emília, que emerge como figura central no esforço de tornar Clarita uma menina mais obediente. A religião católica é o elemento utilizado pela diretora para que Clarita incorpore o comportamento esperado para uma menina. A Primeira Comunhão, a Crisma e o ingresso na Pia União das Filhas de Maria são descritos como momentos cruciais na trajetória escolar da menina, que abraça a religião católica com fervor. A moralidade calcada na religião católica aproxima a autora brasileira das obras da Condessa de Ségur.
Por fim, a obra Cinco travessos: amiguinhos de Jesus Hóstia se diferencia dos outros dois livros por se destinar a um público diferente: as mães de família. O livro reúne os apontamentos de Maria Clarice sobre a formação de seus filhos, narrando alguns acontecimentos considerados dignos de nota. Cinco travessos foi publicado, como a própria autora explica, “impelida por reiteradas instâncias de algumas amigas, religiosas de uma Santa Ordem” (1956, p. 05). Na obra a “mãe brasileira” relata como buscou criar seus cinco filhos dentro dos preceitos da moral católica, estimulando-os a amarem Jesus e a realizarem sua Primeira Comunhão por volta dos cinco anos de idade. Apesar de não ser exatamente uma obra destinada aos públicos infantil e juvenil, Cinco travessos permite identificar a influência da escolarização sobre a vida de Maria Clarice, que estimulou os filhos a uma vida religiosa intensa, tal qual aquela vivenciada no colégio. Estes apontamentos se mostram um registro valioso sobre o papel da mulher formada no Colégio Progresso Campineiro nas décadas iniciais do século XX. Mesmo sendo o registro de uma única mãe, o que não possibilita generalizações, ele auxilia a compreender o que o cotidiano do internato, permeado de práticas religiosas, suscitou em pelo menos uma de suas alunas. Maria Clarice Marinho Villac é a única escritora do século XX, que também leu os livros da Condessa de Ségur e se identificava com a personagem Sofia. Neste sentido, a pesquisa das trajetórias de vida das escritoras permitirá identificar aproximações e peculiaridades de cada autora, tecendo um diálogo entre estas mulheres e suas obras. Também não pode ser ignorado o caráter educativo das publicações, uma vez que se destinam a leitores e leitoras em formação.

Em nossa inevitável subordinação em relação ao passado, ficamos [portanto] pelo menos livres no sentido de que, condenados sempre a conhecê-lo exclusivamente por meio de [seus] vestígios, conseguimos todavia saber sobre ele muito mais do que ele julgara sensato nos dar a conhecer. ( Marc Bloch)

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