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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ESTUDOS SOBRE A HISTÓRIA DA ARQUITETURA EM INDAIATUBA - Parte 2: DO BARROCO PARA O ECLETISMO

texto de Charles Fernandes

A TRANSIÇÃO DO BARROCO PARA O ECLETISMO EM INDAIATUBA

Indaiatuba nasce em torno da Igreja da Candelária e tem neste prédio seu maior expoente arquitetônico. As residências e comércios que a ladeiam nesta fase inicial possuem arquitetura de “chão” despojadas de adornos ou linguagem.

As construções vernaculares* de Indaiatuba na primeira metade do século XX, atendem apenas às necessidades básicas de obras urbanas, feitas em barro, de pau a pique ou taipa de pilão, com telhados em duas águas, jogando a chuva  para a rua e para um quintal comum que integrava os interiores das quadras. 

É válido registrar, para ilustrar, que o material para executar calhas, somente viria com a ferrovia, e rincões de telhados eram impraticáveis, impossibilitando às residências de ter grandes apêndices. A busca por ventilação para  os cômodos derivava as janelas e portas para a rua, sem recuo algum, e para um quintal, proporcionando uma ocupação longitudinal a via, de obras que evitavam criar oitões aparentes. Desta forma, a cidade adquire um visual formado por sucessivas e ritmadas portas e janelas, dispostas como notas em uma partitura musical. A austeridade de recursos é refletida na quase ausência de adornos e detalhes arquitetônicos requintados, a cidade possui as características do material com o qual suas edificações são executadas e também da função para a qual estas obras atendem. Estas qualidades precedem movimentos de arquitetura contemporâneos em quase 100 anos, não por opção, mas por necessidade.

Casinhas do antigo centro urbano – Esquina da Pedro de Toledo com a Siqueira Campos
Foto original da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba

Perspectiva de um dia festivo em 1908,
dos casarões do Largo da Matriz, esses mais "elaborados" dos que os demais, pois eram as casas da cidade dos fazendeiros de Indaiatuba. Sentado, entre a primeira e segunda portas à direita, está o Barão de Itaici (Chico Bulão).
(Imagem original do Acervo do Arquivo Público Municipal “Nilson Cardoso de Carvalho” da FPMI)

Com a chegada da ferrovia e com novos recursos econômicos da cafeicultura para a cidade, outro movimento artístico vai suceder o Barroco, que aqui foi apenas insinuado, pela planta e de poucos detalhes no interior da Igreja Matriz. É o Ecletismo, que propõe oposição ao Barroco e substitui esse movimento com ações antagônicas, entre as quais: pressupõe a substituição da produção individual pela produção em série e produtos industrializados e troca a composição livre e imaginativa, pela proporção geométrica e regrada. 

       É a oposição de um movimento emocional e subjetivo, por um movimento racional e científico, baseado em novas ciências como a Arqueologia, e ideologias, entre as quais se destaca o Positivismo. É a arte se adequando à era da produção industrial.

       Na Igreja da Candelária, para se encaixar às novas linguagens, trazidas pela ferrovia e pelos imigrantes europeus, os campanários foram aumentados e receberam uma cobertura que lembra obras vitorianas.

       O retábulo-mor da Candelária não é original, é uma obra eclética que substituiu o original em data a ser confirmada, com elementos neoclássicos e vitorianos, sobre um raciocínio compositivo que vem de perspectiva barroca, o que seria uma incoerência para o raciocínio compositivo eclético, e que poderia pronunciar um possível formato original, muito semelhante à igreja Candelária de Itu, e que teria sido base para a substituição que implantou os foles do órgão.  

       Os parapeitos das tribunas laterais ao altar mor, são os elementos remanescentes que mais se assemelhariam a linguagem do retábulo original.
Retábulo do Altar Mor da Igreja da Candelária de Indaiatuba (Foto de Mônica Carolina).
Na imagem abaixo, procura-se ilustrar a evolução da linguagem dos retábulos das igrejas de nossa região, e a inserção da Matriz de Indaiatuba nesse contexto. A composição do retábulo de Indaiatuba é claramente semelhante aos modelos barrocos do Carmo e da Candelária de Itu; o retábulo da Igreja de Helvetia (fim do séc XIX) ilustra as tendências Neoclássicas que migram com os europeus e que vem substituir o Barroco por uma nova arte, mais regrada e geométrica, apoiada em novas normas compositivas.



A Igreja da Candelária de Indaiatuba foi o primeiro edifício de grande porte da cidade, e retrata a vontade de trazer para a cidade um pouco da importância da populosa Itu, onde as referências dos prédios desta cidade são muito presentes na composição. Os poucos elementos e sua singela fachada refletem a austeridade de nossas condições econômicas;  mas o porte grandioso, apesar dos poucos recursos da época, retrata a fibra que possuíam os primeiros indaiatubanos. O compasso com as construções das cidades importantes da região ilustram a importância gradativa que a cidade vai ganhando no contexto regional.   

Campanários e frontão da Igreja da Candelária de Indaiatuba (foto de Mônica Carolina)

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