terça-feira, 23 de outubro de 2018

Dia Municipal do Historiador

Foi aprovada na Sessão da Câmara Municipal de Indaiatuba de ontem (segunda-feira, 22/10/18) o projeto de lei que institui no calendário oficial do município de Indaiatuba o "Dia Municipal do Historiador" a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto. O Projeto de Lei (que vc pode ler aqui) é de autoria da vereadora Silene Silvana Carvalini e agora segue para a aprovação do prefeito Nilson Alcides Gaspar.

De acordo com a justificativa apresentada pela vereadora Silene, embora "a data esta já instituída no calendário nacional pelo Decreto Lei n°. 12.130, de 17 de dezembro de 2009, ainda não se encontra regulamentada no calendário do município de Indaiatuba". A vereadora defendeu no plenário que a profissão do Historiador tem um papel fundamental na sociedade sendo responsável por investigar, interpretar e preservar os acontecimentos históricos, econômicos, culturais, ideais do cotidiano da sociedade, buscando resgatar a memória da humanidade e ampliar a compreensão da condição humana. 

A vereadora Silene destacou que "a cidade de Indaiatuba é rica em toda sua história e cultura e, certamente, só está conservada até os dias de hoje pela competência dos profissionais que se dedicam em estudar e preservar nossa história. 


DIA NACIONAL

A Criação do Dia Nacional do Historiador foi aprovada em dezembro de 2009, em lei tem origem em projeto de lei do então senador Cristovam Buarque, elaborado em 2007 e identificado como PLS 570/2007. Aprovado no Senado em setembro de 2008, o projeto passou a tramitar na Câmara dos Deputados, transformando-se no PL 4102/2008. Conforme o projeto original, a data seria comemorada em 12 de setembro. Contudo, ao receber emenda do senador Augusto Botelho, a data foi alterada para 19 de agosto, dia de nascimento de Joaquim Nabuco.
Em seu parecer Augusto Botelho destacou: A disciplina científica da História, ao explorar e tentar explicar acontecimentos pretéritos fornece, ao mesmo tempo, elementos fundamentais para a projeção do futuro. E ao se colocar a serviço dessa tarefa, o historiador assume um papel social tão relevante quanto anônimo. [...] a criação de um dia dedicado ao historiador vem resgatar, em parte, o papel social e político desse profissional. Entretanto, a data proposta não está vinculada a nenhum fato significativo no que diz respeito a algum ilustre historiador brasileiro. Por esse motivo, sugerimos que a data faça referência à data de nascimento de Joaquim Nabuco, historiador, diplomata e jurista brasileiro, o dia 19 de agosto de 1849. A escolha de seu nome, além de uma homenagem a todos os historiadores brasileiros, é também uma reverência à luta de Nabuco contra a escravidão. A data, coincidindo ainda com o período letivo, poderá ser uma oportunidade para os estudantes brasileiros refletirem sobre as profundas raízes da desigualdade na sociedade brasileira.”

A HISTÓRIA COMO FERRAMENTA

A ciência, e particularmente as ciências humanas como a História, a Filosofia e a Sociologia não é um conjunto desconexo e desarticulado de informações eruditas - muito pelo contrário. As ciências humanas são ferramentas sob as quais se vê o mundo, tanto que a UNESCO reconheceu que a capacidade de produzir conhecimento é um dos aspectos para distinguir a riqueza e a pobreza de um determinado povo. No entanto, o que temos visto atualmente é o demérito da ciência enquanto meio de desenvolvimento crítico para o avanço de sua apropriação comercial e mercadológica através do uso de aspectos parciais (e muitas vezes até desonestos) do conhecimento em nome de um avanço tecnológico que substituiu o "conhecimento" pela "informação".

Por vários motivos cuja análise não cabe aqui, estamos vivendo um momento de demérito das ciências humanas, inclusive com defesa de que o ensino das mesmas deva ser reduzido nas escolas. Neste contexto avançam afirmações como "a Terra é plana", "nazismo é de esquerda", "aquecimento global é uma farsa" ou mesmo (salvaguardada as proporções) que "a Indaiatuba que temos hoje foi construída nos últimos 20 anos". Desta forma iniciativas como a da vereadora Silene, são louváveis na medida em que podem contribuir - mesmo que modestamente - para manter o reconhecimento de que o homem é um ser social e histórico, por quem e para quem se desenvolve a Ciência, com a finalidade de contribuir para a construção de uma nova ordem social.


(crédito da imagem: Senado Federal)

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