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domingo, 7 de março de 2010

Bem que esse "trem" poderia vir até Indaiatuba!

Bem que o "trem republicano"  que vai fazer viagens turísticas entre Salto e Itu a partir de 2012 poderia ser um projeto que viesse até Indaiatuba, não é mesmo? Bom... se não vier, só espero que os envolvidos e a ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária)  nem pensem em tirar "nossa" locomotiva de Indaiatuba, que funciona perfeitamente, para fazer o trajeto! (três batidas na mesa). (EBS)



NOS TRILHOS DA HISTÓRIA

texto de Rogério Verzignasse publicado em 7/03/2010


O Trem Republicano começa a entrar nos trilhos. O projeto ambicioso foi elaborado em 2005. Na época, foi considerado um mero surto nostálgico de amantes das ferrovias. Agora, no entanto, ele sai do papel. A semana marca a abertura da licitação pública para a instalação de 7 quilômetros de trilhos e a reforma das estações de Itu e Salto, pontos de partida e chegada da maria-fumaça, prevista para entrar em operação em 2012. Para as obras, as duas prefeituras já possuem em caixa R$ 5 milhões, liberados pelo Ministério do Turismo. É metade do dinheiro orçado para as intervenções necessárias, que ainda incluem a construção de pontes, avaliação técnica da estrutura centenária remanescente e a remoção de casebres irregulares ao longo do leito. No momento em que as obras tiverem começado, uma nova licitação vai contratar a concessionária que, além de fornecer a locomotiva a vapor, vai administrar todo o ramal turístico.

A reativação da linha entusiasma as duas cidades. O trem significa o resgate de um capítulo importante da história da região. A inauguração da estação ituana, na Praça Gaspar Ricardo, marcou a chegada de lideranças que, em 1873, participaram da histórica Convenção Republicana, alicerce do movimento político que decretaria o fim do Império, 16 anos depois.

Os dois prefeitos envolvidos, o saltense José Geraldo Garcia (PDT) e o ituano Herculano Passos Júnior (PV), apostam na maria-fumaça para alavancar o turismo regional. E as comunidades já se movimentam, prevendo o sucesso da empreitada.

Salto, por exemplo, quer fazer da estação um centro cultural (com direito a museu, casa do artesanato, restaurante) e ponto de vans, que vão levar o visitante a pontos turísticos tradicionais (como o Parque de Lavras, o gigantesco monumento em louvor à padroeira Nossa Senhora de Montserrat e o impecável Memorial do Rio Tietê). “A linha férrea vai movimentar a economia de toda a cidade”, aposta Wanderley Rigolin, presidente do Conselho Municipal de Turismo.

Dependências da estação (ainda hoje ocupadas por uma clínica municipal de fisioterapia) serão reformadas para o resgate de detalhes arquitetônicos originais (como portões e os guichês usados para a venda de passagens).

Bancos de madeira e jardins vão substituir muros e pátios pavimentados. Além disso, atores da cidade, vestidos como os antigos funcionários da ferrovia, vão usar os 25 minutos da viagem para representar uma peça sobre a história da República.

No caminho, o passageiro vai se deliciar com imagens tocantes, como as residências ferroviárias históricas (que precisam ser reformadas), e a imperdível ponte metálica sobre o Rio Tietê, remanescente da linha férrea original da Estrada de Ferro Ituana.

Em Itu, a estação (que vinha sendo usada como sede para o Serviço de Água e Esgoto) foi desocupada. Apesar de a fachada ter sido reformada ao longo do século passado, o visitante ainda se encanta com os lustres e as luminárias, que resistem no saguão interno e nos pilares externos.

De olho na presença de turistas, a comunidade investe. O tradicional Restaurante Colombo, por exemplo, já tem dependências modernas, com charmosas colunas de madeira, bem na frente da futura plataforma de embarque do Trem Republicano.

Sobra potencial turístico a Itu. Quem desembarcar da maria-fumaça tem um roteiro imperdível para cumprir na região central: o Museu Republicano (instalado no sobrado onde aconteceu a convenção de 1873), a imponente Matriz de Nossa Senhora da Candelária (em estilo barroco e rococó, com altares de colunas douradas) e nada menos que um sítio arquitetônico, com 235 imóveis tombados.

‘Pai’ da ideia, hoje com 32 anos, está ansioso

O Trem Republicano, que reúne Salto e Itu em um consórcio inédito, é um projeto criado por um jovem estudante de turismo. Fábio Grizoto, hoje com 32 anos, trabalha como guia de turismo da prefeitura ituana. Em 2005, ele participou no Rio de Janeiro de uma convenção organizada pelo Movimento de Preservação Ferroviária (MPF) e pela Associação Brasileira de Operadores de Trens Turísticos Culturais (ABOTTC). Na época, Grizoto acabava o curso de turismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio. E ele, que nunca tinha andado de trem, começou a sonhar com o ramal turístico. Visitou os dois prefeitos e os convenceu da viabilidade do projeto, que reúne representantes de legendas políticas diferentes. Em 2006, o rapaz se sentiu entusiasmado para passear de trem pela primeira vez: embarcou na maria-fumaça na Estação Anhumas e passeou até Jaguariúna. “Não vejo a hora de o nosso trem circular”, diz o “pai” da ideia, sem esconder a ansiedade. (RV/AAN)

A hidrovia que ficou no papel

A Estrada de Ferro Ituana foi idealizada em 1870 por produtores rurais e os governantes sabiam da importância do trem para o transporte de grãos à Capital e ao Litoral. O projeto estabelecia a ligação entre Itu e Jundiaí, que já era ligada a São Paulo por uma ferrovia. A obra foi orçada na época em 2.500 contos de réis, divididos em 12.500 ações. O trecho entre as duas cidades foi inaugurado em abril de 1873. Mas, quatro anos depois, a linha já tinha sido ampliada até Piracicaba. A intenção dos idealizadores era instalar trilhos até São Manuel e, a partir de lá, explorar uma hidrovia no Tietê. Em 1892, aconteceu a fusão entre as estradas de ferro Ituana e Sorocabana. A referência a Itu desapareceu do nome e a Sorocabana acabou sendo estratégica para a ocupação e o desenvolvimento do Interior. Os ramais foram sendo desativados gradativamente a partir do final dos anos 60, para desaparecer completamente em duas décadas. (RV/AAN)

DIRETO DE RIO CLARO

O Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes, o Denit, vai fornecer os trilhos para o começo das obras do Trem Republicano. Eles já foram retirados das ruas de Rio Claro, por onde circulavam os trens da Companhia Paulista. O trecho foi escolhido porque o antigo leito rio-clarense tinha exatamente a mesma extensão do ramal turístico. Acontece que parte dos trilhos e dormentes já tinham sido roubados das ruas. O pessoal do Denit conseguiu arrecadar trilhos suficientes para 3 quilômetros da nova linha. Mas já anunciou que vai encontrar trilhos abandonados em outras cidades do Interior e transferi-los para Itu e Salto.

Um comentário:

  1. Eliana, parabéns pelo blog. Sou de Itu e é um prazer conhecer a história de Indaiatuba e região nas suas páginas.

    Indaiatuba tem todas as condições de ter um excelente trem turístico. O percurso entre Salto e Itaici é muito atrativo, com fazendas e belas paisagens. Lembre-se que a Estação de Pimenta está abandonada nas margens do Corredor de Exportação.

    Uma ferrovia turística entre Indaiatuba e Elias Fausto, também no antigo traçado da Ytuana, seria um excelente passeio. Parte do traçado original foi englobado pelo Parque Ecológico, que já é um ótimo programa na cidade.

    Opções não faltam. Vocês já têm a número 1 da Ytuana!
    A minha única preocupação (até mesmo com o projeto do Trem Republicano daqui de Itu) é como manter o serviço viável economicamente. As ferrovias no passado, quando implantadas, tiveram recursos de fazendeiros. Mesmo assim, muitas delas foram à falência anos depois (inclusive a Ytuana). O passeio Campinas-Jaguariúna é ótimo, mas só a ABPF sabe o quanto é difícil manter o trem na linha.

    Um grande abraço.

    Amauri

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