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domingo, 26 de dezembro de 2010

Padre Bento Pacheco

Eliana Belo Silva
Originalmente publicada na revista Imediata Opinião de dezembro/2010


O nome completo do patrono de uma das ruas muito movimentadas de Indaiatuba é Padre Bento Dias Pacheco, que nasceu na Fazenda da Ponte – também chamada de fazenda dos Ferraz - em 17 de setembro de 1819, filho do fazendeiro Inácio Dias Ferraz e dona Ana Antônia Camargo.

Era neto do Capitão Bento Dias Pacheco, que sonhava que o neto fosse “doutor”. Mas como escreveu o historiador Francisco Nardy Filho, “Deus, no entanto, tinha outros desígnios. Desde toda eternidade, o escolhera para seu ministro. O “Bentinho” da Fazenda da Ponte seria Padre,” o que aconteceu em 28 de outubro de 1843, quando foi ordenado.

Padre Bento Pacheco foi vigário  da então freguesia de Nossa Senhora da Candelária substituindo em algumas ocasiões – interinamente - o Padre Casemiro da Costa Roris: primeiro durante aproximadamente 6 meses em 1844 e depois em mais duas ocasiões, em 1847 e 1848.


A fazenda dos Ferraz era uma das grandes produtoras de açúcar da região e possuía um grande número de escravos. Quando recebeu oficialmente parte da herança de sua mãe, que muito jovem ficou viúva, Padre Bentinho teve uma atitude que o fez entrar para a história pela sua benevolência: libertou todos os seus escravos, transferiu as terras que lhe pertenciam para seu irmão e doou para os pobres o dinheiro recebido.


Foi então que, ainda segundo o historiador Nardy, ele veio despedir-se definitivamente de sua padroeira e madrinha Nossa Senhora da Candelária e foi para a Chácara da Piedade trabalhar como capelão no Hospital dos Lázaros. Ali passou a viver junto dos leprosos durante 42 anos, convivendo com uma doença que ele tinha medo desde criança. “Indiferente ao cansaço, ao perigo de contágio, procurava acender, em cada coração sofredor, a lâmpada da esperança num mundo melhor, sem as vicissitudes deste vale de lágrimas.”

Apesar de seu contato permanente com os enfermos nesse longo espaço de tempo, morreu sem contrair moléstia. Faleceu em 6 de março de 1911. Seu corpo foi sepultado na Igreja do Senhor do Horto e São Lázaro, no bairro que hoje leva o seu nome.

Em reconhecimento ao seu trabalho realizado em prol da caridade, sendo também que seu túmulo passou a ser visitado por inúmeros fiéis, que lhe reconhecem graças e favores alcançados em seu nome, em março de 2003 a Cúria Diocesana de Jundiaí instalou o Tribunal Eclesiástico Diocesano para a Causa de Beatificação e Canonização de Padre Bento Dias Pacheco, cujo processo tramita atualmente na Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano. A canonização de Padre Bento é aguardada ansiosamente por muitos fiéis ituanos.

Consta que parte da fazenda “dos Ferraz” ficava no antigo “Bairro dos Cocais”, um dos bairros de Itu que mais tarde viria a ser Indaiatuba. Assim, fica a questão: teria sido Padre Bento indaiatubano ou ituano?

Não importa. Importa sim seu desprendimento e elevado espírito humanitário, que o fez renunciar do conforto material para servir aos mais necessitados, conforme ditou o cristianismo primitivo, complexa filosofia deixada pelo nobre aniversariante de 25 de dezembro: Jesus Cristo.


"Padre Bento Dias Pacheco"
Escultura em bronze 1,50m x 1,05m x 1,06m com pedestal em granito (0,95m x 1,05m x 1,06m)
Praça Padre Bento, Bairro Pari, em São Paulo.


2 comentários:

  1. Nossa que história mais linda.
    Os santos sempre estiveram por perto nós que não os enxergamos,e pensar que este andou por aqui.
    Porque não fazem mais padres assim?
    O que aconteceu?
    thaisreder2006@gmail.com

    ResponderExcluir
  2. Sou devota de Padre Bento Dias Pacheco. Conheço bem a história desse santo padre pois moro na cidade de Itu onde ele está sepultado.
    Essa imagem que hoje se encontra na Praça Padre bento no Bairro do Pari em São Paulo, pertencia a um túmulo que ficava bem na entrada do cemitério, pois quando criança acompanhava meus avós aos domingos em visita ao cemitério e me lembro muito bem desse túmulo , que pertencia a família Paganini. Depois, a família eseve em situação difícil e acabou vendendo essa bela imagem para a Associação de Padre Bento em São Paulo, precisamente, no Bairro do Pari. Foi uma pena Itu, ter perdido esse monumento belíssimo.
    Norma...

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