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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pedro José Wolf - Documentário Biográfico

texto de Nilson Cardoso de Carvalho*



Palavras-chave:
Wolf, Sigrist, Langensand, Strabello, Ambiel, Amstalden, Bannwart, Campreguer, Denni, Enz, Jakober, Ming, Stifter, Stocco, Giswil, Obwalden, cantão, Kanton, Switzerland, Swiss, Schweiz, Suíça, Antonio de Queiroz Telles, Sitio Grande, parceria, Jundiaí, Brasil, São Paulo, Indaiatuba, Helvétia.

Resumo
Peter Joseph Wolff, filho de Joseph Wolff e Katharina Sigrist nasceu em Giswil, cantão de Obwalden, Schweiz em 1843 e na primavera de 1854, acompanhando o pai, emigrou para o Brasil, passando a morar no Sitio Grande, uma fazenda de café no município de Jundiaí, Estado de São Paulo.Aos 30 anos de idade casou-se com Maria Langensand com quem teve 12 filhos. Em 1888, junto com membros das famílias Ambiel, Amstalden e Bannwart adquiriu terras formando o núcleo inicial da centenária Colônia Helvétia na vila de Indaiatuba, Estado de São Paulo.Foi um próspero cafeicultor, proprietário de outras fazendas de café nos municípios de Capivari e Campinas. Após o falecimento de sua primeira esposa casou-se com Antonia Strabello com quem teve 8 filhos.Faleceu no ano de 1917, deixando numerosa descendência, que foi recenseada em 1988, contando então com 1509 pessoas.
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O suíço Pedro José Wolf, vindo menino ainda da terra materna, fincou raízes na região de Indaiatuba, casou-se, criou muitos filhos e fundou, com outros companheiros, a Colônia Helvetia, que tanto tem contribuído, no transcorrer dos tempos, para a formação do perfil sócio-cultural de Indaiatuba.


A chegada ao Brasil
Filho de Joseph Wolf e Catharina Sigrist, nasceu Pedro José Wolf em Giswil, no ano de 1843, e estava entre as cerca de 150 pessoas que, vindas do cantão de Obwalden, embarcaram num veleiro no porto de Hamburgo, Alemanha, na primavera de 1854, com destino ao Brasil. Vinha com o pai, Joseph, vários irmãos, uma irmã e outros membros da família Wolf, nove pessoas ao todo, as quais após tenebrosa viagem marcada pela fome, sofrimentos e mortes, aportaram em Santos a 13 de julho do mesmo ano.


Sitio Grande
Não terminou porém, com o desembarque, a odisséia; pois a viagem serra acima, a pé, as crianças em cargueiros ou no colo das mães, todos arrastando suas bagagens, se prolongou na imensidão do planalto, em carros de bois, atravessando campos e florestas até o Sitio Grande. Essa propriedade de Antônio de Queiroz Telles (mais tarde Barão de Jundiaí) era um imenso latifúndio de mais de mil alqueires, localizado na vila de Jundiaí, próximo à divisa com o atual município de Indaiatuba e à Fazenda Monte Serrate.

Seriam eles, os imigrantes de Obwalden, dos primeiros a experimentar uma nova forma de relacionamento entre o proprietário das terras e os trabalhadores que cuidavam do cultivo e produção do café. Foram eles dos primeiros a por em prática os chamados “contratos de parceria”, acordo em que o colono não era empregado e nem dono, mas parceiro do fazendeiro, na produção do café.

Das 26 famílias emigradas poucas resistiram ao convívio com o meio ambiente adverso e o pesado trabalho nos cafezais. Entre as que resistiram, a família Wolf se destacou, tendo alguns de seus membros, se tornado proprietários de terras, com o produto de seu trabalho, como aconteceu com Luiz Wolf, desbravador dos “sertões” de Barra Bonita, onde foi dono da grande fazenda “Ponte Alta” e, mais tarde, em 1888, comprou uma área de três mil e seiscentos alqueires na Noroeste, tornando-se o primeiro fazendeiro a se estabelecer na região.

O primeiro casamento
Pedro José Wolf casou-se em 1873, aos 30 anos de idade, com Maria Langensand, jovem da família Langensand, uma das famílias emigradas em 1854. Com esta companheira teve doze filhos - seis homens e seis mulheres - nascidos em Sítio Grande, no sertão de Jaú e na Colônia Helvetia.

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na compra das fazendas Capivary-Mirim e parte da Serra d’Água, núcleo inicial da Colônia Helvetia.


Colônia Helvetia

Como seu irmão Luiz, Pedro Wolf esteve também na região de Jaú, e em 1888 tinha boas economias, pois “a família Pedro Wolf, que então era a mais abastada, entrou com a maior importância”


.A medição e divisão só foi feita em 1894, seis anos depois da compra. Foi dividida em quatro partes iguais cabendo a quarta parte a cada uma das famílias adquirentes: Ambiel, Amstalden, Bannwart e Wolf.

.Pedro José Wolf se instalou na antiga sede da fazenda Serra d’Água, ex-propriedade de Vicente de Sampaio Goes, com a esposa Maria Langensand e os nove filhos, existentes em 1888. Nesta casa nasceram os filhos: Augusto em 1889, Cristina, em 1890 e Inácio, em 1891; e foi este o último filho, que Pedro Wolf teve com Maria Langensand, pois esta faleceu em 13 de junho de 1893, quando Inácio tinha de um e meio para dois anos .

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Esta casa era térrea com embasamento de pedras e paredes de tijolos. Todo o vigamento do telhado foi renovado pelo mestre Franz, arquiteto e mestre de obras suíço, construtor da igreja da Colônia Helvétia.

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A fase posterior à fundação da Colônia foi de grande prosperidade para Pedro Wolf, assim como para os demais sócios. Comprou ele, em 1891, junto com os irmãos Ambiel e Benedito Amstalden, o Sítio Prado, adjacente ao Capivary, no município de Campinas. Foi adquirido de Antonio Dias de Oliveira Cruz, e tinha 20 mil pés de café, muita terra para roça e plantação de café, muito pasto e algumas edificações - casa de morada, terreiro para café, três casas para colonos, moinho e monjolo.

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Além dessas duas propriedades nos municípios de Indaiatuba e Campinas, tinha também outra no município de Capivary, de sociedade com seu genro Luiz Enz, casado com sua filha Bárbara. Era a fazenda São Fernando, que em 1894 tinha: área de 200 alqueires, 41 mil pés de café, casa grande de morada, casa pequena de morada, seis casas para colonos, uma casa contendo vapor, serra e moinho e veículos de transporte, trolys, carroças, carretões, carros de bois e animais de tração - burros e bois de carros .

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Na compra das terras da Helvetia, em 1888, Pedro Wolf investiu a quarta parte de 23 contos de réis, ou seja quase 6 contos de réis. Seis anos depois, em 1894, por ocasião do inventário de sua mulher, seus bens foram avaliados em 78 contos de réis, valor líquido. Esta verificação comprova a grande capacidade de trabalho e tino administrativo e negócios de que era dotado.

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O segundo casamento
Pedro José Wolf, em 1896, ainda com filhos pequenos para criar, casou-se novamente, agora com a moça Antônia Strabello, então com 22 anos de idade, nascida em 1874. Dessa união teve o casal oito filhos, elevando para vinte o número de filhos do pioneiro.

Desde que passaram a residir no município de Indaiatuba, após a fundação de Helvetia, alguns colonos suíços, liderados por Antônio Ambiel, no início da República, participaram com assiduidade das atividades políticas da municipalidade, como eleitores. Antônio Ambiel ocupou o cargo de vereador, em uma legislatura. O nome de Pedro José Wolf aparece com freqüência nos livros de atas de presença dos eleitores de Indaiatuba, nas eleições para preenchimento de cargos da câmara municipal, dos congressos estaduais e Federais e ainda para a presidência da República. Votou em 1898 na eleição de Manoel Ferraz de Campos Sales à presidência da República.

Depois de uma vida fecunda e honrada faleceu Pedro José Wolf, no dia 4 de novembro de 1917, sendo sepultado na Cidade de Indaiatuba, no “cemitério de pedras”, sepultura no. 260.

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Descendência de Pedro José Wolf
Estudo realizado por helvetianos, publicado no centenário da Colônia, mostra que Pedro Wolf deixou a mais numerosa descendência, entre os pioneiros da Helvetia

Casado em 1873 com Maria Langensand teve:

1- Josefa, foi casada com Ignácio Amstalden e faleceu em 1932. O casal teve doze filhos.

2- Bárbara, foi casada com Luiz Enz, falecido em 1933, deixando também doze filhos.

3- Ana Maria, foi casada com Francisco Amstalden, faleceu em 1922 deixando cinco filhos.

4- Pedro, solteiro e com 17 anos de idade em 1894.

5- José, nascido em 1879, foi casado com Maria Stocco, com quem teve 14 filhos.

6- Angelina, nascida em 1880, foi freira, das irmãs de São José, do Colégio do Patrocínio em Itu.

7- Martim, nascido em 1882, casou-se com Josefa Stifter, com quem tinha sete filhos (até 1935).

8- Catharina, também freira.

9- João, nascido em 1885, foi casado com Augusta Sigrist e o casal tinha 11 filhos (até 1935).

10- Augusto, nascido em 1889, foi casado com Christina Ambiel e tinham 9 filhos (até 1935).

11- Christina, nascida em 1990, foi casada com Leopoldo Denni e tinham 11 filhos (até 1935).

12- Ignacio, nascido em 1891, casado com Adelina Bannwart, com quem tinha 7 filhos em 1935.

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Maria Langensand faleceu no dia 13 de junho de 1893.

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Pedro José Wolf casou-se novamente, em 1896, com Antonia Strabello, nascida em 1874 e teve mais os oito filhos seguintes:

1- Emile, nascida em 1898, casada com Alfredo Jakober, com 10 filhos até 1935

2- Paulina, nascida em 1902, casada com Paulo Ming, filho de Luiz Ming.

3- Antônio, nascido em 1904.

4- Elisa, nascida em 1905.

5- Benedito, nascido em 1907, casado com Antônia Campreguer

6- Gertrudes, nascida em 1909.

7- Francisco, nascido em 1911.

8- Arnoldo, nascido em 1912.Antônia Strabello faleceu em 1932, aos 58 anos de idade.

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Os vinte filhos de Pedro José Wolf se multiplicaram e em 1988, segundo pesquisa relatada por Leonor Amstalden, o número de seus descendentes era de 1509 pessoas.

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* Publicado originalmente em http://www.geocities.com/RainForest/9468/wolf.htm, onde há notas bibliográficas e notas complementares.

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Um comentário:

  1. Sou da familia Wolff, moro em Minas gerais cidade de teofilo otoni, se tem algum documento sobre Eduardo Frederico Wolff, esse meu tataravó, dai não encontro mais dados, sobre os pais dele, o filho dele com o mesmo nome, que casou em 1910.

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