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Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"Mas os meus fracassos são as minhas vitórias..."

Hoje, dia 01o. de fevereiro de 2017, a Fundação Pró-Memória de Indaiatuba comemora 23 anos. 

Neste dia simbólico, encerro minha participação na instituição.

Como Conselheira Fundadora que fui - estando nela deste antes dessa data, auxiliando na sua organização e composição - despeço-me com lembranças de ter participado de pequenas e relevantes vitórias, mas de um número muito maior de grandes e desastrosas derrotas.

Despeço-me com alívio, pela liberdade que conquisto em continuar firme, fazendo tudo o que eu acredito sem nenhuma amarra institucional. Opto (como sempre optei) pelos princípios que acumulei durante minha vida, advindos do meu temperamento e caráter, somados aos preciosos anos de intensa e apaixonada dedicação ao estudo sobre a História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba, metodologicamente direcionados pela minha formação como Historiadora e Pedagoga.

Continuo aqui no blog, mantendo esse repositório consultado sobretudo por estudantes, jornalistas e pesquisadores, aos quais permaneço sempre à disposição para compartilhar não só o que está aqui, mas tudo o que sei e tenho, como sempre fiz, pronta e prazerosamente.

Por fim, encerro justificando que obviamente sou a favor do restauro do prédio histórico do antigo 'Randolfo", desde que em acordo com o Laudo Técnico emitido - na íntegra. Não compactuo com decisões parciais ou subjetivas de naturezas diversas, principalmente as pautadas no medo, e mais ainda quando as mesmas estão em desacordo com requisitos legais (leis) e regulatórios (laudo técnico). 


____________________________________________________________________________Nota: as atas da Fundação Pró-Memória são públicas, não quebro confidencialidade ao fazer este post.
Cronologia



1) Secretaria da Cultura esvazia o Centro Cultural Vanderlei Peres (antigo prédio do "Randolfo") e anuncia reforma. Há tempos o prédio apresentava problemas de umidade.

2) No dia 3 de janeiro de 2017, devido a um temporal, um galho de uma árvore cai na região nordeste da Praça D. Pedro II, afetando um dos ângulos da cobertura do Grupo Escolar “Randolfo Moreira Fernandes”, agravando a situação.

3) Prefeitura inicia a reforma sem autorização da Fundação Pró-Memória, não tendo conversado antecipadamente sobre a reforma com nenhum dos conselhos: Conselho Consultivo, Conselho Administrativo ou Conselho Municipal de Preservação. Justifica que a reforma é emergencial.

4) No dia 10 de janeiro, parte dos Conselheiros são informados, por mensagem - que a reforma havia iniciado.

5) No dia 11 de janeiro, a comunidade preservacionista do grupo virtual do Facebook Indaiatuba Ativa publica post sobre a reforma, questionando a intervenção que troca as telhas originais (francesas) por telha romana capa e bica (modernas). O prédio é um bem declarado com a intenção de tombamento e isso não pode ser feito sem anuência da Fundação.

6) No dia 12 de janeiro, após essa publicação e comoção na rede social, o secretário responsável pela reforma, Robeniton Oliveira Lima, a secretária da cultura e responsável pelo prédio, Érika Hayashi Kikuti, a secretária adjunta Graziela Milani Narezzi e o chefe de gabinete do prefeito Nilson Gaspar, Fábio Conte, reunem-se com o presidente do Conselho de Preservação Lauro Ratti.

O Conselho Municipal de Preservação é um órgão deliberativo vinculado à Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, ao qual compete formular as diretrizes e estratégias necessárias para garantir a preservação de bens culturais do município de Indaiatuba, adotando todas as medidas cabíveis para tanto.


7) Acorda-se, entre as citadas partes, que a reforma teria continuidade somente após a emissão de um Laudo Técnico emitido por profissional reconhecidamente competente e independente.

8) O Laudo Técnico Pericial número 092/2017 (documento público, que está no Casarão Pau Preto) é emitido, com o seguinte conteúdo (entre outros):

10) Em 31 de janeiro de 2017 o Conselho de Preservação, por 5 votos contra 2, aceita que a reforma continue com "atendimento parcial ao Laudo Emitido". No mesmo dia, o Conselho de Administração, por 5 votos contra 1  também aceita o "atendimento parcial ao Laudo.


_________________________________________________________________________



"Fracassei em tudo o que eu tentei.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se automamente e fracassei.
Mas os meus fracassos são as minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."(Darcy Ribeiro).


Este é um fragmento da Carta de Atenas: 
A conferência está convencida de que a conservação do patrimônio e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados, guardiã da civilização, deseja que os Estados, agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações, colaborem entre si, cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história. (...) (IPHAN, 2007).


Entende-se que toda memória é coletiva, pois visa a continuidade e a resistência a mudanças. É um elemento de identidade, ao ser entendida como componente de coesão de grupos e instituições, sendo definidora, e também questionadora, de lugares de memória. Daí entendermos os motivos pelo qual os “donos do poder” preocupam-se tanto com o que será lembrado e o que será esquecido (PEREIRA, 2002)


Este um trecho da Carta de Veneza:
Portadoras de mensagem espiritual do passado, as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. A humanidade, cada vez mais consciente da unidade de valores humanos, as considera um patrimônio comum e, perante as gerações futuras, se reconhece solidariamente responsável por preservá-las,impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. (IPHAN, 2007).


Este um trecho da Carta de Quito:
V - Valorização Econômica dos Monumentos. Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico, histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país. Consequentemente, as medidas que levaram a sua preservação adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento, mas fazem ou devem fazer parte deles. (IPHAN, 2007)










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