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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Nossa Senhora Candelária

 Texto de Maria Luisa da Costa Villanova
Historiadora pós-graduada em arqueologia.


Próximo às comemorações da a Nossa Senhora Candelária, padroeira da nossa cidade, nada melhor que saber alguma coisa sobre ela.

A devoção a Nossa Senhora da Candelária, uma das diversas denominações da Virgem Maria, tem seus principais fiéis entre portugueses e brasileiros, embora tenha se originado nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha.

A festividade das Candeias (ou das Candelárias) ocorre quando passados quarenta dias após o Natal. Tradicionalmente, o termo "Candeias" ou "Candelárias" faz referência à prática na qual o sacerdote, no dia 2 de fevereiro, abençoa as velas utilizadas nos serviços religiosos do ano todo, algumas das quais são distribuídas entre os fiéis para uso doméstico.

Na liturgia, no dia 02 de fevereiro é celebrado um episódio da infância de Jesus. Este episódio foi descrito no evangelho de Lucas 2:22-40, quando Maria e José levaram Jesus para o templo de Jerusalém, quarenta dias depois de seu nascimento, para completar o ritual de purificação de Maria após o parto e para realizar a redenção do primogênito. Como indica o livro de Levítico 12:1-4 este evento deve se realizar quarenta dias após o nascimento de um menino, daí a apresentação ser celebrada quarenta dias depois do Natal.

Em Portugal, no dia 02 de fevereiro festeja-se Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz, que era tradicionalmente invocada pelos cegos. Na tradição popular local, o estado do tempo neste dia condiciona o tempo para o resto do inverno. Dizendo-se "Nossa Senhora a rir, está o Inverno para vir. Nossa Senhora a chorar está o Inverno a passar." Quer isto dizer que se no dia estiver sol, ainda virá muito "Inverno", se no dia estiver chuva, o inverno já passou.

Segundo uma lenda registrada por Fray Alonso de Espinosa em 1594, uma estátua da Virgem Maria carregando uma criança em uma mão e uma vela verde no outro, foi descoberta na praia de Chimisay (Guímar, Tenerife, nas ilhas Canárias) por dois pastores Guanche (povo nativo das Ilhas Canárias) em 1392. Um dos pastores tentou jogar uma pedra para a estátua, mas o braço estava paralisado, e o outro tentou esfaquear a estátua, mas acabou esfaqueando a si mesmo. Pastores advertiu rei Guanche local e eles voltaram para a imagem, mas desta vez, com reverência e temor e seus ferimentos ficaram saudáveis​​.

Alguns anos mais tarde a estátua foi roubada pelos espanhóis, mas devolvida, pois uma peste ocorreu no local, atribuída ao roubo. Hernán Cortez levava em seu pescoço uma medalha da santa, demonstrando a devoção dos espanhóis por ela, o que talvez explicasse à devoção a santa no Peru.



Imagens de Nossa Senhora da Candelária na cidade de Candelária, em Tenerife (nas Ilhas Canárias)

Em Indaiatuba, a devoção a padroeira parece ter chegado por intermédio de Joaquim Gonçalves Bicudo, protetor da capela no caminho entre as vilas de São Carlos (hoje Campinas) e Ytú (hoje Itu) na margem direita do rio Jundiaí, ao redor da qual surgiria a cidade por volta de 1810. Duas décadas mais tarde, em 09 de Dezembro de 1830, é criada a paróquia Nossa Senhora Candelária, juntamente com a Freguesia (menor divisão administrativa na época do Império) de Indaiatuba.

A construção da Igreja Matriz é iniciada em 1807, no mesmo lugar onde teria sido antes a capela e só foi terminada em 1863.


Nessa época, Indaiatuba possuía três ruas e quatro travessas: rua Nossa Senhora Candelária (hoje rua Candelária), rua da Palma (atual rua XV de Novembro), rua da Constituição (atual rua Pedro Gonçalves), rua das Flores (hoje rua Pedro de Toledo), rua São José (hoje rua Dom José), rua Direita (atual rua Augusto de Oliveira Camargo) e rua do Comércio (hoje rua 7 de Setembro) onde viviam apenas 142 habitantes, mais 2.026 espalhados pela redondeza e cerca de 2.500 escravos, totalizando 4.526 habitantes.

Nossa Igreja Matriz da Candelária é uma das poucas sobreviventes construídas em taipa-pilão. Este era o sistema de construção dominante no planalto paulista até fins do século XIX e consistia em socar camadas de terra úmida entre formas de madeira (taipas).

Bibliografia:
- CARVALHO, Nilson Cardoso de. A Paróquia de Nossa Senhora da Candelária de Indaiatuba. São Paulo: Fundação Pró-memória de Indaiatuba, 2004.
- MARINHO, Martha de Andrade Barbosa. 1ª ed. Uma aventura na Terra dos Indaiás: história de Indaiatuba para jovens leitores. Itu. Rotary Club/ Editora Ottoni, 2003.
- SAMPAIO, Syllas Leite e SAMPAIO, Caio da Costa. Indaiatuba – sua história. Indaiatuba. Rumograf. 1998. P. 129-131.
- SCACHETTI, Ana Ligia. O oficio de Compartilhar histórias: história e memória de Indaiatuba sob a perspectiva de uma periodista. Indaiatuba. Fundação Pró-Memória de Indaiatuba. 2001. P. 92,93.
- ZOPPI, Antonio. Reminiscências de Indaiatuba. Indaiatuba. Fundação Pró-Memória de Indaiatuba. 1998. (Coleção Crônicas Indaiatubanas,vol 1).
http://www.corazones.org/maria/candelaria.htm
http://www.nscandelaria.com.br/paroquia/historico.html


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