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sábado, 22 de agosto de 2009

Friburgo tem importância reconhecida

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Escola, prédio da Igreja Luterana e Cemitério dos Alemães
são patrimônio histórico de Campinas
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. texto de Maria Teresa Costa de 21/08/2009
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
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O Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc) reconheceu ontem (20/08/2009) que o bairro Friburgo, implantado por alemães em 1879, é parte importante da história de Campinas e tombou como patrimônio histórico a escola, o prédio da Igreja Luterana e o Cemitério dos Alemães.
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Para os moradores do bairro, o tombamento é importante pelo reconhecimento da história, mas não irá salvá-los da desapropriação para a ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos.
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Os proprietários terão de vender suas terras para a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), incluindo igreja, escola e cemitério.“Pedimos o tombamento na tentativa de evitar a desapropriação, mas não adiantou. Nada mais justo que preservar os bens de uma comunidade que está neste local desde 1879”, afirmou o tesoureiro da Sociedade Escolar de Friburgo, Gerson Schafer.
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Segundo ele, a Infraero informou que a comunidade poderá continuar utilizando a escola, a igreja e o cemitério, se comprometendo até a fazer a autorização por escrito. “Se não tiver pessoas morando no bairro, há risco de depredações e invasões e nós ainda acabaremos tendo que contratar vigia”, afirmou.
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O tombamento, disse a historiadora da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), Daisy Ribeiro, está dentro da área de desapropriação, mas nenhuma construção de Viracopos será feita naquele espaço. É uma região dentro da chamada curva de ruído, local com restrições de ocupação. “Antes da decisão, consultamos as áreas de planejamento e o (Departamento) Jurídico para termos certeza de que a desapropriação não comprometeria aquelas edificações”, disse a historiadora.
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O bairro teve 30 mil metros quadrados incluídos no decreto de utilidade pública visando à desapropriação para a ampliação de Viracopos. Formado por chácaras e sítios, os proprietários utilizam o espaço como casa de campo para finais de semana.
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Apenas 25 famílias vivem em Friburgo e os descendentes mais idosos, vários dispersos pela região, ainda mantêm apego às tradições como, por exemplo, o uso do dialeto platt deustsch, praticamente extinto na Alemanha.
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Em 2005, teve início um projeto para a introdução de Friburgo no roteiro turístico de Campinas, com qualificação e quantificação da oferta turística da colônia alemã. Uma das partes mais importantes do projeto está pronta: a recuperação da memória, das imagens e documentos do bairro feita pelo Centro de Memória da Unicamp. Outra, de planejamento turístico para o bairro, foi feita pelos alunos do curso de metodologia de planejamento da Faculdade de Turismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).
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Mas quando foi divulgada a notícia de que Friburgo estava dentro do decreto de utilidade pública de Viracopos, houve um esmorecimento no ânimo da comunidade e o projeto parou. Cinco famílias pertencem à primeira leva de imigrantes.
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Pesquisa coordenada pela professora Olga Simson, do Centro de Memória da Unicamp, mostrou que pelo menos cinco das famílias de Friburgo pertenciam à primeira leva de alemães que vieram substituir o trabalho escravo nas fazendas.
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O maior número de imigrantes, 112 pessoas, chegou em 1856 e veio contratado, em regime de parceria, pelo dono da Fazenda Sete Quedas, em Campinas, onde trabalharam em média de 10 a 20 anos para pagar as despesas de viagem e assentamento na nova terra e para amealhar um patrimônio que lhes permitisse comprar suas próprias terras.
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De início plantaram café‚ com relativo sucesso, o que lhes possibilitou, inclusive, a contratação de mão de obra local, a construção de boas e amplas casas. A instalação da escola do bairro foi uma das primeiras decisões do grupo.
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Em 1879, a instituição de ensino começou a funcionar com 16 alunos e muitas dificuldades para conseguir um professor. Durante dez anos, quem serviu de professor às crianças da comunidade foi Niklaus Krahenbühl, que havia cursado o ginásio em sua terra natal.
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A segunda luta da comunidade foi a construção do cemitério, porque era difícil levar os mortos até o Centro de Campinas. A mesma sociedade, fundada em 1879 para construir e fazer funcionar a escola, decidiu fazer o cemitério, numa luta que durou anos para conseguir autorização da Câmara Municipal e depois para conseguir que um padre fosse benzê-lo.
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Porém, a comunidade seguiu próspera até que as secas e geadas e o cansaço da terra começassem a fazer os agricultores a mudar a cultura de café. Veio o “crash” de 1929, a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, e a decisão de trocar o café foi acelerada. As famílias eram grandes e dividir a terra não seria economicamente viável. Quem tinha ainda recursos, comprou terras para seus descendentes em outros locais (Monte Mor e Indaiatuba, por exemplo).
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Os que ficaram, passaram a plantar batatas, algodão e frutas, mas nem de perto conseguiram o sucesso financeiro do café, como observou a pesquisadora Olga Simson. Muitos foram buscar outros ofícios na cidade, venderam as terras e hoje poucos descendentes de alemães ainda têm propriedade em Friburgo.
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O NÚMERO
12 QUILÔMETROS É a distância entre o bairro Friburgo e o Centro de Campinas.
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SAIBA MAIS
Friburgo vem de Friedburg, que quer dizer Castelo da Paz.
Diante da violência que atinge Campinas e as cidades vizinhas, pode-se dizer que o bairro ainda é um castelo da paz, apesar de ocorrências de alguns assaltos.
As famílias que fundaram o bairro são do primeiro grupo de alemães trazidos em 1846 pelo senador Nicolau de Campos Vergueiro, o principal responsável pela implantação de uma política de substituição do trabalho escravo pelo livre, que culminou com a introdução da colonização estrangeira, de cunho particular.
Essa experiência aconteceu pela primeira vez na Fazenda Ibicaba, em Limeira.
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Veja comentários do blog de Edmilson Siqueira sobre o texto acima
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Tombamento e destruição
A expansão de Viracopos, do modo como está proposta atualmente, vai prejudicar inúmeros bens tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc).
Além disso, vai acabar com várias áreas que são exploradas de modo sustentável, com parcela significativa remanescente do cerrado , com dezenas de nascentes e acabar com o habitat natural de rica fauna.
Talvez seja só no Brasil que um crime dessa monta possa ser cometido sem que as autoridades tomem providências para evitá-lo.
Os bens tombados hoje pelo Condepacc fazem parte da comunidade de Friburgo, fundada por alemães há 130 anos.
No Brasil é assim: o que tem mais de um século é, muitas vezes, considerado apenas “velho” e não “histórico”, por autoridades insensíveis à cultura e que só enxergam o lucro que um empreendimento poderá dar, muitas vezes para seus próprios bolsos.
No caso de Viracopos, o blog tomou conhecimento de uma denúncia quase inacreditável. É claro que não dá para provar já, mas corre por aí que a mudança de direção da expansão de Viracopos teria ocorrido para provocar um formidável gasto com movimentação de terra.
De fato, a mudança do local da nova pista e seu afastamento de mais de 2 quilômetros da outra pista (quando 800 metros já seriam suficientes) vai criar a necessidade de um nivelamento do terreno que precisará de alguns milhões de metros cúbicos de terra.
O boato revela também que a empresa encarregada dessa parte, talvez bilionária, da obra já estaria determinada.
Por enquanto é só boato, mas pela experiência desse blogueiro, não dá para duvidar totalmente dessa história. O tombamento – e a reportagem do Correio deixa claro – não evitará que grande parte do bairro seja desapropriado.
Os bens tombados ficarão dentro do que é chamado de “curva de ruído” do aeroporto, onde a vida é praticamente impossível devido ao barulho e à poluição ambiental.
Como vai ser difícil morar ali, já há a preocupação de que esses vens tombados sejam, num futuro próximo, componentes de uma vila fantasma.
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CColaborou: Elizabeta Novack

Complemento:


A presidente Dilma Rousseff (PT) reduziu, de 12,3 quilômetros quadrados para 10,87 quilômetros quadrados, a área ser desapropriada para a ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. Em decreto publicado ontem (22/11/2011) no Diário Oficial da União, a presidente excluiu uma área de 1,49 quilômetro quadrado, livrando da desapropriação — informou a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) — parte do bairro Friburgo e seus bens considerados patrimônio da cidade, como a igreja luterana, a escola, o clube de tiro e o cemitério da comunidade alemã. 


A publicação, que declara de utilidade pública as terras a serem desapropriadas, põe fim a um embate jurídico e tira da Prefeitura de Campinas a missão de fazer as desapropriações. A retirada de Friburgo da desapropriação havia sido acordada pela Infraero quando houve mudanças no projeto de ampliação do aeroporto para reduzir os impactos ambientais. 



A estatal desistiu de desviar a ferrovia que integra o corredor de exportação para poder construir a segunda pista de Viracopos. Em vez de fazer um desvio de 6,5 quilômetros, a empresa aeroportuária optou por passar os trilhos, em túnel, embaixo da futura pista do aeroporto. A estatal obteve o aval do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) para essa solução. 



Até o ano passado, a Prefeitura ajuizava as ações e a estatal fazia os depósitos judiciais. As ações estavam sendo encaminhadas para a Vara da Fazenda do Estado seguindo um procedimento que a Infraero tinha adotado anteriormente na desapropriação de Cumbica, em Guarulhos. Mas houve uma consulta em Brasília, porque existem recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) envolvidos na obra de ampliação, e a Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu participar das ações, transferindo o julgamento para a esfera federal. 
Por considerar irregular o decreto de desapropriação para ampliação do aeroporto, a 7ª Vara Federal de Campinas encaminhou o caso para a Justiça Estadual. 



O entendimento do juízo foi de que o documento não poderia ter sido emitido pelo município de Campinas já que a competência seria do presidente da República. Houve recursos e a AGU assumiu as desapropriações sendo pago pela Infraero.

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