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domingo, 27 de fevereiro de 2011

O tempo através do Tempo

Eliana Belo Silva
originalmente publicado na Revista Imediata fev/2011

Verões costumeiramente chuvosos em nosso país tropical têm sido também costumeiramente Tempos de registros repetidamente trágicos de pessoas que morrem soterradas. Imediatamente intercaladas às lágrimas de luto e desespero, aparecem lágrimas emocionadas com a solidariedade. Enquanto isso, quem vive de vender notícias dispara para todos os lados: analistas culpam a inoperância do governo, a teimosia e indulgência do povo que finca seus frágeis alicerces como unha de gato em pirambeiras perigosas e até o tempo - enquanto estado meteorológico da atmosfera - é apontado como vilão.

De quem é a culpa? Olhar para o passado para responsabilizar algo ou alguém – até as vítimas – têm sido o viés de quase todas as pautas.

Em nossa Indaiatuba também o tempo fechou seriamente e se José Onério, em seu Tempo de execução, não tivesse entubado nossas vielas, o que teria feito o tempo com a Cidade Nova e adjacências? Até o Córrego do Barnabé, mesmo com as margens artificialmente longas do jeito que está, transbordou!

Através do Tempo, o tempo já deixou marcas indeléveis em nossa História.

Uma das mais recentes foi o tornado de maio de 2005, que colocou grande parte do Distrito Industrial literalmente de ponta cabeça, sem vítimas. Amém.

No início da década de 1990, outro tornado - chamado naquela ocasião de Tornado de Itu - ceifou a vida de dois jovens irmãos indaiatubanos e de 14 estudantes saltenses. Desse “ituano”, seguiram-se dois ou três dias nos quais parecíamos estar num Tempo passado, muito distante: ficamos sem energia elétrica, sem luz, sem chuveiro quente, sem geladeira e com luzes de velas mortiças iluminando noites de luto solidário.

Há também registro que, em 18 de agosto de 1870, houve uma geada tão forte em nossa Indaiatuba que destruiu grande parte das lavouras e entrou fortemente para o imaginário do pessoal antigo, que contava que “na manhan seguinte á do phenomeno, podiam ser apanhados cargueiros e carroçadas de peixes nos rios e de passaros no matto, mortos pela intensidade do frio” . [1]
Possíveis exageros à parte, o fato é que o tempo deixa profundas marcas no Tempo, e nestes casos, olhar para a História deve ter objetivo prático: aprender lições para gerar ações. Procurar culpados de nada adianta para quem enterrou seu filho, cônjuge, pais, amigos.


Termino utilizando outro conceito de tempo, aquele que se refere à ocasião própria para um determinado ato; ensejo, conjuntura, oportunidade. É tempo de tomarmos atitudes preventivas que estejam a nosso alcance para evitar que o Tempo continue recebendo a culpa por tragédias que roubam vidas após sufocá-las em lama encharcada pela chuva.

Não bastam apenas atos de solidariedade póstumos.

Temos que agir preventiva e imediatamente para conter o desmatamento, que dentro do entendimento científico que temos hoje das causas de tantos desmoronamentos, ele é uma delas. Talvez possamos fazer a nossa parte dentro dos limites do nosso município: utilizar apenas madeiras caracterizadas como legais nas construções civis seria um caminho. Será que não seria viável estabelecer uma lei municipal que obrigue que cada construção, que cada empreendimento, apresente um certificado de origem (ou algo que o valha) atestando que a madeira utilizada é de origem ecologicamente correta? Que não é madeira advinda de contrabando de matas e florestas protegidas? Talvez estabelecer essa obrigatoriedade como condição para obtenção do Habite-se.

Agir preventivamente, mesmo que pontualmente, é o que podemos fazer, ou continuaremos, em nosso Tempo, juntando roupas para mandar para os desabrigados enlutados e desesperados, vítimas do tempo do Verão de 2012.

[1] Mantida a grafia original do autor Manuel de Arruda Camargo – Reminiscências – A Propósito do Primeiro Centenário de Indaiatuba.

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Todas as imagens abaixo são dos estragos feitos pelo Tornado
que atingiu o Distrito Industrial de Indaiatuba  em maio de 2005

























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