BEM-VINDO AO BLOG DE ELIANA BELO
Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

Este blog só é viável com o auxílio de vários colaboradores; seja um também, divulgando seu (s) texto (s) ou imagem (ns).

CITE A FONTE ao fazer uso de textos ou imagens publicados neste blog; grande parte do material foi cedido generosamente por colaboradores.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Carta de Brasília - Manifesto dos professores de História - 27 de julho de 2017



Que se registre para sempre a posição de resistência dos professores de História da Universidade de Brasília neste Estado de Exceção instalado com o Golpe de 2016 e, que a partir de então, vem trazendo, além do que está citado no texto, um profundo esvaziamento das discussões intelectuais causado, entre outros motivos, pela desvalorização da ciência em múltiplos aspectos.

Este blog subscreve humildemente este manifesto.

Eliana Belo Silva

______________________________________________________________________


REPOSITÓRIO DE DOCUMENTOS AFINS

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nota do Comitê do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica sobre corte de bolsas do CNPq
02/08/201
O Comitê do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reunido em sessão de 2 de agosto de 2017, vem a público expressar indignação com as notícias veiculadas em relação aos cortes no orçamento do CNPq e à suspensão do pagamento de bolsas de estudo. O programa de bolsas de iniciação científica e tecnológica é uma iniciativa única no mundo na formação de alunos de graduação, preparando gerações de pesquisadores e contribuindo para a soberania nacional. Os estudantes beneficiários têm a oportunidade de obter treinamento avançado em laboratórios de pesquisa, preparo para carreiras inovadoras, e inserção na Pós-Graduação.

Existente desde a fundação do CNPq, em 1951, o Programa de Iniciação Científica é um patrimônio da comunidade científica e de toda sociedade brasileira. Este Programa  nunca sofreu descontinuidade mesmo em momentos mais graves de crise econômica e durante governos de diferentes matizes ideológicas.

Em um momento em que nos deparamos com cortes já concretizados na CAPES, FAPERJ e outros órgãos de fomento, estas notícias causam enorme preocupação em relação à continuidade do PIBIC, uma vez que o CNPq é responsável pela concessão de 50% das bolsas de Iniciação Científica (IC) e Iniciação Tecnológica (IT) na UFRJ.

Avaliamos que há um projeto político em curso, que se concretiza em um ataque e desmonte da Ciência e da universidade pública no Brasil, que acarretará prejuízos inestimáveis para toda a sociedade.

Repudiamos os cortes anunciados no orçamento do CNPq, compreendendo que estes inviabilizam a existência da própria 
agência e o futuro do país.



-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Nota de repúdio ao vídeo de escola militarizada em Manaus: “escola sem partido” para quem?

O Professores Contra o Escola Sem Partido vem a público manifestar-se urgentemente em repúdio ao vídeo divulgado pelo deputado federal Jair Bolsonaro e discutido hoje em notícias d’O Globo e Folha de SP. O vídeo mostra alunos e alunas do 3º ano de uma escola pública de Manaus, gerida pela Polícia Militar, enfileirados, falando em coro: “Convidamos Bolsonaro, salvação dessa nação, para participar de sua cerimônia de formatura”. O vídeo foi divulgado no canal de deputado do YouTube e acompanhado por um comentário do mesmo onde diz que as cenas são “um exemplo de ensino” que todas as escolas deveriam seguir.
Bolsonaro repetidamente afirma que o “escola sem partido” é sua pauta prioritária para a educação. Seus filhos, Carlos, Flávio e Eduardo, são proponentes de projetos ESP em esferas legislativas variadas e fazem aparições frequentes em audiências públicas sobre o assunto. O que acontece agora só deixa ainda mais explícita a seletividade da perseguição feita pelo movimento “escola sem partido” e seus apoiadores no legislativo brasileiro. Como dizemos há anos, as demandas do movimento e seus entusiastas não se tratam de uma luta por uma boa educação, mas de uma instrumentalização das discussões educacionais para reagir contra mudanças necessárias à democratização da sociedade: a conquista de direitos de mulheres, LGBTs, e pessoas negras de discutir a sua cultura; o reconhecimento e superação de resquícios do regime autoritário que vivemos no passado, dentre outros.
As imagens de alunos de uma escola pública, em formação militar, saudando uma figura pública como “salvador de uma nação”, figura essa que é notória por seus incontáveis pronunciamentos preconceituosos e violentos – dentre os quais apologia à tortura em sessão parlamentar transmitida nacionalmente e um atestado de misoginia quando se dirigiu a uma deputada afirmando que “não ia estuprar você porque você não merece”, num contexto onde temos 13 feminicídios por dia cometidos majoritariamente por companheiros das vítimas – são perturbadoras. No vídeo vemos um slogan da escola ser entoado pelos alunos: “Disciplina, honra, educação Brasil”. É impossível não lembrar da expressão tradicional nas aulas de história sobre certos acontecimentos do século passado: “culto à personalidade”.
O movimento “escola sem partido” age perseguindo professoras que discutem gênero dizendo que são “doutrinadoras” e “violam os direitos da família”; persegue quem discute cidadania, igualdade social, dizendo que isso não é papel da escola; afirma que discutir as notícias atuais é “doutrinação”, acusando de “ideológico” ou “partidário” qualquer tentativa de fazer uma educação democrática que busque a desalienação dos alunos e alunas do mundo. E frente a esse absurdo, o que um dos grandes defensores do movimento no Congresso Federal considera uma boa educação? Um tipo de colégio preconceituoso, que cobra mensalidades, cobra taxas, faz pré-seleção de alunos, viola o princípio de uma educação pública gratuita e para todos. Desde que começaram a surgir no país escolas públicas geridas pela Polícia Militar, numerosas matérias e notícias de jornais expõem um processo antidemocrático de tornar essas escolas elitizadas, deixando de lado aqueles e aquelas que realmente mais precisam de um bom ensino público.
Jair Bolsonaro (PSC) é um dos principais políticos defensores do “escola sem partido” no Brasil. Seu filho e deputado estadual no Rio, Flavio Bolsonaro (PSC), foi quem apresentou o primeiro projeto ESP no país. O seu partido, Partido Social Cristão, é o que mais apresenta projetos ESP em números absolutos no legislativo brasileiro. Agora, mais do que nunca, perguntamos: “escola sem partido” pra quem?
Fontes:

-----------------------------------------------------------------------------------------------------

Nota de Repúdio - ADUNIFESP - 11/08/2017


Manifestamos nosso mais profundo repúdio ao que ocorreu na Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista, na noite de 11 de agosto de 2017, durante a Audiência Pública convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo.

Desde às 18h o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente armados (foi exigido que guardassem as armas). A calçada do portão principal ficou abarrotada de viaturas da Polícia Militar. A comunidade acadêmica que ali se encontrava para as atividades diárias tinha pouca informação a respeito e ficou estarrecida quando soube que se tratava de uma audiência em que seriam definidos os rumos da educação em direitos humanos e, mais ainda, quando compreendeu que os policiais militares (que a esta altura chegavam a quase cem) defendiam a proposta de eliminar conteúdos fundamentais à educação pública. Estes bradavam por “direitos humanos aos humanos direitos”, “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, etc.

Professores, técnicos e estudantes que estavam no campus, após tomarem conhecimento do que ocorria, decidiram participar da audiência e foram hostilizados pela tropa, que tentou impedir que votassem, sob o argumento de que não estavam lá desde o início. Houve até gritos de “vagabundos”. Se fazem isso contra quem estava no próprio espaço de trabalho e estudo (muitos descendo da sala de aula), o que não farão com pessoas mais vulneráveis em um país com cerca de treze milhões de desempregados?

Estudantes e professores que se manifestaram pacificamente com cartazes em defesa da Escola Pública e dos Diretos Humanos também foram hostilizados. Ouviram-se frase macabras, como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”. Além disso, um grupo de militares e seus apoiadores começou a fazer cartazes com “Bolsonaro 2018”, “Liberdade sem libertinagem”, “Pode confiar #”. Situação preocupante em que os que defendem a “escola sem partido” partidarizam sua atuação portando as vestes e as insígnias de uma corporação militar. Ainda mais lamentável: a alta patente fardada nada fez para controlar seus subordinados que, aliás, quase agrediram fisicamente algumas docentes e estudantes.

Feita a leitura do texto-base do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo, começou a “votação”. O que se viu foi um verdadeiro espetáculo de horror. Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os – mais uma vez – de “vagabundos”. Nas votações subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo ameaçador cada um que votava contra a posição deles. Ao longo da noite, a comunidade acadêmica correu sérios riscos.

Foi aprovada a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar das minorias; foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.

Apesar do temor, a comunidade acadêmica resistiu pacificamente. Externamos nossa forte preocupação com quem pretende, na base do grito, se sobrepor à produção de conhecimentos, à liberdade de pesquisa, à democracia e à autonomia universitária.
A Adunifesp-SSind entende que este ato abusivo e autoritário se insere num movimento maior de ataques à democracia e aos direitos humanos em curso em nosso país. Também o fato de que ele tenha ocorrido dentro da Unifesp escancara o processo de demonização e ataque às Universidades Públicas que é impetrado hoje em dia por setores reacionários da sociedade. 
Por fim, repudiamos veementemente o modo como ocorreu a votação e solicitamos que o Conselho Estadual da Condição Humana desconsidere o resultado desta “consulta”.

Queremos esclarecimentos sobre a utilização do espaço da Universidade Federal de São Paulo para episódios desta natureza. Manifestamos nossa preocupação com a integridade física dos professores, técnicos e estudantes que ali defendiam o ensino público e de qualidade, a escola sem mordaça, a permanência dos direitos humanos como princípio norteador da educação. Exigimos que as chamadas autoridades competentes manifestem posição urgente e clara sobre o ocorrido, especialmente no tocante às relações entre disciplina da tropa e Estado de direito. 

ADUNIFESP - SSind


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

POSTAGENS MAIS PROCURADAS - Última semana

Entre em contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

.

Indaiatuba - A cidade que tinha um urubu de estimação

Indaiatuba - A cidade que tinha um urubu de estimação
Ave silvestre foi domesticada e atualmente voa livremente pela cidade, pousando em logradouros públicos, tornando-se conhecida e querida pelos indaiatubanos. Ajude a preservar!

SEGUIDORES

Quantas pessoas precisam receber um órgão doado?

VISITANTES NO ÚLTIMO ANO