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domingo, 26 de julho de 2015

B. Bastos - O poeta indaiatubano de 1873 (2)


AOS POETAS DA CARANGUEJOLA

Indaiatuba, 25 de novembro de 1873 *
(mantida a grafia original)

Para que as quatro patas
Rimaes versos de caranguejola? ...
É que isso é grande feito
Que tendes na caxolla.

Fazer versos para tropeiros
Cantar ao som da viola
É só próprio desses pedantes
Que trazem ferrugem na bola.

E como andam a quatro
É que a quatro caminham
E bem ferrados de tropel
Como o porco no chão focinham.

Focinha, e assim gronhando
Não falão com muito abobora
Que tem nutrido no pandulho
Por causa da caranguejola.

Que  caranguejola é essa?
É synonimo de caranguejo? ...
É bicho de mar e terra
É amphibio ou percevejo?

Ou melhor de cetacio
Os bigodes semi-frisados
A negligé compostos
E como a capricho penteados?

Ou bastãosinho de myrtacio
São assim p´ra uma viola
Proprios a uma que cantam
Arreiando os Sax da bitola.

E servem para bandolins
Para gaitas e rebecas
Para instrumentos próprios
A festejar do convenio as camoccas

As camoccas da Ituana
São antigas pr´a viola
Destacando-se de duas em duas
Não fazem effeito sem caranguejola

Esses versos de gaiola
Que puzeram a mil trotes
Do autor o engenho da bola
Que toma agora os seus botes

D´um Bastos de Indaituba
Que ahi vem de galopim
Carantonhas e urubus
E com seus teclado de marfim.

Não é marfim isso é osso
Já podre e corrompido
De tanto taramelar a esmo
Com pretenções a ouvido.

E o Bastos de Indaiatuba
Quer vá comer capim
E não se metta a bigodear
Com essas asneiras sem fim.

Para elle uma camisola
Já que tanta se importa
Com machinas e machinistas
Pode bater a outra porta.

Os seus versos não tem entrada
Vem de cabeça occa
Sem sabor e desmiolada
E tudo isso é patacoada.


* Publicado no Jornal CORREIO PAULISTANO


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