Eliana Belo Silva.
Sugere-se que antes deste texto, você leia este.
Adalto Missias de Oliveira
apresenta um perfil de atuação concentrado na área de TRÂNSITO E MOBILIDADE, categoria que reúne, de forma predominante, a maior parte de suas indicações. Trata-se de uma produção marcada por demandas de curto prazo, voltadas à zeladoria urbana cotidiana, como organização do tráfego, ajustes pontuais no sistema viário e melhorias imediatas em espaços públicos, o que caracteriza uma atuação pragmática e territorializada.
Do ponto de vista do comportamento parlamentar, observa-se que o vereador não costuma ocupar com frequência a tribuna do plenário, optando por uma atuação mais silenciosa, baseada no encaminhamento formal de indicações. Raramente sobe para defender suas Indicações, não justifica seus votos, não entra em discussões de matéria nenhuma.
Destacam-se, entretanto, duas proposições de caráter 'mais inovador' para o padrão dele: (1) a indicação que propõe fomentar estudo para a concessão de isenção da tarifa do transporte público municipal às mães ou responsáveis legais que acompanham crianças atendidas no CAPSij, e (2) a que sugere apoio institucional às famílias de munícipes que venham a óbito fora do município durante tratamentos de alta complexidade, incluindo o traslado funerário. Ambas sinalizam sensibilidade social e introdução de novas práticas, o que é coerente com sua trajetória recente na Secretaria de Assistência Social, reconhecida pela população como uma pasta de atuação imediata e assistencialista, voltada à resposta direta às demandas sociais mais urgentes.
Só não demonstrou que são indicações viáveis do ponto de vista jurídico e orçamentário.
Alexandre Carlos Peres - Vice-Presidente
apresenta uma atuação fortemente concentrada na categoria TRÂNSITO E MOBILIDADE, que reúne a maior parte de suas 247 indicações, caracterizadas por demandas operacionais, territoriais e de curto prazo, típicas da zeladoria urbana e da gestão imediata do espaço público.
Como engenheiro de carreira do SAAE, chama atenção a baixa incidência de indicações voltadas à segurança hídrica, à infraestrutura de saneamento e ao fortalecimento institucional da autarquia, áreas nas quais se esperaria maior protagonismo técnico e político, sobretudo considerando que a segurança hídrica figura entre as maiores demandas estratégicas de Indaiatuba, do Brasil e do mundo. Neste sentido, observa-se, por decorrência, ausência recorrente de atuação como articulador entre os Poderes Legislativo, Executivo e o SAAE, papel relevante para um vereador integrante da base do prefeito, o que poderia potencializar soluções estruturantes para o município nessa área.
Desde o seu primeiro mandato (ele está no terceiro) Alexandre Peres demonstra compromisso com a preservação da história e da memória de Indaiatuba, reconhecendo o valor do patrimônio histórico como elemento estruturante da identidade local, no entanto, não se vê respostas concretas da Secretaria da Cultura às inúmeras proposições que ele já fez neste sentido, o que é lamentável.
Entre suas principais Indicações em 2025 estão: (1) implantar uma usina de reciclagem de entulho e resíduos da construção civil, (2) instalar placas fotovoltaicas nos prédios públicos, (3) implantar farmácias em todas as unidades de saúde do município, (4) revisar do Plano Municipal de Arborização Urbana, (5) disponibilizar podólogos para diabéticos no SUS (eu acrescentaria que toda ESF deveria ter um).
No plano do comportamento parlamentar, Alexandre Carlos Peres utiliza com frequência a tribuna para defender suas indicações e esteve presente em praticamente todas as discussões envolvendo temas mais sensíveis ou controversos, assumindo uma postura fortemente alinhada ao Executivo. Seus pronunciamentos são marcados por elevada carga emocional e por um discurso intensamente governista, que, em alguns momentos, privilegia a ênfase afetiva em detrimento de uma argumentação mais técnica e racional. Essa atuação, embora revele engajamento político, acaba por ultrapassar, ocasionalmente, o papel institucional tradicionalmente atribuído ao líder de governo — função formalmente exercida pelo vereador Cebolinha —, destacando-se como uma das mais enfáticas defesas da Administração, superada apenas pela postura 'exagerada' adotada por Othniel Harfuch.
Na condição de vice-presidente da Mesa Diretora, assume com frequência a presidência dos trabalhos na ausência do titular, o vereador Túlio, circunstância que tem ocorrido especialmente nos momentos finais das Sessões, durante a fase da Palavra Livre. Observa-se que, possivelmente em razão de sua formação em Engenharia Civil (exatas) — associada a um perfil mais objetivo e pragmático — ou de traços pessoais de temperamento, o parlamentar evita o enfrentamento direto com a Oposição. Opta, de forma recorrente, por não estabelecer o contraditório, o que garante que os oposicionistas se manifestem sem interlocução no assunto abordado, desviando em seguida o foco do debate para elogios à Administração Municipal. Em algumas ocasiões, essa condução ultrapassa os limites esperados da função institucional, na medida em que o exercício da presidência deixa de ser percebido como instância moderadora e imparcial do debate, sendo utilizado como espaço de projeção do mandato individual, o que tensiona a distinção entre o papel de presidente da Sessão e o de vereador no uso da palavra.
Foi sob sua condução que se registrou um dos episódios de maior tensão entre a Mesa Diretora e um cidadão presente no plenário. O parlamentar protagonizou uma discussão direta com William Barbosa, influenciador político que declara publicamente sua aspiração a cargo eletivo — circunstância que, por si só, não configura demérito e tampouco invalida questionamentos ou intervenções no espaço público, ainda que alguns vereadores eleitos recorram a esse argumento para desqualificar a participação dele. O episódio, amplamente registrado em vídeo, alcançou expressiva repercussão pública, ultrapassando 2,5 milhões de visualizações até hoje, 31 de dezembro de 2025, o que evidencia não apenas o alcance do conflito, mas também a sensibilidade social em torno da forma como o Legislativo municipal lida com a manifestação cidadã e o contraditório fora do círculo estritamente institucional.
Clélia dos Santos Carvalho
No atual contexto político da Câmara Municipal, a posição ocupada pela vereadora Clélia dos Santos adquire um peso simbólico incontornável: ela é a única mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo. Essa condição, por si só, não obriga uma militância identitária, mas carrega uma expectativa legítima de representação qualificada das pautas relacionadas às desigualdades de gênero, à proteção social das mulheres, à equidade no acesso a políticas públicas e à ampliação de direitos — temas que hoje constituem demandas centrais da esfera pública em Indaiatuba, no Brasil e no mundo.
Posto isto, a análise de sua atuação revela um descompasso entre essa expectativa histórica e sua prática parlamentar. A produção legislativa e a participação política da vereadora não evidenciam protagonismo nas agendas estruturantes ligadas às mulheres, tampouco uma atuação capaz de tensionar o status quo ou de inserir, de forma consistente, o debate de gênero nos debates e nas decisões que Legislativo municipal poderia influenciar. Ao contrário, sua postura tem se caracterizado por um alinhamento irrestrito ao Executivo, o que limita sua autonomia política e reduz sua capacidade de exercer o papel crítico e fiscalizador que se espera de uma representante eleita. No plano discursivo, sua presença em plenário tende a privilegiar uma retórica fortemente emotiva, por vezes marcada por apelos afetivos e manifestações pessoais intensas, em detrimento à intervenções analíticas, argumentativas e politicamente assertivas. Essa escolha pode ser considerada legítima no campo da expressão individual, mas acaba por fragilizar sua atuação nos debates mais relevantes, especialmente aqueles que exigem firmeza conceitual e posicionamento claro. Assim, o que se observa é uma atuação que, embora se dê a partir de um espaço historicamente conquistado pelas mulheres após longas lutas por representação, não se traduz, ao menos sob esta leitura analítica, em força política transformadora. Reconheço, por fim, que trata-se, é verdade, de uma expectativa legítima da autora deste texto — e não de uma obrigação inerente ao mandato dela —, mas que se impõe diante do contexto histórico e social em que essa representação se insere.
Ao evitar qualquer conflito democrático, a crítica fundamentada e a afirmação de agendas próprias, a vereadora acaba por esvaziar o potencial simbólico e político de sua condição, reforçando uma lógica governista e conservadora que dialoga pouco com os desafios contemporâneos colocados às mulheres no exercício do poder. A produção do seu gabinete é pautada em sugestões de cunho cotidiano, de zeladoria da cidade que, como no caso dos outros vereadores da Base, poderiam - talvez - serem resolvidas com um telefonema para o tecnocrata responsável pelo processo.
Concluindo, embora o número maior de Indicações dela sejam relacionadas ao TRÂNSITO E MOBILIDADE atuação prioriza, em segundo lugar, pautas assistenciais e pontuais, falhando por não apresentar uma agenda de justiça social voltada à afirmação de direitos e ao enfrentamento das desigualdades estruturais. Entre suas Indicações, as que mais dariam impactos para o cidadão indaiatubano seria: (1) implantar programa itinerante de Assistência Social nos bairros, (2) criar Casas de Acolhimento em regime de “porta aberta” em pontos estratégicos, (4) adotar medidas voltadas à mitigação do fenômeno das ilhas de calor, (5) ampliação das escolas em tempo integral e (5) implantar ações voltadas ao atendimento digno, inclusivo e humanizado às pessoas trans e travestis no âmbito da rede municipal de saúde.
Eduardo Tonin - Líder da Oposição
O vereador Eduardo Tonin concentrou o maior número de suas Indicações na área de TRÂNSITO E MOBILIDADE, porém com uma abordagem distinta da maioria dos parlamentares. Enquanto outros vereadores se limitaram, em geral, a sugerir melhorias pontuais e fragmentadas — como reparos em vias específicas, implantação isolada de ciclovias, ajustes de itinerários de ônibus ou instalação de lombofaixas —, Tonin reiterou, tanto em seus protocolos quanto em suas manifestações em plenário, que ações desconectadas, embora legítimas e necessárias, não resolvem os problemas estruturais da mobilidade urbana. Sua crítica recorrente apontou para a ausência, em Indaiatuba, de uma instância administrativa capaz de tratar o tema de forma sistêmica. Defendeu, em diversas oportunidades, a necessidade de uma Secretaria responsável por Trânsito e Mobilidade, com atuação planejada, integrada e contínua, incluindo a organização de manutenções corretivas e preventivas previamente agendadas, superando a lógica reativa e episódica que hoje predomina na gestão do setor. Essa postura do vereador Eduardo Tonin, ao tratar problemas municipais pontuais a partir de uma perspectiva sistêmica e integrada, constitui um dos aspectos mais diferenciados de sua atuação legislativa.
Em vez de abordar as demandas de forma isolada, como ocorrências episódicas, sua produção e seus posicionamentos indicam a preocupação em compreender a cidade como um conjunto articulado de políticas públicas. Nesse sentido, percebe-se que seu gabinete não operou apenas como um canal de recepção de reclamações individuais dos munícipes — prática que, em muitos casos, poderia ser encaminhada diretamente à Prefeitura —, mas como um espaço de elaboração de proposições mais complexas, voltadas à organização e ao planejamento da ação pública. Essa escolha revela um perfil parlamentar que se aproxima mais da lógica do gestor, interessado em estruturar sistemas e induzir políticas integradas, do que do modelo predominante em outros gabinetes, que se limitaram quase exclusivamente ao atendimento de pedidos pessoais e pontuais da população.
Foi também o gabinete que mais gerou Indicações (embora essa produtividade não signifique, em nada, efetividade, ainda mais sendo ele um vereador da Oposição). Na avaliação do blog, é de autoria dele a Indicação mais relevante do ano: a contratação de um sistema de monitoramento por satélite capaz de identificar, com precisão, os vazamentos na rede de distribuição de água do SAAE. Trata-se de uma proposição "simples", tecnicamente consistente e de alto impacto estrutural. É inadmissível que uma autarquia responsável pela gestão de um recurso essencial continue a perder cerca de 30% da água tratada por falhas na rede, transformando a cidade, na prática, em um sistema ineficiente e crivado de perdas evitáveis. A indicação enfrenta o problema na origem, com racionalidade técnica, responsabilidade ambiental e visão de gestão pública.
Também foi o vereador Eduardo Tonin, como líder da Oposição, que trouxe para a Câmara a exposição do "escândalo do Programa Passe Bolsa", esquema de corrupção na Secretaria da Assistência Social que tomou proporções nacionais e que segue em investigação pelo Ministério Público.
Hélio Alves Ribeiro
como os demais, apresentou o maior número de Indicações na área do TRÂNSITO E MOBILIDADE, concentradas no atendimento de demandas pontuais trazidas por eleitores/cidadãos ao gabinete, voltadas a problemas específicos e desconectadas de uma lógica de um necessário Sistema Municipal de Mobilidade gerido por Secretaria própria — padrão seguido pela maioria dos vereadores, com exceção de Eduardo Tonin. Há, contudo, um elemento que diferencia Hélio Ribeiro dos demais: diferentemente de Alexandre Peres no SAAE, parte de suas Indicações busca integrar sua experiência como funcionário público do Hospital Dia à atuação legislativa, estabelecendo pontes com o Executivo, o que resultou em proposições voltadas à melhoria estrutural da Saúde Pública. Destaca-se também a insistência em determinadas pautas ao longo do tempo — como já ocorreu em legislaturas anteriores com o Autismo e, mais recentemente, com a Saúde do Homem —, aspecto positivo de sua atuação, na medida em que a recorrência pode ampliar a visibilidade do tema e pressionar os tecnocratas do Executivo responsáveis por filtrar e implementar as demandas. Entre as suas 171 Indicações, insiste na melhoria da comunicação com os pacientes do SUS, seja por meio de novas telefonistas, da telemedicina ou de maior robustez no atendimento via WhatsApp. Melhorar a comunicação das Unidades de Saúde Municipais com os pacientes configura-se como uma das melhores Indicações do ano (registraria como a segunda melhor): a necessidade é incontestável e a aplicação, URGENTE. Assim, caso disponha de força política para convencer o Executivo a implementar tais medidas, no campo da Saúde a atuação de Hélio Ribeiro se diferenciará positivamente: suas proposições revelam maior densidade técnica, coerência temática e continuidade, especialmente quando vinculadas à sua experiência profissional no serviço público, como já mencionado. Com base no que se pode definir como especialização temática, espera-se dele persistência política — atributo relevante para tensionar pragmaticamente a agenda do Executivo e ampliar as chances de execução das demandas apresentadas.
Sua postura mais negativa foi estar aliado à votação contrária sobre o escândalo nacional que envolveu o Programa Passe Bolsa. Tanto ele como o ex-vereador Pastor Décio foram Secretários na Secretaria de Assistência Social, gestora do programa. A Oposição insistiu em obter informações e dados através de Requerimento, mas a Base Governista votou veementemente contra esse acesso. (Leia o Requerimento da Oposição aqui).
Leandro José Pinto
Seguindo a linha analítica que observa a transferência da experiência profissional para a atuação legislativa — como já feito com Alexandre Peres e Hélio Ribeiro —, o caso de Leandro apresenta uma especificidade singular: ex-jogador de futebol, ele parece manter no Plenário uma lógica própria do campo esportivo. Sua atuação é marcada por uma postura competitiva, perceptível tanto na linguagem corporal quanto na verbal, transmitindo com clareza a disposição permanente de “fazer o gol”. Tal comportamento exige dele constante autocontrole para não converter o Governo em adversário direto - , mesmo integrando inegociavelmente o time da base governista. Há indícios recorrentes desse tensionamento. Em diversas ocasiões, ao subir à tribuna para defender uma Indicação, Leandro José Pinto afirma — de modo direto e sem rodeios — que a demanda já foi reiteradamente apresentada ao prefeito ou a secretários municipais, sem acolhimento prévio. Essa franqueza, embora revele persistência e inconformismo com a inércia administrativa, acaba por expor desconfortos internos na base de apoio, especialmente para a liderança de governo, colocada em posição visivelmente delicada e até constrangedora diante do Plenário. O resultado é uma atuação que combina lealdade formal ao Executivo com impulsos competitivos próprios de quem ainda parece interpretar a política como disputa em tempo real, mais próxima da dinâmica esportiva do que da negociação em portas fechadas que costuma caracterizar o jogo institucional.
De suas 171 Indicações uma pauta se destaca: a defesa do comércio ambulante, posição que pode tramitar entre os resultados sociais interessantes da economia criativa e o populismo, uma vez que desconsidera os problemas impostos ao Executivo com os custos permanentes de fiscalização, conflitos recorrentes com o comércio formal, ocupação irregular do espaço público, e desgaste institucional decorrente da aplicação seletiva ou insuficiente da legislação vigente. Coam ampla predominância, o assunto que ele mais protocola TRÂNSITO E MOBILIDADE e, em segundo lugar, em OBRAS notadamente em locais onde se praticam esportes. De inovação, defende a construção de um Parque Temático (como o do Jd. Regina) no Jd. Morada do Sol.
O “fora” do ano foi dele, sem qualquer dúvida: no auge da crise marcada por sucessivos óbitos decorrentes da presença de metanol em bebidas alcoólicas, quando o Governo Federal e a Anvisa emitiram alertas técnicos recomendando que a população evitasse o consumo de destilados ou de bebidas de procedência duvidosa, o vereador optou por sair em defesa dos proprietários de bares, botecos e casas noturnas, desconsiderando a necessária cautela sanitária naquele contexto; a reação foi imediata, e o constrangimento tornou-se visível no plenário, desta vez recaindo de forma inequívoca sobre os dois vereadores médicos, colocados em posição institucionalmente desconfortável diante da gravidade do tema naquele momento.
Luiz Alberto "Cebolinha" Pereira - Líder do Governo
Das 207 Indicações protocoladas por Cebolinha, poucas se limitaram a pedidos de zeladoria ou a ações continuadas já inerentes às atribuições das Secretarias Municipais. Seu gabinete destacou-se pela apresentação de propostas programáticas, projetos estruturantes e ações de conscientização, evitando a prática recorrente de sobrecarregar o Legislativo com o trâmite de demandas operacionais de rotina (como pedidos para tapar buracos, trocar lâmpadas, podar árvores ou pintar faixas de pedestres). Esse desempenho diferenciado pode ser associado à sua experiência acumulada em oito mandatos, além da atuação prévia em cargos de alta confiança em diferentes gestões, o que se reflete em uma compreensão mais precisa do papel do vereador da base governista.
Em 2025, foi o parlamentar que mais apresentou Indicações relacionadas à Causa Animal, incluindo a proposta de criação de um Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal, e manteve ao longo do ano uma pauta insistente e transversal sobre saúde mental, abrangendo servidores públicos, idosos e adolescentes em várias frentes, como por exemplo: tratamento para depressão, ansiedade, prevenção ao suicídio, automutilação, dependência; repetiu termos como valorização da vida, inteligência emocional, apoio psíquico, reinserção social e outros. A recorrência do tema reforça seu potencial de conversão em políticas públicas efetivas, para além de campanhas simbólicas como são feitas superficialmente pela Secretaria da Comunicação no "Janeiro Branco".
Destaca-se ainda por não ter concentrado sua atuação em TRÂNSITO E MOBILIDADE — exceção no Legislativo —, com maior volume de Indicações nas áreas de Administração e Saúde. É também de sua autoria o conjunto temático mais relevante de 2025 no enfrentamento da violência doméstica e na proteção à mulher.
Seu maior desafio político é liderar a base governista diante dos recorrentes apontamentos de não conformidades feitas ao Executivo, atuando simultaneamente na defesa institucional da Administração e na contenção dos ataques da Oposição. Leitor voraz, dispõe de robustez verbal e domínio retórico, com habilidade pouco comum para evitar respostas objetivas, deslocando o debate para terrenos discursivos mais favoráveis, muitas vezes sob apaixonados aplausos da plateia formada em maioria pelos funcionários da Casa ou da Prefeitura.
Essa atuação se apoia no uso sistemático de estratégias de distração, tais como o desvio deliberado do foco do problema central, a criação artificial de impasses seguida da oferta controlada de soluções, a diluição gradual de temas sensíveis, o adiamento estratégico de respostas, a simplificação excessiva do discurso com tom paternalista, o apelo à emoção em detrimento da razão, a evitação do aprofundamento técnico, a normalização - em muitos casos - da mediocridade administrativa, a transferência de responsabilidades estruturais para indivíduos e a antecipação das reações do público como forma de neutralizar críticas. Com certeza Noam Chomsky daria um Nobel para ele.
O domínio articulado dessas práticas confere ao vereador alta capacidade de contenção política, ainda que frequentemente à custa do enfrentamento direto das questões objetivas levantadas pela Oposição, sobretudo aquelas relacionadas à legalidade administrativa, à eficiência da gestão e à conformidade com normas vigentes. Neste 2025 ele só não defendeu o chute que a Oposição deu com a bola-passe-e-bolsa. Na primeira oportunidade ele já assumiu que "sim, que houve irregularidades no processo".
Othniel Harfuch
é o vereador governista que mais defende o Executivo de forma aguerrida, frequentemente ultrapassando o campo da argumentação política para ingressar, já nos primeiros estágios do debate, em ataques de natureza pessoal aos integrantes da Oposição. O curto intervalo entre a tentativa inicial de defesa e a escalada do confronto verbal compromete, não raras vezes, a coerência da própria estratégia governista.
Esse comportamento acaba por fragilizar a linha argumentativa construída pelo Líder de Governo, desorganizando a defesa institucional do Executivo e, adicionalmente, funciona como gatilho, inflamando outros parlamentares a aderirem ao confronto. Entre os mais frequentemente mobilizados nesse contexto está Alexandre Peres — por vezes antecipando-se à própria intervenção de Othniel — e, de forma mais episódica, Wilson Indígena da 12, Clélia dos Santos e Prof. Sérgio.
O resultado é um ambiente de debate tensionado, no qual o excesso de reatividade desloca o foco da defesa do governo - que deveria ser apenas técnica, baseada em requisitos legais ou regulatórios - para embates pessoais, reduzindo a eficácia política da base e empobrecendo o nível deliberativo da Casa.
O vereador merece reconhecimento por sua atuação reiterada e consistente na defesa da doação de órgãos, tecidos e de sangue, tema sensível e de elevado interesse público. Ao trazer essa pauta de forma recorrente ao debate legislativo, contribui para ampliar a conscientização social, enfrentar a desinformação e reforçar a dimensão ética e solidária que sustenta as políticas públicas de saúde, evidenciando compromisso com a vida e com o fortalecimento do sistema público. Essa agenda, ainda pouco abraçada no âmbito do Legislativo de Indaiatuba — onde raramente se observa um parlamentar disposto a assumir um tema de maneira continuada e estruturante —, poderia, inclusive, consolidar-se como seu mote político, especialmente se articulada em parceria com o Instituto Gabriel, projetando Indaiatuba como referência e potencialmente como cidade premiada nessa área.
De suas 48 Indicações, manteve o perfil da maior parte dos vereadores apresentando, em maior número, demandas sobre TRÂNSITO E MOBILIDADE. De forma inovadora, defendeu a criação do Fundo Municipal dos Direitos da Mulher (FMDM) no Município de Indaiatuba.
Sérgio José Teixeira
esteve à frente do gabinete muito produtivo da base governista quando considerado o volume de Indicações apresentadas ao longo do período analisado. Ao todo, foram 374 protocolos. Além do elevado número, parte dessas Indicações apresenta caráter propositivo e, em alguns casos, inovador, o que diferencia sua atuação de práticas meramente reativas ou estritamente demandistas, conferindo maior densidade administrativa ao conjunto de proposições. Como a maioria, o principal assunto dele foi TRÂNSITO E MOBILIDADE. O segundo tema mais frequente envolve ações ambientais, incluindo manejo, preservação, educação, conscientização, sustentabilidade e adequações administrativas relacionadas à política ambiental municipal - isso pode advir da estreita relação com o Bosque do Saber.
Dois aspectos merecem destaque em sua atuação parlamentar. O primeiro é a defesa reiterada do Ponto Verde, pauta que o vereador assumiu de forma consistente ao longo do período analisado. Esse posicionamento ganha relevância não apenas pelo mérito do Desenvolvimento Econômico e da valorização da agricultura familiar (o que também é uma pauta Ambiental), mas sobretudo por contrastar com o padrão predominante entre os demais vereadores, cuja produção legislativa se mostra amplamente dispersa. Em geral, observa-se dificuldade em identificar, nos demais mandatos e com poucas exceções, vínculos claros e mensuráveis com territórios específicos, segmentos sociais, coletivos organizados ou agendas temáticas estruturadas; ao contrário, as Indicações tendem a se distribuir de maneira fragmentada, respondendo a demandas variadas e pouco articuladas entre si. Nesse contexto, a atuação de Sérgio se distingue por revelar maior aderência a uma pauta identificável, o que confere, neste ano maior legibilidade política e programática ao seu mandato.
Em segundo lugar, destaca-se a autoria da Indicação considerada a mais ousada do ano: a proposta de implantação de um teleférico no Parque Ecológico. Reapresentada pelo vereador em diferentes legislaturas, a iniciativa revela disposição em sustentar uma ideia de alto impacto, ao articular potencial de atração turística, diversificação do uso do parque e ampliação da acessibilidade. Ao mesmo tempo, suscita questionamentos pertinentes quanto ao elevado custo de implantação e manutenção, especialmente quando confrontado com outras demandas da administração municipal. Contudo, na ausência histórica de um debate público estruturado sobre prioridades orçamentárias — apesar de reiteradas solicitações de participação popular na elaboração do Orçamento —, mantém-se o destaque de caráter elogioso à ousadia e à coerência do parlamentar em defender a proposta ao longo do tempo, mesmo com as críticas que isso pode gerar.
Como professor e integrante da Rede Municipal de Ensino, pode-se inferir que a situação mais delicada pode ter sido a impossibilidade dele tornar públicos os inúmeros problemas existentes na rede. Problemas estes que esta autora espera que passem, finalmente, a ser enfrentados com a atenção que merecem, sobretudo diante da notícia — ainda não oficial — de uma possível (até que enfim!) troca no comando da Secretaria Municipal de Educação.
Túlio José Tomass do Couto - Presidente
No caso do presidente da Câmara, vereador Túlio, o ano apresentou características bastante diferenciadas. Entre os diversos parlamentos municipais acompanhados por esta autora - e não são poucos -, este foi, sem dúvida, um dos mandatos mais agitados no que se refere à relação da Presidência com o público presente nas sessões.
Em Indaiatuba, não existe a Tribuna Livre, o que impede que cidadãos, movimentos ou coletivos de qualquer natureza façam uso da palavra no púlpito. Essa limitação institucional acaba por gerar intervenções espontâneas durante o rito das sessões, consideradas ilegítimas à luz do Regimento Interno, uma vez que não são por ele autorizadas. Tais intervenções foram recorrentes ao longo da presidência de Túlio, afetando visivelmente a condução dos trabalhos. Em diversas ocasiões, a Presidência demonstrou dificuldade em manter a ordem, com sucessivos pedidos de silêncio não atendidos e, em alguns momentos, com a utilização reiterada da ameaça de acionamento da Guarda Civil Municipal, que, durante as sessões, exerce - por força legal - a função de Polícia Legislativa. A normalização desse cenário chegou a tal ponto que se tornou quase um ritual a manifestação de vereadores parabenizando o público presente por seus “protestos silenciosos” - expressão paradoxal que, embora repetida em plenário, revela o grau de inadequação institucional que passou a marcar a relação entre Mesa Diretora e plateia.
A única exceção a essa postura ocorreu na última sessão do ano, quando moradores da Vila Suíça compareceram para protestar contra a construção de um edifício no bairro. Nessa ocasião, a Presidência optou por flexibilizar - sob o desespero indisfarçável do Jurídico presente na mesa o Regimento Interno: interrompeu formalmente a sessão, designou vereadores e determinou que estes atendessem os munícipes em sala reservada para tratar de uma demanda que, registre-se, é legítima. O fato institucionalmente mais grave, contudo, reside no procedimento adotado: enquanto as tratativas ocorriam fora do plenário, a sessão permaneceu suspensa. Em outras palavras — e aqui o destaque é inevitável —, a sessão ficou simplesmente parada.
Como aspecto positivo, a Presidência da Câmara tem promovido mudanças no sistema de comunicação do Parlamento indaiatubano, incorporando inovações de caráter educativo que, se bem conduzidas, podem ampliar a transparência institucional (necessária!) e qualificar (tomara!) a relação com a sociedade. Caso haja continuidade nesse processo e seja garantida autonomia técnica à equipe de Comunicação tais iniciativas têm elevado potencial de se consolidar como um avanço consistente e bem-sucedido!
Como vereador apresentou 399 Indicações e as duas áreas em que o vereador Túlio mais apresentou proposições foram: TRÂNSITO E MOBILIDADE – com ampla predominância sobre as demais áreas e Saúde – aparecendo em segundo lugar, a uma distância considerável da primeira. Esse padrão indica uma atuação fortemente concentrada em demandas relacionadas à organização do espaço urbano, circulação e segurança viária, seguida por pautas ligadas ao funcionamento e à melhoria dos serviços de saúde, o que ajuda a compreender tanto o perfil das Indicações quanto a pressão cotidiana que recaiu sobre a Presidência ao longo do ano. Suas Indicações de maior impacto - se atendidas - foram: (1) implantar um novo CRAS na região da Associação XII de Junho – Jd. Morada do Sol, (2) criar Grupo Terapêutico Multidisciplinar para pessoas com ror crônica e (3) contratação de médicos especialistas em Neuropediatria para a rede pública de saúde de Indaiatuba.
Wilson José dos Santos
O vereador Wilson Indígena da 12 tem se destacado pela apresentação recorrente de pautas de viés conservador que, em grande medida, não encontram aplicabilidade na esfera do Legislativo municipal. Sob uma perspectiva macroinstitucional, trata-se de uma atuação pouco produtiva do ponto de vista da formulação de políticas públicas; por outro lado, é preciso reconhecer que tal estratégia cumpre a função de manter engajado um segmento específico do eleitorado dele, majoritariamente composto por católicos de orientação fundamentalista.
Na defesa de suas Indicações em plenário, o vereador adotou postura de cobrança ao Executivo e aos secretários municipais em intensidade próxima à observada no comportamento de Leandro Pinto. A diferença reside menos no conteúdo das cobranças e mais no estilo: embora com menor contundência retórica, em razão de perfis pessoais distintos, suas intervenções também foram suficientes para gerar constrangimentos ao Líder de Governo. Chama atenção, ainda, a ausência de freio social em sua atuação discursiva, manifestada em declarações reiteradas do tipo “essa demanda já foi solicitada diversas vezes e ainda não foi atendida; espero que agora seja”, pronunciadas sem maior mediação institucional.
Ele segue sendo, de fato, o vereador que mais confere reportabilidade às próprias demandas, aspecto já apontado como um traço distintivo de sua atuação. Esse dado, contudo, está longe de configurar propriamente um elogio: conforme foi possível acompanhar, o Executivo atende aproximadamente 3% das solicitações por ele apresentadas. O resultado é um paradoxo evidente — trata-se do parlamentar que mais reporta, mas que revela baixíssimo retorno prático em termos de efetivação das proposições dele. Considerando que os demais vereadores, em regra, reportam pouco se as demandas que protocolam efetivamente se convertem em ações administrativas, não é possível estabelecer uma comparação conclusiva. Ainda assim, é legítimo inferir que, embora todos atuem como representantes formais da população ao apresentar tais demandas, o conjunto do Legislativo municipal é, em grande medida, pouco ouvido pelo Executivo.
Apresentou 150 Indicações e, como a maioria, seu foco principal foi TRÂNSITO E MOBILIDADE. Entre elas, ele pediu que o Município doe armas de fogo utilizadas no exercício de suas funções aos policiais aposentados (sim, é isso que você leu: pediu que um patrimônio público seja doado para um particular). Entre suas proposições positivas, destaca-se sua insistência em incentivar a água de reuso; e a propósito, ele poderia fiscalizar esse processo e contar no Plenário o que aconteceu com essa iniciativa do SAAE que nasceu, cresceu com investimentos e morreu antes de funcionar.
CONCLUSÃO
A análise consolidada da atuação dos vereadores de Indaiatuba evidencia um conjunto de fragilidades estruturais que, se não forem enfrentadas com método, planejamento e responsabilidade institucional, tendem a se agravar em 2026 e nos anos subsequentes.
Em primeiro lugar, o trânsito e a mobilidade urbana se afirmam como o principal desafio contemporâneo do município. A quase totalidade das proposições nessa área revela a percepção difusa de um problema real e cotidiano, porém tratado de forma fragmentada. Falta uma abordagem sistêmica que articule uso e ocupação do solo, transporte coletivo, mobilidade ativa, acessibilidade universal e gestão da circulação. A insistência em soluções pontuais — lombadas, sinalizações isoladas, ajustes localizados — demonstra incapacidade de induzir um debate qualificado sobre um verdadeiro Sistema Municipal de Mobilidade, capaz de responder ao crescimento urbano acelerado e às mudanças no padrão de deslocamento da população.
Em segundo lugar, destaca-se o caráter imediatista das proposições legislativas, em grande medida desconectadas dos sistemas, planos municipais, programas e políticas públicas já existentes — ou que deveriam existir. A atuação parlamentar permanece centrada no atendimento episódico de demandas individuais, sem articulação com instrumentos de planejamento de médio e longo prazo. Essa prática enfraquece o papel estratégico do Legislativo, que deveria atuar como instância de formulação, indução e fiscalização de políticas públicas, e não apenas como despachante de solicitações fragmentadas.
Em terceiro lugar, chama atenção a quase ausência de crítica consistente à expansão imobiliária, pauta central do município há pelo menos três décadas. O crescimento urbano extensivo, frequentemente dissociado de infraestrutura adequada e de planejamento integrado, está na raiz de grande parte dos problemas hoje relatados pelos próprios vereadores: trânsito caótico, sobrecarga dos serviços públicos, déficit de equipamentos urbanos e pressão ambiental. A omissão do Legislativo nesse debate revela uma desconexão preocupante entre causa e efeito, bem como a dificuldade de enfrentar interesses estruturais que moldam a cidade e condicionam sua qualidade de vida.
Por fim, evidencia-se um descompasso profundo entre a quantidade de intenções declaradas e a baixíssima taxa de transformação dessas proposições em atos efetivamente materializados. O elevado volume de Indicações contrasta com a reduzida capacidade de conversão em políticas implementadas, obras realizadas ou serviços aprimorados. Esse paradoxo compromete a credibilidade do Legislativo, pois reforça a percepção de que a atividade parlamentar se esgota no protocolo e na retórica, sem impacto concreto e mensurável na vida da população.
Em síntese, a atuação dos vereadores de Indaiatuba revela mais sintomas do que soluções. Superar esse quadro exige uma mudança de paradigma: menos imediatismo, mais planejamento; menos fragmentação, mais visão sistêmica; menos acúmulo de intenções, mais compromisso com resultados. Sem isso, o Legislativo continuará reagindo aos efeitos do crescimento urbano, sem jamais enfrentar suas causas estruturais.
PÓS-ESCRITO
Diante desse quadro, seria coerente encerrar este balanço com mais um apelo à participação popular, insistindo para que a população compareça às sessões, acompanhe os trabalhos legislativos e cobre seus representantes.
Mas não o farei.
Pelo contrário: "_não vá".
Fique em casa.
Estude.
Leia.
Compreenda como se estruturam o Estado, o planejamento urbano, as políticas públicas e as relações de poder que moldam a cidade há décadas.
Não espere por epifanias repentinas nem por soluções mágicas.
Talvez, ao final desse percurso — mais longo, mais exigente e menos confortável — surja algo bem mais relevante do que a indignação momentânea: a decisão consciente de disputar o espaço político com método, preparo e responsabilidade.
É disso - DE MUDANÇA, e não de aplausos ocasionais em sessões esvaziadas, que uma cidade como Indaiatuba realmente precisa.