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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Indaiatuba Antiga

. texto* publicado no jornal "A Gazeta de Indaiatuba" em 1955!
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Maria Benedita Guimarães
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Como é agradável relembrar o passado!

Como é agradável rever na imaginação certos quadros que com o decorrer dos tempos, caem no esquecimento!

Indaiatuba antiga!
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Indaiatuba de outrora!
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As vezes fico a pensar e a contemplar este progresso, esta transformação alucinante e fantástica que está atravessando esta linda e mimosa terra dos indaiás, e, faz-me estabelecer um paralelo entre a Indaiatuba pacata e estacionária de 1910, 1911 mais ou menos e a Indaiatuba moderna, ativa e dinâmica de agora, e ...
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Então custa-me as vezes crer na realidade autêntica dessa transformação e ... digo cá com os meus botões: - Agora tudo mudou!
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Agora tudo modernizou!
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Agora tudo está diferente!
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Fico por assim dizer filosofando, e, ao cabo disto vem e chegam a minha mente recordações como estas:
. -Lourenço sem chapéu e Nha Nita Rabi: duas personagens interessantes daquele tempo.
. Muitos de vocês, não sabem quem elas são, vão já saber.
. Lourenço sem chapéu era um caboclo simpático e amigo das crianças, rosto largo, barba a Nazareno, três queimada, semblante risonho, usando paragatas, e estava sempre disposto a rir e a conversar para distrair a petizada. Como até pouco tempo, os homens usavam chapéu para completar a toilete, Lourenço, segundo o que dizia, em cumprimento a uma promessa, não usava , e daí então o apelido vulgar para ele - Lourenço sem chapéu.
. No Natal, confeccionava com todo espero seu presépio e... então nós todos pequenos daquele tempo, ficávamos curiosos, e uns perguntavam aos outros e umas perguntavam as outras:
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- Você já viu o presépio de Lourenço sem chapéu? E ele então com isso se orgulhava da sua perícia e, de ano para ano mais se esmerava nesse trabalho, pois isto constituía um privilégio todo especial seu, e que o deixava um tanto envaidecido. Era uma criatura boníssima e muito popular.
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E Nha Nita Rabi?
. Vamos a ela. Era uma velhinha magra, alquebrada pelos anos, rosto enrugado e cabelos brancos, e que a criançada rebelde e maliciosa a perseguia com os seus assobios ensurdecedores e com as suas vaias provocantes. Quanto Nha Nita Rabi apontava num das ruas, ou numa das esquinas a criançada já, toda aglomerada e aplumada começava: -- Nha Nita Rabi! Fiu- Fiu-fui!!!
. A coitada corria desesperada com um cacetete na mão, e aos gritos e com palavras mais escandalosas e obscenas, corria atrás daqueles, que, já então a essa hora já haviam sumido na virada de alguma esquina, ou dentro de alguma casa ou corredor ou no buraco de algum boeiro.
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Era um escândalo!
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Mas ao mesmo tempo não deixava de ser uma distração não só para a molecada insolente, como também para os adultos pouco caridosos e de má inclinações.
. Cenas como estas continuam o passa-tempo para os indaiatubanos da época, pois que o trabalho era escasso, e os divertimentos dosados.
. Como vêm, Indaiatuba era diferente, e diferente em tudo!
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Agora que tudo mudou, e que vejo esta terra no apogeu do seu progresso pela sua vida ativa comercial e industrial, pela sua instrução primária e secundária, que se estende cada vez mais, pelo seu casario que aumenta assustadoramente, enfim pelo muito que tem progredido e desenvolvido de uns tempos para cá, sinto-me orgulhosa e feliz de ter nascido a sombra dos indaiás desta terra sob as bençãos de Nossa Senhora da Candelária excelsa padroeira desta maravilhosa cidade.

E quero pois deixar aqui neste ano de 1955, ano que se comemora a fundação de “A Gazeta de Indaiatuba”, esta recordação do passado, para esta querida Indaiatuba, tão cheia de poesia, amor e encantamento! .
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......oooooOooooo.....
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*foi mantida a grafia original.
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(Nota EBS): Lourenço sem chapéu nasceu no século XIX e foi escravo de José Balduíno do Amaral Gurgel. Depois de liberto, viveu muitos anos no centro de Indaiatuba e está enterrado no Cemitério da Candelária - de pedras (do lado direito de quem sobre a rua). Em seu antigo túmulo de mármore branco entalhado, há um pequeno presépio (moderno) já desgastado pelo tempo, mas atual, do tipo que comumente se compra em lojas de produtos natalinos.
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