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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Biografia do Padre Renato França

texto de Eliana Belo Silva


Renato França nasceu em Indaiatuba no dia 2 de janeiro de 1935 (1) e faleceu em Limeira, com 69 anos, no dia 2 de dezembro de 2004, vítima de complicações do coração. (2).

Era filho do indaiatubano descendente de italianos Gennaro França (que nasceu em 17/09/1898) e da descendente de espanhóis Helena Quinteiro, (que nasceu em Campinas, na Fazenda Palmeiras). Era irmão dos indaiatubanos Oscar (que foi vereador em Indaiatuba) Luiz, Ana Dalva, Maria das Neves, Antonio Cláudio e Tarcísio.

Padre Renato França em Indaiatuba com 4 anos de idade.
(Coleção pessoal EBS - 44)

O pai de Renato, Gennaro França, era eletricista funcionário da Empresa Luz e Força de Jundiaí Ltda., que foi incorporada à Light and Power Company em 1928. Gennaro participou ativamente da eletrificação da iluminação pública de Indaiatuba. Trabalhava também por conta e ensinou a instalação de circuitos elétricos aos filhos, tanto que ele e os filhos Luiz e Renato fizeram toda a instalação elétrica do Mosteiro de Itaici, que antigamente era chamado apenas de “Colégio dos Padres”.

Foi batizado na Matriz Nossa Senhora da Candelária no dia 28 de abril de 1935 pelo padre Luiz Soriano, tendo como padrinhos Francisco e Encarnación Soriano. Foi crismado nessa mesma Matriz de Indaiatuba no dia 13 de junho de 1940, contando na época – conforme costume – com 5 anos de idade, por Dom Francisco de Campos Barretos, Bispo de Campinas, sendo seu padrinho Benedito França. Aos 9 anos, em 1944, fez sua primeira comunhão exatamente no dia do seu aniversário, 2 de janeiro.

Cursou o Grupo Escolar Randolfo Moreira Fernandes de 1942 até 1945. Foi nessa época que decidiu que sua vocação era a vida seminarista. Entrou então, com 11 anos, para o seminário, mais precisamente no dia 21 de março de 1946 em Campinas – onde cursou o antigo ginásio e o colegial, terminando em 1952.

Em 1953 foi estudar Filosofia no Seminário de Olinda e Recife, onde fez também os dois primeiros anos de Teologia. Foi ai, com 29 anos, que recebeu então a prima tonsura. Em seguida, terminou os dois últimos anos de Teologia em Campinas.

Foi ordenado sacerdote no dia 20 de dezembro de 1959 em Araras, na Igreja Nossa Senhora do Patrocínio, por Dom Paulo de Tarso Campos, então Bispo da Diocese de Campinas. Logo em seguida, tomou posse como vigário auxiliar da Paróquia de Nossa Senhora de Amparo, no município de Amparo –SP., ali permanecendo até 22 de janeiro de 1961 quando então, no mesmo dia, assumiu como vigário substituto, a Paróquia de São Sebastião de Porto Ferreira, pemanecendo ali até o mês de junho. No dia 25 desse mês, tomou posse como pároco de Nossa Senhora das Brotas, na cidade de Lindóia, ali ficando até abril de 1964. Foi então para Iracemápolis, onde também ficou pouco tempo como pároco na Paróquia de Jesus Crucificado, onde permaneceu, até o dia 12 de agosto, quando então, chegou em Leme.

Assumiu ali seus trabalhos, no mesmo dia 12 de agosto de 1964, como pároco na paróquia São Manoel, onde ficou por 16 anos.

“ Foi um dia de luz para nossa querida Leme, que em sua evolução comunitária, ressentia-se da falta de uma personalidade eclesiástica de tão alto gabarito humano e espiritual. Desde esse dia, com marcante atuação enérgica e acima de qualquer julgamento, impôs-se o Pe. Renato como verdadeiro líder, em sua sábia intuição e facilidade de lidar com as massas.” (3)


Nesse período, fez uma reforma na “... carente e antiga matriz”, substituindo-a por um “... monumento arquitetônico que tanto espaço oferece aos fiéis de nossa cidade” . (4) Quando padre Renato saiu de Leme para a vizinha Limeira, os frequentadores da paróquia sentiram muito seu afastamento:


“A notícia que aos poucos vinha tomando corpo entre nós lemenses, acaba de confirmar-se, entristecendo, sobremaneira, a maioria da nossa população. Trata-se do afastamento do vigário de Leme, padre Renato França... A certeza do fato colheu de surpresa a todos nós, que devotamos a esta criatura tão excepcionalmente dotada de virtudes, deixando-nos uma desagradável sensação de abandono e saudades. [Ele] imprimiu entre nós um sistema de comando espiritual tão vigoroso quanto amigo, despertando desta forma, um proveito religioso bem mais afetivo... Que Deus o acompanhe e sempre guie seus passos em busca de ideais almejados.” (5)


De Leme, padre Renato foi para Limeira, onde ficou por três anos, de 1980 a 1983, na paróquia São Sebastião. De Limeira ele foi para Araras, onde ficou entre 1987 até 1990 na Paróquia Imaculada Conceição.

Retornou para Limeira em 1990, na Catedral Nossa Senhora das Dores principal igreja do município, onde ficou por 14 anos, até seu falecimento em 2004. Na Diocese de Limeira, criada em 29 de abril de 1976 e instalada em 25 de junho do mesmo, trabalhou na Curia Diocesana como Juíz do Tribunal, na Diocese como Ecônomo e foi também nomeado Cura da Catedral.

Padre Renato era reconhecidamente uma pessoa muito culta, gostava de escrever e, por onde passava, publicava seus textos nos jornais locais. Sobre Indaiatuba escreveu muitas crônicas, principalmente com sua visão de mocidade da década de 1950; algumas foram publicadas com um pseudônimo nos jornais locais. Era poeta e compunha músicas sacras.

Morava com sua mãe Helena, que ficou viúva ainda jovem – até o falecimento da mesma; e com sua irmã Maria das Neves, com quem viveu até partir para a casa de Deus, a quem ele passou a vida servindo.

Lembro-me quando ia passar as férias na Casa Paroquial em Leme, ainda criança, a maneira didática como contava-me histórias das vidas de santos, sempre dramatizando com fatos de suspense, ou mesmo com coisas engraçadas que ele dizia para manter minha atenção, mantida as vezes às duras custas, principalmente quando eu via que minha tia Neves começava a colocar suas caprichosamente feitas guloseimas em cima de uma mesona. Puxa vida... mas nós, crianças, tínhamos que primeiro esperar os adultos comerem antes! A biblioteca dele era enorme, eu adorava espiá-la, mesmo sobre os protestos e excessivos cuidados da minha tia Helena, que ficava muito brava, mas muito brava mesmo, quando nós, crianças, íamos tocar o sino do campanário fora de hora! Também a ele eu chamava de tio. Tio Padre Renato.

No dia 03 de dezembro de 2004 o corpo do padre Renato França foi transladado e enterrado em Indaiatuba, sua cidade natal, junto com seus pais Gennaro e Helena – após uma missa de copo presente rezada por Dom Augusto Zini Filho, ex-bispo de Limeira. José Carlos Pejon, prefeito de Limeira na data do falecimento, considerou

“...um privilégio ter conhecido o padre Renato. Ele era uma pessoa zelosa e dedicada. No tempo em que esteve conosco, impôs seu estilo... Ele deixará uma lacuna no povo católico. É uma perda lamentável de quem [por sua atuação] era um limeirense.” (6)



O saudoso padre nascido em Indaiatuba não trabalhou muito aqui. Exceto em alguns eventos especiais ou familiares, em que vinha para fazer batismos ou casamentos, sua maior e constante presença - além dos eventos em Itaici - era no dia de Finados, em que religiosamente rezava uma missa na capelinha do Cemitério de Pedras, no Centro, na rua Candelária.
Padre Renato França como paraninfo convidado em formatura em Indaiatuba
(entregando diploma para minha mãe - 1958)
(Coleção pessoal EBS -41)

São as “sincronicidades” do destino... Um padre nascido em Indaiatuba que dedicou sua vida religiosa principalmente para a cidade de Limeira, e nós temos um padre nascido em Limeira que dedica-se – e muito – para nossa Indaiatuba: o padre Xico.

No próximo dia 20 de novembro, o corpo do padre Renato será transladado de Indaiatuba para Limeira, onde, a pedido do bispo Dom Vilson de Oliveira, seus restos mortais ficarão depositados na cripta da Catedral Nossa Senhora das Dores.


.....oooooOooooo.....


(1) A maior parte das informações deste texto foram obtidas através de informações orais da família do padre Renato França, que são meus parentes. Sua mãe Helena era irmã do meu avô materno José Quinteiro. Informações retiradas de outras fontes serão devidamente citadas. (Eliana Belo Silva).
(2) Choque cardiogênico e arritmia cardíaca, conforme atestado de óbito consultado.
(3) (4) e (5) VALERIANO, Sonia Lima. Texto datilografado, sem título e sem data, cedido para consulta por Maria das Neves França.
(6) Não consta no recorte consultado o nome do jornal.

Imagem do acervo de José Renato França, disponibilizada no arquivo do grupo virtual
"Dinossauros de Indaiá" em fevereiro de 2012

Um comentário:

  1. Oi Minha linda
    Também passei para te dar um beijo.
    E dizer que estou orgulhosa por ver seu Blog bombando.
    Talento que não aparecia na Web...

    ResponderExcluir

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