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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Fazenda que virou Cidade

texto da radialista Aydil Pinesi Bonachela (in memorian)
originalmente publicado no livro Um Olhar sobre Indaiatuba (1)


Vasto campo pontilhado de cabeças de gado pastando calmamente, arbustos, árvores, canavial e o riozinho de águas tranqüilas, correndo livremente. É assim que me recordo da fazenda do tio Ario onde passei doces e inesquecíveis momentos da minha vida na década de 50.

A majestosa Fazenda Engenho d´Água ocupava 360 alqueires de terra produtiva. Começava onde hoje (1) é a Cecap, indo além de onde está a Toyota. Sabem onde é a Fundituba? A doação de terra foi feita pelo Sr. Ario Barnabé na gestão do então prefeito em exercício Odilon Ferreira, seu genro.

Voltando a falar da fazenda, o antigo casarão  foi palco dos melhores momentos de sadia diversão. A Nelly, quinta filha do casal Ario Barnabé e Lilia Curti (irmã de minha mãe Filomena), minha prima-gêmea, foi companheira de bancos escolares e grande amiga de folguedos. Saíamos da escola Randolfo ao cair da tarde, atravessávamos o canavial, seguindo trilhas, chegando ao casarão ao cair da noite, sem medo de nada, cruzando com colonos que retornavam da dura lida de mais um dia de trabalho.

No casarão, tia Lilia dava uma bronca nas duas... Mas sempre tínhamos uma desculpa pelo atraso. Jantávamos na enorme mesa ao lado dos demais primos: Darcy, Léia, Gioconda, Ari e Tércio...

Com saudade recordo das brincadeiras na roda d'água (onde hoje é a Praça do Lago) que colocávamos para funcionar sem autorização e depois... lá vinha bronca dos primos mais velhos.

No verão, nadar no riozinho era nossa distração predileta, ainda que no silêncio do canavial pudéssemos ouvir o rastejar e chocalhar de uma cobra. Medo? Que nada! Quanto trabalho ao nosso anjo da guarda!

A nova sede da fazenda, com os confortos da vida moderna, foi construída onde hoje é a UNOPEC com muitos cômodos, toda azulejada. Guardo nitidamente na memória a sala de visitas, chiquérrima para a época, onde tio Ario recebia pessoas importantes e tratava de negócios enquanto tia Lilia fazia o delicioso cafezinho naquele enorme coador de pano. Como era bom ouvir e ver as visitas com seus trajes domingueiros e aquele cheirinho de lavanda e alfazema.

Onde hoje é a Igreja de Santo Antônio, era uma graciosa capelinha, cujo maior evento realizado foi o enlace da Leia com o Aubner Lyra. Que casamento! Que festa! Só gente importante de chapéu e tudo. Foi a noiva mais linda que já vi.

Neste dia, um “detalhe”: Nelly e eu entramos às escondidas no aposento destinado às madrinhas e extasiadas diante dos vestidos esvoaçantes e perfumados acompanhados dos chapéus cheios de véus e plumas e provamos um a um! Descalças e sujas de correr pelo pasto afora, abrindo porteira para os convidados que chegavam em carros. Fomos descobertas e - “dá-lhe mais bronca”; sem falar da ameaça de não marcamos presença na festa.

Além da capela surgia a colônia com suas 20 casinhas pintadas de cor-de-rosa, lembrando as casas populares de hoje. Nos finais de semana sempre tinha sanfona e aquele arrasta-pé em uma destas casas e nos era permitido participar apesar de sermos crianças. Que delícia! Que saudade!

Em 1974 a fazenda foi vendida para ser o Distrito Industrial de Indaiatuba, fato que não ocorreu por motivos diversos. Ali, então, nasceu o loteamento Jardim Morada do Sol (2), que em pouco mais de 30 anos conseguiu se transformar no bairro mais populoso da cidade e que continua crescendo sendo chamado de “segunda Indaiatuba”.

Hoje, o candidato a um cargo eletivo que conseguir ser popular na Morada do Sol, está eleito, com certeza.

Para a comemoração dos 25 anos da Rádio Jornal de Indaiatuba, qual foi o lugar escolhido? Claro: a Morada do Sol, onde a emissora tem audiência quase total.

Nestes 30 anos muita coisa mudou. A fazenda desapareceu para dar lugar às construções e em vez de colonos há um grande número de pessoas vindas de todas as partes do País.

Aqui buscam um novo começo, sonham com uma vida melhor para seus filhos e netos.

Como gostaria que o espírito de despreocupação, alegria de viver, ausência de maldade e libertinagem, tanta droga envolvida, voltasse a imperar nas terras que percorri ao lado de meus primos numa época sem preocupações!

Hoje está lá, majestoso, como o Cristo de braços abertos recebendo todos seus moradores. É o Jardim Morada do Sol, respeitado, populoso e irrequieto; berço hoje, de muitos novos indaiatubanos.

.....oooooOooooo.....


Nota do Conselho Editor:

1. Texto escrito em 2006.

2. O Jardim Morada do Sol derivou de um loteamento – aprovado pelo Decreto Municipal no. 2081 de 19/03/1980 pelo então prefeito Clain Ferrari - de parte da Fazenda Engenho d´Água


Imagem publicada na Revista Exemplo
Edição número 7
Ano III

2 comentários:

  1. ónibos na porta? propaganda enganosa desde aquele tempo rhuaaa´ra ra ra ra

    ResponderExcluir
  2. Minha insequcível insubstituível Aydil(será que acertei escrever seu nome? sempre que me refiro a ela é como se com ela falasse).Eu te adoro, eu tenho um blog que possui o nome do seu programa o fiz em sua homenagem,só que êle é fechado ,eu o tenho como meu muro das lamentações pois ja não tenho você para escrever minhas cartas.Obrigada minha amiga,sabe que as vêzes eu sinto você perto de mim?E olha que não éramos íntimas, mas havia algo entre eu e você que só Deus poderá saber.Obrigada porque foi depois que você falou de minha oficina do Livro na rádio ela bombou e eu fui vitoriosa,mas o tempo vai passando o peso da idade chegando e eu fui para São Paulo e hoje retorno e quando soube de sua ausência quase desfaleço.Passo em frente de sua casa e lágrimas correm de meus olhos.Te amo amiga querida.E só você para escrever como se fala é coisa dos geminianos.
    thaisreder2006@gmail.com

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