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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Escola de Datilografia Progresso



Muitos dos que estão lendo este post confortavelmente em sua casa ou escritório, tiveram a experiência de usar uma máquina de escrever bem diferente dos microcumputadores que são conectados simplesmente no mundo inteiro: a máquina de datilografia.

Até a década de 1980, quando as pesadas máquinas de datilografia foram sendo substituídas pelos computadores com DOS e LOTUS (af., usei os dois...), todas as pessoas que quisessem trabalhar em um "escritório" tinham que fazer um Curso de Datilografia para aprender a ter velocidade no uso da máquina e escrever sem olhar para o teclado, e sim apenas para o papel.

Imagem de 1969 cedida por Jorge A. Ferreira Júnior (clique para ampliar)

É isso mesmo! Os cursos não ensinavam simplesmente a datilografar as letras para formar palavras. Afinal, isso é fácil, todo mundo sabe "catar milho". Os cursos treinavam, por repetição, o futuro datilógrafo a ficar condicionado a saber onde estavam as letras sem olhar para o teclado em uma velocidade "X". Assim só tirava o diploma de "datilógrafo" aquele que digitasse "tantas" teclas por um determinado período de tempo.

Conta-se que haviam chefes que contavam quantas batidas no teclado da máquina tal funcionário dava por minuto para ver se ele não estava "enrolando" no serviço. Já pensou esse tipo de chefe na época da internet? Sofreria uma síncope atrás da outra!

Imagem cedida por Marília, minha amiga do Rio Grande do Sul

 
ESCOLA DE DATILOGRAFIA PROGRESSO

Em nossa Indaiatuba, a pioneira foi a Escola de Datilografia Progresso, dos professores Francisco de Aquino e Ursolina Pereira de Aquino,  que trabalharam durante 30 anos - de 1955 até 1985 ensinando datilografia para muitos indaiatubanos, que inclusive até hoje escrevem muito rápido em seus teclados, graças às habilidades adquiridas através do treinamento orientado pelo casal em cursos de datilografia.

O casal de professores Francisco de Aquino e Ursolina Pereira de Aquino
O treinamento não era fácil. O casal de professores ensinava para os alunos que todos os dedos deveriam ser usados na escrita e aos poucos, iam passando exercícios que deveriam ser cumpridos em um determinado tempo. Digitava-se, por exemplo as letras  "A", "S", "D" e F" com os dedos mindinho, anelar, médio e indicador respectivamente. E apenas olhando no papel... nada de usar só o indicador nem olhar para as teclas! Em seguida eram feitos exercícios com todas as outras letras, até que todas houvessem sido memorizadas. Então vinham as palavras, e por fim o didato ou cópia que deveriam ser feitos dentro do prazo. Caso contrário... o treino recomeçava.

A  instalação da Escola de Datilografia Progresso foi recebida com alívio pelos indaiatubanos, que antes dela, tinham que obter o diploma de datilografia em outras cidades. E como naquela época os jovens começavam a trabalhar cedo, muitos pais obviamente ficavam preocupados em enviar seus filhos para outras cidades ou então nem tinham condições de fazê-lo, de modos que jovens formados em datilografia eram disputados nas raras vagas que se abriam em nossa Indaiatuba.

Residência onde funcionou a Escola de Datilografia Progresso de 1955 à 1985 na Rua Candelária, 375,
esquina com a Rua Dom José em Indaiatuba.

ANTES DA "PROGRESSO"

As imagens abaixo de 1946, dos indaiatubanos Anaida Quinteiro Peres Canovas e Alvaro Estevam de Araújo, comprovam a importância da obtenção de um diploma de datilógrafo: os dois participaram da festa de formatura do curso que tiveram que fazer em Jundiaí. Os dois  primos adolescentes tiveram o privilégio de serem previamente treinados  aqui em Indaiatuba pela senhora Isolina Milani  e foram para Jundiaí com um pouco mais de habilidade que os demais. Após conseguirem cumprir a meta, foram formalmente participar da formatura. Pela gala dos trajes, e até por terem tirado uma fotografia!, presume-se a importância da conquista.



Os indaiatubanos Álvaro e Anaida em trajes de gala na formatura do Curso de Datilografia em Jundiaí - 1946


Imagem cedida por Ralph Mennucci Giesbrecht,
destaca importância da datilografia na carreira e "futuro financeiro".



Esta imagem cedida por Wanderley Duck (infelizmente sem data) coloca a máquina de escrever em primeiro plano da foto. Presume-se a importância da mesma no evento fotografado, onde todos estão vestidos socialmente.  É provável que o padre seja Francisco João de Azevedo , ele próprio um inventor de uma espécie de máquina de escrever. Seria uma formatura de datilógrafos? Reparem os diplomas (seriam diplomas?) nas mãos de alguns deles.


'MÁQUINAS ANTIGAS'


Segundo o colecionador Martin Howard, a aceitação comercial da primeira máquina de escrever aconteceu em 1874, mas foi mesmo a partir de 1890 que seu uso instalou-se de vez.

Uma das primeiras máquinas de escrever de 1874, com vários enfeites floridos

Veja máquinas da coleção de Martin Howard:






Veja mais máquinas de Martin Howard aqui.

.....oooooOooooo.....

Colaborou: Walderes Simonelli Leite


Quer publicar a história da sua escola, comércio ou indústria?

Um comentário:

  1. silvia zerbinatti costa costa12 de março de 2011 20:38

    Eu,Sílvia tenho o diploma de datilografia da escola Progresso.
    Dos idos de 196...e alguma coisa...rsrsrs.

    ResponderExcluir

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