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terça-feira, 4 de março de 2014

O Crime do Poço - Capítulo 16



 

No dia seguinte, sábado, 14 de dezembro[1], veio de São Paulo, o médico legista da polícia, o Dr. Alfredo de Castro para a autópsia, que após “deferir seu compromisso formal de bem e fielmente desempenhar sua missão, declarando com verdade o que encontrar e descobrir e que em sua consciência entender” assim declarou em 15 de dezembro de 1907:

 

“Nos fundos de um pequeno prédio da cidade de Indaiatuba, de um poço de cerca de cinqüenta palmos de profundidade e cinco de diâmetro... [foi retirado um corpo que foi]... colocado sobre uma larga folha de porta... [que serviu]... como mesa... [para a autópsia do]... cadáver de um indivíduo de cor branca, estatura regular e constituição forte, reconhecido ser Domênico de Lucca, italiano de dezoito anos de idade, solteiro, negociante, filho de Modesto de Lucca e residente em São Paulo, na Rua Santa Rosa número trinta e três. Trajava meias de lã, ceroula e camisa de algodão listado, calças e paletó de casimira preta. A metade superior do corpo achava-se envolvida num saco de juta, amarrado por uma corda. Despido dessas vestes, o cadáver achava-se em estado adiantado de putrefação e apresentava um ferimento contuso de forma linear... A cabeça achava-se presa ao tronco apenas pelo tecido muscular e pele da nuca... Na cavidade craniana... [foram encontradas] duas fraturas sendo uma na região esquerda do frontal e outra na do parietal... Domingos de Lucca faleceu vítima de convulsão cerebral e hemorragia cervical, produzidos por instrumento contundente e cortante.”

 

“A repercussão do crime abalou a cidade. Havia um estado de excitação geral do qual não se livrara nenhum dos habitantes. Palavras de protesto e uma onda de indignação levava pequenos grupos, logo ampliados, a exigir justiça a qualquer custo... Tal estado de espírito irradiou-se em todas as direções. Como se viu depois, um desprezo profundo aliado ao ódio irracional daqueles que sequer haviam conhecido a vítima foi dirigido a familiares dos culpados, fossem adultos ou crianças[2].

 
O filho de Eugênio C., que morava em Itu foi descrito com uma pessoa humilhada e acossada pelo crime cometido pelo pai. Escreveu uma carta para que a mãe saísse de Indaiatuba a fim de não ser perturbada por uma culpa que não era sua. Aconselhou a mãe que esperasse passar dois ou três meses antes de mudar-se, para que não sofresse, também naquela cidade, o impacto da ira e popular. As crianças filhas de Antônio N, sem mesmo entender a extensão da tragédia, sem compreender o porquê da loucura do pai, foram seguidamente apontadas na rua, com excreção e agressividade, até o ponto de passarem a evitar o convívio com outras crianças[3].




[1]  As informações deste capítulo são advindas dos autos do processo
[2]  DOTTA. 1985. p.28
[3]  Idem. p.36

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