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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Helvetia: uma parte da história de Indaiatuba

Texto originalmente publicado na REVISTA EXEMPLO IMÓVEIS 
Agradecimentos: Sr. Aluísio Willian, presidente do Grupo AWR
e Débora Andrades, jornalista.


História

O bairro de Helvetia foi fundado por imigrantes suíços que chegaram ao Brasil em 1854, porém somente em 14 de abril de 1888 que a colônia foi fundada em Indaiatuba.
A fundação se deu com a compra do sítio Capivari Mirim por parte das famílias Ambiel, Amstalden, Bannwart e Wolf. O sítio possuía 463 alqueires e a população inicial era de 34 pessoas. As duas primeiras gerações viveram da agricultura, as seguintes das mais diversificadas atividades. Metade dos descendentes reside nas cidades de Indaiatuba e Campinas e tem ligações mais ou menos frequentes com a colônia. Os demais se distribuem por 101 localidades diferentes do Estado, país e do exterior.
Em Helvetia residem 324 descendentes em pequenas propriedades, sendo que grande parte estão no bairro nos finais de semana. A comunidade se estrutura em torno de três instituições ou sociedades: a escola, a igreja e o tiro ao alvo, todas centenárias.



Fatores que determinaram a imigração suíça

A fundação de Helvetia, em 1888, só foi possível e só pode ser entendida se nos reportarmos ao ano de 1854. 
Neste período, 26 famílias, num total aproximado de 150 pessoas, procedentes do Cantão de Obwalden, na Suíça, chegaram ao Brasil para trabalhar na fazenda Sítio Grande, propriedade de Antonio de Queiroz Telles, no município de Jundiaí.
A guerra do Sonderbund em 1847 significou o enfraquecimento político e econômico para os cantões da Suíça Central, entre eles, Obwalden.
Neste mesmo período, aqui no Brasil, diante do movimento abolicionista, recorreu-se à colonização estrangeira com o objetivo de substituir, pouco a pouco, o braço escravo na lavoura de café e de povoar o país, então com baixa densidade demográfica.




Sistema de colonização adotado no Estado de São Paulo

Não havia entre os governantes um consenso sobre o melhor sistema de colonização. 
Alguns defendiam a formação de núcleos de colonização através da concessão de terras aos imigrantes, financiados pelo Estado, como aconteceu em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com resultados satisfatórios, outros, principalmente os fazendeiros do Estado de São Paulo, eram contrários à concessão de terras aos imigrantes. 
Assim dizia o senador Vergueiro, grande fazendeiro paulista: "Não estamos em estado de tomar tanto peso sem utilidade correspondente. Chamar colonos para fazê-los proprietários à custa de grandes despesas é uma prodigalidade ostentosa que não se compadece com o apuro das nossas finanças".
A proposta dos fazendeiros era o sistema de parceria. 
Foi o que prevaleceu para os imigrantes de suíços de Obwalden. As cláusulas fundamentais do contrato de parceria foram: os colonos eram contratados na Europa e trazidos para as fazendas de café, tinham sua viagem paga, assim como o transporte até as fazendas. Essas despesas, entretanto, entravam como adiantamento feito ao colono pelo proprietário, assim como, igualmente, lhe era adiantado o necessário à sua manutenção, até que ele pudesse se sustentar pelo próprio trabalho.
A cada família deveria ser atribuída uma porção de cafeeiros, na proporção da sua capacidade de cultivar, colher e beneficiar. 
Aos colonos também era facultado o plantio de mantimentos necessários ao seu sustento local predeterminado pelo fazendeiro. 
Em caso de venda desses alimentos, o fazendeiro recebia metade. 
Vendido o café, o fazendeiro se obrigava a entregar ao colono a metade do lucro líquido. Sobre as despesas feitas pelo fazendeiro em adiantamento aos colonos, eram cobrados juros de 6%, a contar da data do adiantamento, ficando os colonos solidariamente responsáveis pela dívida e aplicando-se na sua amortização, pelo menos, metade dos seus lucros anuais.

Análise do Sistema de Parceria

As colônias formadas sob o sistema de parceria se concentravam nas regiões de Limeira, Campinas, Jundiaí, Taubaté, Ubatuba, Rio Claro, Amparo, Pirassununga, Capivari e Mogi Mirim. 
Os colonos eram procedentes de diversos países da Europa, principalmente de Portugal, Espanha, Alemanha e Suíça.
Os suíços se concentravam principal-mente nas vizinhanças de Jundiaí, Limeira, Rio Claro e Piracicaba. A maior parte destas colônias foi fundada entre 1852-1854. 
Nos primeiros anos da implantação do sistema de parceria era grande a satisfação dos fazendeiros. Mas ela durou pouco menos de dez anos.
As queixas dos fazendeiros eram de diferentes tipos: modos brutais que os colonos usavam ao fazerem suas exigências; a agitação em que viviam; a indisciplina e os maus costumes de muitos deles, tendo alguns sido presos; o desleixo na colheita, juntando grãos de café verdes e maduros; a recusa a executar certas tarefas, chegando mesmo a se negar a construir cercas para a própria pastagem, só o fazendo mediante indenização; a preguiça e o vício da bebida, o que os tornavam desordeiros e violentos; a baixa produtividade; a recusa a cuidar do cafezal depois de terminada a colheita e outros.
Se os proprietários estavam decepcionados com a experiência, não menos estavam os colonos. 
Além de não encontrarem, no Brasil, o paraíso prometido pela propaganda das Companhias que os contrataram, reclamavam que as mercadorias de que necessitavam eram vendidas por preços maiores do que valiam além de receberem cafezais pouco produtivos, reservando-se ao fazendeiro os melhores pés que entregava ao trabalho escravo. 
Apontavam como desonesta a contagem de juros e os cálculos da conversão da moeda, queixavam-se ainda os colonos do peso excessivo das dívidas que caíam sobre eles já ao chegar à fazenda, em virtude do preço da viagem e transporte até a sede, muitas vezes distante do Porto de Santos, onde eram desembarcados. Sobre aqueles preços ainda eram cobrados juros.
Falavam da arbitrariedade dos senhores, que tolhiam os movimentos dos colonos. Criticavam o desconforto das casas de pau-a-pique, sem forro, em chão batido, semelhante às senzalas. Denunciavam o caráter mesquinho das somas em dinheiro que recebiam por mês (dois, cinco e, excepcionalmente dez mil réis) o que tornava obrigatório comprar na fazenda, dada a impossibilidade de realizá-las fora.
Um pouco diferente foi a experiência em Sítio Grande, segundo vários testemunhos históricos. As cláusulas dos contratos de parceria, as condições de vida, de habitação e de trabalho eram as mesmas, porém a forma de cumpri-mento a elas era outras.
Sítio Grande era um conjunto de várias fazendas de propriedade de Antonio de Queiroz Telles, o Barão de Jundiaí. 
Mais tarde, devido a sua morte em 1870 foi feita a partilha entre seus filhos, e estas passaram a ser denominadas com o nome de seus proprietários. Surgiram, desse modo, as fazendas São Luis, São Francisco e outras.

Os antecedentes

Nas terras de Sítio Grande instalaram-se, em 1854, as 26 famílias dos imigrantes pioneiros. 
Nem todos resistiram às adversidades da situação. Segundo relato dos antigos, apenas oito das 26 famílias sobreviveram.
Até 1881 nenhum outro contingente de imigrantes veio se juntar àquele grupo inicial.
A partir desta data até 1888 outros colonos procedentes de Obwalden, muitos deles parentes dos pioneiros, imigraram para a mesma fazenda. 
As condições de vida já eram melhores, as dívidas já tinham sido pagas, alguns já tinham ascendido a postos de responsabilidade na administração da fazenda, alguma poupança já tinha sido feita de modo a permitir que algumas famílias já tivessem adquirido sítios ou fazendas na região, abandonando a antiga e precária condição.

Aquisição das propriedades e formação da comunidade Helvetia

Em 14 de abril de 1888, as famílias Ambiel, Amstalden, Bannwart e Wolf compraram de Vicente Sampaio Goes o sítio Capivari-Mirim e parte do sítio Serra D'Água, ao longo do Rio Capivari Mirim.
As condições da propriedade adquirida não ofereciam muito conforto aos novos proprietários. 
Dizem as crônicas da época que, só com a primeira safra de café, conseguiram pagar a metade do empréstimo feito.
O restante foi saldado pontualmente no tempo aprazado.
Nos seis primeiros anos as quatro famílias trabalharam em comum. 
Em 1894 dividiram a propriedade em quatro partes iguais, reservando um alqueire para a futura construção da escola e da igreja.
A propriedade não tinha nome, mas, espontaneamente, respeitando as origens étnicas e a experiência histórica e cultural dos pioneiros e fundadores, começaram a chamá-la de "Colônia Helvetia".
Da Suíça, o termo "Helvetia" e  da experiência dos imigrantes nas fazendas do Brasil, o termo "Colônia".
 De fato, "colônia" na cultura brasileira significava o conjunto de casas onde moravam os "colonos", empregados dos fazendeiros, posteriormente passou a significar a propriedade e a comunidade formada por imigrantes de uma mesma origem étnica.
Helvetia passa a ser o pólo em torno do qual os imigrantes de Obwalden começam a se juntar.

Desenvolvimento econômico e expansão territorial da colônia

Enquanto a aristocracia rural mais progressista buscava novas formas de organização da economia no campo as terras começaram a perder valor. Foi a oportunidade que os colonos suíços tiveram de se tornar proprietários.
Por todo o oeste do Estado de São Paulo, o café era bem cotado no merca-do internacional e passou a dominar a paisagem agrícola paulista dando início à afirmação da hegemonia do Estado perante as outras unidades da federação.
Também em Helvetia, a cultura do café era largamente dominante, plantavam-se também milho, feijão, arroz e outros produtos, mas apenas para a subsistência, para o consumo interno e para os trabalhos na terra, criavam-se aves e animais.
Em 1900, 12 anos após a fundação Helvetia, já se estendia por uma área duas vezes superior à inicial. 
A maioria das casas foi construída entre 1900 e 1910 e nas duas décadas seguintes outras se juntaram a elas, com igual, ou melhor, qualidade. Mas antes de construírem suas próprias casas os helvetianos construíram o prédio da escola (1893) e o da igreja (1898-1899).
A igreja no estilo e na estrutura reproduz as linhas arquitetônicas da sua similar em Giswil, já a escola obedece o estilo dominante no Brasil Império. As casas compõem elementos trazidos da Suíça com as exigências impostas pelo clima tropical.
 Ao seu redor, muitas outras fazendas e sítios são adquiridos pelos descendentes dos pioneiros de 1854 e dos fundadores de 1888. Difícil delimitar a área, elas começam a invadir os bairros e municípios de Indaiatuba, Monte-Mor, Campinas, Valinhos, Vinhedo e Jundiaí.

Diversificação das atividades agrícolas - Crise do café - Partilhas de terras

A crise econômica mundial representada pela quebra da bolsa de Nova York, em 1929, obteve sérias repercussões no Brasil apoiada na monocultura do café. 
Helvetia também sofreu as suas conseqüências, mas não a ponto de ver abalada a sua economia, apenas modificou, em parte, o perfil de sua atividade produtiva nos 15 anos seguintes. 
Os cafezais, símbolo do progresso da colônia, foram quase todos preservados e cuidados, mas os novos investimentos se centraram principalmente na cultura do algodão, que alcançava boa cotação nos mercados internacional e interno, com o desenvolvimento da indústria têxtil.
As lavouras de café, algodão, milho, feijão e arroz vão cedendo lugares para as plantações de figo, maçã, uva, maracujá, tomate, verduras e legumes. 
As antigas tulhas e ranchos dão lugares a granjas que passam a engordar frangos e a acolher galinhas poedeiras.

Localização

Helvetia se situa na divisa dos municípios de lndaiatuba e Campinas, a uma distância de 8 e 20 quilômetros respectivamente. 
Não há como negar que ela ocupa um lugar privilegiado na geografia econômica, social e cultural do Estado de São Paulo.
Os historiadores são unânimes ao afirmarem que o desenvolvimento das cidades paulistas se deve a três fatores: a imigração, a expansão cafeeira e as estradas de ferro. Estes três fatores se juntam de uma forma plena na região de Campinas.
No início do século, Helvetia já era cortada por duas rodovias de terra, a estadual e a municipal, ligando In-daiatuba a Campinas. 
Em 1913, com a construção da Estrada de Ferro Sorocabana, Helvetia é mais uma vez cortada e beneficiada por este importante meio de transporte, que durante três décadas foi vital para a sua economia. 
Nos anos 50, Campinas se liga a São Paulo pela Rodovia Anhanguera, e em 1978 pela Rodovia dos Bandeirantes. No início da década de 60, bem nos limites da Colônia, é construído o Aeroporto Internacional de Viracopos. 
Neste mesmo tempo se constrói a Rodovia Santos Dumont, a meio caminho das antigas estradas municipal e estadual. Em 1978, a Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa) corta mais uma vez Helvetia.

Industrialização e urbanização

A industrialização do país, que tem no Estado de São Paulo o seu centro  principal e que veio alterar o perfil agroexportador da economia nacional, se inicia nos anos de 1930 e se consolida a partir dos anos de 1950. 
Este surto industrial, inicialmente localizado na grande São Paulo, logo se expande pelo interior do Estado, transformando Campinas e cidades vizinhas num grande parque industrial. 
A população da região se multiplica na mesma proporção e os perímetros urbanos se alargam num ritmo acelerado.
Helvetia, que nas suas origens e nos seus primeiros 50 anos de existência fora uma grande região agrícola, aos poucos se vê cercada por bairros e vilas das periferias urbanas de lndaiatuba e Campinas.
Como barreiras, a preservar ainda o seu aspecto rural e campestre, ela tem, na direção leste, o Aeroporto de Viracopos e a Rodovia dos Bandeirantes, e na direção oeste a Ferrovias Paulistas S.A. Nesta mesma direção, e como fator que dificulta uma urbanização mais intensa de sua área, localizam-se dois empreendimentos imobiliários de elevado padrão, representados pelo Helvetia Polo Country e Chácaras Polaris.

Grupo de Dança Folclórica Helvetia

O grupo de dança folclórica teve início no ano de 1977, com um grupo de aproximadamente 12 componentes, formado exclusivamente por integrantes femininos, que desenvolveram um trabalho original precursor e fundamental à cultura da colônia.
Com o decorrer dos anos, o grupo foi se reciclando no tocante aos integrantes e no caráter técnico das danças e no ano de 1988, por ocasião das comemorações e festividades do Centenário de Fundação da Colônia, sofreu uma reestruturação importante, dando início a uma nova fase ao folclore suíço da Colônia Helvetia.
Nesta ocasião foram formados vários grupos, sendo a maioria misto, compostos por mulheres e homens, com predominância de faixa etária similar. 
Desenvolveram-se também um trabalho de diversificação de trajes típicos, através do vestuário dos integrantes, caracterizando e simbolizando os Cantões da Suíça.
Atualmente existem quatro grupos - crianças, adolescentes, jovens, e adultos, constituídos por aproximadamente 75 integrantes, com a faixa etária variando de 3 a 70 anos. 
Os grupos contam com a colaboração de professores especializados em dança típica suíça para seu aperfeiçoamento técnico e cultural, onde a cada dois anos, por intermédio do Consulado Suíço no Brasil, especialmente em São Paulo, e pelo desempenho da Colônia, traz diretamente da Suíça os profissionais para a realização de cursos com todos os integrantes. 
Os trajes masculinos e femininos são em sua maioria do Cantão de Obwalden, e alguns de Appenzell. 

Coral de Jodler

O canto Jodler natural ou versificado é uma das mais belas tradições da Suíça. 
O Jodlerklub Helvetia nasceu de um sonho de praticar também essa expressão cultural suíça na Colônia. 
Graças à insistência de Dr. José Luís Sigrist, Dr. José Ming, Pedro Lorival Wolf e José Carlos Bannwart, o sonho de formar um Jodlerklub pôde se tornar realidade quando Arnold Heuberger veio morar no Brasil e com sua expe-riência de 25 anos em canto Jodler na Suíça, aceitou o desafio de ensinar aos helvetianos esse estilo de canto tão articular dos alpes.
O regente Arnold Heuberger-Hubert nasceu em Sarnen, cantão de Obwalden, Suíça, em 1950. Esteve no Brasil pela primeira vez em 1988 junto com o "Obwaldner Trachten Chörli", coral do qual fez parte durante 25 anos e do qual é membro de honra.
Veio definitivamente para o Brasil em 1997, acompanhado de sua esposa Marta e, desde então, vem participando ativamente das atividades culturais da colônia Helvetia.







Jass

O Jass é um jogo estratégico de cartas típico da Suíça.
O baralho é diferente do tradicional baralho brasileiro, os naipes representam a flor, a semente do carvalho, as bandeiras (ou brasões) e as bolas enfeitadas. 
Ocorrem vários torneios de Jass durante o ano.

Festas de Helvetia

Inicialmente a festa tinha o objetivo de angariar recursos para a escola São Nicolau de Flüe e homenagear os fundadores da comunidade, hoje ela serve de ponto de reencontro e congraçamento de todos aqueles que têm suas origens ou ligações com Helvetia.


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Crédito do texto e imagens: Revista Exemplo Imóveis.
Ao utilizar, cite a fonte.


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