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quinta-feira, 18 de junho de 2015

O cinema há 50 anos: recordando o Cine Rex.

 texto de Maria Luisa da Costa Villanova
Historiadora pós graduada em Arqueologia
                                  de 11 de junho de 2015.

Para quem está acostumado ao cinema de hoje, com vários horários, diversas salas com um filme diferente em cada uma, com tempo para “um passeio” na praça de alimentação, ou - para os mais preguiçosos - assistir o que quer nos diversos canais de TV paga, sem sair de casa, ou quem sabe ainda, pegar o filme que quiser na locadora, deve estranhar se resolvesse assistir a um filme na de Indaiatuba de 1965. O cinema, no caso o Cine Teatro Rex, não estava em um shopping, ficava na Rua Candelária, em frete a Praça Prudente de Moraes, onde hoje é o Bradesco.

O filme era o que estivesse em cartaz, um, no máximo dois por semana. Os filmes vinham em rolos, dentro de latas, entregues pela Estrada de Ferro Sorocabana e o frete não era muito barato não. Quando chovia muito, como aconteceu em fevereiro desse ano, a ferrovia ficava intransitável no trecho de Jundiaí até Indaiatuba e era necessário ir de Kombi até Jundiaí para pegar os rolos.

Havia sessões todos os dias, exceto as segundas-feiras, mas as mais importantes eram as dos finais de semana que tinham as matinées as 14h e as duas soirées, ou sessões noturnas, as 19 e às 21 horas. As quartas-feiras eram passados filmes japoneses, em geral alugados pela Toho Filmes América do Sul Ltda., com sede na Liberdade, em São Paulo e que já não existe mais, ou pela Shochiku Filmes do Brasil Ltda., até hoje em funcionamento.

Algumas vezes, pelo acordo feito com o prefeito da época, Romeu Zerbini, o cinema cedia gratuitamente a sala para empresas que precisavam exibir filmes relativos à indústria, como aconteceu no dia 23 de fevereiro de 1965, quando a Iseki de Máquinas Agrícolas (depois adquirida pela Yanmar) fez uso das dependências, sendo cobrada apenas as despesas na bombonière.

O valor das entradas era, em geral, de Cr$ 200,00 a inteira e Cr$ 100,00 a meia, valor esse que não era alto, se considerarmos que o salário mínimo da época de Cr$ 66.000,00. Para termos um parâmetro para esses valores: o litro de leite custava Cr$ 140,00 (in natura, no balcão), o pão (bisnaga de 200 gramas) Cr$ 56,00 e uma revista Seleções da Reader’s Digest Cr$ 400,00.

A média de pessoas que assistiam às sessões era de 300 a 400, sempre mais espectadores pagando inteira do que os que pagavam meio ingresso, mas essa plateia podia ser maior, dependendo do filme, como aconteceu com “Rômulo e Remo”, filme italiano de 1961, com Steve Reeves e Gordon Scott, ou “O Manto Sagrado” com Richard Burton, Jean Simmons, ou o brasileiro “A morte comanda o cangaço” (1). Se levarmos em conta que a população de Indaiatuba em 1965 era de cerca de 30.000 habitantes, muita gente frequentava o cinema.

Enquanto esperava o filme começar, os espectadores ouviam música, tocada em vitrola ou toca-discos como também era conhecida, com discos de vinil ou LP (abreviatura do inglês long play), que possuía cerca de 31 cm de diâmetro, pesava de 120 a 180 gramas e tinha capacidade normal de 20 minutos de música cada lado.

Não podemos esquecer-nos da bombonière, que vendia balas, mentilla, frutella e melloment da Melbras Indústria de Caramelos, drops da Chocolate Dulcora e chocolates, saquinhos de gomas, confeitos de gomas e amendoins da Nestlé. Do lado de fora do cinema havia o carrinho de pipoca Cruzeiro do Sul, com pipocas doces e salgadas sempre quentinhas e cheirosas.

Precisamos lembrar que o Cine Rex, não apenas em 1965, mas durante todo o tempo que funcionou, não foi somente o representante da “sétima arte” na nossa cidade, era também gerador de empregos e também fazia um papel social importante, pois, não esqueçamos que os personagens do cinema eram vistos como exemplos a serem seguidos (nem sempre os exemplos eram bons, como fumar, beber), mas a forma de vestir, de agir, a aparência ao mesmo tempo gentil e viril, eram em geral copiados pelos rapazes e derretiam dos corações das mocinhas que viam neles o noivo ideal. 

Permitia ao espectador se divertir e viajar para outros mundos e lugares, além de um percursor de cultura.


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Obs.: as informações de valores aqui usadas são referentes aos meses de janeiro e principalmente fevereiro de 1965; a partir de março, o governo militar passa a permitir constantes reajustes, que leva a inflação.


Veja mais sobre cinema dessa época:
http://www.interfilmes.com/listaporano_1965_1_nd.html



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(1) O Indaiatubano Wolney Figueira foi figurante deste filme, cuja atuação você pode ver aqui.

Um excelente texto sobre vários filmes do cinema nacional que foram rodados aqui em nossa região você pode ler aqui.

inema antigocinema de indaiatuba
cine rex


CINE REX
Imagem doada por Antonio da Cunha Penna



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Ao utilizar CITE A FONTE.

Um comentário:

  1. muito interesante lembrar o passado e ao mesmo tempo conhecer coisas que a gente não sabia sobre o que assistiamos

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