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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Chácaras Areal

Texto originalmente publicado na REVISTA EXEMPLO IMÓVEIS 
Agradecimentos: Sr. Aluísio Williampresidente do Grupo AWR
Débora Andradesjornalista.
Texto de Ana Carolina Lahr
 As imagens e o texto deste post possuem créditos. 
Cite-os se utilizar para sua pesquisa.

Relíquias do bairro Chácaras Areal

“Passando o bosque do Parque Ecológico, a primeira à direita”. 
É tendo como referência um dos cartões postais de Indaiatuba que chega-se ao Loteamento Chácaras Areal. 
Tido desde o início como um espaço nobre, quando tudo não passava de mato foram os lotes com tamanho acima do padrão que primeiro conquistaram os afortunados.
 Hoje, é a localização privilegiada que garante status ao bairro.





Com a mesma idade e semelhante valor do elitizado Vila Suíça, a história do Chácaras Areal tem início há mais de 30 anos, quando, em 26 de março de 1980, o loteamento da família Nomura foi aprovado pela Prefeitura Municipal, na época administrada por José Carlos Tonin.

Enquanto os imigrantes paranaenses optavam por se instalar na região sul - no também recém-lançado loteamento  Jardim Morada do Sol - a média e alta sociedade vibravam com os lotes tão próximos ao Centro, possuidores de metragens acima do padrão e consequentes preços elevados. “A área era de propriedade de meu pai, Tomiji Nomura. Primeiramente foi loteada em chácaras de 5.000 m2 e parte dos lotes foi doado aos herdeiros. Posteriormente, em acordo com todos os beneficiados junto com o doador, foi decidido fazer um loteamento urbano pois o local era uma área próxima ao centro da cidade e achamos que iria caber bem um loteamento de alto padrão com áreas de lotes maiores que o mínimo exigido”, lembra Kozo Nomura, um dos herdeiros do imigrante japonês.

Antes de se transformar em um dos bairros mais bem cotados da cidade, a área foi explorada para a lavoura de tomate mas, como lembra Nomura, com “a necessidade de rotação de cultura devido às pragas, ficou como pastagem durante alguns anos”.

O nome foi uma identidade natural, uma vez que o local pertencia ao bairro Areal e no momento em que foi subdividido em chácara, foi denominado Chácaras Areal. “Este nome continuou quando passou para Loteamento Chácaras Areal”, conclui Kozo.




Valorização

Estritamente residencial, o Chácaras Areal não permite construções coletivas, nem com mais de dois andares. A única rua que abre exceção para o comércio é que dá vista para a Avenida Engenheiro Fábio Roberto Barnabé, no Parque Ecológico. Isso se deve ao fato de, na época da aprovação do empreendimento, não existir restrição nos imóveis que confrontam com o Corredor de Comércio e Serviços na avenida, onde são permitidas diversas categorias.


Relativamente pequeno, o loteamento é formado por três ruas verticais e cinco horizontais. Um levantamento da Secretaria de Planejamento Urbano e Engenharia mostrou que ele possui 183 lotes, dos quais 81,97% estão ocupados. “Hoje é raro encontrar um lote ou casa no Chácaras Areal, e quem tem, não está vendendo”, observa o corretor de imóveis Maurício Anadão, da AVP Imóveis.




O motivo para tanto zelo, dentre outras coisas, é a privilegiada localização. “Considero o Vila Suíça, o Chácaras Areal e o Jardim Esplanada as áreas nobres de Indaiatuba”, diz, enfático o profissional antes de prosseguir. “Desde o início ele foi tido como um bairro elitizado”, lembra, “ele é antigo em Indaiatuba, mas a proximidade ao Parque Ecológico traz uma grande valorização”.

Correto na afirmação de que o Chácaras Areal foi elitizado desde o começo, é na sua segunda justificativa que encontra a motivação inicial para tanto desejo. “Ele oferece terrenos com tamanho acima do padrão, de 450 a 600 metros quadrados. A média é de 200 metros quadrados a 300, no centro da cidade. Além disso, tem muitas casas que ocupam mais de um terreno”, explica o corretor.

Isso porque, na década de 1980 a estrutura do atual Parque Ecológico ainda não existia. O primeiro trecho daquele que viria a se tornar um dos cartões postais do município teve seu projeto elaborado pelo Arquiteto Ruy Otake em 1989/90 e sua execução em 1990/91, de acordo com informações do Departamento de Cartografia da Secretaria de Planejamento Urbano e Engenharia.

Quando foi iniciada a comercialização, por dois anos ou mais não tinha nenhuma construção, a não ser a sede antiga do sítio, a maioria dos compradores foram investidores, acredito”, lembra Nomura.

Inicialmente delimitado pelas chácaras que o mantiveram relativamente isolado dos demais bairros, nos últimos anos algumas delas deram espaço aos novos loteamentos. “Alguns loteamentos fechados foram cercando o bairro, que são o Vila Borghese, o Residencial Santa Clara e o Villa Romana. A entrada desses condomínios de alto padrão são no bairro, conferindo ainda mais valorização a ele. Além disso, está próximo ao Vila Suíça e ao Maison du Park, áreas também de alto padrão”, lembra Anadão.

É assim que, embora burocraticamente pertencentes a bairros distintos, o Chácaras Areal acrescentou ao seu território 533 lotes, uma vez que a única entrada para os referidos loteamentos é pelas ruas verticais do visado espaço.

Mas, se por um lado os empreendimentos agregaram ainda mais valor às construções, por outro, aproximaram o loteamento dos Nomura do perigo, fadando o bairro a um grande dilema. “É lógico que hoje, uma casa de R$500 mil, R$ 600 mil, você não vende do dia para a noite. Mas Indaiatuba está sendo elitizada. É uma cidade de alto padrão e esses bairros só tendem a valorizar mais ainda. O que acontece é que a busca é pequena porque quando você tem um imóvel nesse valor, a pessoa geralmente caminha para os loteamentos fechados. Nessa faixa de preço, não é difícil encontrar um imóvel. Então, os terrenos e casas do Chácaras Areal ainda hoje competem com essas áreas”, justifica. “O que tende a acontecer é que as casas em loteamentos e condomínios fechados valorizem ainda mais e as casas de bairros de alto padrão se mantenham nessa faixa. Aí vai ser muito mais fácil a comercialização”, especula Anadão, lembrando ainda que o perfil do cliente é outro ponto a se considerar. “Tem gente que quer casa nesse padrão, mas não gosta de loteamento fechado”, finaliza.


O pioneirismo do Villa Romana

Levando consigo o título do primeiro loteamento fechado da região, o Villa Romana é hoje também o mais habitado dentre os três loteamentos que compõe a 'menina dos olhos' do bairro.

Sua história tem início em 1999, dezenove anos após iniciado o loteamento do Chácaras Areal, e, como parte do território, guarda em sua origem histórias que se cruzam com a do bairro em questão, com é o caso da prática da colheita. “Meu pai sempre plantou frutas e quando viemos para esse local, já tinha uma plantação de uva e maracujá”, conta o empresário Tetsuo Murakami, herdeiro de Kachio Murakami, quem deu início à inovadora tendência no final da década de 90.

“Morávamos em um sítio depois de onde hoje é o bairro Mato Dentro e meu pai decidiu que queria se mudar. Acredito que para ficar mais próximo do Centro. Depois de procurar por toda região, acabou comprando essa área. O problema é que ela era muito mais cara. Ele foi corajoso, e até ousado, financiou mais ou menos metade e logo nos mudamos”, lembra.

A compra foi feita em 1977 e Tetsuo revela que nessa época o Chácaras Areal ainda pertencia a um único dono e era apenas mato, assim como o Parque Ecológico era um brejo.

Mas, se a princípio a aposta parecia ousada, em pouco tempo se mostrou certeira. Três anos mais tarde o Loteamento Chácaras Areal abria as portas para o que hoje é tido como um dos bairros mais bem quistos do município.

O progresso, no entanto, teve seu preço. “Começamos a ter a dificuldade de plantio. Meu pai tinha arrendado uma parte para uma pessoa plantar verduras. Ficamos nessa parceria por uns três ou quatro anos, mas a vizinhança reclamava do odor do esterco de galinha. Além das moscas, e assim a atividade se tornou inviável. Achamos que tinha chegado a hora de pensar em alguma outra coisa. Foi quando optamos pela parceira e loteamos, criando o Villa Romana”.

O empreendimento foi realizado em parceria com a Antônio Andrade Empreendimentos Imobiliários Ltda. e mudou a entrada de acesso pela para Av. João Ambiel para a segunda rua do Chácaras Areal, superando as expectativas. “Era uma coisa nova. Nunca estive envolvido na área imobiliária e não tinha como ter noção do resultado, mas ele foi excelente. Na época não tinham muitos empreendimentos, principalmente fechados. Não se falava muito deles e não se sabia a aceitação, mas era a tendência buscar algo mais seguro. As vendas foram muito mais rápidas do que se esperava”, recorda Tetsuo pontuando que apesar do sucesso, as lembranças do passado não são fáceis de apagar. “A gente lembra como era onde viveu por tanto tempo. Principalmente o meu pai, que sempre esteve na zona rural, sentiu muito com o loteamento”, admite em meio a lama deixada pela chuva na lembrança do caminho da escola para casa.


Loteamentos fechados com acesso pelo bairro:

Jardim Vila Romana
Lançamento: 1999
Total de lotes: 195



Vila Borghese
Lançamento: 2002
Total de lotes: 48



Jardim Residencial Santa Clara
Lançamento: 2003
Total de lotes: 290



Quem foi Tomiji Nomura?

Desde 1987 dando nome à antiga rua 9 do Loteamento Chácaras Areal - um do acessos ao bairro pelo Parque Ecológico -, Tomiji Nomura foi um dos imigrantes japoneses que contribuiu para a cidade de Indaiatuba como produtor de tomate.

Filho de Umesaburo e Tatsu Nomura, Tomiji nasceu em 1912, em Jifu-Ken. Se casou com Yori Nomura em 27 de agosto de 1936, vindo a ter  três filhos: Toyozo, Yasonory e Kozo Nomura.

Sobrevivente da 2ª Guerra Mundial como soldado, ele imigrou para o Brasil trazendo toda a sua família e se estabeleceu na região nos anos de 1957. 

Faleceu em Indaiatuba, em consequência de um AVC, no dia 16 de setembro de 1984. 

Seu nome foi dado à rua como homenagem graças ao Decreto 3733, de 9 de julho de 1987, assim como o recebeu mérito de Pedro Alvares Cabral como produtor.  

       



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