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domingo, 1 de março de 2009

Texto de 1955 - Maria Nazareth Pimentel

CROMOS DE INDAIATUBA NA ÉPOCA DE SEU 1º. ANIVERSÁRIO
Texto de Maria Nazareth Pimentel publicado em 1955 na
" A Gazeta de Indaiatuba"


Cidadezinha humilde nascida sob o olhar carinhoso de N.S. da Candelária, não possuía a “Terra dos Indaiás”, na época de seu 1º. Centenário, água encanada.

A população abastecia-se nas torneiras localizadas em diversas esquinas e no famoso chafariz, ainda hoje existente no fim da rua Bernardino de Campos, naquele tempo Rua do Chafariz. Para esse mister eram utilizadas latas colocadas em carrinhos típicos, feitos geralmente de caixão de querosene, tendo na parte anterior uma roda cujo eixo se prendia a dois braços que se alongavam até a parte posterior. Quantas vezes não serviam eles de assento as comadres que, cansadas com a subida de volta do chafariz, faziam um ponto de parada e punham-se a fazer mexericos. - E como foram célebres os mexericos da Rua do Chafariz! - Eram esses, carrinhos conduzidos por crianças e também por muita gente grande.

Pela manhã, a população era despertada pelo ruído característico dos carrinhos em demanda das torneiras. À medida que o dia se aproximava aumentava o número, o barulho se tornava ensurdecedor e as ruas transformavam-se em verdadeiras pistas de corrida. Às vezes era tanta aglomeração em volta das torneiras que não raro terminava em cenas de pugilato. Como eram interessantes essas brigas!

- Agora é a minha vez dizia um.

- Não é nada, eu é que cheguei primeiro dizia outro.

- Sou eu!

- Não é!

Os que não tinham nada com a briga instigavam os contendores e... quando menos se esperava os briguentos afastavam os carrinhos e, dando-lhe um forte impulso, atiravam um de encontro ao outro. As latas saltavam longe amassadas, derramava-se a água de outra, estalavam os tapas enquanto a água escorria ao longo das sarjetas e a criançada aglomerada em volta dos briguentos torcia loucamente.

Quantas vezes o saudoso Hugo Lisoni não precisou apartar as brigas da torneira de fronte a sua casa...
E dos cines Recreio Internacional cujos salões tinham por forro bandeirinhas multicores, e por poltronas cadeiras de palhas, quem não lembra com saudade?

Antes de iniciar a sessão, tocava-se a pianola, e quando não, o Alberto Cego deliciava a platéia com sua sanfona.

Num dado momento surgia o empresário com bambu na mão, que era introduzido em um balde d’água colocado perto da pianola, e começava a molhar a tela. A criançada gritava, assobiava e batia palma, pois era sinal que iria começar a passar em partes destacadas as fitas de Harol Loyd, Carlitos,
Pearl White (Pear Vite como se dizia). No intervalo ia-se a porta comprar doce no tabuleiro de Nha Rosa Nha Bernardina. Nha Rosa ficava no Cine Recreio e Nha Bernardina no Cine Internacional. Quanta criança, hoje com diploma debaixo do braço, apesar de proibição da mãe fugia do Internacional pra comprar cocada de Nha Rosa, por que era cor de rosa...

E sabem quanto custava a entrada do cinema? 300 réis! Imaginem!... Bons tempos que não voltam mais...

Com todas as cidades, Indaiatuba possuía personagens populares, que faziam a alegria de muita gente.

Entre eles não podemos esquecer o velho ”Barba”. Filho da bela Itália, fez do Brasil a sua segunda pátria e de Indaiatuba sua terra natal. Era carregador da Estação e fazia o transporte de encomendas, malas dos viajantes em uma pequena carriola de mão.

Seu ponto de parada era o armazém do Ambrósio Lisoni, onde hoje é a “Casa Lyra”. Ali tomava com o Zé Pioli seus gostosos copos de vinho e fumava seu cachimbo, recordando a pátria distante. Muitas vezes enquanto bebia numa roda, o Hugo, o Miro e o Antoninho Bueno enchiam o seu cachimbo de pólvora e quando o “Barba” - já com ele entre os lábios, chegava-lhe o fósforo aceso, era aquele estouro, o cachimbo ia parar longe e o velho carregador dava início a sua coleção de superlativas...

Outras vezes amarravam a roda da carriola e quando saindo apressadamente empurrava-a e ela não saia do lugar... E os autores da brincadeira riam às bandeiras despregadas. Quando se tornava demais a brincadeira, Da. Maria Lisoni entrava no meio, esparramava com tudo para que o velho carregador ficasse em paz.

Quantas saudades! ...

Nota pitoresca era o “sino da cadeia”. Ocupava esta, a parte esquerda do edifício da atual Prefeitura Municipal.

O comércio funcionava à noite e uma ou outra pessoa andava pelas ruas. Nas portas das casas comerciais sentavam-se as famílias, enquanto as crianças brincavam. Ao aproximar-se às 21 horas as cadeiras eram recolhidas para dentro de casa e de repente... dim... dim... dim... 9 horas. Era o sino da cadeia, tocando recolhida. As portas se fechavam e ninguém mais se atrevia a sair pelas ruas. . . e o silêncio envolvia a bela terra dos indaiás.

Oh! Indaiatuba querida, como estás diferente!

Teus ares de cidade grande!...

Mas quantas recordações a simplicidade de tua vida de outrora desperta nos corações de teus filhos!

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