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terça-feira, 1 de junho de 2010

ETE Mario Araldo Candello - Um Orgulho para os Indaiatubanos - até quando?


Na manhã de hoje, 1o. de junho de 2010, foi inaugurada pelo SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgotos de Indaiatuba - sob a superintendência do Engenheiro Alexandre Peres - a Estação de Tratamento de Esgoto Mario Araldo Candello, no Distrito Industrial Vitória Martini, em Indaiatuba. Eis a grandiosidade da obra, exposta em números:

- 100% do esgoto doméstico, é o potencial de tratamento que está sendo divulgado.
- 20 anos é o tempo previsto de funcionamento, sem necessidade de expansão para manter essa meta (de 100% ) de tratamento. (Esse dado mudou 1 ano após a publicação deste post).
- 40 milhões de investimento advindos, na maior parte, de recursos do próprio SAAE e também do PAC.
- 1,5 milhões advindos do governo do Estado, segundo Rogério Nogueira Lopes Cruz, deputado.
- 1999  foi o ano em que teve início as obras, na gestão de Tadao Toyama, importante lembrança citada pelo prefeito Reinaldo Nogueira Lopes Cruz.
- 95% é a eficácia mínima de remoção de DBO - Demanda Bioquímica de Oxigênio do sistema de tratamento implementado.
- 80% é o mesmo fator na redução de nutrientes desse sistema.
- 2 lagoas com lodo ativado de aproximadamente 170 metros de comprimento, 70 metros de largura e pontos com até 6 metros de profundidade é onde o esgoto sofrerá tratamento biológico.
Mais 2 lagoas de receptação estarão disponíveis,  caso seja necessário o processo de remoção mecânica do lodo.
- 200 mil, aproximadamente, é o número de habitantes de nossa cidade que deveriam sentir muito orgulho na data de hoje.
- Um número imensurável é o tamanho do benefício para um número também imensurável de cidadãozinhos das próximas gerações, que com certeza usufruirão de um Rio Jundiaí menos poluído e quem sabe mais piscoso.



A Técnica de Tratamento

É biológica, com o objetivo de reduzir o DBO, preservando o oxigênio e eliminando matérias orgânicas.

No esgoto doméstico, há materiais orgânicos e diversas bactérias, muitas delas transmissoras de doenças que se alimentam dessa  mesma matéria orgânica, digerindo-a em um processo onde, entre outros, é necessário o oxigênio. Forma-se um círculo vicioso: quanto mais matéria orgânica, mais bactéria que disputam entre sí o oxigênio, que se extingue, matando assim as bactérias. Só que as bactérias mortas se trasnformam em alimento também e se chegarem nos mananciais, como no caso do Rio Jundiaí, vão continuar o círculo até o oxigênio chegar ao fim. Daí a necessidade de se controlar - ou melhor, reter - a quantidade de matéria orgânica que é jogada diariamente - com e através de nossos dejetos  - nos mananciais.

O funcionamento da ETE



O esgoto captado na cidade chega através da tubulação na ETE, onde primeiramente é submetido à um tratamento preliminar: os resíduos mais sólidos - até 30 mm - são filtrados e retidos. Em seguida vai para uma estação elevada, que por sua vez retém sólidos com até 6 mm.


A medição da quantidade do esgoto é feita, por enquanto, somente na entrada - em um equipamento denominado Calha Parshal.


Antes do tratamento biológico nas lagoas, os esgoto também passa por desarenadores, onde materiais sedimentáveis como a areia são retirados.

Após essas etapas do tratamento preliminar, o esgoto praticamente é enviado para as duas lagoas providas de um sistema de aeração gerado na Casa dos Sopradores. Essa oxigenação artificialé que vai manter as bactérias que se alimentam dos dejetos do esgoto "vivas", impedindo o círculo vicioso citado.  A energia utilizada advém de uma estação  de energia primária. Esse tratamento biológico é finalmente completado por decantadores, que retém mecanicamente o lodo do fim do processo.

Além dessa estrutura toda, que espanta principalmente pelo tamanho das lagoas artificiais, ainda há um Auditório, o Laboratório de Controle da Qualidade para analisar os efluentes e um Centro de Control e Operacional.


Mário Araldo Candello

Foi através de um projeto-Lei do então vereador João Martini Neto, atualmente superintendente da FIEC que a ETE recebeu o nome de Mário Araldo Candello, fato este citado pela filha do homenageado que esteve presente ao evento, a professora Adelai Candello.

Mário Candello nasceu em Jundiaí no dia 30 de março de 1931. Desde jovenzinho trabalhava como escriturário em uma empresa que o pai tinha aqui em Indaiatuba, de máquinas agrícolas. Casou-se em Indaiatuba e teve três filhos. Em 1946 fundou o Despachante Líder, a primeira empresa do setor aberta em Indaiatuba, que existe até hoje. Nela trabalhou incansavelmente, mesmo após aposentar-se no ano de 1967.

Foi fundador do Clube 9 de Julho, da Congregação Mariana e vereador. Elegeu-se prefeito e cumpriu o mandato de 1969 até 1973, período em que liderou importantes feitos: substituiu a iluminação dos postes públicos de incandescentes por mercúrio, construiu e inaugurou as escolas Helena de Campos Camargo, Dom José de Camargo Barros e instalou o Hélio Cerqueira Leite onde hoje é o prédio da FATEC e inaugurou o SAAE, com sua ETA 1.

O prefeito Reinaldo Nogueira Lopes Cruz compartilhou, aliviado, a satisfação da inauguração da ETE com dois participantes aos quais ele referiu-se como "as pedras no sapato" que muitas vezes inpulsionaram a obra: o promotor do Meio Ambiente Fernando Grosso e o funcionário da CETESB Domenico Tremaroli. Ambos demonstrarm em sua falas a satisfação pela conclusão da obra, tida como uma "declaração de amor" à natureza. Que ambos, promotor e funcionário da CETESB continuem a fazer seu papel, pegando cada vez mais no pé das indústrias, que também devem ter suas ETEs em conformidade com os requisitos legais e regulatórios e também das outras prefeituras da região pois não será apenas a nossa já tão querida ETE Mário Candello que tirará o Rio Jundiaí da fase terminal em que agoniza há anos.

Na satisfação do superintendente Engenheiro Alexandre Peres,  podemos, sem temor de exagerar, estender a satisfação de todos os funcionários do SAAE, de todos os operários que acentaram cada tijolo, das empresas contratadas para prestar mão de obra na terraplanagem, construção, implantação de sistemas de operação e controle. Cada um fez a sua parte nesta obra, enaltecida pela atual gestão  - do Prefeito Reinaldo Nogueira - como a maior obra de saneamento do século.

Um pouco de História





Cópia Eletrônica de imagem de Coletor de Esgoto de Indaiatuba (1936)
Foto  original do acervo do Arquivo Público Municipal de Indaiatuba Nilson Cardoso de Carvalho 
Fundação Pró-Memória de Indaiatuba


Relatório feito no final da década de 1930 em nossa cidade, constatou que o esgoto era a mesma coisa que lixo, no que tange ao destino dado. Assim por "esgoto" classificou-se a água usada para diversos fins, misturada com restos de alimentos, dejetos e outros materiais chamados de lixo.

Em algumas casas tudo isso era parcialmente separado e assim destinado: a água suja era simplesmente jogada nos quintais, os restos de alimentos eram jogados em grandes latas de querosene ou banha e quando lotadas do que se chamava de lavagem, eram retiradas por por criadores de porcos da redondeza. Nas casas onde existiam poços do tipo caipira, que outrora serviram para retirada da água, eram jogados os dejetos de penicos e privadas, obviamente sem tratamento algum, até que um dia, tais poços, inviabilizados para tal fim, eram para sempre entupidos - com mais lixo - e desativados.

Já nas casas onde não havia poços, que eram a minoria nessa época, o esgoto era posto em latas, tanto a parte líquida como sólida. As latas eram postas diariamente na rua, de onde eram retiradas por uma carrocinha especial da prefeitura. Sim, essa mesmo que você vê na imagem! Uma espécie de carrocinha puxada por um burro, onde havia uma pipa de madeira com uma abertura com um funil. O esgoto das latas era despejado nessa pipa, a parte líquida ficava armazenada e a parte sólida era retornada para outras latas, também recolhidas por carroceiro da prefeitura. Os carroceiros levavam a carga para os arrebaldes não muito distantes da cidade _ caso contrário, o burro não aguentaria _ e ali tudo era despejado, sem tratamento algum.... E morosamente tudo embebido pelo terreno, pelos nossos terrenos, onde haviam indaiás!

Obviamente, na época, a população reclamava do mal cheiro e das sucessivas epidemias, também provocadas pela proliferação de mosquitos que tinham nesses terrenos um verdadeiro berçário como criadouro. Mas tudo isso não era muito diferente do que acontecia em outras cidades por essa Brasilzão afora.


Mas agora, agora é diferente!

Nossa cidade agora não é mais categorizada como "mais uma" que possui as mesmas condições de saneamento básico do que tantas outras.
Não é.
Segundo dados apresentados hoje, é a única com o número de população que temos, com uma Estação que tratará 100% do esgoto doméstico.(Não foi dito por quanto tempo...)
Isso é desenvolvimento sustentável.
Isso é respeito pela natureza, pelos moradores, pelos cidadãos.
Investir os impostos que pagamos em uma grandiosa obra como essa, é dar retorno justo.
Congratulo todos os anônimos que trabalharam na viabilidade política, técnica e econômica da obra em nome de Alexandre Peres, este filho de nossa terra, filho de Bernadete e Wanderley.
Com certeza, Alexandre, seu pai, que tanto se dedicou ao SAAE durante seus 10 anos como funcionário, de onde ele está, deve estar muito orgulhoso dessa obra que você, como tantos outros - a maior parte dos quais nunca serão citados pela História_  fez parte da viabilização.
Especificamente hoje tenho mais orgulho de ser INDAIATUBANA.


















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